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segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Brahms - Ein Deutsches Requiem (Op. 45)

Hoje vamos falar de uma outra obra que é considerada como uma obras primas de Brahms. Esta obra foi composta entre 1865 e 1868 e é uma obra sagrada embora não litúrgica. É composto por sete andamentos sendo a letra baseada em textos da Biblia Luterana Alemã escolhidos e adaptados pelo próprio Brahms.

Neste Requiem Brahms que não era especialmente devoto escolheu deixar de fora qualquer referência ao dogma cristão. Aliás Brahms via esta obra mais como "humana" do que sacra. É esse carácter humanista uma das características que tornam este Requiem único. Hoje iremos ouvir os dois primeiros movimentos desta obra. A tradução do Inglês é minha.

1º Movimento : Benditos são os que choram

Benditos são os que choram porque serão reconfortados
Os que se inundam em lágrimas exultarão em Alegria
Os que vão em frente e choram, transportando uma semente preciosa
voltarão sem dúvida de novo com felicidade.

Oiçam aqui o primeiro andamento.

2º Movimento : Porque toda a carne é como erva

Porque toda carne é como erva, e toda a glória do homem como a flor da relva.
A erva e as suas flores caiem da mesma forma .
Sejam pacientes, pois, irmãos, até à vinda do Senhor.
Eis que o lavrador espera o precioso fruto da terra, e há muito que o espera, até receber a chuva de manhã e da noite.
Mas a palavra do Senhor persevera eternamente.
E os resgatados do Senhor, devem voltar, e chegar a Sião com cânticos e alegria eterna nas suas suas mentes: eles obterão alegria e alegria, a tristeza será eliminada.

Oiçam aqui o segundo andamento (primeira parte) e aqui (segunda parte).

sábado, 20 de setembro de 2008

Brahms: Sinfonia nº 4 (Mi menor) Op. 98

A sinfonia nº4 é a ultima das sinfonias de Brahms é a mais claramente romântica das quatro. É geralmente considerada como uma das obras primas do compositor. Composta entre 1884 e 1885 foi estreada em 25 de Outubro de 1885 em Meiningen dirigida pelo próprio Brahms.

O início do primeiro andamento (Allegro non troppo Mi menor) é bastante surpreendente para quem houve a obra pela primeira vez dado que começa logo pelo tema. Não há introdução, o ouvinte é transportado de imediato para o núcleo da peça um pouco como se tivesse apanhado uma conversa a meio. De resto este andamento é uma demonstração de total domínio da forma de Sonata. Para este andamento escolhemos o maestro Takashi Asahina e a Osaka Philharmonic que pode ouvir aqui (primeira parte) e aqui (segunda parte).

O segundo andamento (Andante moderato: Mi Menor - Mi Maior) lembra pela sua forma um Requiem. Termina dando a sensação que as sombras tomaram de vez a terra. Felizmente o terceiro andamento vai demonstrar que essa percepção está completamente errada. Para este segundo andamento como aliás para todos os restantes escolhemos Carlos Kleiber e a Bavarian State orchestra. Pode ouvir este segundo andamento aqui (primeira parte) e aqui (segunda parte).

O terceiro andamento (Allegro giocoso: Dó Maior) é de uma energia fantástica e um exemplo quase único de humor por parte de Brahms. Não só pela repetida utilização dos triângulos mas também pelo facto de existirem respostas feitas por pequenos sopros ao forte de uma orquestra.
Pode ouvir este terceiro andamento aqui.

O quarto andamento (Allegro energico e passionato Mi Menor) para os estudantes de composição é simplesmente fantástico. Na verdade trata-se de um andamento baseado numa "passacaglia" (forma de composição típica do barroco). Porém este andamento é muito mais do que um simples exercício académico. É o ponto final na arte de orquestração de Brahms mas ao mesmo tempo e talvez paradoxalmente um dos pontos onde Brahms abriu uma porta. Na verdade Brahms pode ser visto para o classicismo um pouco como Bach para o Barroco levando a forma às suas ultimas consequências mas não deixando novos caminhos por explorar. Neste caso porém fê-lo. Como dizia curiosamente parece também a sua ultima palavra, como se depois disto nada mais tivesse a dizer. Pode ouvir este quarto andamento aqui.

Quis também o destino que esta fosse a ultima obra a que Brahms assistiu quando a ouviu a 7 de Maio de 1897 num concerto por ocasião do seu 64º aniversário. Brahms já profundamente doente de cancro no fígado ainda conseguiu levantar-se no seu camarote para agradecer o efusivo aplauso da plateia.

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Brahms: Sinfonia nº 3 em Fá Maior (Op. 90)

Esta sinfonia foi composta no verão de 1883 cerca de seis depois da segunda sinfonia. Hans Richter que também a estreou a 2 de Dezembro de 1883 disse que esta era a "Eroica" de Brahms. Se se lembram do que dissemos aqui e aqui sobre a necessidade que Brahms sentia de se afastar de Beethoven (embora o admirasse imenso) o compositor não deve ter deixado de se sentir ao mesmo tempo elogiado e frustrado.

A recepção a esta sinfonia foi extraordinária merecendo rapidamente várias interpretações até ao ponto que Brahms já se lhe referia como a "infelizmente muito célebre" sinfonia.

Tal como as duas que já ouvimos esta sinfonia foi escrita em quatro andamentos numa estrutura bastante clássica.

Podem ouvir o primeiro andamento (Allegro con brio - Fá maior) aqui dirigido por Felix Weingartner (1863-1942). Também poderão ouvir o segundo andamento Andante (C major) dirigido pelo mesmo maestro aqui.

O terceiro andamento sem dúvida o mais conhecido e um dos meus andamentos preferidos pode ser ouvido aqui e finalmente o quarto aqui.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Brahms: Sinfonia nº 2 em Ré (Op. 73)

Se a primeira sinfonia de Brahms é essencialmente uma obra angustiante, poderosa e forte a segunda sinfonia composta apenas um ano depois (comparar com os 21 anos que a primeira levou a compor pode ser interessante), a segunda sinfonia é essencialmente uma obra de paz interior.

Também nesta sinfonia Brahms não conseguiu evitar as comparações sendo esta composição comparada com a sexta de Beethoven. Curiosamente Brahms manteve com os amigos uma espécie de piada musical. Dizia ele que "nunca tinha composto nada tão triste" e acrescentava "é tão triste que não conseguir ouvir até ao fim". É claro que isto é apenas uma piada que Brahms manteve mesmo depois da estreia. Na verdade com excepção do Adagio toda esta obra está repleta de felicidade, mesmo que contida, pacifica, pastoral se quisermos.

A obra foi estreada em a 30 de Dezembro de 1877 em Viena dirigida por Hans Richter mantendo a estrutura normal da sinfonia clássica em quatro andamentos.

O primeiro andamento (Allegro non troppo em Ré Maior) começa com uma sombria sequência de quatro notas para depois acabar por ser desenvolvida por três melodias relativamente tranquilas. Oiça aqui a Orquestra de Viena dirigida por Kleiber (segunda parte deste movimento aqui).

O segundo andamento (Adagio non troppo em si maior) é na realidade bastante sombrio (eu prefiro qualificá-lo como melancólico) embora com um breve momento em que esse tom é abandonado. Mas é apenas um breve momento antes das sombras voltarem a cair. Oiça aqui a orquestra do Royal Conservatory de Den-Haag dirigida por Roy Shapira.

No terceiro andamento (Allegretto grazioso - quasi andantino - em Sol Maior) voltamos ao ambiente calmo e gracioso da obra, quase dançante segundo Brahms. Oiça aqui a Orchestra Royal Conservatory The Hague dirigida por Hernan Schvartzman interpretar este andamento.

Finalmente o quarto andamento (Allegro con spirito em Ré Maior) é provavelmente o mais claro, o mais abertamente feliz desta obra que termina de forma bastante assertiva. Voltamos para este andamento à Filarmónica de Viena e a Kleiber, aqui.

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Brahms: Sinfonia nº 1 em Dó Menor Op. 68

Brahms não é conhecido por ser um compositor especialmente rápido e esta sinfonia reflecte bem essa fama. Na verdade Brahms parece ter levado mais de vinte e um anos entre os primeiros esquissos que datam de 1855 até 1876 ano em que ocorreu a estreia da sinfonia que teve lugar em Karlsruhe a 4 de Novembro de 1876 dirigida por um amigo de Brahms, Felix Otto Dessoff.

A estreia da obra foi um triunfo relativo porque tanto Brahms como uma parte substancial da critica admirava tanto Beethoven que face ao mestre tudo o resto parecia menor para já não dizer uma cópia. Na verdade dizemos que foi um triunfo relativo porque o grande crítico Hans von Bulow disse como mensagem de felicitação que parecia a "décima", uma alusão óbvia a poder ser considerada uma sucessão do trabalho de Beethoven.

Note-se que a própria estrutura clássica desta obra seguindo os canons clássicos, quatro andamentos e um desenvolvimento muito na linha da evolução do período clássico ajudava a fazer-se essa assimilação.

O primeiro andamento em Dó menor está dividido em três partes : Un poco sostenuto – Allegro – Meno allegro . Este primeiro andamento tem como característica principal a impaciência um certo tom de desafio que apenas é resolvido muito perto do final do mesmo. Podem ouvir aqui e aqui Karajan a dirigir este andamento.

O segundo andamento em Mi maior é como mandam as regras um Andante, Sostenuto neste caso. Um andamento que surge com a paz que resolve toda angustia e ansiedade trazida pelo primeiro andamento. Podem ouvir aqui Karajan a dirigir este andamento.

O terceiro andamento Un poco allegretto e grazioso em Lá bemol maior é profundamente característico de Brahms. Não é bem um scherzo como seria de esperar numa estrutura puramente clássica ... é qualquer de dificilmente caracterizável, algo profundamente brilhante. Oiçam aqui este andamento dirigido por Karajan.

O ultimo andamento agora em Dó Maior está "dividido" em três partes tal como o primeiro (Adagio – Più andante – Allegro non troppo, ma con brio – Più allegro). Podem ouvir aqui este ultimo andamento, majestoso, digno, marcial quase. Sim terão razão se vos parecer "parecido" com a nona sinfonia de Beethoven. Oiçam aqui Karajan (e aqui a segunda parte desse andamento).

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