terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Prokofiev - Concerto para Piano e Orquestra nº 1

Prokofiev em 1917
Este concerto, uma das primeiras obras publicadas de Prokofiev (Op. 10) em Ré Bemol Maior foi durante muito tempo desconsiderado  por ser uma obra de juventude e também eventualmente por uma duração inferior ao habitual apenas cerca de 15 minutos que pareciam curtos para o desenvolvimento de uma ideia musical.

Isto dito é um concerto que recomendo para quem quer começar a ouvir música clássica e por isso faz parte da nossa lista das 100 obras. E recomendo porque tem para mim a característica das grandes obras; é impossível a indiferença a começar pela exuberância do seu tema principal.

Os três andamentos são interpretados sem pausa entre eles seguindo uma estrutura bastante clássica de andamento rápido - lento - rápido. A dedicatória ao seu professor Tcherepin (temido professor como Prokofiev dizia) transparece também na natureza um tanto clássica dessa estrutura.

O concerto foi composto em 1911 sofrendo uma revisão em 1912 tendo a sua estreia com Prokofiev enquanto solista sido a 7 de Agosto de 1912. Gostava de encontrar uma versão do próprio Prokofiev para vos mostrar mas não consegui. Assim sendo proponho na mesma uma excelente interpretação de Sviatoslav Richter com a Orquestra Sinfónica da Checoslováquia dirigida pelo magnifico Karel Ancerl numa gravação de 1953.


Carta aberta à FNAC do Vasco da Gama

Exmos Srs.

A primeira vez que entrei numa FNAC em França umas largas dezenas de anos atrás ainda a vossa cadeia era apenas uma miragem em Portugal - digo miragem porque na verdade na altura as vossas lojas eram efectivamente templos de cultura - lembro-me de ter tido precisamente essa impressão. Que se respirava nesse espaço o gosto do conhecimento, quer literário quer musical.

Este fim-de-semana tive o desprazer de voltar à vossa loja no Vasco da Gama. Para manter as coisas sem adjectivos demasiado fortes diria-vos o seguinte: Eu teria vergonha da selecção de música francesa que oferecem.

E escusam de me dizer que é o sinal dos tempos e das preferências. Escusam de me dizer isso porque é impossível ser duas coisas ao mesmo tempo. Se o vosso posicionamento é ser um templo do consumo tudo bem, basta dizê-lo que deixarei de vos visitar. Há outras lojas não físicas onde posso encontrar o que procuro. Porém se desejam manter a diferença em relação ao resto há mínimos olímpicos, há mínimos olímpicos a que estão longe muito longe de chegar.

Não aceito que numa FNAC exista um linear inteiro de topo a baixo para RAP e apenas nem metade de metade de um linear para música francesa. Inaceitável. E pior ainda, poderíamos dizer que era uma boa selecção, mas nem isso. Tenham vergonha, tenham vergonha.

O ponto positivo era que para mim era difícil entrar numa FNAC porque já sabia que sairia com o amargo sentimento de não ter trazido nem 10% do que gostaria. Não neste fim-de-semana, não neste fim-de-semana. Neste fim-de-semana a dificuldade foi encontrar alguma coisa de jeito. Lá se encontrou perdido no meio de uma selecção descompensada e anárquica um bom disco mas foi mesmo como encontrar uma agulha num palheiro.

Mudem, voltem ao que eram e rápido. É que sabem esse outro espaço a que parecem almejar já está ocupado por outros bem melhores nesse posicionamento do que vós.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Shostakovich - Concerto para Violoncelo nº 1

Já falamos neste blog muitas vezes deste concerto porque na verdade não perco uma única ocasião para o ouvir ao vivo e claro aconselho todos que possam que me imitem - garanto que não ficarão indiferentes aquele que é possivelmente o grande concerto para Violoncelo do século XX e claro um dos melhores da história da música.

O concerto resulta da amizade e colaboração artística de Schostakovich e Rostropovich (o grande violoncelista para quem não sabe). Obviamente o concerto foi dedicado a este ultimo que também foi responsável pela estreia a 4 de Outubro de 1959 com a Orquestra sinfónica de Leninegrado sobre a direcção de outro grande nome da música Russa Yevgeny Mravinsky.

Se  excluirmos o facto do concerto ser quatro andamentos o mesmo segue uma estrutura clássica (ou "normal" para evitarmos confusões com o termo) começando com um Allegreto que é seguido por um andamento lento e para depois terminar com uma cadenza seguida do ultimo andamento sendo que os andamentos 2 a 4 são interpretados sem pausa entre eles (attacca).

O concerto tem uma estrutura cíclica tão querida dos românticos e que dá ao concerto uma maravilhosa unidade (pelo menos é assim que o sinto) estrutura cíclica essa construída à volta do tema exposto logo no inicio da obra e que é tão marcante como as pancadas do destino de Beethoven. Esse pequeno tema é uma espécie de código já que as notas de que é composto (em alemão) formam uma espécie de monograma do compositor.

Schostakovich está longe de ser um compositor aceite unanimemente inclusivamente pelos seus pares do século XX sendo muitas vezes julgado um compositor menor ou ainda pior. O que eu acho que muitos não entendem é que da música composta no século XX dentro da música erudita (evito de novo a palavra clássica para evitar confusões) a música composta por Schostakovich é das poucas que mantém alguma relação com aquilo que o publico consegue entender e verdadeiramente apreciar e não perder-se em composições tão intelectualmente artificiais que apenas literalmente meia dúzia de iluminados podem apreciar. Bem sei que esta é uma opinião polémica mas é voluntário.

E pronto fiquem com este magnifico concerto, claro que só poderia ser por Rostropovich numa gravação de 1961 com a Sinfónica de Londres dirigida por Sir Charles Grove.


domingo, 7 de dezembro de 2014

De volta ao humor - Os interpretes de Viola

Que me desculpem os interpretes de viola meus amigos, juro que sei que isto é brincadeira, mas também não vos vou de certeza dar nenhuma novidade. Aliás a bem dizer juntamente com os sopros os Violetistas devem ser os músicos mais vezes alvo de anedotas: A prova que em todas as comunidades existem sempre os "sacos de pancada" preferidos. Com carinho claro está.

Isto dito eis 12 anedotas sobre violetistas ... dizem que são as melhores mas sinceramente não sei. A escolha é tão diversificada ... Na verdade das 12 apenas 11 se aplicam aos violetistas de lingua portuguesa. A segunda apenas vale em inglês donde se conclui que os Violetistas porguueses são melhores que os ingleses. A lista original é da Classic FM a que acrescentei duas (as duas ultimas) de outras fontes ... que no fim revelo ...


  1. Como se pode descobrir que um violetista está a tocar desafinado ? Fácil ! O arco move-se ...
  2. What is the difference between a Viola player and a vacuum cleaner ? The second has to be plugged in before it sucks ... A tal reservada apenas aos ingleses ... 
  3. Como se chama a alguém que costuma andar junto com os músicos? Um Violetista.
  4. Qual é a diferença entre uma Viola e um caixão ?  Os caaixões têm pessoas mortas do lado de dentro ... Um bocado para o macabro esta ... 
  5. Qual é a diferença entre um violetista e uma Pizza ? Uma Pizza alimenta uma família de 4 pessoas.
  6. Qual é a única coisa que um violinista pode fazer melhor que um violetista? Tocar Viola (de arco ou violeta) 
  7. Porque é que os Violetistas não jogam às escondidas? Porque ninguém os iria procurar ... 
  8. Qual a diferença entre um Violetista e um cão? Um cão consegue parar de arranhar.
  9. Como conseguir impedir que um violino seja roubado? Guarda-lo numa caixa de Viola de Arco
  10. Qual é a semelhança entre um relampago e os dedos de um violetista? Nunca batem duas vezes no mesmo local !
  11. Qual a diferença entre a primeira e ultima estante do naipe das Viola de Arco? Aproximadamente um compasso.
  12. Como conseguir que dois violetistas toquem afinados em simultâneo? Pede-se a um para ir-se embora. 
  13. Numa variante musical da anterior : Qual a melhor forma de obter uma segunda menor? Pedir a dois violetistas para tocarem um uníssono. 
  14. Qual a diferença entre uma máquina de lavar e um violetista? Uma máquina de lavar tem um vibratto mais intenso e o resultado é mais limpo :-)

E não vão acreditar mas existe quem tenha escrito uma espécie de enciclopédia de anedotas de violetistas (donde foram retiradas estas duas ultimas).


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