quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Sonata Brasileira - Uma App de António Vaz Lemes

Quando por um acaso do destino encontrei (virtualmente) este pianista e ele me falou da sua App e me disse o nome da mesma imediatamente gostei do projecto. Certamente ele me irá desculpar a explicação dessa predisposição que se baseia-se em dois factos. Primeiro um que aparentemente não tem nada a ver com a obra. Na verdade uma das obras por vezes utilizada para o ensino do Violino em Portugal é de um compositor Brasileiro do Rio de Janeiro Carlos Viana de Almeida - chama-se a obra Serenata à Brasileira e não sei porquê associei quase que telepaticamente as duas coisas. E digo "aparentemente" porque como viria a descobrir este compositor (Carlos Viana de Almeida) faz parte precisamente com Villa-Lobos e Guarnieri (entre outros) daqueles que (desde as primeiras décadas do século XX)  procuraram trazer para a música erudita elementos da música popular brasileira. Para Carlos Almeida era outro instrumento, uma linguagem musical totalmente diversa mas na raiz algo em comum com este novo projecto.

Dizia porém que existiam duas razões. A segunda é mais fácil de explicar, certamente mais universal e seguramente musicalmente mais relevante. É que o titulo imediatamente me remeteu para Heitor Villa Lobos pela sua tentativa de juntar universos aparentemente distantes - não só no que diz respeito ao género musical mas também na própria "roupagem" da obra. Uma app para música clássica que não seja ludo-educativa? É uma autêntica revolução na forma, mas sobretudo uma junção de dois universos! Musicalmente como vim a perceber pelo texto e audio introdutório do pianista e autor desta app não estava longe do conceito de mestiçagem tão presente em toda a música brasileira e que lhe dá um sabor único, um sentido de comunhão perfeito entre influências culturais tão diversas. Desse ponto de vista a relação com Heitor Villa-Lobos e as suas Bachianas Brasileiras está explicado. Mas agora esta comunhão já não é apenas no fundamento musical mas também na forma, na utilização de uma interface aparentemente reservada a outros géneros musicais mais "modernos". Ou seja a inovação que outros procuraram na linguagem musical agora é também procurada (e encontrada em minha opinião) na forma de distribuição.


Falando agora da App propriamente dita para começar tenho de vos dizer que é muito vigorante descobrir que existem músicos que são capazes de perceber que são necessários novos modelos de distribuição e comercialização. Entender que os formatos antigos, as embalagens antigas são apenas isso "embalagens" e que por mais necessárias que sejam (ou tenham sido) tal como todas as coisas devem evoluir. Esta App é portanto assim e antes de mais uma excelente proposta para uma nova forma de ouvir música, apoiando-se num conceito moderno de distribuição que só por essa razão valeria o nosso louvor. Mas não é essa a única razão pela qual devemos ficar felizes por conhecer esta obra.

Além da forma ser nova está particularmente bem implementada. O enquadramento das obras e dos compositores está devidamente integrado e estando integrado cria uma atmosfera imersiva que nos permite usufruir de forma totalmente dedicada ou mais casual (por exemplo enquanto escrevo este texto estou com os meus headphones - forma de audição altamente recomendada) a ouvir o audio de uma das composições. Gostei da forma como esta organizada a interface e o acesso assim como a forma como podemos navegar facilmente entre todo o conteúdo existente. Além das obras musicais de que já falaremos e da introdução do pianista e "autor" da App podemos para cada obra ler um texto que enquadra e explica musicalmente a mesma tendo ainda o bónus de um depoimento do próprio compositor. A possibilidade de ver as partituras enquanto se ouve a música será para os mais letrados musicalmente uma opção deveras interessante. Ou seja temos uma interface que acrescenta valor dando ao utilizador oportunidade para escolher entre várias formas mais ou menos imersivas. Muito bem pensado. Simples e eficaz.

Mas mais ainda a excelência não termina na execução do produto. Musicalmente temos excelentes interpretações de quatro compositores brasileiros contemporâneos. Poderão encontrar cinco sonatas para piano de quatro compositores brasileiros : Guarnieri, Amazonas, Mehmari e Villani Cortes eventualmente o meu preferido. O segundo andamento "Cantilena" já entrou na minha lista de peças preferidas! Digo eventualmente porque também gosto muito da peça de Mehmari - ainda estou indeciso !

A App pode ser descarregada gratuitamente tendo-se acesso ao conteúdo informativo mas não às obras completas. Descarregar o conteúdo completo custa 8 dólares (um pouco mais de 6 Euros) que vos digo  é um valor mais do que justo para a qualidade das interpretações que podemos dessa forma ouvir. Recomenda-se em absoluto !

Numa pequena nota de coisas a melhorar - a fonte dos textos poderia ser um pouco maior e o scroll poderia ser um pouco mais fácil  - mas tratam-se de pequenos detalhes até eventualmente injustos . Eu estava a aceder à aplicação de um "mero" smartphone Samsung (um Galaxy SIII) com um ecrã pequeno - e sim funciona ! e não de um tablet que será certamente o ambiente preferencial para esta App.

Em resumo não percam tempo e descarreguem esta App e se gostarem do conteúdo gratuito descarreguem o resto - eu já o fiz e recomendo (o link é para a versão em Android na Google Play)! Vão dar por bem empregues os cerca de 6 Euros pela forma inovadora, pela interface simples mas imersiva , pela riqueza de conteúdo e claro pelo fundamental na música por excelentes interpretações.

Podem também visitar a página de Facebook e por fim para vos deixar com música proponho desta vez um video em que o pianista explica o conceito melhor do que eu alguma vez o poderia fazer.

domingo, 21 de dezembro de 2014

A renuncia ao dodecafonismo :-)

Uma curta piada antes do post mais a sério de hoje ... directamente da net uma piada seca a que achei uma certa graça ...

Como se sabe que o Dodecafonismo acabou?
Quando (se tivesse acontecido) Schoenberg entrasse num bar e pedisse uma tónica :-)

Se eventualmente não perceberem a piada -  É normal que não percebam se não tiverem alguma formação musical - podem aproveitat aprender o que é (era :-)) o dodecafonismo !

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Prokofiev - Romeu e Julieta

Não é certamente a única obra musical baseada na conhecida história de amor embora nesta lista seja a única (haveria outras que também poderiam estar mas esta coisa de ter um número limitado de entradas implica forçosamente uma escolha).

Originalmente esta obra é um ballet composto em Setembro de 1935 tendo sido estreado em Brno em 1938 na então Republica da Checoslováquia (antes da segunda guerra logo ainda não dentro da esfera de influência dos soviéticos) sendo a estreia em solo Russo realizada após algumas revisões apenas em 1940 (11 de Janeiro de 1940).

Do bailado original (Op. 64) o compositor acabou por retirar três suites orquestrais e uma transcrição para piano de uma parte do ballet a que chamou "Romeu e Julieta : Dez Peças para Piano". Recomendamos claro o original (procuramos que esta lista tivesse as três formas de expressão musical, Orquestra, Ópera e Ballet) mas hoje propomos precisamente esta ultima transcrição.

sábado, 13 de dezembro de 2014

Medo por Júlio Resende e Amália

Hoje ao vir para casa fui surpreendido na Antena 1 por este Fado de Amália mas agora com um dueto muito especial. Um dueto de voz e piano espaçados no tempo algumas décadas. Que ideia maravilhosa e que concretização da mesma ! Dirão que não é música clássica e que não tem portanto lugar neste blog. Privilégio do autor responderei e uma liberdade poética que decerto me perdoarão.

Esta obra faz parte de um disco editado em 2013 e apelidado Amália por Júlio Resende que naturalmente se recomenda. Fica no fim o famoso dueto possivelmente a melhor faixa do disco embora também goste muito da versão de Fado (Gaivota).

Para quem queira saber mais sobre o pianista recomenda-se a sua página no Facebook .

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