Quando
ontem vos falava da necessidade de lutarmos pela liberdade, desta não nos ser dada sem esforço, de não ser "garantida" não poderia adivinhar o que hoje se passaria em Paris. Se eu fosse o Charlie e soubesse desenhar e teriam provavelmente hoje um desenho satírico em que o vosso estimado autor vos apareceria como profeta com dons adivinhatórios ...
Mas não sou, não sei desenhar e de uma maneira geral a fé é um dos poucos assuntos com o qual não aprecio brincar a não ser em privado e com pessoas que me conhecem tão bem que sabem o que penso e dificilmente se ofenderiam.
Mas é precisamente por isso que defendo visceralmente quem pense o exacto oposto. Que não existe limite para o humor e que a liberdade de expressão se sobrepõe a qualquer tema. Que o facto de não ter gostado ou mesmo de me ter sentido ofendido não me dá qualquer direito especial de vingança pela simples razão que a minha liberdade acaba onde começa a do meu próximo, E a minha liberdade posso exercê-la não lendo, não ligando, contestando de forma pacifica ...
Caros cobardes encapuçados, lamento mas não vos vou fazer a vontade confundindo a vossa parvoíce e ignorância com a fé que dizem defender. Não vou fazer-vos a vontade e dar força ao extremismo e radicalismo. Vou simplesmente dizer isto: Espero que todos os estados do mundo independentemente da fé maioritária dos seus cidadãos emitam um comunicado condenando explicitamente e sem reservas o atentado bárbaro e cobarde de Paris. Espero que os jornalistas deste mundo compilem essa lista e denunciem os estados que não o fizerem. Espero que o façam a bem de pelo menos não deixarem perdurar a hipocrisia de uma boa parte da diplomacia ocidental.
E porque neste blog tudo tem uma música e porque estou seguro que encontrarão o vosso lugar no céu, para todos os que hoje deixaram a existência terrena - para todos mesmo incluindo os de outras fés e de outros credos só vos poderia deixar com Bach.