sábado, 19 de dezembro de 2015

O quarteto Jerusalem e as manifestações pró Palestinas

Como tem vindo a ser infelizmente hábito o concerto deste fabuloso quarteto foi mais uma vez interrompido por manifestantes que pensam que é este o local correcto para demonstrar o seu repúdio por certas componentes da politica do estado de Israel.

Não vou neste blog argumentar sobre a bondade ou não dessas criticas (não fujo a dar uma opinião mas não creio ser este o local) mas relativamente ao local onde são feitas sobre isso sim parece-me interessante explicar o que penso.

O Quarteto Jerusalém não representa  o Estado de Israel. Os seus músicos embora tenham servido no exercito - como é obrigatório - nunca entraram em combate e nunca exprimiram qualquer opinião quer individual quer colectiva sobre qualquer assunto relacionado com a politica do estado contrariamente ao que afirmam os protestantes que confundem o amor ao país à subscrição de todas ou de uma parte das suas politicas.

Concretizo, quando um músico diz que é o melhor embaixador do seu país o que está a dizer é que representa o que o seu país tem de melhor. Aliás frase que também já tinha sido utilizada por Zubin Mehta relativamente à Filarmónica de Israel infelizmente com resultados aproximadamente semelhantes. Vamos portanto ver se nos entendemos: Proclamar-se o melhor embaixador de um país significa que se considera que se representa o que o seu país tem de melhor. Por outras palavras o melhor de Israel é a música e a paz.

Aliás se alguma declaração fizeram e fazem - dois deles participam na East West Divan Orchestra , Orquestra dirigida por Barenboim que junta músicos de Israel e músicos Árabes, vai precisamente nesse sentido, no sentido da paz. O nome do quarteto é um nome de Paz ...

Não é que a música clássica ou os espectadores da mesma estejam acima de manifestações porque na verdade não estão. Um concerto de música clássica não é mais do que um concerto e não é mais do que qualquer concerto de música , seja qual for o seu género, no mundo inteiro.

Porém não é mais do que isso mas também não é menos do que isso. E isso é um local de entretenimento e de paz.

Em resumo a menos que os músicos ou a banda tenham pro activamente uma qualquer posição politica expressa e o próprio concerto também a tenha - o que justificaria obviamente o apoio ou o protesto - sugiro fortemente que os manifestantes encontrem melhores locais para se manifestarem.

A estratégia, desculpem a expressão, idiota e despropositada que têm seguido apenas contribui para que a sua causa seja vista exactamente da mesma forma.

Obviamente depois de um post como este só podemos acabar com música e com a sugestão de visitarem o canal de You Tube do respectivo quarteto.  Quanto a música aqui fica o primeiro andamento de uma das obras primas de Brahms.



quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

A Sétima de Beethoven e o ultimo concerto dirigido por Leonard Bernstein

A sétima sinfonia de Beethoven além do seu poder intrinco de uma obra verdadeiramente imortal tem ainda a característica adicional de ser a ultima obra que o maestro Leonard Bernstein dirigiu conduzindo a sinfónica de Boston a uma interpretação  senão musicalmente pelo menos emocionalmente memorável.

Este concerto teve lugar a 19 de Agosto de 1990 com Bernstein já profundamente doente (aliás o maestro teve um ataque de tosse durante o terceiro andamento) tendo sido gravado e posteriormente editado em CD pela Deutsche Grammophon com o Titulo "The Last Concerto". Além de Beethoven o concerto contou com 4 peças de Britten.

Esta sétima Sinfonia tem uma característica curiosa. É de todas a que mais permaneceu como uma obra profundamente abstracta. Embora tenham tentado não tem como a Terceira uma marcha fúnebre e não perdeu como esta o epíteto de Eroica, não possui como a Quinta o som do destino, não é como a Sexta uma Pastoral e não tem como a nona uma letra para lhe atribuir um significado.

Não a sétima é o quisermos, uma dança, um hino ao ritmo, à vida ou uma meditação uma introspecção se assim desejarmos. É tudo e é nada no mesmo exacto instante.

Para Bernstein para quem Beethoven era "O" compositor (talvez acrescentando Mahler mas isso é uma outra história) este ultimo concerto deve ter soado a uma metáfora da vida; e que metáfora.

Felizmente o You Tube permite-nos ouvir o dito concerto ....



Já adquirir a dita obra é um pouco mais difícil mas podem comprar na Amazon UK com relativa facilidade (link directo na imagem em baixo).



E pronto agora façam como eu depois de ouvirem este hino ao ritmo e à dança coloquem o video anterior no minuto 16:19 - fim do primeiro andamento - e repitam o segundo até que a alma vos deixe de doer.

Aniversário do Grande Mestre Ludwig van Beethoven

Faria hoje (ou fez ontem) anos aquele que para mim é o maior compositor de sempre: Ludwig van Beethoven. Se me pedissem o seguinte: Vais para uma ilha deserta e apenas podes levar obras de um compositor ... escolhe ... Beethoven Sempre !

O compositor de quatro ou cinco sinfonias de uma beleza e intensidade emocional difícil de explicar: Podem escolher entre a terceira, a quinta, a sétima ou a nona e em todas elas encontrarão um génio ímpar.

Dois concertos para piano pelo menos, uma boa dezena de sonatas, um concerto para violino que enfim, uma única ópera mas que ópera, um triplo concerto - para Violoncelo, Piano e Violino que é simplesmente perfeito. Isto só para vos falar assim de uma dezena de obras cujas melodias me vêm imediatamente à memória.

Foi bom o Google me ter recordado do feliz aniversário com um divertido Doodle que é também um jogo ...


E então e música ? Bom hoje acho que para não vos chatear de novo com a Nona, vos vou propor precisamente o Triplo Concerto para Violino, Violoncelo e Piano numa soberba interpretação de Perlman, Yo Yo Ma e Barenboim.


terça-feira, 7 de abril de 2015

Je suis triste



Publiquei neste blog há umas semanas um post sobre o atentado de Paris. Desde aí algumas outras atrocidades em nome de uma religião foram cometidas. Portanto sim também sou Kenia como também me chocam todas as outras formas de violência em nome de qualquer religião seja ela qual for.

Recentemente em relação ao ultimo genocídio a mensagem do primeiro-ministro Inglês tornou-se muito popular na net pela franqueza e força que transmite. Pois bem caro David Cameron tenho uma novidade para si: Sabe que o Estado Islâmico não produz armas? Sabe que as armas utilizadas são fabricadas na maioria dos casos pelo Ocidente e quem sabe pela sua Inglaterra? diz que não lhes vende directamente ... Pois mas sabe com toda a certeza que são aliados seus que financiam aquela barbárie.

A pior hipocrisia do Ocidente não é não se revoltar, não é não criar manifestações de apoio. Essas também são erradas mas  pior, muito pior é o Ocidente é deixar que o capital, a economia ou uma suposta estabilidade geo-politica permitam que associações criminosas complexas se organizem utilizando o sistema financeiro para pagar armas. Quase que apostaria que deverão existir membros do estado islâmico com acções nas principais bolsas da Europa e do Mundo.

Follow the Money ! Congelem, Apropriem-se, Fechem paraísos fiscais. Deixem-se de hipocrisias. Sabem perfeitamente qual o ciclo do dinheiro que alimenta a compra de armas e sabem perfeitamente como estas lhes chegam às mão. Portanto caro David Cameron sugiro-lhe que comece ai pela sua city e faça umas perguntas indiscretas aos seus bancos ... Palpita-me que se o fizesse teria mais resultados práticos do que a sua linda mensagem de Páscoa, que diga-se é melhor que nada, mas é como se querendo acabar com uma infestação de formigas pegasse na ultima da fila e lhe dissesse : "Bad Girl", "Bad Girl".

E pronto para ficarmos com música para acalmar os espiritos e restaurar na medida do possível alguma fé na humanidade fiquemos com Bach numa interpretação diferente de Bobby McFerrin.



Oportunidades na Amazon