Esta ópera de Verdi em três actos dispensa qualquer apresentação. É pura e simplesmente a ópera mais vezes interpretada em todo o mundo e certamente uma das que mais paixão desperta.
O libretto (de Francesco Maria Piave) é baseado numa história de Alexander Dumas (Filho) - A Dama das Camélias e conta a história de uma prostituta (ou cortesã se quisermos utilizar uma espécie de eufemismo) e de um jovem aristocrata que acabam por se apaixonar mas que o pai separa para evitar o escândalo e prejudicar o casamento da irmã do jovem fidalgo. Violetta decide deixar o jovem quando instada pelo pai deste a ter em atenção o futuro. Violetta na verdade está doente com tuberculose e acaba por falecer não sem antes de ter esclarecido tudo com Alfredo.
Entre as muitas árias famosas que esta ópera contém teremos de destacar no primeiro acto Libiamo ne' lieti calici (um dueto fantástico) e claro o fim do mesmo com o famoso Sempre Libera .
No segundo acto destaca-se claramente a ária De' miei bollenti spiriti em que o jovem Alfredo fala alegremente da sua vida feliz com Violetta.
No terceiro acto claro o pungente "Addio, del passato bei sogni ridenti" (Adeus belos sonhos do passado).
Com excepção do extracto do segundo acto (Pavarotti) escolhi sempre Callas propositadamente porque gostava de terminar este post falando-vos ainda que resumidamente de uma das récitas mais míticas de sempre e que teve lugar no nosso país, no Teatro São Carlos.
Na verdade hoje isto seria impensável mas a verdade é que no palco do São Carlos esteve nesse longínquo dia de 27 de Março de 1958 aquela que na altura era a maior estrela da ópera. E por um daqueles milagres inexplicáveis aquela récita produziu uma das interpretações que ficará na história da música. Porque não estive lá recomendo fortemente a leitura deste post do Blog Citizen Grave.
Além disso graças ao You Tube tenho a sorte de vos poder propor ouvirem a rendição completa dessa fabulosa interpretação. Claro que como de costume se gostarem sugiro fortemente que comprem uma versão física ou digital como vos aprouver (3 libras para uma versão digital no link da Amazon Inglaterra que incluo para vossa conveniência).
A única música que precisa de embalagem é a música de plástico.
sexta-feira, 25 de dezembro de 2015
quinta-feira, 24 de dezembro de 2015
Natal é ? De Bach passando por Mozart sempre foi (é) a mesma coisa : Amor
As dádivas que não se podem comprar mas apenas oferecer, a partilha, os abraços sentidos, o cheiro das filhós, as memórias do trabalho que deram a fintar, o cheiro da lareira se a houver, a frescura do musgo do presépio, a não menor frescura do riso dos filhos ou dos sobrinhos; o brilho dos olhos das crianças.
Normalmente neste digo-vos que ninguém consegue exprimir isto melhor do que Bach e até já vos dei por várias vezes como presente virtual a Oratória de Natal deste compositor. Não é uma má escolha convenha-se. Aliás para aperitivo aqui fica.
Outras vezes propus Mozart e já agora vou também repetir neste caso numa interpretação de Cecilia Bartoli do KV 165 - Exsultate Jubilate (aproximadamente regozijem-se sejam felizes).
Porém hoje - hoje encontrei o melhor sinónimo do que é o Natal e em música ... a partilha entre pai e filho de uma interpretação ... e pronto se não souberem tocar piano fiquem-se pela partilha com a família que é neste caso (e apenas neste caso para que isto não sirva de desculpa para preguiças alheias) perdoado pelas altas instâncias artísticas,
Nuno Batoca e o seu filho Hugo (com a devida autorização parental).
Um Santo Natal para todos. Amanhã haverá mais música se a inspiração assim ditar :-)
Normalmente neste digo-vos que ninguém consegue exprimir isto melhor do que Bach e até já vos dei por várias vezes como presente virtual a Oratória de Natal deste compositor. Não é uma má escolha convenha-se. Aliás para aperitivo aqui fica.
Outras vezes propus Mozart e já agora vou também repetir neste caso numa interpretação de Cecilia Bartoli do KV 165 - Exsultate Jubilate (aproximadamente regozijem-se sejam felizes).
Porém hoje - hoje encontrei o melhor sinónimo do que é o Natal e em música ... a partilha entre pai e filho de uma interpretação ... e pronto se não souberem tocar piano fiquem-se pela partilha com a família que é neste caso (e apenas neste caso para que isto não sirva de desculpa para preguiças alheias) perdoado pelas altas instâncias artísticas,
Nuno Batoca e o seu filho Hugo (com a devida autorização parental).
Um Santo Natal para todos. Amanhã haverá mais música se a inspiração assim ditar :-)
sábado, 19 de dezembro de 2015
O quarteto Jerusalem e as manifestações pró Palestinas
Como tem vindo a ser infelizmente hábito o concerto deste fabuloso quarteto foi mais uma vez interrompido por manifestantes que pensam que é este o local correcto para demonstrar o seu repúdio por certas componentes da politica do estado de Israel.
Não vou neste blog argumentar sobre a bondade ou não dessas criticas (não fujo a dar uma opinião mas não creio ser este o local) mas relativamente ao local onde são feitas sobre isso sim parece-me interessante explicar o que penso.
O Quarteto Jerusalém não representa o Estado de Israel. Os seus músicos embora tenham servido no exercito - como é obrigatório - nunca entraram em combate e nunca exprimiram qualquer opinião quer individual quer colectiva sobre qualquer assunto relacionado com a politica do estado contrariamente ao que afirmam os protestantes que confundem o amor ao país à subscrição de todas ou de uma parte das suas politicas.
Concretizo, quando um músico diz que é o melhor embaixador do seu país o que está a dizer é que representa o que o seu país tem de melhor. Aliás frase que também já tinha sido utilizada por Zubin Mehta relativamente à Filarmónica de Israel infelizmente com resultados aproximadamente semelhantes. Vamos portanto ver se nos entendemos: Proclamar-se o melhor embaixador de um país significa que se considera que se representa o que o seu país tem de melhor. Por outras palavras o melhor de Israel é a música e a paz.
Aliás se alguma declaração fizeram e fazem - dois deles participam na East West Divan Orchestra , Orquestra dirigida por Barenboim que junta músicos de Israel e músicos Árabes, vai precisamente nesse sentido, no sentido da paz. O nome do quarteto é um nome de Paz ...
Não é que a música clássica ou os espectadores da mesma estejam acima de manifestações porque na verdade não estão. Um concerto de música clássica não é mais do que um concerto e não é mais do que qualquer concerto de música , seja qual for o seu género, no mundo inteiro.
Porém não é mais do que isso mas também não é menos do que isso. E isso é um local de entretenimento e de paz.
Em resumo a menos que os músicos ou a banda tenham pro activamente uma qualquer posição politica expressa e o próprio concerto também a tenha - o que justificaria obviamente o apoio ou o protesto - sugiro fortemente que os manifestantes encontrem melhores locais para se manifestarem.
A estratégia, desculpem a expressão, idiota e despropositada que têm seguido apenas contribui para que a sua causa seja vista exactamente da mesma forma.
Obviamente depois de um post como este só podemos acabar com música e com a sugestão de visitarem o canal de You Tube do respectivo quarteto. Quanto a música aqui fica o primeiro andamento de uma das obras primas de Brahms.
Não vou neste blog argumentar sobre a bondade ou não dessas criticas (não fujo a dar uma opinião mas não creio ser este o local) mas relativamente ao local onde são feitas sobre isso sim parece-me interessante explicar o que penso.
O Quarteto Jerusalém não representa o Estado de Israel. Os seus músicos embora tenham servido no exercito - como é obrigatório - nunca entraram em combate e nunca exprimiram qualquer opinião quer individual quer colectiva sobre qualquer assunto relacionado com a politica do estado contrariamente ao que afirmam os protestantes que confundem o amor ao país à subscrição de todas ou de uma parte das suas politicas.
Concretizo, quando um músico diz que é o melhor embaixador do seu país o que está a dizer é que representa o que o seu país tem de melhor. Aliás frase que também já tinha sido utilizada por Zubin Mehta relativamente à Filarmónica de Israel infelizmente com resultados aproximadamente semelhantes. Vamos portanto ver se nos entendemos: Proclamar-se o melhor embaixador de um país significa que se considera que se representa o que o seu país tem de melhor. Por outras palavras o melhor de Israel é a música e a paz.
Aliás se alguma declaração fizeram e fazem - dois deles participam na East West Divan Orchestra , Orquestra dirigida por Barenboim que junta músicos de Israel e músicos Árabes, vai precisamente nesse sentido, no sentido da paz. O nome do quarteto é um nome de Paz ...
Não é que a música clássica ou os espectadores da mesma estejam acima de manifestações porque na verdade não estão. Um concerto de música clássica não é mais do que um concerto e não é mais do que qualquer concerto de música , seja qual for o seu género, no mundo inteiro.
Porém não é mais do que isso mas também não é menos do que isso. E isso é um local de entretenimento e de paz.
Em resumo a menos que os músicos ou a banda tenham pro activamente uma qualquer posição politica expressa e o próprio concerto também a tenha - o que justificaria obviamente o apoio ou o protesto - sugiro fortemente que os manifestantes encontrem melhores locais para se manifestarem.
A estratégia, desculpem a expressão, idiota e despropositada que têm seguido apenas contribui para que a sua causa seja vista exactamente da mesma forma.
Obviamente depois de um post como este só podemos acabar com música e com a sugestão de visitarem o canal de You Tube do respectivo quarteto. Quanto a música aqui fica o primeiro andamento de uma das obras primas de Brahms.
quinta-feira, 17 de dezembro de 2015
A Sétima de Beethoven e o ultimo concerto dirigido por Leonard Bernstein
A sétima sinfonia de Beethoven além do seu poder intrinco de uma obra verdadeiramente imortal tem ainda a característica adicional de ser a ultima obra que o maestro Leonard Bernstein dirigiu conduzindo a sinfónica de Boston a uma interpretação senão musicalmente pelo menos emocionalmente memorável.
Este concerto teve lugar a 19 de Agosto de 1990 com Bernstein já profundamente doente (aliás o maestro teve um ataque de tosse durante o terceiro andamento) tendo sido gravado e posteriormente editado em CD pela Deutsche Grammophon com o Titulo "The Last Concerto". Além de Beethoven o concerto contou com 4 peças de Britten.
Esta sétima Sinfonia tem uma característica curiosa. É de todas a que mais permaneceu como uma obra profundamente abstracta. Embora tenham tentado não tem como a Terceira uma marcha fúnebre e não perdeu como esta o epíteto de Eroica, não possui como a Quinta o som do destino, não é como a Sexta uma Pastoral e não tem como a nona uma letra para lhe atribuir um significado.
Não a sétima é o quisermos, uma dança, um hino ao ritmo, à vida ou uma meditação uma introspecção se assim desejarmos. É tudo e é nada no mesmo exacto instante.
Para Bernstein para quem Beethoven era "O" compositor (talvez acrescentando Mahler mas isso é uma outra história) este ultimo concerto deve ter soado a uma metáfora da vida; e que metáfora.
Felizmente o You Tube permite-nos ouvir o dito concerto ....
Já adquirir a dita obra é um pouco mais difícil mas podem comprar na Amazon UK com relativa facilidade (link directo na imagem em baixo).

E pronto agora façam como eu depois de ouvirem este hino ao ritmo e à dança coloquem o video anterior no minuto 16:19 - fim do primeiro andamento - e repitam o segundo até que a alma vos deixe de doer.
Este concerto teve lugar a 19 de Agosto de 1990 com Bernstein já profundamente doente (aliás o maestro teve um ataque de tosse durante o terceiro andamento) tendo sido gravado e posteriormente editado em CD pela Deutsche Grammophon com o Titulo "The Last Concerto". Além de Beethoven o concerto contou com 4 peças de Britten.
Esta sétima Sinfonia tem uma característica curiosa. É de todas a que mais permaneceu como uma obra profundamente abstracta. Embora tenham tentado não tem como a Terceira uma marcha fúnebre e não perdeu como esta o epíteto de Eroica, não possui como a Quinta o som do destino, não é como a Sexta uma Pastoral e não tem como a nona uma letra para lhe atribuir um significado.
Não a sétima é o quisermos, uma dança, um hino ao ritmo, à vida ou uma meditação uma introspecção se assim desejarmos. É tudo e é nada no mesmo exacto instante.
Para Bernstein para quem Beethoven era "O" compositor (talvez acrescentando Mahler mas isso é uma outra história) este ultimo concerto deve ter soado a uma metáfora da vida; e que metáfora.
Felizmente o You Tube permite-nos ouvir o dito concerto ....
Já adquirir a dita obra é um pouco mais difícil mas podem comprar na Amazon UK com relativa facilidade (link directo na imagem em baixo).
E pronto agora façam como eu depois de ouvirem este hino ao ritmo e à dança coloquem o video anterior no minuto 16:19 - fim do primeiro andamento - e repitam o segundo até que a alma vos deixe de doer.
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