terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Holst - Os Planetas

Esta é uma das obras da lista que vos proponho de que será mais facilmente criticada a presença numa lista de 100 obras. Convirá não esquecer no entanto que esta lista não pretende estabelecer mérito artístico mas antes divulgar a música e ajudar quem não a conhece a primeiro gostar e depois aos poucos apreender as várias vertentes da mesma. Ora nitidamente faltava alguma música composta no inicio do século XX e nesse particular Gustav Holst , compositor inglês que compôs esta obra entre 1914 e 1916 merece esta menção por aquilo que pode contribuir numa primeira aproximação à música desse século.

Contrariamente ao que o nome pode parecer indicar esta suite orquestral de sete movimentos (uma execução completa demora cerca de 50 minutos) não tem nada a ver com planetas no sentido astronómico do termo. Tem isso sim a ver com o sentido astrológico de que Holst era, como dizer, partidário.

Assim cada movimento é dedicado a um planeta, ou melhor a um Deus ou se preferirem a um corpo astrológico procurando representar para cada um o seu carácter. É deste ponto de vista uma obra programática.

A obra foi estreada publicamente numa execução completa da suite apenas a 17 de Novembro de 1920 embora antes tenham existido algumas interpretações parciais e/ou privadas.

A estrutura da obra é dividida em sete andamentos com a seguinte descrição:

Marte, O Portador da Guerra (1914)
Vénus, O Portador da Paz (1914)
Mercúrio, O Mensageiro Alado (1916)
Júpiter, O Portador da Alegria (1914)
Saturno, O Portador da Velhice (1915)
Úrano, O Mágico (1915)
Neptuno, O Místico (1915)

Curiosamente o ultimo andamento termina com um fade-out o que se hoje é relativamente comum na época foi uma estreia e seguramente uma das poucas obras da música clássica a terminar com esse efeito.

Podem ouvir uma interpretação completa desta obra no video que se segue.



Uns anos mais tarde do andamento Jupiter Holst retirou uma melodia musicando um poema "I vow to thee my country", hino patriótico que viria a tornar-se facilmente a parte mais conhecida da suite orquestral.



domingo, 27 de dezembro de 2015

Wagner - Der Ring des Nibelungen

E lá está, um dia teria de escrever sobre este ciclo de obras ... Não o faço propriamente a contragosto porque se está nesta lista é porque é uma daquelas obras incontornáveis. Porém para vos ser sincero não corresponde exactamente ao tipo de música de que gosto, mas obviamente este monumento tinha de estar nesta lista.

O ciclo completo é composto por quatro obras distintas que têm sido interpretadas em separado embora a intenção de Wagner fosse que fossem interpretadas como um ciclo (note-se que cada uma das obras dura entre 2:30 (Das Rheingold - A primeira das quatro) e algo entre 4:00 e 5:00 para a ultima (Gotterdammerung) para um total de mais de 15h de música ... Música com uma orquestração intrincada, verdadeiramente uma obra de arte totalmente e absolutamente romântica na sua maravilhosa complexidade tanto musical como do próprio enredo onde é fácil perder-se tantas são as personagens, traições, juramentos e palavras dadas.

Wagner compôs este ciclo entre 1848 e 1874 tendo a primeira apresentação enquanto ciclo ocorrido apenas em 1876 no festival de Bayreuth entre os dias 13 e 17 de Agosto.

O Libretto do próprio Wagner é baseado num poema épico do século XII de origem germânica ou nórdica antes do período de cristianização. Para quem conhece o Lord of the Rings (Senhor dos Anéis ) em particular a sua fundamentação pode-se dizer com alguma liberdade poética que a origem é aproximadamente a mesma - as lendas nórdicas.

Sem querer revelar demasiado do enredo - aliás se o fizesse receio que este post bateria facilmente o record de número de palavras e vos fatigaria além do imaginável - decidi fazer apenas um breve resumo do que está em causa em cada uma das obras sem grande detalhe quanto ao enredo. Um sumário da moral se quisermos ... Um aviso quanto à dita moral - é uma interpretação pessoal e portanto sujeita a ser discutida e contestada.

Das Rheingold (O Anel de Ouro)

Esta obra foi concebida originalmente para três actos tendo sido reduzida para um único e é na verdade uma espécie de introdução ao resto da história sendo por isso de todas as peças aquela que mais dificilmente pode ser interpretada isoladamente - embora isso tenha acontecido e seja possível. Conta esta obra o roubo do ouro que possibilita a manufactura de um anel com propriedades mágicas que permitem o controlo do mundo e como este anel amaldiçoada trará a desgraça a quem o possuir - incluindo os Deuses.



Die Walküre (As Valquírias) 

Os Deuses nesta obra decidem o destino dos mortais ... A importância da palavra e do dever parecem sobrepor-se ao amor.



Siegfried

Uma história de amor dir-se-ia quando Siegfried depois de matar o dragão que o guardava entrega a Brunnhilde o anel que permite ser dono do mundo como prova da sua fidelidade e amor.




Götterdämmerung (O Ocaso dos Deuses)

Num ambiente de "Armageddon"  esta obra descreve a consequência das escolhas feitas nas obras anteriores ... uma obra sobre amor e traição e o fim dos Deuses ...


sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

Verdi - La traviata

Esta ópera de Verdi em três actos dispensa qualquer apresentação. É pura e simplesmente a ópera mais vezes interpretada em todo o mundo e certamente uma das que mais paixão desperta.

O libretto (de Francesco Maria Piave) é baseado numa história de Alexander Dumas (Filho) - A Dama das Camélias e conta a história de uma prostituta (ou cortesã se quisermos utilizar uma espécie de eufemismo) e de um jovem aristocrata que acabam por se apaixonar mas que o pai separa para evitar o escândalo e prejudicar o casamento da irmã do jovem fidalgo. Violetta decide deixar o jovem quando instada pelo pai deste a ter em atenção o futuro. Violetta na verdade está doente com tuberculose e acaba por falecer não sem antes de ter esclarecido tudo com Alfredo.

Entre as muitas árias famosas que esta ópera contém teremos de destacar no primeiro acto Libiamo ne' lieti calici (um dueto fantástico) e claro o fim do mesmo com o famoso Sempre Libera .

No segundo acto destaca-se claramente a ária De' miei bollenti spiriti em que o jovem Alfredo fala alegremente da sua vida feliz com Violetta.

No terceiro acto claro o pungente "Addio, del passato bei sogni ridenti" (Adeus belos sonhos do passado).

Com excepção do extracto do segundo acto (Pavarotti)  escolhi sempre Callas propositadamente porque gostava de terminar este post falando-vos ainda que resumidamente de uma das récitas mais míticas de sempre e que teve lugar no nosso país, no Teatro São Carlos.

Na verdade hoje isto seria impensável mas a verdade é que no palco do São Carlos esteve nesse longínquo dia de 27 de Março de 1958 aquela que na altura era a maior estrela da ópera. E por um daqueles milagres inexplicáveis aquela récita produziu uma das interpretações que ficará na história da música. Porque não estive lá recomendo fortemente a leitura deste post do Blog Citizen Grave.

Além disso graças ao You Tube tenho a sorte de vos poder propor ouvirem a rendição completa dessa fabulosa interpretação. Claro que como de costume se gostarem sugiro fortemente que comprem uma versão física ou digital como vos aprouver (3 libras para uma versão digital no link da Amazon Inglaterra que incluo para vossa conveniência).






quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Natal é ? De Bach passando por Mozart sempre foi (é) a mesma coisa : Amor

As dádivas que não se podem comprar mas apenas oferecer, a partilha, os abraços sentidos, o cheiro das filhós, as memórias do trabalho que deram a fintar,  o cheiro da lareira se a houver, a frescura do musgo do presépio, a não menor frescura do riso dos filhos ou dos sobrinhos; o brilho dos olhos das crianças.

Normalmente neste digo-vos que ninguém consegue exprimir isto melhor do que Bach e até já vos dei por várias vezes como presente virtual a Oratória de Natal deste compositor. Não é uma má escolha convenha-se. Aliás para aperitivo aqui fica.





Outras vezes propus Mozart e já agora vou também repetir neste caso numa interpretação de Cecilia Bartoli do KV 165 - Exsultate Jubilate (aproximadamente regozijem-se sejam felizes).




Porém hoje - hoje encontrei o melhor sinónimo do que é o Natal e em música ... a partilha entre pai e filho de uma interpretação ... e pronto se não souberem tocar piano fiquem-se pela partilha com a família que é neste caso (e apenas neste caso para que isto não sirva de desculpa para preguiças alheias) perdoado pelas altas instâncias artísticas,

Nuno Batoca e o seu filho Hugo (com a devida autorização parental).

Um Santo Natal para todos. Amanhã haverá mais música se a inspiração assim ditar :-)




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