Chegamos à sinfonia mais conhecida de Beethoven. A quinta sinfonia com o seu começo já despertou muitas pessoas para a música ou não fossem chamados os toques do destino. Digo eu que para quem ouve esta composição o destino só pode mesmo ser apaixonar-se por esta sinfonia !
A sinfonia nº 5 Op. 67 em Dó Menor foi composta entre 1804-1808 sendo dedicada conjuntamente a Franz Joseph von Lobkowitz e ao conde Rasumovsky.
Note-se que esta história dos "golpes do destino" é uma expressão que provém de Anton Schindler secretário e biografo de Beethoven em que hoje se confia muito pouco por se saber que manipulou várias informações dos diários de Beethoven. Acresce que se sabia que Schindler tinha um gosto pela teatralização na qual este argumento do "destino" cabe demasiado a propósito. Talvez tenha sido uma história inventada, mas que foi bem inventada lá isso foi.
Desta sinfonia diz Berlioz que é eventualmente a primeira em que Beethoven deu livre curso à sua voz sem influência de qualquer influência externa. Berlioz defende que a primeira, segunda e quarta estavam ligadas aos percursores do período clássico Haydn e Mozart e que a Terceira por original que fosse do ponto de vista músical estaria ligada à literatura Grega e a Homero e à Iliada em particular.
Deixo-vos com um extracto do texto (ainda em françês, mas já vos prometi que no fim desta série vou publicar o texto integral traduzido e anotado porque acho que vale a pena).
La symphonie en ut mineur, au contraire, nous paraît émaner directement et uniquement du génie de Beethoven; c’est sa pensée intime qu’il y va développer; ses douleurs secrètes, ses colères concentrées, ses rêveries pleines d’un accablement si triste, ses visions nocturnes, ses élans d’enthousiasme en fourniront le sujet; et les formes de la mélodie, de l’harmonie, du rhythme et de l’instrumentation s’y montreront aussi essentiellement individuelles et neuves que douées de puissance et de noblesse. - Berlioz
Por fim fiquem com o primeiro andamento desta sinfonia dirigida por Toscaninni. Hoje ao fim do dia ou amanhã pela madrugada mais sobre este primeiro andamento ...
A única música que precisa de embalagem é a música de plástico.
segunda-feira, 3 de março de 2008
Mozart - A Flauta Mágica
Fui ontem ver ao S. Carlos a Flauta Mágica numa versão sub-16. Posso dizer-vos que foi uma tarde muitissimo bem passada. Adorei a forma como a adaptação foi feita por várias razões a menor das quais não será porque houve o cuidado em manter a ópera praticamente como ela é no original, adaptando apenas o necessário para a tornar um pouco mais acessível.
Não se tratam nesta adaptação as crianças como se sofressem alguma restrição mental que as impeça de compreender uma história. Excelente. Manteve-se a estrutura da mesma e da música desta obra prima de Mozart. Bons cantores, bons actores, uma excelente introdução à opera.
Sinceramente depois de ter visto recomendo ainda mais. Podem ver algumas fotos no site da Raínha da Noite (muito justamente a mais aplaudida ontem) aqui . Se forem professores saibam que há ainda uma oportunidade para escolas no dia 20 de Maio (não faço ideia se está esgotado ou não) e para o público em geral no dia 24 de Maio (também não sei se ainda haverá bilhetes) já que ontem estava cheio. Hoje à tarde há mais uma récita para escolas, mas para isso é capaz de já ser tarde ...
Ontem estava cheio e aqui fica uma nota para os pais, naquilo que para mim foi talvez o ponto menos bom da tarde. Um pouco de barulho a mais. Eu sei que é difícil manter as crianças em silêncio. É suposto (ou pelo menos espera-se) que exista alguma excitação e algum ruído neste tipo de récita mas procurem utilizar a oportunidade para educar um pouco ... tentem restringir o volume, ensinem que não se fala podem fazê-lo por exemplo utilizando o truque do segredo ou explicando a acustica da sala ou explicando que só se pode falar baixinho e ao ouvido, o que quiserem, o que fôr mais adequado para a idade e perfil do vosso educando ... não vão ser 100% bem sucedidos mas se tentarem conseguirao que os vossos filhos ou educandos aproveitem muito mais a ocasião. Não se demitam do vosso papel de educadores.
E vão ouvir música, porque ao vivo é outra coisa!
By the way, já que estamos em maré de recomendações musicais para crianças, neste período da Páscoa a Gulbenkian tem como costume um programa simplesmente fabuloso de actividades para os mais novos. De vários tipos. Aproveitem ao máximo a benção de termos um verdadeiro mecenas ...
Não se tratam nesta adaptação as crianças como se sofressem alguma restrição mental que as impeça de compreender uma história. Excelente. Manteve-se a estrutura da mesma e da música desta obra prima de Mozart. Bons cantores, bons actores, uma excelente introdução à opera.
Sinceramente depois de ter visto recomendo ainda mais. Podem ver algumas fotos no site da Raínha da Noite (muito justamente a mais aplaudida ontem) aqui . Se forem professores saibam que há ainda uma oportunidade para escolas no dia 20 de Maio (não faço ideia se está esgotado ou não) e para o público em geral no dia 24 de Maio (também não sei se ainda haverá bilhetes) já que ontem estava cheio. Hoje à tarde há mais uma récita para escolas, mas para isso é capaz de já ser tarde ...
Ontem estava cheio e aqui fica uma nota para os pais, naquilo que para mim foi talvez o ponto menos bom da tarde. Um pouco de barulho a mais. Eu sei que é difícil manter as crianças em silêncio. É suposto (ou pelo menos espera-se) que exista alguma excitação e algum ruído neste tipo de récita mas procurem utilizar a oportunidade para educar um pouco ... tentem restringir o volume, ensinem que não se fala podem fazê-lo por exemplo utilizando o truque do segredo ou explicando a acustica da sala ou explicando que só se pode falar baixinho e ao ouvido, o que quiserem, o que fôr mais adequado para a idade e perfil do vosso educando ... não vão ser 100% bem sucedidos mas se tentarem conseguirao que os vossos filhos ou educandos aproveitem muito mais a ocasião. Não se demitam do vosso papel de educadores.
E vão ouvir música, porque ao vivo é outra coisa!
By the way, já que estamos em maré de recomendações musicais para crianças, neste período da Páscoa a Gulbenkian tem como costume um programa simplesmente fabuloso de actividades para os mais novos. De vários tipos. Aproveitem ao máximo a benção de termos um verdadeiro mecenas ...
domingo, 2 de março de 2008
Música por Lucienne Petit e Poesia por Bernardo
Não costumo neste blog fazer referências à minha vida para além de vos contar os concertos ou a música que ouvi. Hoje vou abrir uma excepção por duas razões. Fez ontem anos que a minha avó faleceu e Lucienne Petit foi certamente uma das razões pelas quais hoje gosto de música clássica.
Deixem-me que vos conte uma história que tem tudo a ver com música e com este meu post muito especial. A minha avó era farmacêutica. A ultima farmácia que teve era numa pequena aldeia francesa no meio de sítio nenhum. Uma daquelas aldeias que julgamos só existirem em filmes. A farmácia da minha avó também parecia ter saído desses mesmos filmes. Tinha um sino (verdadeiro, não electrónico) na porta que tocava quando um cliente entrava e ainda tinha daqueles recipientes enormes (pareciam-me) de vidro onde se vendia perfume a litro, perfume que cheirava a lavanda. A minha avó na verdade era farmacêutica mais pela razão do que pelo coração. Pelo coração era poeta e sobretudo música. Era poeta pela sua atitude em relação à vida era música porque tocava violino e piano e provavelmente teria sido essa a sua profissão caso não tivesse cedido a "razão" de uma vida talvez mais fácil. Mas isso são contas de outro rosário.
A minha avó tinha várias teorias invariavelmente poéticas sobre os negócios farmacêuticos. Dizia-me, quando passava as férias de verão com ela, que a música clássica atraía os clientes. Abria então as janelas do seu escritório e no seu piano começava a tocar. E invariavelmente os clientes chegavam mesmo e interrompiam aqueles momentos mágicos. A minha avó tocava muito bem, muito bem mesmo e em grande parte esses minutos introduziram-me à música clássica. Isso e a aparelhagem de alta-fidelidade que tinha na sala e onde ouvi vezes sem conta os seus discos, os mesmos, sempre. Garanto-vos que o Adagio de Albinoni ou Rachmaninoff ouvido no meio do campo com uma trovoada de verão no fundo e acompanhado com o cheiro intenso da terra molhada depois da chuva na terra ainda quente ganha todo o seu esplendor. Ainda hoje quando chove de verão e volta aquele cheiro oiço a mesma música e sinto-me feliz.
E vem tudo isto a propósito da segunda parte desta história. A minha avó era uma verdadeira poeta e ontem estivemos em família a relembra-la com velhas fotografias. Ontem nasceu outro poeta. O meu sobrinho Bernardo que tem oito anos leu-nos o seu primeiro poema. Este poderia ser uma excelente introdução à quinta sinfonia mas não é apenas isso. Foi o seu primeiro poema. Tal como a minha avó o meu sobrinho é um poeta.
Deixem-me que vos conte uma história que tem tudo a ver com música e com este meu post muito especial. A minha avó era farmacêutica. A ultima farmácia que teve era numa pequena aldeia francesa no meio de sítio nenhum. Uma daquelas aldeias que julgamos só existirem em filmes. A farmácia da minha avó também parecia ter saído desses mesmos filmes. Tinha um sino (verdadeiro, não electrónico) na porta que tocava quando um cliente entrava e ainda tinha daqueles recipientes enormes (pareciam-me) de vidro onde se vendia perfume a litro, perfume que cheirava a lavanda. A minha avó na verdade era farmacêutica mais pela razão do que pelo coração. Pelo coração era poeta e sobretudo música. Era poeta pela sua atitude em relação à vida era música porque tocava violino e piano e provavelmente teria sido essa a sua profissão caso não tivesse cedido a "razão" de uma vida talvez mais fácil. Mas isso são contas de outro rosário.
A minha avó tinha várias teorias invariavelmente poéticas sobre os negócios farmacêuticos. Dizia-me, quando passava as férias de verão com ela, que a música clássica atraía os clientes. Abria então as janelas do seu escritório e no seu piano começava a tocar. E invariavelmente os clientes chegavam mesmo e interrompiam aqueles momentos mágicos. A minha avó tocava muito bem, muito bem mesmo e em grande parte esses minutos introduziram-me à música clássica. Isso e a aparelhagem de alta-fidelidade que tinha na sala e onde ouvi vezes sem conta os seus discos, os mesmos, sempre. Garanto-vos que o Adagio de Albinoni ou Rachmaninoff ouvido no meio do campo com uma trovoada de verão no fundo e acompanhado com o cheiro intenso da terra molhada depois da chuva na terra ainda quente ganha todo o seu esplendor. Ainda hoje quando chove de verão e volta aquele cheiro oiço a mesma música e sinto-me feliz.
E vem tudo isto a propósito da segunda parte desta história. A minha avó era uma verdadeira poeta e ontem estivemos em família a relembra-la com velhas fotografias. Ontem nasceu outro poeta. O meu sobrinho Bernardo que tem oito anos leu-nos o seu primeiro poema. Este poderia ser uma excelente introdução à quinta sinfonia mas não é apenas isso. Foi o seu primeiro poema. Tal como a minha avó o meu sobrinho é um poeta.
O meu primeiro poema por Bernardo
És o fogo da minha alma
Linda como uma flor
e o terrível medo vai desaparecer
No meio da escuridão vi-me só contigo
Quero-te dar a luz, a glória e a esperança
És só o meu amor.
És o fogo da minha alma
Linda como uma flor
e o terrível medo vai desaparecer
No meio da escuridão vi-me só contigo
Quero-te dar a luz, a glória e a esperança
És só o meu amor.
Fiquem bem que hoje não sei se conseguirei escrever sobre a quinta sinfonia ... como sabem tenho concerto à tarde ... e depois outro tipo de música me aguarda.
Mozart (1756 - 1791)
Ainda não é uma verdadeira biografia de Mozart mas apenas um índice temático com os vários posts que fizemos sobre este compositor. A biografia irá chegar em breve (teremos de esperar por fim de semana menos preenchido ...).
Operas
As Bodas de Figaro : K. 492
Flauta Mágica : K. 620
Cosi fan tutte: K. 588
Don Giovanni : K. 527
Teresa Stich Randall e Mozart (Texto de João Benard da Costa)
Sinfonias
Sinfonia "Jupiter" : K 551
Sinfonia Praga : K 504
Sonatas
Sonata para piano nº8 : K 310
Sonata para piano nº 14: K. 457
Sonata para Violino nº 21 : K.304
Concertos
Concertos para Violino
Concerto nº1 : K 207
Concerto nº2 : K 211
Concerto nº4 : K 218
Concerto nº5: K. 219
Concertos para Piano
Concerto para piano nº 21 em Dó Maior: K 467
Concerto para piano nº 24: K 491
Mozart - Concerto para dois pianos : K. 365
Concertos para Instrumentos de Sopro
Concerto para Flauta: K 313
Concerto para Clarinete: K 622
Música sacra
Missa breve em Dó Menor: K 427
Missa breve em dó Maior: K 317
Exsultate, jubilate e Ave verum corpus: K. 165 e K. 618
Requiem: K 626
Divertimentos e Outras Obras Instrumentais
Eine Kleine Nacht Musik : K. 525
Uma brincadeira músical: K 522
Operas
As Bodas de Figaro : K. 492
Flauta Mágica : K. 620
Cosi fan tutte: K. 588
Don Giovanni : K. 527
Teresa Stich Randall e Mozart (Texto de João Benard da Costa)
Sinfonias
Sinfonia "Jupiter" : K 551
Sinfonia Praga : K 504
Sonatas
Sonata para piano nº8 : K 310
Sonata para piano nº 14: K. 457
Sonata para Violino nº 21 : K.304
Concertos
Concertos para Violino
Concerto nº1 : K 207
Concerto nº2 : K 211
Concerto nº4 : K 218
Concerto nº5: K. 219
Concertos para Piano
Concerto para piano nº 21 em Dó Maior: K 467
Concerto para piano nº 24: K 491
Mozart - Concerto para dois pianos : K. 365
Concertos para Instrumentos de Sopro
Concerto para Flauta: K 313
Concerto para Clarinete: K 622
Música sacra
Missa breve em Dó Menor: K 427
Missa breve em dó Maior: K 317
Exsultate, jubilate e Ave verum corpus: K. 165 e K. 618
Requiem: K 626
Divertimentos e Outras Obras Instrumentais
Eine Kleine Nacht Musik : K. 525
Uma brincadeira músical: K 522
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