domingo, 15 de abril de 2012

Maurice André (1923-2012)

Os instrumentos de sopro e as obras que lhe são destinadas têm sido um pouco sub-representadas neste blog. Os seus interpretes de excelência também pese embora a nossa biografia de Jean Pierre Rampal ou James Galway ou ainda a eleição do nosso Concerto para instrumentos de Sopro.

A Diapason deste mês felizmente ao recordar-me Maurice André vai permitir equilibrar um pouco a situação.

Maurice André nasceu em Alés a 21 de Maio de 1923 numa modesta família de mineiros. O seu pai no entanto sendo trompetista nas horas vagas cedo iniciou o jovem no instrumento sendo que o seu talento não deixou de se mostrar desde a mais tenra idade. Isso não evitou que quase falecesse num acidente nas minas onde teve de trabalhar desde os 14 anos até aos 18 anos.

O seu primeiro contrato profissional enquanto músico é num regimento de comunicações isto ainda antes de se inscrever no Conservatório de Paris onde é aluno de Raymond Sabarich. Rapidamente consegue estabelecer-se como um grande instrumentista sendo contratado pelas Orquestras Lamoureux, ORTF entre outras. Mas porque é preciso ganhar a vida (e também porque gosta de vários tipos musicais) não deixa de tocar com Trenet numa incursão na música popular que repetirá várias vezes ao longo da sua vida como inclusivamente toca em circos (sucedendo nesse particular ao seu professor).

A partir de 1955 com o Grande Prémio no Concurso de Geneve começa a estabelecer a sua carreira internacional enquanto concertista que viria a consolidar definitivamente com o prémio no concurso de Munique em 1963. Interpreta praticamente todas as obras do reportório sendo o responsável por restabelecer o instrumento enquanto instrumento para solista, tradição que se tinha perdido praticamente desde o século XVIII.

Faz-nos redescobrir uma grande parte do reportório barroco sendo que nesse particular há algumas obras como por exemplo o 2º Concerto de Brandenburgo (Bach) que se tornam quase "icons" do grande mestre (outros exemplos Telemann - Sonata em Ré  ou o Concerto para Trompete e Cordas de Vivaldi).

A sua influência é de tal forma marcante que provoca literalmente a produção de uma quantidade apreciável de obras para os vários instrumentos de sopro que utilizava com maestria. Trabalhador incansável gravou com todos os grandes maestros do século XX numa discografia tão extensa que não é fácil encontrar discos que se possam destacar até porque abordava todos os seus compromissos com a mesma seriedade.

Talvez possamos recomendar o conjunto de 6 discos editados pela EMI que para além de todos os standards do barroco contém também algumas das transcrições que Maurice André gostava de interpretar como por exemplo Avé Maria ou Uma Lágrima Furtiva (da opera Elixir de Amor de Donizetti) assim como as suas incursões na música popular (La Vie em Rose  ou Les Feuilles Mortes). Embora o disco esteja esgotado podem adquirir as músicas individualmente na Amazon em formato digital.



Maurice André guardou dos seus tempos de infância o valor do trabalho e da solidariedade. Guardou também a abertura de espírito que lhe fazia adorar outros tipos de música das quais a incursão pelo Jazz ficou para ultimo porque o extracto que vos mostro Manhã de Carnaval com Dizzy Gillespie demonstra uma das outras grandes características de Maurice André. O seu enorme sentido de humor e de humanidade.

Professor no Conservatório de Paris formou literalmente centenas de instrumentistas entre os quais Guy Touvron ele também concertista de renome internacional e autor da biografia de Maurice André intitulada "Une Trompette pour la renommée"



Desde 1990 retirado no País Basco francês (perto do porto de Bayonne) Maurice André deu o seu ultimo concerto em 9 de Outubro de 2008 na catedral de Beziers. Faleceu no passado dia 25 de Fevereiro de 2012.




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