Celebra-se amanhã o Dia Mundial da Música. Este dia é sempre festejado com vários concertos e recitais por isso não terão com toda a certeza dificuldade em encontrar perto de vós um desses eventos. Aqui pela zona de Lisboa há tantos que me é impossível listar todos.
Aqui ficam algumas sugestões no entanto espalhadas um pouco por todo o país. Assim no Porto no Coliseu do Porto teremos Sansão e Dalila de Saint Saens às 21h a ópera considerada uma das obra prima do compositor. No CCB em Lisboa teremos o Ensemble Schostakovich às 21h na sala Luís de Freitas Branco. Ainda em Lisboa mas no São Carlos teremos no Teatro São Carlos às 18h no Salão Nobre a Orquestra Sinfónica Portuguesa com obras de Mendelssohn, Joly Braga Santos, Mozart e Schostakovich. Além disso nessa zona do chiado no largo do Teatro, nas Ruínas do Carmo, ... haverão uma série de pequenos concertos para festejar este dia (a partir das 15h).
Mas há eventos em muitas outras localidades. Em Santarém por exemplo o conservatório leva a cabo um concerto de comemoração do dia e também de abertura do ano lectivo. Será às 21:30 na Igreja da Graça, a entrada é livre.
Também há comemorações em Almeirim, no Redondo, em Évora (com o Requiem de Fauré às 18:30 na Igreja de São Francisco), ...
O nosso conselho é o seguinte ... consulte os jornais da sua localidade e certamente poderá usufruír de música ao vivo. Não se esqueça do nosso lema: Ao vivo é outra coisa !
A única música que precisa de embalagem é a música de plástico.
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sexta-feira, 30 de setembro de 2011
terça-feira, 27 de setembro de 2011
1º concerto do ciclo “Musicália” - Sugestão para Quarta-Feira 28 Setembro 2011
Vamos hoje retomar a boa tradição de algumas sugestões musicais. Assim começo por vos propor para Quarta-Feira às 19h o 1º Concerto Musicália de que soube através deste post no Facebook.
O programa é constituído por música contemporânea de autores portugueses (só por isso vale a pena irem ouvir). Aqui fica o elenco dos artistas e programa para os mais preguiçosos que não queiram ir ao Facebook (embora convenha para verificarem se não há novidades!).
1º concerto do ciclo “Musicália”
Academia de Amadores de Música
Rua Nova do Trindade, Lisboa
4ª feira - 28 Setembro 2011 19:00
Ana Cristina Bernardo, piano
João Pereira Coutinho, flauta
Paulo Gaspar, clarinete
Luís Pacheco Cunha, violino
Ricardo Mateus, viola
Catarina Távora, violoncelo
Fátima Juvandes e João Paulo Monteiro, percussão
Programa:
Carlos Marecos
Um sino contra o tempo
Eurico Carrapatoso
Espelho da Alma
Sérgio Azevedo
V mhlách... 1912
Eu vou tentar lá estar embora 19h naquele local não seja para mim muito simples !
1º concerto do ciclo “Musicália”
Academia de Amadores de Música
Rua Nova do Trindade, Lisboa
4ª feira - 28 Setembro 2011 19:00
Ana Cristina Bernardo, piano
João Pereira Coutinho, flauta
Paulo Gaspar, clarinete
Luís Pacheco Cunha, violino
Ricardo Mateus, viola
Catarina Távora, violoncelo
Fátima Juvandes e João Paulo Monteiro, percussão
Programa:
Carlos Marecos
Um sino contra o tempo
Eurico Carrapatoso
Espelho da Alma
Sérgio Azevedo
V mhlách... 1912
Eu vou tentar lá estar embora 19h naquele local não seja para mim muito simples !
terça-feira, 3 de novembro de 2009
Pesquisa interessante de ontem - Concerto para violino de Dvorak
Este concerto foi um dos que esteve a votação quando elegemos o nosso concerto de violino preferido tendo infelizmente conseguido a vigésima e ultima posição dos 20 que seleccionamos para a votação com apenas 3 votos ... Falamos deste concerto neste outro post.
Dvorak, de que ainda não falamos porque se enquadra dentro de um período pós-romântico a que chamamos de Escolas Nacionalistas escreveu três concertos. Um concerto para piano (o primeiro) e que é relativamente desconhecido, um concerto para violino Op. 53 e o objecto da pesquisa deste nosso leitor e o muito mais conhecido concerto para violoncelo. Desconfiamos aliás, que a exemplo do que aconteceu com a sua Nona Sinfonia que esteve quase a ganhar a votação da nossa sinfonia preferida, quando elegermos o nosso concerto para Violoncelo este estará no top seguramente.
O concerto para violino no entanto não goza dessa popularidade, pese o facto de ser uma das obras preferidas do compositor e de ser de um grande lirismo . Como muitos dos grandes concerto da altura foi escrito para o grande violinista Joseph Joachim que no entanto o desdenhou nunca o tendo interpretado. Possivelmente não o considerava suficientemente virtuoso.
Se quiserem uma introdução a este concerto proponho que oiçam Maxim Vengerov com a Filarmónica de Nova Iorque dirigida por Kurt Masur precisamente no mais lírico dos andamentos, o segundo.
Dvorak, de que ainda não falamos porque se enquadra dentro de um período pós-romântico a que chamamos de Escolas Nacionalistas escreveu três concertos. Um concerto para piano (o primeiro) e que é relativamente desconhecido, um concerto para violino Op. 53 e o objecto da pesquisa deste nosso leitor e o muito mais conhecido concerto para violoncelo. Desconfiamos aliás, que a exemplo do que aconteceu com a sua Nona Sinfonia que esteve quase a ganhar a votação da nossa sinfonia preferida, quando elegermos o nosso concerto para Violoncelo este estará no top seguramente.
O concerto para violino no entanto não goza dessa popularidade, pese o facto de ser uma das obras preferidas do compositor e de ser de um grande lirismo . Como muitos dos grandes concerto da altura foi escrito para o grande violinista Joseph Joachim que no entanto o desdenhou nunca o tendo interpretado. Possivelmente não o considerava suficientemente virtuoso.
Se quiserem uma introdução a este concerto proponho que oiçam Maxim Vengerov com a Filarmónica de Nova Iorque dirigida por Kurt Masur precisamente no mais lírico dos andamentos, o segundo.
segunda-feira, 11 de maio de 2009
Schumann - Concerto para piano Op. 54 em Lá Menor
O concerto que ouvimos hoje foi composto em 1845. Na verdade o primeiro andamento resulta de uma fantasia escrita naquele que foi um dos seus anos mais produtivos 1841. A esta fantasia Schumann acrescentou dois andamentos ficando assim o concerto com uma estrutura clássica, pelo menos na aparência dado que Schumann preferia que nos programas fossem apenas apresentados dois andamentos. Para quem não pode ouvir em directo neste post podem também encontrar referências para uma interpretação de Emil Gilels (primeiro e terceiro andamento) e Dino Lipatti (segundo andamento).
Em todo o caso os dois últimos andamentos são tocados sem interrupção sem dúvida numa tentativa de ter uma obra perto de um andamento único.
É um concerto que não é propriamente muito exigente do ponto de vista técnico, muito num estilo concertante o que aliás lhe valeu a charge de Lizst que lhe chamou um "concerto sem piano".
O concerto foi estreado em 1846 sendo o papel de solista desempenhado por Clara Schumann e a Orquestra dirigida por Ferdinand Hiller a quem o concerto é dedicado.
O primeiro andamento (Allegro affettuoso) em Lá Menor começa com uma introdução bastante sombria que alterna sucessivamente para um tom alegre do modo maior do tema principal. Primeira Parte, Segunda Parte
O segundo andamento (Intermezzo: Andantino grazioso) em fá maior demonstra de forma inequívoca o dom de Schumann para as melodias.
O terceiro andamento (Allegro vivace) em Lá maior é extraordinariamente alegre com um ritmo de quase dança num optimismo crescente e exuberante. Primeira Parte, Segunda Parte
Em todo o caso os dois últimos andamentos são tocados sem interrupção sem dúvida numa tentativa de ter uma obra perto de um andamento único.
É um concerto que não é propriamente muito exigente do ponto de vista técnico, muito num estilo concertante o que aliás lhe valeu a charge de Lizst que lhe chamou um "concerto sem piano".
O concerto foi estreado em 1846 sendo o papel de solista desempenhado por Clara Schumann e a Orquestra dirigida por Ferdinand Hiller a quem o concerto é dedicado.
O primeiro andamento (Allegro affettuoso) em Lá Menor começa com uma introdução bastante sombria que alterna sucessivamente para um tom alegre do modo maior do tema principal. Primeira Parte, Segunda Parte
O segundo andamento (Intermezzo: Andantino grazioso) em fá maior demonstra de forma inequívoca o dom de Schumann para as melodias.
O terceiro andamento (Allegro vivace) em Lá maior é extraordinariamente alegre com um ritmo de quase dança num optimismo crescente e exuberante. Primeira Parte, Segunda Parte
domingo, 10 de maio de 2009
Transmissão em Directo de hoje às 21:30 ! Concerto de Chopin Nº1
Hoje às 21:30 teremos mais uma transmissão no Piano CRS Rádio de um dos concertos de piano que estão a votação na eleição do nosso concerto de piano preferido. Teremos hoje Chopin com o primeiro concerto para piano Op. 11 em Mi Menor, um concerto em três andamentos em que como seria de esperar o piano tem uma parte de leão. Eu sou fã de Chopin e penso que a orquestração - simples - serve na perfeição para demonstrar a beleza da melodia.
sexta-feira, 8 de maio de 2009
Haydn - Concerto para piano nº 11 em Ré Maior
Não se esqueçam que este concerto será transmitido hoje à noite na nossa rádio preferida, a Rádio CRS às 22h. Não percam, porque este concerto é fantástico !
Haydn contrariamente a Mozart nunca foi um grande pianista. Talvez por isso dos doze concertos para piano que compôs apenas quatro foram editados com Haydn ainda em vida sendo este o segundo desses concertos. Composto entre 1780-1783 foi estreado em Paris em 1784.
É no entanto sobejamente conhecida a admiração que Mozart sentia por Haydn admiração essa que aliás era correspondida. Este concerto de Haydn foi sem dúvida um dos que mais terá influenciado Mozart no posterior desenvolvimento da forma.
Trata-se de um concerto em Ré Maior numa forma clássica em três andamentos a que nem o facto já referido de Haydn não ser pianista retira o incontestável brilho .
Dos três andamentos o ultimo (Rondo all'Ungarese) é sem margem para dúvidas o mais (re)conhecido sendo baseado numa dança Bosnia/Dalmata . O primeiro andamento com dois temas explorados primeiro pela orquestra e depois pelo solista é profundamente clássico na sua concepção (Vivace) embora o desenvolvimento do segundo tema seja pouco profundo. O segundo andamento (Un poco adagio) é essencialmente uma longa linha melódica explorada pelo solista.
Haydn contrariamente a Mozart nunca foi um grande pianista. Talvez por isso dos doze concertos para piano que compôs apenas quatro foram editados com Haydn ainda em vida sendo este o segundo desses concertos. Composto entre 1780-1783 foi estreado em Paris em 1784.
É no entanto sobejamente conhecida a admiração que Mozart sentia por Haydn admiração essa que aliás era correspondida. Este concerto de Haydn foi sem dúvida um dos que mais terá influenciado Mozart no posterior desenvolvimento da forma.
Trata-se de um concerto em Ré Maior numa forma clássica em três andamentos a que nem o facto já referido de Haydn não ser pianista retira o incontestável brilho .
Dos três andamentos o ultimo (Rondo all'Ungarese) é sem margem para dúvidas o mais (re)conhecido sendo baseado numa dança Bosnia/Dalmata . O primeiro andamento com dois temas explorados primeiro pela orquestra e depois pelo solista é profundamente clássico na sua concepção (Vivace) embora o desenvolvimento do segundo tema seja pouco profundo. O segundo andamento (Un poco adagio) é essencialmente uma longa linha melódica explorada pelo solista.
quinta-feira, 7 de maio de 2009
Mozart Concerto para piano nº 24
Peço desculpa mas mais uma vez não cheguei a tempo do ouvir o concerto em directo. Bem na verdade por causa do aniversário do meu filho cheguei quase a tempo (ainda ouvi o terceiro andamento). Para quem não pode acompanhar a transmissão em directo aqui fica uma segunda oportunidade. Não percam sexta-feira às 22h o concerto de Haydn, sempre aqui !
Este concerto para piano foi composto entre 1785 e 1786 sendo dos concertos mais inovadores do compositor pela sua característica essencialmente concertante. Devo dizer-vos que dos concertos de Mozart este é o meu preferido.
O concerto que tem uma duração aproximada de 30 minutos está como é usual dividido em três andamentos na estrutura convencional andamento rápido - andamento lento - andamento rápido. Do primeiro andamento (Allegro em Dó menor) destacaria para além alguns solos de sopros (vejam por exemplo por volta do minuto 6:00) nesta interpretação de Previn. A segunda parte deste andamento pode ser ouvida aqui.
No que diz respeito ao segundo andamento (Larghetto in Mi bemol maior) que podem ouvir aqui numa interpretação de Daniel Gortler e da Orquestra de Camara de Israel pode ser caracterizado por uma utilização muito marcante de sopros, oiçam por exemplo o dialogo com piano 6:30.
Finalmente o terceiro andamento (Allegretto -Variações - em Dó menor) que podem ouvir aqui na interpretação também de Daniel Gortler talvez o mais virtuoso dos três andamentos não deixa por isso de ser rico em diálogos entre o piano e a orquestra (gosto especialmente das passagens por volta de 3:00) com espelhos sucessivos entre o piano as cordas e o piano.
Este concerto para piano foi composto entre 1785 e 1786 sendo dos concertos mais inovadores do compositor pela sua característica essencialmente concertante. Devo dizer-vos que dos concertos de Mozart este é o meu preferido.
O concerto que tem uma duração aproximada de 30 minutos está como é usual dividido em três andamentos na estrutura convencional andamento rápido - andamento lento - andamento rápido. Do primeiro andamento (Allegro em Dó menor) destacaria para além alguns solos de sopros (vejam por exemplo por volta do minuto 6:00) nesta interpretação de Previn. A segunda parte deste andamento pode ser ouvida aqui.
No que diz respeito ao segundo andamento (Larghetto in Mi bemol maior) que podem ouvir aqui numa interpretação de Daniel Gortler e da Orquestra de Camara de Israel pode ser caracterizado por uma utilização muito marcante de sopros, oiçam por exemplo o dialogo com piano 6:30.
Finalmente o terceiro andamento (Allegretto -Variações - em Dó menor) que podem ouvir aqui na interpretação também de Daniel Gortler talvez o mais virtuoso dos três andamentos não deixa por isso de ser rico em diálogos entre o piano e a orquestra (gosto especialmente das passagens por volta de 3:00) com espelhos sucessivos entre o piano as cordas e o piano.
sexta-feira, 1 de maio de 2009
Grieg - Concerto para Piano Nº 1 (Op. 16)
Image via Wikipedia
Grieg foi no início marginalizado talvez porque na altura a Noruega, o seu país natal era vista como um local pouco propicio ao desenvolvimento de talentos musicais.
Este concerto de Grieg foi composto em 1868 quando o compositor tinha apenas 24 anos sendo por isso um trabalho onde transparece muito fortemente a influência da escola germânica em particular de Schumann (este concerto é muitas vezes comparado ao Concerto de Schumann que também é em Lá Menor e que tem uma construção semelhante). A estreia deu-se a 3 de Abril de 1869 em Copenhaga com Edmund Neupert ao piano e Simon Paulli na direcção da Real Orquestra da Dinamarca.
Escolhemos para ilustrar este concerto uma interpretação de Arthur Rubinstein que embora possam ler nos comentários ser demasiado lenta (é verdade que é amsi lenta do que o tempo de referência actual) tem a vantagem, para mim,
O primeiro andamento (Allegro molto moderato) em Lá menor é logo desde o seu início uma das composições mais facilmente reconhecíveis da música clássica. Oiçam este andamento aqui e aqui.
O segundo andamento (Adagio) em Ré bemol maior é criticado por alguns musicólogos por ser demasiado simples. Porém tenho de discordar dessa opinião dado que para mim é uma das melodias mais emocionantes que conheço ... Oiçam aqui este andamento.
O terceiro andamento (Allegro moderato molto e marcato) que começa em Lá menor para acabar em Lá Maior é uma montra de virtuosismo pianistico mas sem perder o carácter musical. É neste andamento que mais facilmente se detecta o caracter nacionalista do compositor com referências a melodias populares Norueguesas. Oiçam aqui este andamento.
Não se esqueçam de votar neste concerto ... Merece mais do que os 10 votos que tem até agora !
quinta-feira, 30 de abril de 2009
Concerto para Piano nº 2 (Op. 18) de Rachmaninoff
Falamos embora muito brevemente deste concerto neste post em que vos falei da interpretação do pianista António Rosado com a OML Junior, num concerto de grande nível. Este concerto está na minha lista dos 5 preferidos ... Eu sei que isto é batota, já ontem falei dos de Beethoven, faltam dois para completar o meu "Top Five" ...
Composto no inicio do século vinte (entre 1900 e 1901) numa altura em que Rachmaninoff estava profundamente afectado na sua confiança pelo falhanço da sua primeira sinfonia. foi este concerto que o trouxe de volta à composição.
O concerto em Dó menor foi estreado em 27 de Outubro de 1901 com o compositor ao piano e Alexander Ziloti a dirigir a orquestra. Pese a inexperiência do maestro e o nervosismo do compositor o concerto foi um exito imediato.
O primeiro andamento é baseado num tema de uma melodia russa. Note-se que apesar disso todo concerto foi muito influenciado pelo concerto de Grieg de que falaremos amanhã.
O segundo andamento é uma das composições mais conhecidas de Rachmaninoff tendo inclusivamente sido por várias vezes utilizado em cinema. A calma absoluta antes do verdadeiro turbilhão de emoções.
Turbilhão esse representado no terceiro andamento por um tema brilhante e um final que normalmente leva as audiências ao delirio.
Oiça aqui as quatro partes do concerto.
Parte 1
Parte 2
Parte 3
Parte 4
Composto no inicio do século vinte (entre 1900 e 1901) numa altura em que Rachmaninoff estava profundamente afectado na sua confiança pelo falhanço da sua primeira sinfonia. foi este concerto que o trouxe de volta à composição.
O concerto em Dó menor foi estreado em 27 de Outubro de 1901 com o compositor ao piano e Alexander Ziloti a dirigir a orquestra. Pese a inexperiência do maestro e o nervosismo do compositor o concerto foi um exito imediato.
O primeiro andamento é baseado num tema de uma melodia russa. Note-se que apesar disso todo concerto foi muito influenciado pelo concerto de Grieg de que falaremos amanhã.
O segundo andamento é uma das composições mais conhecidas de Rachmaninoff tendo inclusivamente sido por várias vezes utilizado em cinema. A calma absoluta antes do verdadeiro turbilhão de emoções.
Turbilhão esse representado no terceiro andamento por um tema brilhante e um final que normalmente leva as audiências ao delirio.
Oiça aqui as quatro partes do concerto.
Parte 1
Parte 2
Parte 3
Parte 4
sábado, 18 de abril de 2009
Concerto para Piano de Ravel
Para minha surpresa este concerto está no primeiro lugar da nossa votação para o nosso concerto de piano preferido. É uma surpresa não porque o concerto não tenha qualidade (obviamente tem senão não estaria na nossa lista)mas porque face a outros concertos com maior notoriedade pensamos que não teria hipótese.
Este concerto foi composto em simultâneo com o concerto para mão esquerda entre os anos 1929-1931. O concerto foi estreado pela pianista Marguerite Long a quem é dedicado. Essa dedicatória aliás tem em si mesmo uma história dado que aparentemente Ravel se teria arrependido da mesma e apenas o seu precário estado de saúde o teria impedido de estrear ele próprio o concerto como seria o seu desejo.
O concerto tem uma forma clássica em três andamentos sendo o primeiro (Allegramente) na forma de sonata e com bastante inspiração no Jazz lembrando aliás por vezes Gershwin. Ravel tinha dito aliás que o trabalho deste compositor Norte-Americano o intrigava bastante. Oiçam aqui uma interpretação de Leonard Bernstein.
O segundo andamento é muito calmo (Adagio Assai ) e contemplativo na boa forma clássica, leve era a palavra que Ravel gostava de utilizar, com semelhanças no espírito a uma Gnossiene de Satié por exemplo. Dos três abdamentos deste concerto é o meu preferido, a melodia é lindissima. Podem ouvir aqui uma interpretação de Leonard Bernstein.
O terceiro é um curto e rapidissimo Presto que podemos ouvir aqui.
Este concerto foi composto em simultâneo com o concerto para mão esquerda entre os anos 1929-1931. O concerto foi estreado pela pianista Marguerite Long a quem é dedicado. Essa dedicatória aliás tem em si mesmo uma história dado que aparentemente Ravel se teria arrependido da mesma e apenas o seu precário estado de saúde o teria impedido de estrear ele próprio o concerto como seria o seu desejo.
O concerto tem uma forma clássica em três andamentos sendo o primeiro (Allegramente) na forma de sonata e com bastante inspiração no Jazz lembrando aliás por vezes Gershwin. Ravel tinha dito aliás que o trabalho deste compositor Norte-Americano o intrigava bastante. Oiçam aqui uma interpretação de Leonard Bernstein.
O segundo andamento é muito calmo (Adagio Assai ) e contemplativo na boa forma clássica, leve era a palavra que Ravel gostava de utilizar, com semelhanças no espírito a uma Gnossiene de Satié por exemplo. Dos três abdamentos deste concerto é o meu preferido, a melodia é lindissima. Podem ouvir aqui uma interpretação de Leonard Bernstein.
O terceiro é um curto e rapidissimo Presto que podemos ouvir aqui.
sábado, 28 de março de 2009
Sibelius - Concerto para Violino Op. 47 em Ré Menor
Este é um dos poucos concertos que estando na nossa lista de que ainda não falamos. É um dos meus concertos preferidos sendo característico do fim do período romântico.
O concerto foi composto em 1903 tendo sido estreado em Fevereiro de 1904. Não foi uma estreia bem sucedida em grande parte porque o solista Viktor Novácek não esteve à altura da ocasião. No entanto o próprio Sibelius não estava contente com o concerto tendo decidido efectuar uma série de revisões ao concerto tendo esta segunda versão sido estreada em 1905 agora sobre a direcção de Richard Strauss e com Karel Halir como solista.
Aliás como nota de rodapé também neste segunda ocasião o solista acabou por não ser o previsto. Na verdade a obra foi originalmente dedicada a Willy Burmester, violinista alemão e aluno de Joachim e a quem Sibelius enviou o manuscrito. Porém na data escolhida por Sibelius Burmester não estava disponível. Diga-se, em abono da verdade que o prazo dado por Sibelius foi de qualquer forma demasiado curto. O caso viria a repetir-se quando da segunda estreia da obra, apesar da insistência de Burmester. Este acabou por sentir-se tão insultado que Sibelius - que efectivamente não se comportou muito bem neste episódio foi obrigado a mudar a dedicatória tendo então escolhido um jovem hungaro, na altura com apenas 12 anos,
A comparação entre as duas versões reflecte que a primeira era muito mais exigente para o solista (esta primeira versão existe em gravação recente).
O concerto está dividido como é normal em três andamentos na forma clássica Rápido-Lento-Rápido.
O primeiro andamento (Allegro moderato) em Ré Menor inicia-se com um piano da Orquestra a que rapidamente se junta o solista. A gravação que escolhi é a de Heifetz de 1935 porque uma grande parte da popularidade deste concerto se deve a este violinista. Esta gravação em particular com a Sinfónica de Londres (não é a única) deverá ter sido uma das primeiras. Oiçam por exemplo a partir do minuto 3:20 ... Eu sei ... Não é suposto ouvir apenas partes ... Mas comecem por aí, deixem seduzir-se pela melodia e não resistirão ao resto. Podem ouvir a segunda parte deste andamento também por Heifetz aqui .
O segundo andamento (Adagio di molto) em Si Bemol Maior é de um lirismo notável. É aliás possivelmente uma das peças mais notáveis de Sibelius desse ponto de vista. Dá por vezes vontade de chorar ... Para este segundo andamento escolhemos uma interpretação fantástica de Christian Ferras (1933-1982). Aliás de certa forma este andamento pode ser visto como um espelho da vida do interprete ... Oiçam aqui. A propósito disto o nosso leitor Sanctus acabou de escrever um comentário referindo que este violinista não estava na nossa lista de Violinistas do Século XX. Erro que vai ser de imediato corrigido dado que este violinista é obviamente uma das figuras de referência e detentor de um dos sons mais doces que conheço.
O concerto termina com um terceiro andamento marcado com o tempo Allegro, ma non tanto em Ré Maior. E ainda bem que para a saúde dos interpretes existe esta marcação de tempo porque mesmo assim é um andamento verdadeiramente "louco" e junta-se aos restantes para fazer deste concerto um dos mais física e emocionalmente exigentes. Poderiamos continuar com Ferras mas não podia deixar de fora Oistrakh neste concerto. Por isso proponho que oiçam aqui este andamento por David Oistrakh.
E já sabem consultem a Lista a votação e Votem bem ! Têm ainda 12 dias :-)
O concerto foi composto em 1903 tendo sido estreado em Fevereiro de 1904. Não foi uma estreia bem sucedida em grande parte porque o solista Viktor Novácek não esteve à altura da ocasião. No entanto o próprio Sibelius não estava contente com o concerto tendo decidido efectuar uma série de revisões ao concerto tendo esta segunda versão sido estreada em 1905 agora sobre a direcção de Richard Strauss e com Karel Halir como solista.
Aliás como nota de rodapé também neste segunda ocasião o solista acabou por não ser o previsto. Na verdade a obra foi originalmente dedicada a Willy Burmester, violinista alemão e aluno de Joachim e a quem Sibelius enviou o manuscrito. Porém na data escolhida por Sibelius Burmester não estava disponível. Diga-se, em abono da verdade que o prazo dado por Sibelius foi de qualquer forma demasiado curto. O caso viria a repetir-se quando da segunda estreia da obra, apesar da insistência de Burmester. Este acabou por sentir-se tão insultado que Sibelius - que efectivamente não se comportou muito bem neste episódio foi obrigado a mudar a dedicatória tendo então escolhido um jovem hungaro, na altura com apenas 12 anos,
A comparação entre as duas versões reflecte que a primeira era muito mais exigente para o solista (esta primeira versão existe em gravação recente).
O concerto está dividido como é normal em três andamentos na forma clássica Rápido-Lento-Rápido.
O primeiro andamento (Allegro moderato) em Ré Menor inicia-se com um piano da Orquestra a que rapidamente se junta o solista. A gravação que escolhi é a de Heifetz de 1935 porque uma grande parte da popularidade deste concerto se deve a este violinista. Esta gravação em particular com a Sinfónica de Londres (não é a única) deverá ter sido uma das primeiras. Oiçam por exemplo a partir do minuto 3:20 ... Eu sei ... Não é suposto ouvir apenas partes ... Mas comecem por aí, deixem seduzir-se pela melodia e não resistirão ao resto. Podem ouvir a segunda parte deste andamento também por Heifetz aqui .
O segundo andamento (Adagio di molto) em Si Bemol Maior é de um lirismo notável. É aliás possivelmente uma das peças mais notáveis de Sibelius desse ponto de vista. Dá por vezes vontade de chorar ... Para este segundo andamento escolhemos uma interpretação fantástica de Christian Ferras (1933-1982). Aliás de certa forma este andamento pode ser visto como um espelho da vida do interprete ... Oiçam aqui. A propósito disto o nosso leitor Sanctus acabou de escrever um comentário referindo que este violinista não estava na nossa lista de Violinistas do Século XX. Erro que vai ser de imediato corrigido dado que este violinista é obviamente uma das figuras de referência e detentor de um dos sons mais doces que conheço.
O concerto termina com um terceiro andamento marcado com o tempo Allegro, ma non tanto em Ré Maior. E ainda bem que para a saúde dos interpretes existe esta marcação de tempo porque mesmo assim é um andamento verdadeiramente "louco" e junta-se aos restantes para fazer deste concerto um dos mais física e emocionalmente exigentes. Poderiamos continuar com Ferras mas não podia deixar de fora Oistrakh neste concerto. Por isso proponho que oiçam aqui este andamento por David Oistrakh.
E já sabem consultem a Lista a votação e Votem bem ! Têm ainda 12 dias :-)
sábado, 14 de março de 2009
Camille Saint Saens - Concerto para Violino nº3
Da nossa lista de 20 concertos este também é um dos que está a precisar de um pouco de campanha eleitoral dado que recebeu apenas um voto até agora.
Este terceiro concerto foi dedicado a Pablo de Sarasate que foi o solista na estreia da obra a 2 de Janeiro de 1881 em Chatelêt (Paris). O trabalho foi composto durante o ano de 1880 e inscreve-se num ciclo de 20 em que foram produzidas a maior parte da obra de Saint Saens.
Este concerto tem uma forma clássica em três andamentos embora os seus tempos não sigam a forma canónica rápido-lento-rápido. Dos três concertos de Saint Saens este foi o que permaneceu no reportório de forma mais premente possivelmente porque é também aquele que é musicalmente mais expressivo transcendendo em muito a simples demonstração de virtuosismo técnico.
Esta interpretação que escolhi é de Silvia Marcovici (violinista romena nascida em Bucareste em 1952 e que se tivermos sorte veremos neste blog quando falarmos do concerto de Glazunov). Este concerto que teve lugar em 1985 era de homenagem a Yehudi Menuhin de quem já falamos por várias vezes neste blog.
1º Andamento (Allegro non troppo) : Oiçam aqui este andamento. Chamo a vossa atenção para uma parte mais lírica no minuto 3:00 ou então logo o inicio que são as partes de que mais gosto.
2º Andamento (Andantino quasi allegretto) : Oiçam aqui o segundo andamento.
3º Andamento (Molto moderato e maestoso): Oiçam aqui o terceiro andamento.
Este terceiro concerto foi dedicado a Pablo de Sarasate que foi o solista na estreia da obra a 2 de Janeiro de 1881 em Chatelêt (Paris). O trabalho foi composto durante o ano de 1880 e inscreve-se num ciclo de 20 em que foram produzidas a maior parte da obra de Saint Saens.
Este concerto tem uma forma clássica em três andamentos embora os seus tempos não sigam a forma canónica rápido-lento-rápido. Dos três concertos de Saint Saens este foi o que permaneceu no reportório de forma mais premente possivelmente porque é também aquele que é musicalmente mais expressivo transcendendo em muito a simples demonstração de virtuosismo técnico.
Esta interpretação que escolhi é de Silvia Marcovici (violinista romena nascida em Bucareste em 1952 e que se tivermos sorte veremos neste blog quando falarmos do concerto de Glazunov). Este concerto que teve lugar em 1985 era de homenagem a Yehudi Menuhin de quem já falamos por várias vezes neste blog.
1º Andamento (Allegro non troppo) : Oiçam aqui este andamento. Chamo a vossa atenção para uma parte mais lírica no minuto 3:00 ou então logo o inicio que são as partes de que mais gosto.
2º Andamento (Andantino quasi allegretto) : Oiçam aqui o segundo andamento.
3º Andamento (Molto moderato e maestoso): Oiçam aqui o terceiro andamento.
domingo, 25 de janeiro de 2009
Tchaikovsky - Concerto para Violino (Op. 35) - Primeiro Andamento
A análise deste concerto é em grande parte análise baseada num programa da BBC 3 que podem e devem ouvir aqui.
Como referimos no nosso primeiro post sobre este concerto estamos a falar de uma obra de 1878. O primeiro andamento é um Allegro Moderato. Trata-se muito mais de uma obra lírica do que uma obra "virtuosa" no sentido em que é evidente o profundo desejo de expressão mais do que a procura da dificuldade, apesar da óbvia dificuldade técnica deste concerto ainda hoje considerado uma das peças mais difíceis do reportório para violino.
A titulo de exemplo das várias formas de expressão desse lirismo podemos por exemplo referir - técnica aliás frequentemente utilizada por Tchaikovsky - uma espécie de anuncio do tema que depois de criada a tensão passado um tempo, aparece na sua totalidade. Técnica profundamente cinematográfica.
Este primeiro andamento na boa forma clássica adopta a forma de sonata com dois temas belíssimos num desenvolvimento que utiliza formas tão variadas como a Contradansa (dança de origem Espanhola) ou mesmo estilização de melodias populares russas a um tal ponto que resultam irreconhecíveis a não ser pelo ambiente criado. Esta mistura resulta num ambiente de verdadeiro frenesim musical que faz deste primeiro andamento um momento inesquecivel na história da música.
Seguindo a recomendação da nossa leitora do Blog Fantasia Músical escolhemos desta vez Oistrack para ilustrar este andamento que podem ouvir aqui (primeira parte) e aqui (segunda parte). Não é que o prefira em relação a Heifetz que tinha escolhido quando vos descrevi o concerto no seu conjunto mas na verdade esta interpretação de Oistrack tem uma clareza e uma pureza notável. Outra caracteristica que me agrada bastante é que não está ainda "poluída" por alguns maneirismos de outras interpretações da segunda metade do século XX.
Como referimos no nosso primeiro post sobre este concerto estamos a falar de uma obra de 1878. O primeiro andamento é um Allegro Moderato. Trata-se muito mais de uma obra lírica do que uma obra "virtuosa" no sentido em que é evidente o profundo desejo de expressão mais do que a procura da dificuldade, apesar da óbvia dificuldade técnica deste concerto ainda hoje considerado uma das peças mais difíceis do reportório para violino.
A titulo de exemplo das várias formas de expressão desse lirismo podemos por exemplo referir - técnica aliás frequentemente utilizada por Tchaikovsky - uma espécie de anuncio do tema que depois de criada a tensão passado um tempo, aparece na sua totalidade. Técnica profundamente cinematográfica.
Este primeiro andamento na boa forma clássica adopta a forma de sonata com dois temas belíssimos num desenvolvimento que utiliza formas tão variadas como a Contradansa (dança de origem Espanhola) ou mesmo estilização de melodias populares russas a um tal ponto que resultam irreconhecíveis a não ser pelo ambiente criado. Esta mistura resulta num ambiente de verdadeiro frenesim musical que faz deste primeiro andamento um momento inesquecivel na história da música.
Seguindo a recomendação da nossa leitora do Blog Fantasia Músical escolhemos desta vez Oistrack para ilustrar este andamento que podem ouvir aqui (primeira parte) e aqui (segunda parte). Não é que o prefira em relação a Heifetz que tinha escolhido quando vos descrevi o concerto no seu conjunto mas na verdade esta interpretação de Oistrack tem uma clareza e uma pureza notável. Outra caracteristica que me agrada bastante é que não está ainda "poluída" por alguns maneirismos de outras interpretações da segunda metade do século XX.
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