Terminamos aqui a sequência de posts sobre três danças que iniciamos na sequência de uma questão colocada numa pesquisa (os dois restantes posts foram sobre a Sarabande e a Gavotte).
Dança originária das ilhas britânicas (Século XV/Século XVI) posteriormente importada para França (Século XVI/XVII) . Nunca terá sido uma dança de corte embora tenha aparentemente sido dançada em festas da nobreza Francesa e Italiana. A giga evoluiu de forma diferente nestes dois países distinguindo-se a francesa por ser mais lenta e ao mesmo tempo mais irregular na forma de construção das suas frases e como muitas outras danças
Da versão francesa podemos salientar por exemplo esta Giga de Lully enquanto da versão Italiana podemos ouvir por exemplo a Giga de Veracinni (aqui tocada por um aluno já que esta peça faz parte de vários métodos de ensino) ou ainda a Giga de Bach (na Alemanha seguia-se o ritmo das peças Italianas).
A única música que precisa de embalagem é a música de plástico.
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quarta-feira, 12 de maio de 2010
domingo, 9 de maio de 2010
Dicionário de Termos Musicais - Sarabande
Na sequência deste post tinha ficado prometida a definição de algumas danças. Já definimos a Gavotte hoje é a vez da Sarabande.
Esta dança é curiosamente originaria da América Latina mais precisamente das cortes dos conquistadores espanhóis tendo sido banida em 1583 por ser considerada obscena. Foi importada para Itália possivelmente através de manuais de ensino de guitarra (segundo a enciclopédia Grove Music Online que aliás é a referência para este post).
Na Europa acabou por sofrer uma evolução que a levou a existência de duas versões uma mais rápida e tipicamente preferida na Itália, Espanha e Inglaterra e uma versão mais lenta comum em França e na Alemanha.
Foi esta ultima forma que ao ser incorporada em suites para instrumento solo (existem alguns casos em suites Orquestrais como por exemplo a BWV 1067 de Bach) chegou a nós. Bach por exemplo compôs mais de 30 Sarabandes. Lully, Rameau e Couperin por exemplo também compuseram várias Sarabandes.
Cada uma das suites para Violoncelo solo de Bach contém uma Sarabande sempre imediatamente após a Courante. Das três partitas para violino solo as duas primeiras também contêm uma Sarabande. A titulo de exemplo junto um exemplo da primeira suite para Violoncelo Solo interpretada por Rostropovich.
No que diz respeito as obras para violino por exemplo oiçam por exemplo Arthur Grumiaux na interpretação da Sarabande da Primeira Partita:
Esta dança é curiosamente originaria da América Latina mais precisamente das cortes dos conquistadores espanhóis tendo sido banida em 1583 por ser considerada obscena. Foi importada para Itália possivelmente através de manuais de ensino de guitarra (segundo a enciclopédia Grove Music Online que aliás é a referência para este post).
Na Europa acabou por sofrer uma evolução que a levou a existência de duas versões uma mais rápida e tipicamente preferida na Itália, Espanha e Inglaterra e uma versão mais lenta comum em França e na Alemanha.
Foi esta ultima forma que ao ser incorporada em suites para instrumento solo (existem alguns casos em suites Orquestrais como por exemplo a BWV 1067 de Bach) chegou a nós. Bach por exemplo compôs mais de 30 Sarabandes. Lully, Rameau e Couperin por exemplo também compuseram várias Sarabandes.
Cada uma das suites para Violoncelo solo de Bach contém uma Sarabande sempre imediatamente após a Courante. Das três partitas para violino solo as duas primeiras também contêm uma Sarabande. A titulo de exemplo junto um exemplo da primeira suite para Violoncelo Solo interpretada por Rostropovich.
No que diz respeito as obras para violino por exemplo oiçam por exemplo Arthur Grumiaux na interpretação da Sarabande da Primeira Partita:
quarta-feira, 5 de maio de 2010
Dicionário de Termos Musicais - Gavotte
A Gavotte é na sua génese uma dança popular francesa originaria da Bretanha onde foi dançada até meados do século XX. Foi depois adaptada para o uso na corte. A primeira referência de tal utilização data de 1588 na Orchésographie de Arbeau (segundo o dicionário Grove Music Online - uma das referências em matéria musical).
Não é totalmente clara a ligação entre esta primeira forma da dança e as formas estilizadas que Lully, Rameau e Gluck tornaram populares na corte do Rei Luís XIV. Muitos outros compositores vieram a posteriormente compor peças utilizando esta forma para incluir nas suas suites orquestrais muitas vezes ocorrendo após a Sarabande (dança de que falaremos num próximo post). Entre estes compositores estão nomes como Purcell, Couperin e claro Bach.
Se tentássemos estabelecer qual a Gavotte mais conhecida teríamos um problema dado que muitas fazem parte dos métodos de ensino de alguns instrumentos nomeadamente o Violino e logo beneficiam de uma grande exposição. É por exemplo o caso desta Gavotte de Lully ou ainda o caso desta outra de Bach ou esta de Gossec.
Mas claro que num blog interplanetário como este a nossa escolha de uma única Gavotte teria de ir para a Gavotte em Rondeau de Bach que faz parte da terceira partita (este vídeo mostra claro o disco dourado que foi colocado na Sonda Voyager ... ). A interpretação como sabem os leitores mais atentos deste blog é de Grumiaux. Perfeito. Simplesmente perfeito.
Não é totalmente clara a ligação entre esta primeira forma da dança e as formas estilizadas que Lully, Rameau e Gluck tornaram populares na corte do Rei Luís XIV. Muitos outros compositores vieram a posteriormente compor peças utilizando esta forma para incluir nas suas suites orquestrais muitas vezes ocorrendo após a Sarabande (dança de que falaremos num próximo post). Entre estes compositores estão nomes como Purcell, Couperin e claro Bach.
Se tentássemos estabelecer qual a Gavotte mais conhecida teríamos um problema dado que muitas fazem parte dos métodos de ensino de alguns instrumentos nomeadamente o Violino e logo beneficiam de uma grande exposição. É por exemplo o caso desta Gavotte de Lully ou ainda o caso desta outra de Bach ou esta de Gossec.
Mas claro que num blog interplanetário como este a nossa escolha de uma única Gavotte teria de ir para a Gavotte em Rondeau de Bach que faz parte da terceira partita (este vídeo mostra claro o disco dourado que foi colocado na Sonda Voyager ... ). A interpretação como sabem os leitores mais atentos deste blog é de Grumiaux. Perfeito. Simplesmente perfeito.
sábado, 1 de maio de 2010
Adufe - Dicionário de termos musicais
Voltamos hoje aos nossos termos musicais com um instrumento e uma definição que retiramos do dicionário do Ernesto Vieira. Ou seja esta informação é inteiramente retirada da referida obra embora não seja uma transcrição exacta dado que alteramos, resumimos e eliminamos algumas partes da entrada além de termos modificado a estrutura das frases.
Escolhemos um instrumento popular, o adufe que segundo o autor se distingue do pandeiro por ser quadrado, não ter soalhas e ser coberto dos dois lados como um tambor. Trata-se de um instrumento bastante antigo que já era utilizado no tempo dos assírios, egípcios e hebreus.
Existem várias menções na Bíblia a este instrumento tendo sido com ele que Maria irmã de Araão assim como todas as mulheres que a seguiam acompanharam Moisés depois da passagem do Mar vermelho.
Os árabes dão-lhe o nome de duff que será a origem da designação actual sendo que o instrumento foi trazido para a Europa pelos jograis mouros. Refere o autor que existem múltiplas referências em documentos de escritores portugueses antigos que fazem referência ao instrumento.
Termina o autor referindo que é provável que o costume de nas aldeias portuguesas serem as mulheres a tocar o adufe derivará possivelmente do episódio bíblico citado e de usos dessa época.
Escolhemos um instrumento popular, o adufe que segundo o autor se distingue do pandeiro por ser quadrado, não ter soalhas e ser coberto dos dois lados como um tambor. Trata-se de um instrumento bastante antigo que já era utilizado no tempo dos assírios, egípcios e hebreus.
Existem várias menções na Bíblia a este instrumento tendo sido com ele que Maria irmã de Araão assim como todas as mulheres que a seguiam acompanharam Moisés depois da passagem do Mar vermelho.
Os árabes dão-lhe o nome de duff que será a origem da designação actual sendo que o instrumento foi trazido para a Europa pelos jograis mouros. Refere o autor que existem múltiplas referências em documentos de escritores portugueses antigos que fazem referência ao instrumento.
Termina o autor referindo que é provável que o costume de nas aldeias portuguesas serem as mulheres a tocar o adufe derivará possivelmente do episódio bíblico citado e de usos dessa época.
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
Escalas
Segundo o Oxford Dictionary of Music uma escala é uma sequência ordenada de notas com intervalos determinados entre elas. Na verdade uma escala não é uma parte de uma música mas antes uma construção teórica que determina o conjunto de sons (ordenados por frequência crescente ou decrescente) utilizados numa determinada época.
Imagem retirada de Não Deixem o Rock-Roll Morrer
Hoje são utilizadas essencialmente três tipos de escalas diferentes: Maiores, Menores e Cromáticas. Uma escala maior divide uma oitava em 7 intervalos numa sequência T–T–S–T–T–T–S que afasta de forma máxima os semi-tons (representados na sequência por um S). As escalas menores também são diatónicas (ou seja existem 8 notas e sete intervalos) existindo três formas de construir uma escala menor (natural, melódica ou harmónica) mas de que não vamos falar agora . Todas estas escalas são derivadas dos antigos modos eclesiásticos. Dos vários que existiam as escalas maiores correspondem ao modo Ionian enquanto as menores correspondem ao modo Aeolian.
Por outro lado uma escala cromática divide a oitava numa sequência de 12 notas separadas sempre por meios-tons.
A famosa escala pentatónica de que falamos por seu lado divide uma oitava em apenas 5 notas sendo profusamente utilizada em muitas das músicas populares ocidentais. Por outro lado na tradição oriental existem frequentemente construções com divisões menores que 1/2 tons entre cada nota (de que resulta aquela sensação quase continua entre notas).
Imagem retirada de Não Deixem o Rock-Roll Morrer
Hoje são utilizadas essencialmente três tipos de escalas diferentes: Maiores, Menores e Cromáticas. Uma escala maior divide uma oitava em 7 intervalos numa sequência T–T–S–T–T–T–S que afasta de forma máxima os semi-tons (representados na sequência por um S). As escalas menores também são diatónicas (ou seja existem 8 notas e sete intervalos) existindo três formas de construir uma escala menor (natural, melódica ou harmónica) mas de que não vamos falar agora . Todas estas escalas são derivadas dos antigos modos eclesiásticos. Dos vários que existiam as escalas maiores correspondem ao modo Ionian enquanto as menores correspondem ao modo Aeolian.
Por outro lado uma escala cromática divide a oitava numa sequência de 12 notas separadas sempre por meios-tons.
A famosa escala pentatónica de que falamos por seu lado divide uma oitava em apenas 5 notas sendo profusamente utilizada em muitas das músicas populares ocidentais. Por outro lado na tradição oriental existem frequentemente construções com divisões menores que 1/2 tons entre cada nota (de que resulta aquela sensação quase continua entre notas).
domingo, 15 de novembro de 2009
Dicionário de Termos Músicais: Fuga
Em música uma fuga significa um forma especifica de composição que, sem querer ser demasiado técnico (para que todos possam compreender) utiliza um número determinado de vozes (partes) que interpretam de forma consecutiva o mesmo tema (de forma simples um conjunto de notas que forme uma melodia) .
Esta repetição do tema não é obviamente exactamente igual (são feitas em outras tonalidades - relacionadas com a original de formas que por agora não vamos explicar).
Embora esta forma (há quem discuta que se trata efectivamente de uma forma) tenha surgido na Renascença foi no período Barroco que atingiu o seu apogeu em particular com Bach. Podem ouvir aqui um exemplo de uma fuga.
Esta repetição do tema não é obviamente exactamente igual (são feitas em outras tonalidades - relacionadas com a original de formas que por agora não vamos explicar).
Embora esta forma (há quem discuta que se trata efectivamente de uma forma) tenha surgido na Renascença foi no período Barroco que atingiu o seu apogeu em particular com Bach. Podem ouvir aqui um exemplo de uma fuga.
domingo, 1 de novembro de 2009
Castrato - Dicionário de termos musicais
Este termo vem a propósito de um disco que estive a ouvir nos últimos dias, Sacrificium de Cecília Bartoli. Os Castrati (plural de Castrato) são cantores masculinos que por via de uma operação cirúrgica que consiste no corte do canal proveniente dos testículos (ou mesmo a sua remoção), operação essa efectuada quando as crianças tinham entre 7 a 12 anos, desenvolviam uma voz correspondente aos registos femininos.
Na verdade a operação sendo efectuada antes da puberdade o corpo do castrato continuava a desenvolver-se e como consequência indirecta da operação não só o registo se tornava mais agudo mas também a capacidade vocal aumentava em função do aumento da caixa respiratória.
Embora possivelmente houvesse outras razões posteriores o aparecimento dos Castrati deve-se fundamentalmente à proibição de haver mulheres a cantar nas igrejas sendo dessa forma necessário encontrar-se quem fosse capaz de cantar com qualidade (o canto em falsetto não produzia os resultados desejados no que diz respeito à qualidade do som) as vozes mais agudas.
Os castrati apareceram no século XVI tendo persistido até ao final do século XIX. No apogeu deste tipo de operação Nápoles era uma autêntica fábrica destes cantores recrutados tantas vezes fruto da simples miséria ou da ganância das suas famílias. Infelizmente a operação não era sinónimo de sucesso financeiro garantido sendo que a maioria dos rapazes assim exportados para as várias cortes da Europa não conheciam o sucesso. Na verdade apesar do intensivo treino a que eram submetidos e que lhes assegurava uma capacidade toráxica fora do comum (ajudados pela própria alteração fisiológica como já explicamos) isso não era garantia de talento.
Os castrati mais famosos terão sido Farinelli e Cafarelli aliás ambos recordados no album de Cecila Bartoli já foi a escola que os formou que serviu de exemplo à cantora. Uma das árias presentes no segundo disco é precisamente "Ombra mai fu" da ópera Xerxes escrita por Handel para Cafarelli.
Pode parecer inacreditável mas existe uma gravação do ultimo castrato a dirigir o coro da capela Sistina que embora não sendo de grande qualidade técnica é um documento que acreditamos possam gostar de ouvir. Podem ouvir Alessandro Moreschi (1858-1922) aqui. Podem também ouvir o Avé Maria de Gounod pelo mesmo artista. Notem que esta gravação tem 100 anos, há óbvias falhas no inicio da gravação que não sei se serão do cantor ou da gravação, inclino-me para serem do cantor que nesta altura já não estava no pico das suas capacidades.
Quanto ao disco que de certa forma deu origem a este post, Sacrificium de Cecilia Bartoli oiçam aqui a própria a explicar a concepção do seu disco. Recomendo também o site oficial onde poderão ficar a saber muito mais sobre os castrati. Quanto ao trabalho da Cecila Bartoli mais uma vez é de uma notável seriedade artistica que nestes tempos de consumo imediato e rápido só se pode saudar. Excelente trabalho desenvolvido com pesquisa e talento. Podem ouvir aqui uma das arias do seu trabalho .A capa do disco é igualmente fabulosa em termos de conceito.
Na verdade a operação sendo efectuada antes da puberdade o corpo do castrato continuava a desenvolver-se e como consequência indirecta da operação não só o registo se tornava mais agudo mas também a capacidade vocal aumentava em função do aumento da caixa respiratória.
Embora possivelmente houvesse outras razões posteriores o aparecimento dos Castrati deve-se fundamentalmente à proibição de haver mulheres a cantar nas igrejas sendo dessa forma necessário encontrar-se quem fosse capaz de cantar com qualidade (o canto em falsetto não produzia os resultados desejados no que diz respeito à qualidade do som) as vozes mais agudas.
Os castrati apareceram no século XVI tendo persistido até ao final do século XIX. No apogeu deste tipo de operação Nápoles era uma autêntica fábrica destes cantores recrutados tantas vezes fruto da simples miséria ou da ganância das suas famílias. Infelizmente a operação não era sinónimo de sucesso financeiro garantido sendo que a maioria dos rapazes assim exportados para as várias cortes da Europa não conheciam o sucesso. Na verdade apesar do intensivo treino a que eram submetidos e que lhes assegurava uma capacidade toráxica fora do comum (ajudados pela própria alteração fisiológica como já explicamos) isso não era garantia de talento.
Os castrati mais famosos terão sido Farinelli e Cafarelli aliás ambos recordados no album de Cecila Bartoli já foi a escola que os formou que serviu de exemplo à cantora. Uma das árias presentes no segundo disco é precisamente "Ombra mai fu" da ópera Xerxes escrita por Handel para Cafarelli.
Pode parecer inacreditável mas existe uma gravação do ultimo castrato a dirigir o coro da capela Sistina que embora não sendo de grande qualidade técnica é um documento que acreditamos possam gostar de ouvir. Podem ouvir Alessandro Moreschi (1858-1922) aqui. Podem também ouvir o Avé Maria de Gounod pelo mesmo artista. Notem que esta gravação tem 100 anos, há óbvias falhas no inicio da gravação que não sei se serão do cantor ou da gravação, inclino-me para serem do cantor que nesta altura já não estava no pico das suas capacidades.
Quanto ao disco que de certa forma deu origem a este post, Sacrificium de Cecilia Bartoli oiçam aqui a própria a explicar a concepção do seu disco. Recomendo também o site oficial onde poderão ficar a saber muito mais sobre os castrati. Quanto ao trabalho da Cecila Bartoli mais uma vez é de uma notável seriedade artistica que nestes tempos de consumo imediato e rápido só se pode saudar. Excelente trabalho desenvolvido com pesquisa e talento. Podem ouvir aqui uma das arias do seu trabalho .A capa do disco é igualmente fabulosa em termos de conceito.
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
Legato : Dicionário de termos musicais
Continuando a nossa viagem ao significado de termos musicais hoje vamos falar de Legato. O Legato é uma das palavras utilizadas para descrever a articulação entre notas ou seja a forma como elas são ligadas ou separadas dependendo da intenção do compositor.
Quando uma passagem é tocada em "Legato" significa que as notas que constituem essa passagem devem ser tocadas de forma "ligada" sem intervalos entre elas devendo ser produzido por essa razão um som continuo. No piano isso significa que ao tocar a nota seguinte aquela que estamos a tocar deve ser pressionada antes de largar a nota corrente.
Embora não seja o único efeito possível de uma maneira geral este tipo de som ligado, ondulante é frequente nas partes mais líricas das obras musicais.
Quando uma passagem é tocada em "Legato" significa que as notas que constituem essa passagem devem ser tocadas de forma "ligada" sem intervalos entre elas devendo ser produzido por essa razão um som continuo. No piano isso significa que ao tocar a nota seguinte aquela que estamos a tocar deve ser pressionada antes de largar a nota corrente.
Embora não seja o único efeito possível de uma maneira geral este tipo de som ligado, ondulante é frequente nas partes mais líricas das obras musicais.
domingo, 11 de outubro de 2009
Anacruse
Esta palavra foi escolhida hoje também em homenagem ao blog Anacruses. Lê-se no preâmbulo do blog que a palavra provém do grego sendo a conjunção de duas palavras: Ana: acção de bater e Cruz : para cima. Quando utilizada em música significa um conjunto de notas que antecede o primeiro compasso completo ou de forma mais conceptual é um conjunto de notas que sendo iniciado num tempo fraco prepara o inicio da "verdadeira" melodia.
As anacruses embora possam desempenhar a sua função de várias formas têm sempre uma natureza de preparação quer pela sua "instabilidade" quer pela antecipação que proporcionam da melodia.
Um exemplo de uma anacruse célebre é o começo do terceiro andamento da Sonata para piano Op. 14 nº 2 de Beethoven.
As anacruses embora possam desempenhar a sua função de várias formas têm sempre uma natureza de preparação quer pela sua "instabilidade" quer pela antecipação que proporcionam da melodia.
Um exemplo de uma anacruse célebre é o começo do terceiro andamento da Sonata para piano Op. 14 nº 2 de Beethoven.
sábado, 26 de setembro de 2009
Dicionário de Termos Músicais: Cadenza (Cadência)
A Cadenza (cadência) é uma passagem (parte) improvisada ou escrita de uma composição que pretende fazer sobressair o papel do solista (durante a cadência que é interpretada em tempo livre a orquestra está tipicamente calada) sendo por isso uma peça fundamental do concerto.
Por vezes a cadência é deixada ao critério do solista quer improvisada quer escrita outras vezes o compositor especifica e compõe rigorosamente a cadência.
Tipicamente a cadência ocorre no fim do primeiro andamento embora em alguns casos bastante conhecidos possa acontecer em outros pontos da composição.
Entre as várias cadências escritas por solistas as compostas por Kreisler para o concerto de violino de Beethoven são especialmente relevantes. Entre as que foram concebidas pelos próprios compositores as de Grieg para o seu concerto para piano ou as de Beethoven para o seu 5º Concerto para piano são dos exemplos mais interessantes no que diz respeito ao valor intrínseco da cadência como parte da obra. Possivelmente no outro extremo situam-se as cadências dos concertos de Paganni que (com a eventual excepção do primeiro) apenas existem para demonstrar as capacidades de virtuoso dos interpretes.
Por vezes a cadência é deixada ao critério do solista quer improvisada quer escrita outras vezes o compositor especifica e compõe rigorosamente a cadência.
Tipicamente a cadência ocorre no fim do primeiro andamento embora em alguns casos bastante conhecidos possa acontecer em outros pontos da composição.
Entre as várias cadências escritas por solistas as compostas por Kreisler para o concerto de violino de Beethoven são especialmente relevantes. Entre as que foram concebidas pelos próprios compositores as de Grieg para o seu concerto para piano ou as de Beethoven para o seu 5º Concerto para piano são dos exemplos mais interessantes no que diz respeito ao valor intrínseco da cadência como parte da obra. Possivelmente no outro extremo situam-se as cadências dos concertos de Paganni que (com a eventual excepção do primeiro) apenas existem para demonstrar as capacidades de virtuoso dos interpretes.
quarta-feira, 16 de setembro de 2009
Dicionário de Termos Musicais: Ad Libitum
Ad Libitum: Expressão Latina que significa "à vontade". Por vezes utilizada numa forma abreviada "Ad Lib". No domínio da música pode possuir diferentes significados dependendo do contexto. Pode por exemplo significar que uma determinada passagem pode ser executada com um tempo ao critério do maestro ou do executante, pode também significar que se pode incluir uma cadência ou outra forma de improvisação ou pode ainda significar que determinado instrumento numa orquestração é dispensável.
Pode ainda ser utilizado em conjunto com outros termos para dar liberdade em vários outros parâmetros como por exemplo para indicar que um crescendo pode ter a amplitude que se desejar "ad lib crescendo".
Existem vários agrupamentos musicais que utilizam esta designação latina para o seu nome.
Pode ainda ser utilizado em conjunto com outros termos para dar liberdade em vários outros parâmetros como por exemplo para indicar que um crescendo pode ter a amplitude que se desejar "ad lib crescendo".
Existem vários agrupamentos musicais que utilizam esta designação latina para o seu nome.
quinta-feira, 10 de setembro de 2009
Vibrato
Técnica que consiste em fazer variar de forma ligeira (tipicamente menos do que meio-tom) a frequência de uma nota. A forma de conseguir este efeito depende obviamente do instrumento em causa sendo mesmo impossível (no sentido estrito em alguns como por exemplo o piano).
A polémica quanto a esta técnica é acesa começando pela própria definição da sua natureza. Trata-se de um ornamento - com um trilo por exemplo - ou será antes um elemento integrante da produção do som, algo que deve ser utilizado de forma constante, embora de forma adequada à musicalidade da peça em questão ?
Abundam hoje opiniões contra esta técnica fundamentadas nas mais diversas razões que variam desde o "respeito pelo desejo do compositor" até a concepções estéticas minimalistas em que todo e qualquer tipo de eventual ornamentação é considerada mau gosto.
A polémica é forte sendo perfeitamente possível assistir-se a verdadeiros duelos verbais que só não resultam em duelos físicos com espada ou pistola porque esses hábitos (essas tradições) ficaram felizmente circunscritas ao passado.
É verdade que, sobretudo na voz, os excessos por vezes praticados são bastante irritantes mais parecendo que se está a ouvir um agrupamento de bezerros ...
Há quem defenda que em determinados períodos nomeadamente no barroco e no período clássico este efeito é contra-natura e de todo não adequado ao espírito da época. Esta opinião embora seja defensável não é completamente rigorosa do ponto de vista histórico dado que não há provas que o vibrato não fosse realmente utilizado tanto na voz como instrumentalmente.
A polémica quanto a esta técnica é acesa começando pela própria definição da sua natureza. Trata-se de um ornamento - com um trilo por exemplo - ou será antes um elemento integrante da produção do som, algo que deve ser utilizado de forma constante, embora de forma adequada à musicalidade da peça em questão ?
Abundam hoje opiniões contra esta técnica fundamentadas nas mais diversas razões que variam desde o "respeito pelo desejo do compositor" até a concepções estéticas minimalistas em que todo e qualquer tipo de eventual ornamentação é considerada mau gosto.
A polémica é forte sendo perfeitamente possível assistir-se a verdadeiros duelos verbais que só não resultam em duelos físicos com espada ou pistola porque esses hábitos (essas tradições) ficaram felizmente circunscritas ao passado.
É verdade que, sobretudo na voz, os excessos por vezes praticados são bastante irritantes mais parecendo que se está a ouvir um agrupamento de bezerros ...
Há quem defenda que em determinados períodos nomeadamente no barroco e no período clássico este efeito é contra-natura e de todo não adequado ao espírito da época. Esta opinião embora seja defensável não é completamente rigorosa do ponto de vista histórico dado que não há provas que o vibrato não fosse realmente utilizado tanto na voz como instrumentalmente.
sábado, 29 de agosto de 2009
"A Capella"
Este é o primeiro post de uma série que vou iniciar sobre alguns termos musicais, uns mais conhecidos que outros. Como sempre vou aproveitando para vos dar a conhecer algumas obras que vos iniciem no gosto da música clássica ou que em alternativa vos relembrem composições já esquecidas.
Este termo bastante conhecido provém do Italiano (creio) e significa literalmente "para cantar na capela". Claro que é fácil entender assim que este tipo de música é essencialmente religioso e distingue-se pela ausência de acompanhamento de instrumentos musicais. Este ponto está aliás ligado ao anterior dado que precisamente nos primeiros tempos da música sacra os instrumentos eram proibidos.
Podem encontrar uma excelente (e divertida como sempre) explicação da música destes tempos no primeiro livro do Maestro Vitorino de Almeida (creio que o primeiro Capítulo se não estou em erro).
Um excelente exemplo de obras "A Capella" são todas as que designamos por Canto Gregoriano. E sim o corolário desta conversa é que acompanhamento instrumental no canto Gregoriano é um anacronismo e sobretudo é uma adição que mascara a beleza da forma.
Proponho-vos que oiçam um video no You Tube com os monges do Convento de Notre Dame que cantam "Salve Regina"
Este termo bastante conhecido provém do Italiano (creio) e significa literalmente "para cantar na capela". Claro que é fácil entender assim que este tipo de música é essencialmente religioso e distingue-se pela ausência de acompanhamento de instrumentos musicais. Este ponto está aliás ligado ao anterior dado que precisamente nos primeiros tempos da música sacra os instrumentos eram proibidos.
Podem encontrar uma excelente (e divertida como sempre) explicação da música destes tempos no primeiro livro do Maestro Vitorino de Almeida (creio que o primeiro Capítulo se não estou em erro).
Um excelente exemplo de obras "A Capella" são todas as que designamos por Canto Gregoriano. E sim o corolário desta conversa é que acompanhamento instrumental no canto Gregoriano é um anacronismo e sobretudo é uma adição que mascara a beleza da forma.
Proponho-vos que oiçam um video no You Tube com os monges do Convento de Notre Dame que cantam "Salve Regina"
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