Tendo em consideração que decorre neste momento uma votação este post pode ser visto como campanha eleitoral e bem de certa forma até é. Na verdade ao percorrer a lista das 100 obras que recomendo para começarem a ouvir música clássica encontrei também esta sonata sem que ainda exista um artigo que a descreva e que me satisfaça. Já falamos dela aqui e também neste outro post mas enquanto descrição já não me satisfazem.
A Sonata Primavera (Op. 24) em Fá Maior é a quinta das sonatas para violino de Beethoven tendo sido editada em 1801 e dedicada ao mecenas Conde Moritz von Fries (o mesmo da sétima sinfonia por exemplo).
É uma obra na qual é evidente que Beethoven já encontrou a sua própria voz estando neste momento já bastante distante do classicismo puro entrando já em pleno romantismo. Curiosamente esta obra inicialmente era para fazer parte de um conjunto que incluía também a Sonata Nº 4 em Lá Menor (Op. 23). Devemos notar que tal como Mozart Beethoven considerava estas obras mais como sonatas para piano com acompanhamento para violino do que o inverso. Porém os violinistas do século XIX e XX apropriaram-se destas obras de tal forma que neste momento tanto poderiam estar nesta lista como numa de obras para piano: É perfeitamente justo dizer que são desse ponto de vista obras em que os dois instrumentos têm papeis quase equilibrados dependendo a sua relevância mais dos interpretes do que da partitura, o que aliás não deixa de ter o seu interesse adicional.
O primeiro andamento da sonata (Allegro) começa com um tema maravilhoso, uma das minhas melodias preferidas em toda a música clássica primeiro introduzido pelo violino e depois repetido pelo piano. É um tema alegre que contrasta com o segundo tema desse mesmo andamento que mantendo alguma alegria não deixa de ter um certo tom de ansiedade digamos. O jogo que descrevemos entre o violino e o piano repete-se ao longo de todo este andamento quase como um desafio. Diz-se que Beethoven procurou que esta obra fosse especialmente fácil de ouvir e talvez por isso os temas são repetidos (são reexpostos) na sua totalidade antes do desenvolvimento que é bastante curto sendo depois de novo recapitulados antes do final do andamento. Esta repetição dos dois temas num andamento que é relativamente curto contribui certamente para que a obra seja de fácil memorização e incute alguma "familiaridade" ao ouvinte. Para ilustrar este primeiro andamento escolhemos David Oistrakh com Lev Oborin no piano.
O segundo andamento (adagio molto expressivo) é de uma tranquilidade absoluta, uma espécie de repouso tranquilo das emoções do primeiro andamento. Agora é o piano que assume a liderança sendo o primeiro a expor os temas seguido pelo violino que os repete. Também neste caso temos dois temas mas contrariamente ao primeiro andamento não estamos aqui na presença de uma forma sonata típica sendo que após a exposição os dois temas são revisitados em sequência com variações. Continuamos a ilustrar esta obra com os interpretes que utilizamos para o primeiro andamento.
O terceiro andamento (Scherzo - Allegro Molto) é particularmente curto apenas pouco mais de um minuto sendo constituído pelo Scherzo propriamente dito e um trio. É de novo um tema alegre e bastante rítmico como que para nos libertar da introspecção em que o segundo andamento nos coloca. Neste caso resolvi passar para uma interprete contemporânea. O video que vos mostro tem a sonata inteira pelo que se desejarem podem ouvi-la toda de seguida mas o terceiro andamento propriamente dito começa um pouco depois de 18:05. Fiquem portanto com Anne Sophie Mutter no violino e Lambert Orkis no piano.
Por fim o quarto andamento (Rondo: Allegro ma non troppo) voltamos a ter uma belíssima melodia com os dois instrumentos em pé de igualdade partilhando, repetindo-a. É um fim de peça bastante alegre que nos faz retornar ao inicio da obra. Ainda não como no período romântico com a forma cíclica de retoma do tema inicial - forma que aprecio particularmente pela sua unidade, aliás o santo graal de românticos como Schubert ou Schumann, mas já bastante próximo ... Para este andamento escolhi o violinista Augustin Dumay com a nossa Maria João Pires ao piano. Tal como no caso anterior a sonata está inteiramente reproduzida neste video sendo que o quarto andamento começa perto de 17:15. Tenho a sorte imensa de ter este disco autografado pela pianista e posso dizer-vos que esta é uma das interpretações de referência segundo muitos especialistas.
A única música que precisa de embalagem é a música de plástico.
Mostrar mensagens com a etiqueta Classico. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Classico. Mostrar todas as mensagens
sábado, 18 de agosto de 2012
domingo, 27 de janeiro de 2008
Mozart - Exsultate, jubilate, K. 165 e Ave verum corpus, K. 618
Continuando hoje as obras de Mozart - Animem-se os fãs de Beethoven estamos perto de começar a falar da obra deste compositor - hoje vamos falar de duas composições de música sacra absolutamente fantásticas e de natureza muito diferente. Na verdade hoje ainda farei um segundo post para vos falar um pouco do concerto a que fui assistir em Queluz mas aí admito será na qualidade de pai babado ...
Exsultate, jubilate, K. 165
Este motet é dividido em três partes Allegro, Andante, Allegro tendo sido escrito para o castrati Venanzio Rauzzini. Hoje em dia é cantado normalmente por uma soprano. Neste caso tentando de certa forma esconjurar o meu desgosto por não a poder ir ver à Gulbenkian escolhi Cecilia Bartoli na interpretação que podem ouvir e ver aqui.
Ave verum corpus, K. 618
A outra das obras de Mozart de que vamos falar hoje tem um carácter muito mais introspectivo do que a anterior. Composto apenas seis meses antes da sua morte foi escrito para Anton Stoll um amigo comum de Mozart e Haydn responsável musical na paróquia de Baden perto de Viena. Para ilustrar esta composição escolhemos uma interpretação do Coro de Rapazes de Viena que poderão ver aqui.
Exsultate, jubilate, K. 165
Este motet é dividido em três partes Allegro, Andante, Allegro tendo sido escrito para o castrati Venanzio Rauzzini. Hoje em dia é cantado normalmente por uma soprano. Neste caso tentando de certa forma esconjurar o meu desgosto por não a poder ir ver à Gulbenkian escolhi Cecilia Bartoli na interpretação que podem ouvir e ver aqui.
Ave verum corpus, K. 618
A outra das obras de Mozart de que vamos falar hoje tem um carácter muito mais introspectivo do que a anterior. Composto apenas seis meses antes da sua morte foi escrito para Anton Stoll um amigo comum de Mozart e Haydn responsável musical na paróquia de Baden perto de Viena. Para ilustrar esta composição escolhemos uma interpretação do Coro de Rapazes de Viena que poderão ver aqui.
segunda-feira, 14 de janeiro de 2008
Mozart - Segundo Concerto para Violino K. 211
Depois dos ímpares passamos aos pares ... 3,5,1 e agora o 2. Não vale a pena começarem a procurar aqui qualquer código porque não há nenhum. Garanto-vos, tal como posso já adiantar que amanhã vamos ouvir o quarto concerto.
Para ilustrar este segundo concerto que claro também segue a forma clássica de três andamentos rápido-lento-rápido escolhemos um dos grandes violinistas da actualidade Maxim Vengerov. Vengerov é um daqueles para quem hesitamos se devemos ainda utilizar a palavra jovem (tem 32 anos). Podem saber mais sobre este violinista no seu site oficial.
Como dissemos o segundo concerto K. 211 em Ré Maior (a propósito como nos relembra a Wikipedia o nosso senhor K. faria hoje anos Ludwig Ritter von Köchel nasceu a 14 de Janeiro de 1800) tem três andamentos:
Espectáculo gravado nas BBC Proms 2006 no Royal Albert Hall em Londres.
Para ilustrar este segundo concerto que claro também segue a forma clássica de três andamentos rápido-lento-rápido escolhemos um dos grandes violinistas da actualidade Maxim Vengerov. Vengerov é um daqueles para quem hesitamos se devemos ainda utilizar a palavra jovem (tem 32 anos). Podem saber mais sobre este violinista no seu site oficial.
Como dissemos o segundo concerto K. 211 em Ré Maior (a propósito como nos relembra a Wikipedia o nosso senhor K. faria hoje anos Ludwig Ritter von Köchel nasceu a 14 de Janeiro de 1800) tem três andamentos:
- Allegro moderato
- Andante
- Rondeau, Allegro
Espectáculo gravado nas BBC Proms 2006 no Royal Albert Hall em Londres.
sexta-feira, 4 de janeiro de 2008
Mozart - As peças de música de câmara
Hoje vamos começar a falar das peças de música de câmara de Mozart. A primeira peça que vos quero mostrar é um Divertimento para ser mais preciso o K136 (primeiro andamento). Embora seja apresentado como um quarteto estas obras são quase como pequenas obras sinfónicas.
Deixo-vos com uma interpretação conduzida pelo Maestro Yehudi Menuhin (normalmente violinista mas neste caso na direcção da orquestra).
Deixo-vos com uma interpretação conduzida pelo Maestro Yehudi Menuhin (normalmente violinista mas neste caso na direcção da orquestra).
quinta-feira, 3 de janeiro de 2008
Cosi Fan Tutte
Prosseguindo numa ordem quase cronológica hoje falaremos de Cosi Fan Tutte. Esta ópera foi composta por Mozart após os sucessos das Bodas de Figaro e Don Giovanni. Durante muito tempo esta ópera foi considerada "menor", uma corrida louca de 24 horas, opinião em grande parte motivada por um libretto aparentemente superficial.
No século XX no entanto esta composição foi atraindo mais atenção e hoje em dia é quase tantas vezes colocada em cena com as restantes obras primas de Mozart.
Trata-se de uma ópera em dois actos sendo que a ária que vamos escolher para a ilustrar também é cantada por uma senhora de que a bem dizer temos falado muito ultimamente: Teresa Stich-Randall (de que falamos por exemplo aqui). Neste caso trata-se de um duo de verdadeiro luxo pois que em cena está uma outra Teresa, não menos brilhante: Teresa Berganza.
No século XX no entanto esta composição foi atraindo mais atenção e hoje em dia é quase tantas vezes colocada em cena com as restantes obras primas de Mozart.
Trata-se de uma ópera em dois actos sendo que a ária que vamos escolher para a ilustrar também é cantada por uma senhora de que a bem dizer temos falado muito ultimamente: Teresa Stich-Randall (de que falamos por exemplo aqui). Neste caso trata-se de um duo de verdadeiro luxo pois que em cena está uma outra Teresa, não menos brilhante: Teresa Berganza.
quarta-feira, 2 de janeiro de 2008
Don Giovanni - "Non me dir" por Teresa Stich-Randall
Esta ópera foi encomendada para a cidade de Praga em consequência do enorme sucesso das Bodas de Figaro de que já falámos. É uma ópera que se baseia na história de Don Juan sendo o libretto de Lorenzo da Ponte. Estreou-se em Praga no Teatro Nacional a 29 de Outubro de 1787.
Para ilutrar esta ópera em dois actos escolhemos uma aria do segundo acto "Non mi dir" cantada por uma das minhas vozes preferidas. Teresa Stich-Randall no papel de Dona Anna.
Se quiserem podem comparar com Edita Gruberova, também muito bom mas pessoalmente prefiro a interpretação da Teresa. Esta ultima no entanto tem a vantagem de um som em melhor estado e sobretudo dos sub-titulos em françês que nos permitem acompanhar o que está a ser dito ... A minha sugestão depois de verem esta versão voltem a ouvir a primeira.
Para ilutrar esta ópera em dois actos escolhemos uma aria do segundo acto "Non mi dir" cantada por uma das minhas vozes preferidas. Teresa Stich-Randall no papel de Dona Anna.
Se quiserem podem comparar com Edita Gruberova, também muito bom mas pessoalmente prefiro a interpretação da Teresa. Esta ultima no entanto tem a vantagem de um som em melhor estado e sobretudo dos sub-titulos em françês que nos permitem acompanhar o que está a ser dito ... A minha sugestão depois de verem esta versão voltem a ouvir a primeira.
segunda-feira, 31 de dezembro de 2007
As Bodas de Figaro e Schwarzkopf e uma curta mensagem de fim de ano
Vamos hoje como prometido ouvir algumas das árias das Bodas de Figaro, uma das várias óperas que Mozart compôs. Como para a Flauta Mágica escolhemos uma voz masculina hoje vamos dar-vos a ouvir uma voz feminina.
Escolhi uma ária que tem uma letra lindíssima e interpretada por uma senhora que dispensa apresentações: Elisabeth Schwarzkopf em Porgi Amor.
Hoje porque é o ultimo dia do ano gostava de deixar uma ultima palavra de homenagem a todos os que nos deixaram este ano. É escusado fazer uma lista, um dos nossos blogs de referência Opera e Demais Interesses já o fez aqui e aqui. Gostava apenas de juntar a essa lista dois não "músicos" (bem de certa forma também são músicos ...), Marcel Marceau e Maurice Bejart por tudo o que representaram para mim e acho que para toda uma geração. Como não podia deixar de ser esta ultima palavra só poderia ser na forma de música. E na forma de música vos deixo com "Im Abendrot" de Richard Wagner a Ultima das suas Ultimas 4 canções com a mesma Elisabeth Schwarzkopf. Até para o ano se Deus quiser.
Escolhi uma ária que tem uma letra lindíssima e interpretada por uma senhora que dispensa apresentações: Elisabeth Schwarzkopf em Porgi Amor.
Hoje porque é o ultimo dia do ano gostava de deixar uma ultima palavra de homenagem a todos os que nos deixaram este ano. É escusado fazer uma lista, um dos nossos blogs de referência Opera e Demais Interesses já o fez aqui e aqui. Gostava apenas de juntar a essa lista dois não "músicos" (bem de certa forma também são músicos ...), Marcel Marceau e Maurice Bejart por tudo o que representaram para mim e acho que para toda uma geração. Como não podia deixar de ser esta ultima palavra só poderia ser na forma de música. E na forma de música vos deixo com "Im Abendrot" de Richard Wagner a Ultima das suas Ultimas 4 canções com a mesma Elisabeth Schwarzkopf. Até para o ano se Deus quiser.
domingo, 30 de dezembro de 2007
Teresa Stich Randall e Mozart
Que me desculpe o jornal Público mas hoje vou cometer um pequeno delito. Vou reproduzir na integra (porque não me atrevo a tocar no texto) uma das crónicas de JOÃO BÉNARD DA COSTA no Público. Vou fazê-lo agora por uma dupla razão.
Em primeiro lugar porque estamos a falar de Mozart, compositor de sua preferência e em segundo lugar porque esta crónica nos fala de forma sublime de algumas das óperas de Mozart de que iremos falar em seguida e de uma voz Teresa Stich-Randall que é das minhas preferidas. Este texto escrito por ocasião do falecimento da cantora em Julho de 2007 é - na minha modesta opinião - simplesmente fabuloso.
Eu sei que havia prometido para hoje as Bodas de Figaro. Mas garanto que ficam a ganhar com a troca. A única liberdade que me concedi foi colocar no texto - a azul - links para vídeos ou outros elementos relacionados com o texto e que vos proporcionarão uma experiência ainda mais rica, espero que gostem.
Sei também que choro com facilidade mas juro-vos que a primeira vez que li esta crónica, enviada pela minha irmã não me consegui conter ...
A propósito - e como uma espécie de contrapartida ao Público - as restantes crónicas estão disponíveis embora só para assinantes. Só para a felicidade de as poder ler, uma visão sem dúvida diferente do mundo que nos rodeia recomendam-se.
Segue-se o texto integral de JOÃO BÉNARD DA COSTA in Público.
1 – Morreu a mulher da voz mais isangélica do mundo. Isangélica, caso a palavra exista (mas onde é que as palavras existem?) é aquela que aos anjos se assemelha. Mas, se voz de anjo é lugar comum, isangélica, que aprendi com Jean-Victor Hocquard, é tudo menos comum e aproxima por semelhança. Para mim, é palavra inseparável de Teresa Stich-Randall. Da voz de Teresa Stich-Randall.
Morreu a mulher que mais amei no mundo, entre todas aquelas que jamais toquei, que jamais cheirei, com quem jamais falei. Vi-a? Sim, vi-a, como vos vou contar, mas tão longe como longa é a distância entre uma plateia de São Carlos e o palco desse mesmo teatro. Mas ouvi-a mil vezes e dos anjos quase sempre só a voz foi ouvida. Quando se diz "um anjo apareceu-lhe", essa aparição pressupõe a voz e pressupõe a mensagem. Anjo quer dizer mensageiro. Por isso, os anjos – anjos cantores ou anjos tocadores – são feitos de música e a música é a língua deles. O que de mais próximo eu posso conceber como um anjo, em qualquer das hierarquias celestes, é a voz. A voz de Teresa Stich-Randall.
2 – A morte dela, a 26 de Julho de 2007, aos 79 anos, quase não foi noticia entre nós e, se o foi noutros países, não atroou céus e terras, como aconteceu, há quase um ano, com a morte da Schwarzkopf, ou como aconteceu, em tempos idos, com as mortes da Nilsson ou da Callas. Essas foram divas e, mesmo num mundo tão agnóstico como o nosso, deusas não morrem sem rufos de tambor. Mas anjos perpassam e são mais tangentes ao silêncio. Movem-se entre sopros, flautas ou oboés. Teresa Stich-Randall não foi "a voz do século", como se diz que Toscanini profetizou tinha ela 22 anos, depois de a ouvir cantar na rádio a Traviata. Mas, nos anos 50 e 60, suscitou cultos como poucos cantores suscitaram e quem nunca a ouviu em Mozart ou em Strauss, nunca ouviu nem Mozart nem Strauss. Durante quase cinquenta anos da minha vida, foi o meu Anjo da Guarda. Et incarnata est. Incarnata? Sim, que os anjos tem carne e sexo, pois, se os não tivessem, não podiam ter essa voz, de carne e sexo feita, que de outro modo não nos moviam tanto.
3 – Às vezes acontece com as grandes paixões. Não sermos capazes de localizar com exactidão o momento em que começaram. No meu caso com Teresa Stich-Randall, sei o ano – 1958 – mas não sei se tudo começou quando a vi, ou se já tinha começado antes de a ver, ou se só começou depois de vista.
Vou começar com as visões mas não juro estar certo. A 7 de Fevereiro de 1958 (dia dos meus anos) cantou-se pela primeira vez em Lisboa, por incrível que pareça, o Cosi Fan Tutte de Mozart. Se o elenco masculino era superlativo (Dermota, Kunz e Schöffler, os mesmos da histórica gravação de 55, dirigida por Karl Böhm); se Lisa Otto foi uma sensível Despina; eu só tive olhos e ouvidos para aquela que come scoglio immoto resta, essa Fiordiligi que, ainda mais do que a irmã Dorabella, perderá a firmeza rochosa, traindo, tão fundamente, a fidelidade jurada. Per pietà, ben mio, perdona. As dualidades ocultas são sempre as mais temíveis, disse-nos Mozart. Mas nunca ninguém o exprimiu de maneira tão visceral e tão volátil como Teresa Stich-Randall. Desafiou tempestades (ah, como ela dizia tempesta na primeira ária) mas foi de todas e todos a que mais suavemente voou no vento, "fra gli amplessi" do noivo da irmã.
Extracto de Teresa Stich-Randall em 1966 em Cosi Fan Tutte
Anton Dermota em D. Giovanni 1954 Salzburgo
Erich Kunz nas Bodas de Figaro
Schöffler (e também Modl e Dermota na Re-abertura da Ópera de Viena (1955) - Fidélio
Lisa Otto (também em Fidélio)
Foi nesse mesmo ano que li a primeira edição do livrinho de Hocquard sobre Mozart, que cantava Stich-Randall em todas as páginas. E assim cheguei áquele disco da Philips em que ela canta a Grande Missa em Dó Maior, sob a direcção de Rudolf Moralt. É nela que lhe cabe o Et incarnatus est do Credo. Se Saint-Foix tinha razão quando escreveu que essa página é o clímax da arte mozartiana, é preciso ouvir Stich-Randall para o perceber. "Uma pureza fulgurante" disse Hocquard, notando como ela eliminou incrivelmente qualquer efeito vocal. Meu Deus, porque é que esse disco mágico nunca mais foi reeditado? Com o meu vinil já mais que gasto, passei anos a ouvi-la apenas em memória até que, exactamente (os milagres merecem-se) o Jorge Ritto me deu um compacto, feito a partir dessa gravação. Ouvi-o a medo, medo de não ser a mesma coisa, medo de já não achar aos 70 anos o que tinha achado aos vinte e tal. Não havia razão para isso. A incandescência era a mesma, é a mesma, agora que volto a ouvir vezes sem conta algo que se não é milagre não sei como lhe chamar.
Rudolf Moralt conduz a Filarmónica de Viena na Abertura das Bodas de Figaro.
Mozart? Só Mozart? Ainda em 58, aprendi que não, quando o Manuel de Lucena me fez ouvir a Cantata BWV 51 Jauchzet Gott in allen Landen, em que o vento na voz de Stich-Randall é quase o mesmo (ou é mesmo o mesmo) do trompete de Maurice André, na gravação de Ristenpart. E se vos não posso pedir que partilhem comigo da teofania da Grande Missa, corram a comprar o álbum L'art de Teresa Stich-Randall (quatro discos editados em 2005) onde essa cantata também se inclui.
Este conjunto pode ser adquirido online na Amazon (França) ou na FNAC (França) por exemplo.
Depois, foram aqueles verões de Sintra, do tempo das glicínias, e os verões com Sulle sponde del Tebro de Scarlatti, no disco Archiv que mais próximo me está da "madeleine" de Proust. Depois, foram as outras mulheres de Mozart. A Condessa das Bodas (a única Condessa que não se esqueceu que se chamava Rosina) na gravação de Rosbaud; a Donna Anna do D. Giovanni, que tanto estremeceu a contar ao noivo como o dissoluto esteve quase a roubar-lhe a honra, e não sabemos se mais estremeceu de vergonha, se mais estremeceu de desejo.
Depois, foi esse recital de 56 em Aix-en-Provence, acompanhada ao piano por Rosbaud, em que cantou Mozart, Schubert, Brahms, Strauss e Debussy. Foram os anos dela de Aix, que duraram de 53 a 71, e onde ganhou a maioria dos seus fanáticos, esses que, como eu, aprenderam Mozart na voz de Stich-Randall. Aix, onde, um dia, segundo a lenda, um pássaro começou a dialogar como ela, no Ach, ich fuhl's da Pamina da Flauta. Depois, foi a Sophie do Cavaleiro da Rosa na gravação de Karajan e nunca o Octavian de Christa Ludwig teve um par assim, nem nunca tanto acreditámos que as rosas foram colhidas nos reinos do Paraíso: "Wo war ich schon einmal / und war so selig?" ("Onde estive eu antes, onde fui tão feliz?").
Existe pelo menos uma gravação destes festivais de Aix que pode também ser adquirida online na Amazon (França).
4 – A seguir foram os anos de ouro em que Stich-Randall visitou Lisboa regularmente. Em 59, na Condessa das Bodas e na Euridice do Orfeu de Gluck; em 60, na Donna Anna, num Don Giovanni mítico (que nos anos 90 se vendia em edições pirata como o Don Giovanni de Lisboa), ao lado da Montserrat Caballé, a começar a carreira como Donna Elvira, e de Eberhard Wächter no protagonista.
Três anos mágicos, nas três melhores mulheres de Mozart. Em 61, foi a vez de Strauss e de a vermos, filha de Minos e de Pasiphaé, na Ariadne auf Naxos, dirigida por Pedro de Freitas Branco.
A gravação de Don Giovanni a que Bénard da Costa se refere pode ser adquirida online em CD aqui.
Em 64 e em 73 repetiu a Fiordiligi. Em 69, foi a Gulbenkian que a trouxe para a Alcina de Haendel, coisa rara. Em 71, repetiu a Condessa das Bodas e, em 73, apareceu-me pela última vez. Tinha 45 anos, idade em que tantas estão ainda no apogeu. Mas aquela mulher até nisso foi como os anjos devem ser ou como a Callas também foi. Usou-se toda e usou-se até ao fim, pois, que em 72, no que alguns chamaram um "suicídio vocal", cantou de seguida três papéis "assassinos": a Leonora do Trovador de Verdi, a Norma de Bellini e a Salomé de Strauss.
Mas como esquecer a última aparição dela em Lisboa em 73, num concerto em que cantou as Quatro Últimas Canções de Strauss? A voz estava longe de ser o que havia sido. Mas havia uma tal emoção que, no final do Im Abendrot, despedida de Strauss desta vida e deste mundo, fez, da última canção, a última canção. Seguiu-se um grande silêncio. E depois, uma das maiores ovações de que me recordo. E tive a certeza que me estava a despedir de Teresa Stich-Randall.
Pouco depois, ela retirou-se. Ouvi dizer que ensinava. Depois, não ouvi dizer mais nada. Só a voz dela nos discos e essa intangível pureza que já me explicaram em termos técnicos, mas que eu só entendo em termos isangélicos.
Passaram trinta e quatro anos, incrível mas verdade. E agora sei que ela me morreu.
Numa semana em que os deuses foram ávidos, acho, escritas por Antonioni, as palavras com que me apetece acabar. Datam de 1980, quando ele soube da morte de Roland Barthes.
"A primeira coisa que pensei foi: é isso, há um pouco menos de doçura e inteligência no mundo, agora. Um pouco menos de amor (…)
(…) Creio que quanto mais avançamos neste mundo, que regride brutalmente, mais sentiremos a falta das "virtudes" que eram suas".
JOÃO BÉNARD DA COSTA
in Público
Em primeiro lugar porque estamos a falar de Mozart, compositor de sua preferência e em segundo lugar porque esta crónica nos fala de forma sublime de algumas das óperas de Mozart de que iremos falar em seguida e de uma voz Teresa Stich-Randall que é das minhas preferidas. Este texto escrito por ocasião do falecimento da cantora em Julho de 2007 é - na minha modesta opinião - simplesmente fabuloso.
Eu sei que havia prometido para hoje as Bodas de Figaro. Mas garanto que ficam a ganhar com a troca. A única liberdade que me concedi foi colocar no texto - a azul - links para vídeos ou outros elementos relacionados com o texto e que vos proporcionarão uma experiência ainda mais rica, espero que gostem.
Sei também que choro com facilidade mas juro-vos que a primeira vez que li esta crónica, enviada pela minha irmã não me consegui conter ...
A propósito - e como uma espécie de contrapartida ao Público - as restantes crónicas estão disponíveis embora só para assinantes. Só para a felicidade de as poder ler, uma visão sem dúvida diferente do mundo que nos rodeia recomendam-se.
Segue-se o texto integral de JOÃO BÉNARD DA COSTA in Público.
A CASA ENCANTADA
MORREU-ME TERESA STICH-RANDALL
MORREU-ME TERESA STICH-RANDALL
1 – Morreu a mulher da voz mais isangélica do mundo. Isangélica, caso a palavra exista (mas onde é que as palavras existem?) é aquela que aos anjos se assemelha. Mas, se voz de anjo é lugar comum, isangélica, que aprendi com Jean-Victor Hocquard, é tudo menos comum e aproxima por semelhança. Para mim, é palavra inseparável de Teresa Stich-Randall. Da voz de Teresa Stich-Randall.
Morreu a mulher que mais amei no mundo, entre todas aquelas que jamais toquei, que jamais cheirei, com quem jamais falei. Vi-a? Sim, vi-a, como vos vou contar, mas tão longe como longa é a distância entre uma plateia de São Carlos e o palco desse mesmo teatro. Mas ouvi-a mil vezes e dos anjos quase sempre só a voz foi ouvida. Quando se diz "um anjo apareceu-lhe", essa aparição pressupõe a voz e pressupõe a mensagem. Anjo quer dizer mensageiro. Por isso, os anjos – anjos cantores ou anjos tocadores – são feitos de música e a música é a língua deles. O que de mais próximo eu posso conceber como um anjo, em qualquer das hierarquias celestes, é a voz. A voz de Teresa Stich-Randall.
2 – A morte dela, a 26 de Julho de 2007, aos 79 anos, quase não foi noticia entre nós e, se o foi noutros países, não atroou céus e terras, como aconteceu, há quase um ano, com a morte da Schwarzkopf, ou como aconteceu, em tempos idos, com as mortes da Nilsson ou da Callas. Essas foram divas e, mesmo num mundo tão agnóstico como o nosso, deusas não morrem sem rufos de tambor. Mas anjos perpassam e são mais tangentes ao silêncio. Movem-se entre sopros, flautas ou oboés. Teresa Stich-Randall não foi "a voz do século", como se diz que Toscanini profetizou tinha ela 22 anos, depois de a ouvir cantar na rádio a Traviata. Mas, nos anos 50 e 60, suscitou cultos como poucos cantores suscitaram e quem nunca a ouviu em Mozart ou em Strauss, nunca ouviu nem Mozart nem Strauss. Durante quase cinquenta anos da minha vida, foi o meu Anjo da Guarda. Et incarnata est. Incarnata? Sim, que os anjos tem carne e sexo, pois, se os não tivessem, não podiam ter essa voz, de carne e sexo feita, que de outro modo não nos moviam tanto.
3 – Às vezes acontece com as grandes paixões. Não sermos capazes de localizar com exactidão o momento em que começaram. No meu caso com Teresa Stich-Randall, sei o ano – 1958 – mas não sei se tudo começou quando a vi, ou se já tinha começado antes de a ver, ou se só começou depois de vista.
Vou começar com as visões mas não juro estar certo. A 7 de Fevereiro de 1958 (dia dos meus anos) cantou-se pela primeira vez em Lisboa, por incrível que pareça, o Cosi Fan Tutte de Mozart. Se o elenco masculino era superlativo (Dermota, Kunz e Schöffler, os mesmos da histórica gravação de 55, dirigida por Karl Böhm); se Lisa Otto foi uma sensível Despina; eu só tive olhos e ouvidos para aquela que come scoglio immoto resta, essa Fiordiligi que, ainda mais do que a irmã Dorabella, perderá a firmeza rochosa, traindo, tão fundamente, a fidelidade jurada. Per pietà, ben mio, perdona. As dualidades ocultas são sempre as mais temíveis, disse-nos Mozart. Mas nunca ninguém o exprimiu de maneira tão visceral e tão volátil como Teresa Stich-Randall. Desafiou tempestades (ah, como ela dizia tempesta na primeira ária) mas foi de todas e todos a que mais suavemente voou no vento, "fra gli amplessi" do noivo da irmã.
Extracto de Teresa Stich-Randall em 1966 em Cosi Fan Tutte
Anton Dermota em D. Giovanni 1954 Salzburgo
Erich Kunz nas Bodas de Figaro
Schöffler (e também Modl e Dermota na Re-abertura da Ópera de Viena (1955) - Fidélio
Lisa Otto (também em Fidélio)
Foi nesse mesmo ano que li a primeira edição do livrinho de Hocquard sobre Mozart, que cantava Stich-Randall em todas as páginas. E assim cheguei áquele disco da Philips em que ela canta a Grande Missa em Dó Maior, sob a direcção de Rudolf Moralt. É nela que lhe cabe o Et incarnatus est do Credo. Se Saint-Foix tinha razão quando escreveu que essa página é o clímax da arte mozartiana, é preciso ouvir Stich-Randall para o perceber. "Uma pureza fulgurante" disse Hocquard, notando como ela eliminou incrivelmente qualquer efeito vocal. Meu Deus, porque é que esse disco mágico nunca mais foi reeditado? Com o meu vinil já mais que gasto, passei anos a ouvi-la apenas em memória até que, exactamente (os milagres merecem-se) o Jorge Ritto me deu um compacto, feito a partir dessa gravação. Ouvi-o a medo, medo de não ser a mesma coisa, medo de já não achar aos 70 anos o que tinha achado aos vinte e tal. Não havia razão para isso. A incandescência era a mesma, é a mesma, agora que volto a ouvir vezes sem conta algo que se não é milagre não sei como lhe chamar.
Rudolf Moralt conduz a Filarmónica de Viena na Abertura das Bodas de Figaro.
Mozart? Só Mozart? Ainda em 58, aprendi que não, quando o Manuel de Lucena me fez ouvir a Cantata BWV 51 Jauchzet Gott in allen Landen, em que o vento na voz de Stich-Randall é quase o mesmo (ou é mesmo o mesmo) do trompete de Maurice André, na gravação de Ristenpart. E se vos não posso pedir que partilhem comigo da teofania da Grande Missa, corram a comprar o álbum L'art de Teresa Stich-Randall (quatro discos editados em 2005) onde essa cantata também se inclui.
Este conjunto pode ser adquirido online na Amazon (França) ou na FNAC (França) por exemplo.
Depois, foram aqueles verões de Sintra, do tempo das glicínias, e os verões com Sulle sponde del Tebro de Scarlatti, no disco Archiv que mais próximo me está da "madeleine" de Proust. Depois, foram as outras mulheres de Mozart. A Condessa das Bodas (a única Condessa que não se esqueceu que se chamava Rosina) na gravação de Rosbaud; a Donna Anna do D. Giovanni, que tanto estremeceu a contar ao noivo como o dissoluto esteve quase a roubar-lhe a honra, e não sabemos se mais estremeceu de vergonha, se mais estremeceu de desejo.
Depois, foi esse recital de 56 em Aix-en-Provence, acompanhada ao piano por Rosbaud, em que cantou Mozart, Schubert, Brahms, Strauss e Debussy. Foram os anos dela de Aix, que duraram de 53 a 71, e onde ganhou a maioria dos seus fanáticos, esses que, como eu, aprenderam Mozart na voz de Stich-Randall. Aix, onde, um dia, segundo a lenda, um pássaro começou a dialogar como ela, no Ach, ich fuhl's da Pamina da Flauta. Depois, foi a Sophie do Cavaleiro da Rosa na gravação de Karajan e nunca o Octavian de Christa Ludwig teve um par assim, nem nunca tanto acreditámos que as rosas foram colhidas nos reinos do Paraíso: "Wo war ich schon einmal / und war so selig?" ("Onde estive eu antes, onde fui tão feliz?").
Existe pelo menos uma gravação destes festivais de Aix que pode também ser adquirida online na Amazon (França).
4 – A seguir foram os anos de ouro em que Stich-Randall visitou Lisboa regularmente. Em 59, na Condessa das Bodas e na Euridice do Orfeu de Gluck; em 60, na Donna Anna, num Don Giovanni mítico (que nos anos 90 se vendia em edições pirata como o Don Giovanni de Lisboa), ao lado da Montserrat Caballé, a começar a carreira como Donna Elvira, e de Eberhard Wächter no protagonista.
Três anos mágicos, nas três melhores mulheres de Mozart. Em 61, foi a vez de Strauss e de a vermos, filha de Minos e de Pasiphaé, na Ariadne auf Naxos, dirigida por Pedro de Freitas Branco.
A gravação de Don Giovanni a que Bénard da Costa se refere pode ser adquirida online em CD aqui.
Em 64 e em 73 repetiu a Fiordiligi. Em 69, foi a Gulbenkian que a trouxe para a Alcina de Haendel, coisa rara. Em 71, repetiu a Condessa das Bodas e, em 73, apareceu-me pela última vez. Tinha 45 anos, idade em que tantas estão ainda no apogeu. Mas aquela mulher até nisso foi como os anjos devem ser ou como a Callas também foi. Usou-se toda e usou-se até ao fim, pois, que em 72, no que alguns chamaram um "suicídio vocal", cantou de seguida três papéis "assassinos": a Leonora do Trovador de Verdi, a Norma de Bellini e a Salomé de Strauss.
Mas como esquecer a última aparição dela em Lisboa em 73, num concerto em que cantou as Quatro Últimas Canções de Strauss? A voz estava longe de ser o que havia sido. Mas havia uma tal emoção que, no final do Im Abendrot, despedida de Strauss desta vida e deste mundo, fez, da última canção, a última canção. Seguiu-se um grande silêncio. E depois, uma das maiores ovações de que me recordo. E tive a certeza que me estava a despedir de Teresa Stich-Randall.
Pouco depois, ela retirou-se. Ouvi dizer que ensinava. Depois, não ouvi dizer mais nada. Só a voz dela nos discos e essa intangível pureza que já me explicaram em termos técnicos, mas que eu só entendo em termos isangélicos.
Passaram trinta e quatro anos, incrível mas verdade. E agora sei que ela me morreu.
Numa semana em que os deuses foram ávidos, acho, escritas por Antonioni, as palavras com que me apetece acabar. Datam de 1980, quando ele soube da morte de Roland Barthes.
"A primeira coisa que pensei foi: é isso, há um pouco menos de doçura e inteligência no mundo, agora. Um pouco menos de amor (…)
(…) Creio que quanto mais avançamos neste mundo, que regride brutalmente, mais sentiremos a falta das "virtudes" que eram suas".
JOÃO BÉNARD DA COSTA
in Público
sábado, 29 de dezembro de 2007
Mozart e as Operas
Resolvido o problema do primeiro post vamos hoje começar a falar das óperas de Mozart. Em grande parte porque há uma de que gosto particularmente. Estou a falar da Flauta Mágica que é uma composição que me fascina.
Em primeiro lugar pela música claro e em segundo lugar pelo libreto. Este embora tenha sido muito contestado por várias razões agrada-me pelo seu tema e pelo ambiente ao mesmo tempo fantástico mas real do ponto de vista das emoções.
Para ilustrar esta ópera escolhemos a voz de um tenor alemão tragicamente desaparecido na sequência de um acidente doméstico, com apenas 36 anos. Estamos a falar de Fritz Wunderlich que nos pareceu ser uma escolha sensata.
Amanhã iremos falar de uma outra ópera de Mozart Le Nozze di Figaro que também é uma ópera fantástica.
Em primeiro lugar pela música claro e em segundo lugar pelo libreto. Este embora tenha sido muito contestado por várias razões agrada-me pelo seu tema e pelo ambiente ao mesmo tempo fantástico mas real do ponto de vista das emoções.
Para ilustrar esta ópera escolhemos a voz de um tenor alemão tragicamente desaparecido na sequência de um acidente doméstico, com apenas 36 anos. Estamos a falar de Fritz Wunderlich que nos pareceu ser uma escolha sensata.
Amanhã iremos falar de uma outra ópera de Mozart Le Nozze di Figaro que também é uma ópera fantástica.
Subscrever:
Mensagens (Atom)