sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

As recomendações de quinta à sexta

Bem corremos mesmo o risco de se tornar tradição as nossas recomendações de Quinta-Feira só serem publicadas na Sexta-Feira. O título até é engraçado (pelo menos eu gosto) !

Vamos começar para uma proposta para ficar em casa (eu sei que não é suposto mas este dia é especial). Quem tem cabo ou satélite e pode ver a Mezzo não perca dia 31 de Dezembro às 17h (CET) directamente de Berlim a Filarmónica de Berlim dirigida por Simon Rattle.

Nesse mesmo dia à noite para quem não acha piada nenhuma às passagens de ano"normais" e quiser rir delicie-se com "Little Nightmare Music". Segundo o programa da Mezzo este programa foi recomendado por Maxim Vengerov que terá chorado de tanto rir ao ver este filme. Não vou estragar a surpresa contando a história mas essencialmente tudo começa parecendo que vamos assistir a um concerto normal. Depois ... bem enfim depois é um pesadelo épico ! Não percam (ainda dá tempo para ir cear :-))

No dia seguinte, dia 1 de Janeiro às 10:15 se conseguirem levantar-se tão cedo ou se não se deitarem (uma hipótese para os mais jovens :-)) não percam em directo na Antena 2 a transmissão em directo do concerto de ano novo no Grande Auditório do Musikverein com a Orquestra Filarmónica de Viena sob a Direcção de Zubin Mehta. Quem descobrir se e quando esta transmissão passa na televisão por favor digam ...

Dadas estas sugestões caseiras no que diz respeito aos desafios para saírem de casa vamos começar por quem está no sul do país.

Em Loulé sexta-feira às 19:30 Sunita Mamtani e Julian Riem - recital de violoncelo e piano no Centro Cultural São Lourenço. As entradas custam €25. Reservas: 289395475.

Para os nossos amigos de Viseu propomos o «Concerto de Ano Novo» - pela Orquestra Filarmonia das Beiras, Isabel Alcobia e João C. Martins - António Vassalo Lourenço dirige. No Teatro Viriato dia 2 de Janeiro às 21h30. Entrada Livre.

No Porto temos duas sugestões diferentes para o dia 30. Porque é sempre bom ir ouvir jovens a tocar sugerimos «Momentum Perpetuum» - Orquestra de Jovens de Portugal - direcção de Martin André na Casa da Música do Porto às 18h00. Entrada: EUR 10,00. Reservas: 220120220. Ainda no Porto e integrado nos «Concertos Promenade 2008» teremos o «Circus Polka», de Stravinsky no Coliseu do Porto às 11h30. Este concerto será interpretado pela Orquestra Clássica de Espinho e pelo Monumental Circo do Coliseu do Porto. Entrada: EUR 10,00 / EUR 5,00. Reservas: 223394948. Como é cedo se quiserem ver os dois dá tempo :-) ... uma verdadeira maratona musical para (quase) acabar o ano.

E hoje não há sugestões para Lisboa ... porque parece que estão todos os músicos de férias ;-) ... a sério se souberem de algum programa para estes próximos dias digam, porque pelo que vi está tudo a guardar-se para o fim de semana de 4/5 de Janeiro.

E já sabem, estes foram apenas alguns destaques. Há muitas outras sugestões no site cultura.sapo.pt ou neste site (barra direita) graças aos nossos amigos da Sercultur.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

Haydn - "Gott erhalte Franz den Kaiser"

Para terminar os nossos primeiros posts sobre Haydn (haveremos de fazer um sobre o conjunto da sua vida e da sua obra) não podia deixar de vos falar sobre esta composição "Gott erhalte Franz den Kaiser" de que Haydn parecia gostar especialmente. Pelo menos os relatos de vários próximos de Haydn assim parecem indicar. Conta-se mesmo que terá sido esta a ultima peça que Haydn tocou ao piano em sua casa.

Esta composição é para mim relevante no trabalho de Haydn porque reflectia o desejo que o compositor teve de dar ao seu povo uma música com a qual se pudesse identificar e com a qual pudesse mostrar respeito aos seus governantes, inspirado pelo célebre "God save the King" que Haydn havia ouvido em Londres.

Esta composição é por demais conhecida de todos os que como eu nos habituamos a ver os Jogos Olimpicos (por exemplo) porque é ainda actualmente o hino da Républica Federal Alemã. Aliás antes que me acusem de simpatias que não tenho aqui fica uma pequena lição de história - pareceu-me necessário este esclarecimento depois de ler alguns comentários a esta composição no You Tube. É verdade que este hino foi também utilizado durante o infeliz período da história alemã que conhecemos. Porém é igualmente verdade que esta composição já era antes disso o hino da Républica Alemã, desde o período da républica de Weimar para ser mais preciso (1922).

Acresce que esta mesma melodia foi o primeiro "hino não oficial" Austriaco muito antes disso. A bem dizer a letra que hoje é utilizada para o hino da Alemanha não é a letra original concebida para o imperador mas sim um poema que August Heinrich Hoffmann escreveu em 1841. Hoffman era um democrata e escreveu este poema antes de sequer de existir um estado unificado alemão. Em boa verdade este poema expressa precisamente o desejo de unidade num espirito de liberdade, respeito e democracia. Para que a lição fique completa e possamos apreciar esta bonita melodia com toda a tranquilidade aqui fica o poema em alemão e respectiva tradução para inglês para que não restem dúvidas (textos retirados da Wikipedia).

Já agora a estância utilizada pelos Nazis era obviamente apenas a primeira - sendo que a terceira, que não dava muito jeito, era substituída por algo perfeitamente ignomioso de que pouco importa falar. Hoje o hino da Républica Federal Alemã utiliza a terceira estância. Já agora para esclarecimento completo o famoso "Deutschland über Alles" que tanto agradava ao senhor de bigode tinha exclusivamente a ver com o desejo do poeta de ver um estado alemão acima das diferenças dos pequenos estados que na altura existiam.

Terceira estância do poema de Hoffman e actual hino Alemão

Einigkeit und Recht und Freiheit
für das deutsche Vaterland!
Danach lasst uns alle streben
brüderlich mit Herz und Hand!
Einigkeit und Recht und Freiheit
sind des Glückes Unterpfand;
|: Blüh im Glanze dieses Glückes,
blühe, deutsches Vaterland. :|

Unity and justice and freedom
For the German Fatherland
For these let us all strive,
Brotherly with heart and hand.
Unity and justice and freedom
Are the pledge of happiness.
|: flourish in this fortune's blessing,
flourish, German fatherland. :|

Agora que estão devidamente informados disfrutem desta bela melodia e pensem em Haydn e no seu Kaiser. Notem que esta versão é (pelo menos pretende ser a original e não o texto de Hoffman)

terça-feira, 25 de dezembro de 2007

Haydn - As Estações

Depois de ontem termos ouvido um pequeno extracto da composição que é considerada a obra prima de Haydn - A Criação - hoje iremos falar um pouco do segundo oratório que Haydn compôs em grande parte motivado pelo enorme sucesso que a "A Criação" fez logo desde a sua estreia.

Infelizmente "As Estações" não tiveram tanto sucesso como a obra anterior sendo por isso muito menos executado. Embora do ponto de vista músical o talento de Haydn se mantenha presente aponta-se ao libreto a responsabilidade do menor sucesso da obra. Na verdade o libreto versa essencialmente o tempo e a vida do dia a dia, temas bastante prosaicos e pouco adaptados a um oratório.

Aliás em termos de popularidade quando no You Tube se encontram tão poucas opções como neste caso está tudo dito ... Obviamente que isso não é um reflexo da qualidade, longe disso. Em todo o caso conseguimos encontrar um extracto que vos permitirá ter uma ideia da excelente qualidade da obra. Claro que entre a de ontem e a de hoje se tiverem de escolher ...

segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

Mensagem de Natal

Bem para hoje tenho uma proposta diferente embora enquadrada no tempo Natalicio que vivemos e no tema que temos vindo a percorrer nestes ultimos dias. Na verdade desde que me apercebi que neste dia estariamos a falar de Haydn houve de imediato uma obra que me veio à memória, "A Criação".



Neste dia de véspera de Natal deixo-vos com este pequeno presente músical e também com um poema de David Mourão-Ferreira.

NATAL À BEIRA-RIO


É o braço do abeto a bater na vidraça?

E o ponteiro pequeno a caminho da meta!

Cala-te, vento velho! É o Natal que passa,

A trazer-me da água a infância ressurrecta.

Da casa onde nasci via-se perto o rio.

Tão novos os meus Pais, tão novos no passado!

E o Menino nascia a bordo de um navio

Que ficava, no cais, à noite iluminado...

Ó noite de Natal, que travo a maresia!

Depois fui não sei quem que se perdeu na terra.

E quanto mais na terra a terra me envolvia

E quanto mais na terra fazia o norte de quem erra.

Vem tu, Poesia, vem, agora conduzir-me

À beira desse cais onde Jesus nascia...

Serei dos que afinal, errando em terra firme,

Precisam de Jesus, de Mar, ou de Poesia?

David Mourão-Ferreira, Obra Poética 1948-1988

Lisboa, Editorial Presença, 1988

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