domingo, 17 de fevereiro de 2008

Concerto de ontem da Filarmónica de S. Petersburgo

Como prometido aqui fica um relatório do que ouvi. Não é bem uma critica porque não tenho capacidade suficiente para a fazer. São impressões pessoais a que devem dar o devido desconto por serem feitas por um amador ...

Como disse a uma nossa leitora à pouco o concerto de ontem deu-me a sensação de ir a um restaurante bonzito com um chefe de primeira e excelentes cozinheiros um pouco aborrecidos por saberem que estão nesse tal restaurante apenas médio. Por acaso nesse restaurante tocava uma pianista que se situou acima do panorama anteriormente descrito.

Ou seja em detalhe: Eu gostei do concerto, tanto o Concerto nº1 para Piano de Tchaikovsky como a suite dos Lago dos Cisnes não foram chacinados. Foram bem tocados, certinhos com quase tudo no lugar certo mas faltou qualquer coisa para que fosse memorável. E estes músicos são capazes de o fazer ...

Começando pelo concerto para piano, como disse a pianista (Elisso Virsaladze) realmente esforçou-se mas nitidamente o Coliseu não é o local ideal para estas peças. Na minha opinião faltava potência ao som da Filarmónica de S. Petersburgo e ou muito me engano ou em alguns momentos pianista e orquestra estiveram ligeiramente desacertados. No conjunto gostei da pianista mais do que da orquestra ... Para quem não conhece este concerto (bem conhecer de certeza que conhecem, podem é não relacionar com o nome ... ) eis o que ouvi interpretado por Boris Berezovski , aqui (a primeira parte do primeiro andamento) e aqui (o resto do primeiro andamento).

Na segunda parte a orquestra esteve melhor mas também houve algumas passagens onde não fiquei completamente convencido. Gostei do som do concertino (bem audível no solo) mas não do primeiro violoncelo (que falhou logo na entrada do seu solo). Vejam aqui alguns extractos da suite, confesso que com bailarinos fica ainda melhor, sobretudo quando são Margot Fonteyn e Rudolf Nureyev.

O encore, Salut d´Amour de Elgar e depois a sequência final do Quebra Nozes souberam a pouco embora no primeiro caso tenha servido para um conjunto de piadas familiares com o meu filho que toca aquela peça ... numa tonalidade diferente diz ele. Para terem uma ideia aqui ficam os Violinhos no CCB nessa mesa peça (numa tonalidade diferente e sem sopros ;-)). Se este extracto vos interessou poderão assistir no próximo dia 16 de Março de 2008 ao concerto dos Violinhos no mesmo local. É sempre uma tarde muito bem passada, mas sobre este concerto do CCB falaremos mais em breve ...

Ao todo foi uma noite (muito) bem passada mas estava à espera de mais daí talvez o (ligeiro) amargo de boca.

Informação adicional sobre o concerto em Évora

Já tínhamos falado do Concerto pelo Coro Gregoriano de Lisboa no Convento dos Remédios Évora às 18h nas nossas recomendações de sexta-feira, aqui estão alguns detalhes sobre o programa e a ocasião.

Atenção também à hora que erradamente tínhamos mencionado como sendo 18:30. As nossas desculpas.

Se estiverem perto de Évora não hesitem !

sábado, 16 de fevereiro de 2008

Uma sugestão de ultima hora e uma promessa

Bem para quem estiver em Lisboa acabei de ler agora num jornal que Gerardo Ribeiro irá tocar amanhã no CCB com a Orquestra Metropolitana de Lisboa. Gerardo Ribeiro é um dos maiores violinistas portugueses (lecciona actualmente nos Estados Unidos). Se tiverem oportunidade não percam a ocasião. É às 17h de amanhã no CCB os preços são entre €10 e €20. Integrado no ciclo Diálogos poderão ouvir obras de dois compositores sem duvida contrastantes: Berg e Schumann.

Por mim estou agora de saída para o Coliseu para ouvir a Filarmónica de São Petersburgo que irá tocar duas das minhas composições preferidas: O Concerto nº1 para Piano e Orquestra de Tchaikovsky e a suite do Lago dos Cisnes. Programa familiar com mulher e filho, o que torna a coisa ainda melhor ... A promessa é que amanhã vos contarei como foi.

PS: Acabei agora de vir do Estádio Universitário onde vi os nossos Lobos derrotar a Republica Checa por um expressivo 42-6. Foi muito engraçado ver o ambiente de tantos miúdos das escolas de Râguebi a invadirem o relvado no intervalo e no fim do jogo e poderem estar com os jogadores da nossa selecção sénior. Excelente promoção da modalidade, num jogo de que gosto muito ... deve ser a minha costela francesa :-) :-) ou talvez não ...

Beethoven Sonata nº 12 Op. 26 (Marcha Fúnebre)

Esta sonata é bastante original na sua forma. Em primeiro lugar porque tem quatro andamentos. Em segundo lugar porque se inicia com um andamento relativamente lento para depois retomar o esquema "normal" que por agora os leitores mais atentos deste blog já conhecem ... rápido-lento-rápido.

Esta peça, em Lá Bemol Maior foi composta em 1800-1801 aproximadamente na mesma altura que Beethoven compunha a sua primeira sinfonia.

Para vos ilustrar esta peça escolhi um pianista de quem já falámos. Poderão ver aqui Emil Gilels (1916-1985), pianista russo considerado um especialista de Beethoven interpretar o primeiro andamento (Andante com variações).

Podem ouvir o segundo andamento (Scherzo, allegro molto) aqui pelo mesmo pianista como vos disse.

O terceiro andamento (Maestoso andante, marcia funebre sulla morte d'un eroe) que de certa forma prenuncia a terceira sinfonia de Beethoven (Eroica e aquele fantástico andamento lento). Oiçam este andamento aqui.

O andamento final (Allegro) pode ser ouvido aqui.

Conforme poderão ter constatado se leram os comentários a interpretação de Emil Gilel não é consensual. Poderão ouvir uma outra interpretação de um outro fantástico pianista Benno Moiseiwitsch para poderem comparar ... A primeira parte aqui e a segunda aqui (não está dividido por andamentos como no caso de Gilels) e é apenas o som (não tem video) mas garanto-vos que vale a pena ouvir.

Se me perguntarem qual dos dois prefiro tenho confessar que gosto mais da interpretação de Moiseiwitsch mas penso que é uma questão de detalhe porque realmente as duas interpretações são fora-de-série.

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