quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Brahms: Sinfonia nº 2 em Ré (Op. 73)

Se a primeira sinfonia de Brahms é essencialmente uma obra angustiante, poderosa e forte a segunda sinfonia composta apenas um ano depois (comparar com os 21 anos que a primeira levou a compor pode ser interessante), a segunda sinfonia é essencialmente uma obra de paz interior.

Também nesta sinfonia Brahms não conseguiu evitar as comparações sendo esta composição comparada com a sexta de Beethoven. Curiosamente Brahms manteve com os amigos uma espécie de piada musical. Dizia ele que "nunca tinha composto nada tão triste" e acrescentava "é tão triste que não conseguir ouvir até ao fim". É claro que isto é apenas uma piada que Brahms manteve mesmo depois da estreia. Na verdade com excepção do Adagio toda esta obra está repleta de felicidade, mesmo que contida, pacifica, pastoral se quisermos.

A obra foi estreada em a 30 de Dezembro de 1877 em Viena dirigida por Hans Richter mantendo a estrutura normal da sinfonia clássica em quatro andamentos.

O primeiro andamento (Allegro non troppo em Ré Maior) começa com uma sombria sequência de quatro notas para depois acabar por ser desenvolvida por três melodias relativamente tranquilas. Oiça aqui a Orquestra de Viena dirigida por Kleiber (segunda parte deste movimento aqui).

O segundo andamento (Adagio non troppo em si maior) é na realidade bastante sombrio (eu prefiro qualificá-lo como melancólico) embora com um breve momento em que esse tom é abandonado. Mas é apenas um breve momento antes das sombras voltarem a cair. Oiça aqui a orquestra do Royal Conservatory de Den-Haag dirigida por Roy Shapira.

No terceiro andamento (Allegretto grazioso - quasi andantino - em Sol Maior) voltamos ao ambiente calmo e gracioso da obra, quase dançante segundo Brahms. Oiça aqui a Orchestra Royal Conservatory The Hague dirigida por Hernan Schvartzman interpretar este andamento.

Finalmente o quarto andamento (Allegro con spirito em Ré Maior) é provavelmente o mais claro, o mais abertamente feliz desta obra que termina de forma bastante assertiva. Voltamos para este andamento à Filarmónica de Viena e a Kleiber, aqui.

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Brahms: Sinfonia nº 1 em Dó Menor Op. 68

Brahms não é conhecido por ser um compositor especialmente rápido e esta sinfonia reflecte bem essa fama. Na verdade Brahms parece ter levado mais de vinte e um anos entre os primeiros esquissos que datam de 1855 até 1876 ano em que ocorreu a estreia da sinfonia que teve lugar em Karlsruhe a 4 de Novembro de 1876 dirigida por um amigo de Brahms, Felix Otto Dessoff.

A estreia da obra foi um triunfo relativo porque tanto Brahms como uma parte substancial da critica admirava tanto Beethoven que face ao mestre tudo o resto parecia menor para já não dizer uma cópia. Na verdade dizemos que foi um triunfo relativo porque o grande crítico Hans von Bulow disse como mensagem de felicitação que parecia a "décima", uma alusão óbvia a poder ser considerada uma sucessão do trabalho de Beethoven.

Note-se que a própria estrutura clássica desta obra seguindo os canons clássicos, quatro andamentos e um desenvolvimento muito na linha da evolução do período clássico ajudava a fazer-se essa assimilação.

O primeiro andamento em Dó menor está dividido em três partes : Un poco sostenuto – Allegro – Meno allegro . Este primeiro andamento tem como característica principal a impaciência um certo tom de desafio que apenas é resolvido muito perto do final do mesmo. Podem ouvir aqui e aqui Karajan a dirigir este andamento.

O segundo andamento em Mi maior é como mandam as regras um Andante, Sostenuto neste caso. Um andamento que surge com a paz que resolve toda angustia e ansiedade trazida pelo primeiro andamento. Podem ouvir aqui Karajan a dirigir este andamento.

O terceiro andamento Un poco allegretto e grazioso em Lá bemol maior é profundamente característico de Brahms. Não é bem um scherzo como seria de esperar numa estrutura puramente clássica ... é qualquer de dificilmente caracterizável, algo profundamente brilhante. Oiçam aqui este andamento dirigido por Karajan.

O ultimo andamento agora em Dó Maior está "dividido" em três partes tal como o primeiro (Adagio – Più andante – Allegro non troppo, ma con brio – Più allegro). Podem ouvir aqui este ultimo andamento, majestoso, digno, marcial quase. Sim terão razão se vos parecer "parecido" com a nona sinfonia de Beethoven. Oiçam aqui Karajan (e aqui a segunda parte desse andamento).

O próximo compositor será: Brahms

Está terminado o acto eleitoral e embora por uma curta margem Brahms venceu. 15 votos contra 13 de Tchaikovsky e 10 de Schumann. Desta forma a partir de hoje iremos falar deste compositor germânico o mais clássico dos românticos ou se preferirem o mais romântico dos clássicos.

Confesso que gosto muito de algumas obras de Brahms - estão possivelmente na minha lista das 100 preferidas - e por isso será com grande prazer que vos irei falar deste compositor. Penso aliás que está naquela lista (certo eu sei que tenho a mania das listas) dos compositores subavaliados.

Enquanto estamos a falar de Brahms vou colocar no ar uma outra votação. Não para escolher os compositores que se seguem (esses serão Tchaikovsky e depois Schumann) mas antes para escolher para qual dos grandes maestros gostariam que fizéssemos um pequeno especial.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Violoncelo : Um som profundamente humano (parte 2)

Esta é a segunda parte do post sobre o Violoncelo. Pode encontrar a primeira parte aqui.

Ainda no período romântico não podemos deixar de falar do concerto para Violoncelo de Schumann que pode ouvir aqui numa interpretação de Rostropovich.

No período das grandes escolas nacionalistas teremos certamente de falar dos concertos para Violoncelo de Dvorak de que propomos uma interpretação do primeiro destes por Yo-Yo Ma , aqui.

Mais tarde o Concerto de Elgar para Violoncelo tornou-se uma peça importantíssima no reportório deste instrumento. Claramente apenas poderíamos escolher uma interprete para esta peça: Jacqueline du Pré.

No século XX o concerto de Shostakovich aqui interpretado por Rostropovich e a sinfonia concertante de Prokofiev aqui igualmente interpretada por Rostropovich têm um papel de relevo.

Para terminar gostaria de vos propor Jacqueline du Pré neste Kol Nidrei de Max Bruch.

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