Também em 1951 Leonard Bernstein dirigiu a estreia da sinfonia nº2 de Charles Ives. Notem que esta obra datava de 1901 mas nunca tinha sido estreada. Aliás este é um ponto muitas vezes ignorado da vida e obra de Bernstein que convém por isso salientar. O ponto que queremos enfatisar é o trabalho extraordinário que o maestro desenvolveu para conseguir divulgar e promover a obra de compositores americanos (e não só) contemporâneos. Foi o caso de Charles Ives mas foi também o caso de Copland (Bernstein tocou ao piano as "Variações" de Copland tantas vezes que estas eram quase consideradas a sua "marca" enquanto pianista) como também de Olivier Messiaen ou Carl Nielsen.
Talvez por ser ele próprio compositor e conhecer as dificuldades de conseguir fazer a sua música ser ouvida Leonard Bernstein revelou sempre muita disponibilidade para este tipo de divulgação.
Em 1957 Bernstein iniciou uma relação com a Filarmónica de Nova Iorque que iria durar até 1969. Neste período fez a série de 53 programas "Concertos para Jovens" que o tornaram conhecido na América e no Mundo. Uma parte destes concertos como já vos disse aqui pode ser adquirido em DVD que é uma colecção que recomendo obviamente. Há alguns programas que são pura e simplesmente geniais do ponto de vista da divulgação da música. Ia dizer da música clássica mas na verdade seria fazer-lhe uma grande injustiça. Não se fala apenas de uma das formas de música nos programas de Leonard Bernstein. Fala-se de música simplesmente.
Em 1960 grava o primeiro ciclo completo das sinfonias de Mahler, compositor com o qual é óbvio que Bernstein se identifica muitíssimo. Aliás para terminar e ligando com o tópico anterior basta ouvir o programa que Bernstein lhe dedicou (a Mahler) no ciclo de Concertos para Jovens para percebermos que Bernstein compreendia o drama do compositor. Não ser tomado a sério como compositor por ser também Maestro!
Aliás no mundo de hoje em que a especialização é palavra de ordem e em que se dá muita importância a uma total concentração num tópico exclusivo esse programa é extraordinariamente didáctico. Claro que podem também ler Saint-Exupery dividido entre a aviação e a literatura ...
A única música que precisa de embalagem é a música de plástico.
quarta-feira, 22 de outubro de 2008
Nova Votação
Como estamos ultimamente a falar muitas vezes de Violoncelo e ainda relativamente pouco de Violoncelistas vamos lançar uma votação para um especial. Desta vez para votação vamos propor um conjunto de verdadeiro luxo. Vai ser difícil a vossa escolha:
Pablo Casals (1876 – 1973)
Mstislav Rostropovich (1927 – 2007)
Jacqueline du Pré(1945 – 1987)
Julian Lloyd Webber (1951)
Por sugestão do nosso atento leitor Pianoman vamos adicionar a nossa grande violoncelista Guilhermina Suggia. Para isso vamos ter de refazer a votação. Os votos já colocados serão adicionados no final.
Temos até agora 7 votantes e 10 votos:
Pablo Casals: 4
Mstislav Rostropovich: 1
Jacqueline du Pré: 4
Julian Lloyd Webber: 1
Pablo Casals (1876 – 1973)
Mstislav Rostropovich (1927 – 2007)
Jacqueline du Pré(1945 – 1987)
Julian Lloyd Webber (1951)
Por sugestão do nosso atento leitor Pianoman vamos adicionar a nossa grande violoncelista Guilhermina Suggia. Para isso vamos ter de refazer a votação. Os votos já colocados serão adicionados no final.
Temos até agora 7 votantes e 10 votos:
Pablo Casals: 4
Mstislav Rostropovich: 1
Jacqueline du Pré: 4
Julian Lloyd Webber: 1
terça-feira, 21 de outubro de 2008
Brahms - As Sonatas para Violoncelo (Parte 1)
Na sequência de uma das questões de ontem vamos hoje falar das duas Sonatas para Violoncelo que Brahms compôs. A primeira dessas sonatas em Mi Menor Op. 38 foi composta entre 1862 e 1865. Brahms não utilizou aqui a forma canónica da Sonata tendo a sonata apenas três andamentos.
A Sonata foi dedicada ao seu amigo Dr. Josef Gänsbacher, professor de canto na Academia de Viena e violoncelista amador. Aliás conta-se a esse propósito uma história com alguma piada e que revela o humor negro de Brahms. Numa apresentação privada Brahms estava ao piano e Josef ao Violoncelo. Brahms estaria a tocar tão alto que o próprio Josef se queixou de que não conseguia sequer ouvir o Violoncelo. Ao que Brahms terá respondido "Sorte a tua".
O primeiro andamento (Allegro non troppo) começa com um tom sombrio para rapidamente chegarem ao Allegro que no entanto nunca perde uma característica de relativa tristeza. Ouçam aqui Julian Lloyd Webber (Violoncelo) e Rebecca Woolcock (Piano) numa gravação de 1999 no festival de Cheltenham.
O segundo andamento (Allegretto quasi Menuetto) é uma das várias experiências de Brahms na utilização de formas do período clássico e mesmo do período barroco. Na realidade este andamento tem um toque do período clássico em muitas partes perto da dança calma e estilizada, do minueto. Ouçam aqui Rostropovich (Violoncelo) e Serkin (Piano) a interpretar este andamento.
O terceiro andamento (Allegro) por seu lado em muitos pontos é uma fuga que termina com uma coda bastante rápida. Ouçam aqui Jacqueline du Pré (Violoncelo) e Daniel Barenboim (piano) numa interpretação deste andamento.
A Sonata foi dedicada ao seu amigo Dr. Josef Gänsbacher, professor de canto na Academia de Viena e violoncelista amador. Aliás conta-se a esse propósito uma história com alguma piada e que revela o humor negro de Brahms. Numa apresentação privada Brahms estava ao piano e Josef ao Violoncelo. Brahms estaria a tocar tão alto que o próprio Josef se queixou de que não conseguia sequer ouvir o Violoncelo. Ao que Brahms terá respondido "Sorte a tua".
O primeiro andamento (Allegro non troppo) começa com um tom sombrio para rapidamente chegarem ao Allegro que no entanto nunca perde uma característica de relativa tristeza. Ouçam aqui Julian Lloyd Webber (Violoncelo) e Rebecca Woolcock (Piano) numa gravação de 1999 no festival de Cheltenham.
O segundo andamento (Allegretto quasi Menuetto) é uma das várias experiências de Brahms na utilização de formas do período clássico e mesmo do período barroco. Na realidade este andamento tem um toque do período clássico em muitas partes perto da dança calma e estilizada, do minueto. Ouçam aqui Rostropovich (Violoncelo) e Serkin (Piano) a interpretar este andamento.
O terceiro andamento (Allegro) por seu lado em muitos pontos é uma fuga que termina com uma coda bastante rápida. Ouçam aqui Jacqueline du Pré (Violoncelo) e Daniel Barenboim (piano) numa interpretação deste andamento.
segunda-feira, 20 de outubro de 2008
Pesquisas interessantes da semana (#8)
musica clássica violoncelo mais conhecida: Bem é dificil dizer qual é a mais conhecida mas a escolher uma teria de escolher as suites para violoncelo de Bach. Entretanto neste post ou neste outro podem descobrir algumas outras composições para este fantástico instrumento.
existe a oitava sinfonia de bach: Não não existe. Aliás a bem dizer nem a primeira existe. A sinfonia é uma forma criada no período clássico e não no período barroco a que Bach pertence. Se estivermos a falar de concertos na realidade Bach no total compôs mais de 8 concertos porém foram para instrumentos diferentes pelo que não é usual contabilizá-los em conjunto. Assim a resposta clara e curta para a pergunta formulada por todas as razões mencionadas é: Não , não existe. Para saber um pouco mais sobre a obra de Bach recomendamos este post.
vida jan sibelius para quem não gosta de musica clássica: Ora bem, suponho que não pretendem propriamente uma novela estilo Morangos com Açúcar embora talvez fosse possível tentar. Não esperem, não dá. Sibelius foi demasiado "certinho" ou "betinho" para sermos mais "radicais" para uma história desse tipo. Brinco claro. Falando agora mais a sério na verdade para mim Sibelius foi um dos mais geniais compositores do século XX mas esta opinião está longe de ser consensual. É preciso notar que Sibelius persistiu até à data da sua morte na composição estritamente tonal quando em outras partes da Europa tínhamos um Stockhausen ou um Schoenberg para já não falar em Stravinsky. Foi amado e odiado. Dele escreveram alguns críticos tratar-se do pior compositor de sempre, do mais incapaz de todos. Injusto na minha modesta opinião. Fica prometido para breve uma história detalhada sobre este compositor. Vale a pena para fundamentar uma reflexão sobre conservadorismo e progressismo na arte.
tota pulchra de José Maurício : Primeira obra publicada de José Maurício. Trata-se de uma antífona conjunto de textos bíblicos utilizados na liturgia. Do Padre José Maurício Garcia já tínhamos falamos aqui.
primeira catata de natal fernando lopes graça pauta : Não temos pautas neste site por enquanto. Esta obra de um dos grandes compositores portugueses foi composta entre 1945 e 1950 e repousa em cantos tradicionais portugueses da natividade.
paganini melhor concerto: Se estivermos a falar de um concerto "mesmo" sem dúvida o melhor é o Concerto nº1 em Ré Maior de que por acaso já falamos aqui.
musica clássica viola de arco : Bem é uma boa sugestão. Falámos em tempos aqui do primeiro concerto para Viola de Telemann. É um instrumento para o qual existe relativamente pouca obra publicada (para solista bem entendido) e logo é uma boa ideia falarmos disto. Fica prometido.
musica de mischa elman: Excelente escolha. Mischa Elman foi um excelente violinista ucraniano. Como estamos a completar a nossa lista de grandes violinistas do século XX este fica na lista como o próximo de quem vamos falar.
existe a oitava sinfonia de bach: Não não existe. Aliás a bem dizer nem a primeira existe. A sinfonia é uma forma criada no período clássico e não no período barroco a que Bach pertence. Se estivermos a falar de concertos na realidade Bach no total compôs mais de 8 concertos porém foram para instrumentos diferentes pelo que não é usual contabilizá-los em conjunto. Assim a resposta clara e curta para a pergunta formulada por todas as razões mencionadas é: Não , não existe. Para saber um pouco mais sobre a obra de Bach recomendamos este post.
vida jan sibelius para quem não gosta de musica clássica: Ora bem, suponho que não pretendem propriamente uma novela estilo Morangos com Açúcar embora talvez fosse possível tentar. Não esperem, não dá. Sibelius foi demasiado "certinho" ou "betinho" para sermos mais "radicais" para uma história desse tipo. Brinco claro. Falando agora mais a sério na verdade para mim Sibelius foi um dos mais geniais compositores do século XX mas esta opinião está longe de ser consensual. É preciso notar que Sibelius persistiu até à data da sua morte na composição estritamente tonal quando em outras partes da Europa tínhamos um Stockhausen ou um Schoenberg para já não falar em Stravinsky. Foi amado e odiado. Dele escreveram alguns críticos tratar-se do pior compositor de sempre, do mais incapaz de todos. Injusto na minha modesta opinião. Fica prometido para breve uma história detalhada sobre este compositor. Vale a pena para fundamentar uma reflexão sobre conservadorismo e progressismo na arte.
tota pulchra de José Maurício : Primeira obra publicada de José Maurício. Trata-se de uma antífona conjunto de textos bíblicos utilizados na liturgia. Do Padre José Maurício Garcia já tínhamos falamos aqui.
primeira catata de natal fernando lopes graça pauta : Não temos pautas neste site por enquanto. Esta obra de um dos grandes compositores portugueses foi composta entre 1945 e 1950 e repousa em cantos tradicionais portugueses da natividade.
paganini melhor concerto: Se estivermos a falar de um concerto "mesmo" sem dúvida o melhor é o Concerto nº1 em Ré Maior de que por acaso já falamos aqui.
musica clássica viola de arco : Bem é uma boa sugestão. Falámos em tempos aqui do primeiro concerto para Viola de Telemann. É um instrumento para o qual existe relativamente pouca obra publicada (para solista bem entendido) e logo é uma boa ideia falarmos disto. Fica prometido.
musica de mischa elman: Excelente escolha. Mischa Elman foi um excelente violinista ucraniano. Como estamos a completar a nossa lista de grandes violinistas do século XX este fica na lista como o próximo de quem vamos falar.
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