Tchaikovsky compôs esta obra entre 1872 e 1873 (Op. 17) em Dó menor. Esta sinfonia é também chamada a "Pequena Rússia" dado que é baseada em canções populares ucranianas, nação que nessa altura era conhecida como a "pequena Rússia".
Embora Tchaikovsky não seja um compositor nacionalista como o famoso grupo dos cinco esta sinfonia não seria desdenhada desse ponto de vista e por nenhum dos membros de tão patriótico conjunto.
A sinfonia foi estreada a 7 Fevereiro de 1873 sobre a direcção de Rubinstein com considerável sucesso tendo mesmo conseguido "a benção" do já referido grupo. Tchaikovsky no entanto não estava satisfeito com a obra tendo efectuado uma revisão completa da mesma 1880. Hoje em dia é esta a versão que é interpretada embora alguns estudiosos da obra do compositor apontem maiores qualidades à primeira e defendam que pelo menos esporadicamente se deveria interpretar a primeira das formas.
A obra contém quatro andamentos como usual na forma clássica da sinfonia.
O primeiro andamento (Allegro vivo) em dó menor é basaeado numa melodia ucraniana intitulada "Desceu pela Mãe Volga", composição essa associada ao ladrão cossaco Stenka Razin cuja cabeça segunda reza a letra da canção foi decepada na praça vermelha em 1671.
O segundo andamento (Andantino marziale, quasi moderato ) em Mi Maior é na realidade parte de uma ópera não publicada chamada "Undine".
O terceiro andamento é um Scherzo em Dó menor (Allegro molto vivace).
O quarto andamento (Moderato assai - Allegro vivo) em Dó Maior é para muitos a melhor parte da obra sendo baseada na canção popular "a Grua" . Oiçam aqui o este quarto movimento.
A única música que precisa de embalagem é a música de plástico.
terça-feira, 9 de dezembro de 2008
segunda-feira, 8 de dezembro de 2008
Pesquisas interessantes da semana (#14)
As frases a bold são frases que vários cibernautas pesquisam no Google , pesquisas essas que os trazem aqui ao nosso blog. Como já vos expliquei não tenho obviamente forma (nem quero ter) de saber quem perguntou o quê, escolho aquelas perguntas que me parecem mais interessantes e que não obtiveram resposta ... Como sei que não a obtiveram? Bem porque segundo o Google não estiveram mais do que 30s no nosso blog ... Esta semana foram mais de 500 pesquisas.
"origens históricas da sonata": A forma de sonata é essencialmente uma criação do período clássico numa altura em que se procurava atingir a forma perfeita através de regras bem definidas. A forma de sonata é alvo de um estudo aprofundado do ponto de vista teórico desde essa altura. Dado que este tema merece só por si um post aqui fica a promessa que voltaremos a este assunto em breve.
"sugestões para quem gosta de musicas fúnebres": Bem, gostos não se discutem. Proponho-vos assim que oiçam o Terceiro Andamento da Sonata nº 12 de que falámos aqui, ou em alternativa a terceira sinfonia do mesmo compositor também seria uma hipótese ou então o terceiro andamento da Sonata para Piano nº 2 Op. 35 em Si Bemol Menor de Chopin.
"período romântico musica": O período romântico é o período que se segue ao período clássico. É deste período que estamos neste momento a falar em que predominam compositores como Brahms por exemplo só para referir o ultimo de que falámos.
"grande messe des morts" : Uma das obras mais conhecidas de Berlioz de que falámos aqui.
"eu quero o conceito da musica clássica": A definição de música clássica é uma adição recente do nosso blog que podem encontrar aqui. É um texto fortemente baseado num dos programas de Leonard Bernstein "Concertos para Jovens". Espero que gostem. Claro que ainda o vamos melhorar mas neste momento é a melhor explicação que temos.
"origens históricas da sonata": A forma de sonata é essencialmente uma criação do período clássico numa altura em que se procurava atingir a forma perfeita através de regras bem definidas. A forma de sonata é alvo de um estudo aprofundado do ponto de vista teórico desde essa altura. Dado que este tema merece só por si um post aqui fica a promessa que voltaremos a este assunto em breve.
"sugestões para quem gosta de musicas fúnebres": Bem, gostos não se discutem. Proponho-vos assim que oiçam o Terceiro Andamento da Sonata nº 12 de que falámos aqui, ou em alternativa a terceira sinfonia do mesmo compositor também seria uma hipótese ou então o terceiro andamento da Sonata para Piano nº 2 Op. 35 em Si Bemol Menor de Chopin.
"período romântico musica": O período romântico é o período que se segue ao período clássico. É deste período que estamos neste momento a falar em que predominam compositores como Brahms por exemplo só para referir o ultimo de que falámos.
"grande messe des morts" : Uma das obras mais conhecidas de Berlioz de que falámos aqui.
"eu quero o conceito da musica clássica": A definição de música clássica é uma adição recente do nosso blog que podem encontrar aqui. É um texto fortemente baseado num dos programas de Leonard Bernstein "Concertos para Jovens". Espero que gostem. Claro que ainda o vamos melhorar mas neste momento é a melhor explicação que temos.
domingo, 7 de dezembro de 2008
Tchaikovsky - Sinfonia nº 1 (Sol Menor) - Op. 13
Vamos começar esta viagem pelas obras de Tchaikovsky pelas suas seis sinfonias. Hoje vamos falar da Sinfonia nº1 em Sol Menor Op. 13.
Esta composição data de 1866 sendo assim a primeira composição para orquestra do compositor russo (talvez até a primeira). Tchaikovsky intitulou esta obra "Sonhos de dias de Inverno". Conta a lenda que enquanto compôs esta obra o compositor praticamente não conseguia dormir e que por isso esta terá sido a primeira e única composição que foi concebida durante os dias e as noites.
A génese da obra não foi fácil . Para além de ser o seu primeiro trabalho de grande dimensão Tchaikovsky então recém admitido no Conservário de Moscovo como professor teve de lidar com a a oposição dos seus professores Anton Rubinstein (não confundir com o pianista polaco com mesmo nome mas diferente apelido Arthur Rubinstein - não são relacionados) e Nicolai Zaremba.
O primeiro esquisso que lhes mostrou foi rejeitado o que aumentou a ansiedade de Tchaikovsky ao ponto de lhe ter sido recomendado repouso absoluto dado que estava perto da loucura pela pressão e ausência de sono. Depois de muitas revisões a obra foi finalmente estreada a 15 de Fevereiro de 1868 em Moscovo dirigida por Anton Rubinstein a quem foi aliás dedicada.
Na verdade este primeiro "conflito" com os seus professores seria sintomático da história de Tchaikovsky ao longo da sua vida enquanto compositor. Essencialmente este conflito residia na própria concepção da música que Tchaikovsky entendia como romântico enquanto os seus professores então dominantes no conservatório de Moscovo queriam mais aderentes aos fundamentos do período clássico, na linha de Haydn, Mozart e Beethoven.
Esta obra foi concebida em quatro andamentos na perfeita tradição do período clássico. A versão que é hoje em dia interpretada é a da revisão de 1874 conduzida por Tchaikovsky que tinha uma grande predilecção por esta obra, dizia ele por ter sido a primeira e por ter ainda nela a força da juventude. A versão revista foi estreada em 1883 dirigida por Max Erdmannsdörfer.
O primeiro andamento (Allegro Tranquillo), na forma de sonata (um dos grandes problemas de Tchaikovsky foi precisamente enquadrar as suas ideias nesta forma relativamente castradora da sua capacidade fundamental: A Melodia. A este andamento tal como ao segundo o compositor deu um nome, chamando-lhe Sonhos de uma Caminhada de Inverno.
O segundo andamento (Adagio cantabile ma non tanto) que Tchaikovsky chamou Terra de Desolação, Terra de Nevoeiros é um maravilhoso tema baseado numa única melodia de longe o andamento que prefiro desta sinfonia. Podem ouvi-lo aqui.
O terceiro andamento (Sherzo allegro scherzando giocoso ) foi o primeiro a ser escrito tendo sido recuperado a partir de uma sonata para piano que Tchaikovsky tinha escrito enquanto estudante. Este andamento juntamente com o segundo foram os primeiros a serem aprovados por Rubinstein e Zaremba tendo sido inclusivamente estreados antes do resto da composição. Podem ouvir aqui uma parte deste terceiro andamento.
O quarto andamento (Finale, andante lugubre—allegro maestoso) foi baseado numa canção popular russa ("Распашу ли я млада, младeшенка"). Pode ouvir e ver aqui um excerto deste quarto andamento.
Esta composição data de 1866 sendo assim a primeira composição para orquestra do compositor russo (talvez até a primeira). Tchaikovsky intitulou esta obra "Sonhos de dias de Inverno". Conta a lenda que enquanto compôs esta obra o compositor praticamente não conseguia dormir e que por isso esta terá sido a primeira e única composição que foi concebida durante os dias e as noites.
A génese da obra não foi fácil . Para além de ser o seu primeiro trabalho de grande dimensão Tchaikovsky então recém admitido no Conservário de Moscovo como professor teve de lidar com a a oposição dos seus professores Anton Rubinstein (não confundir com o pianista polaco com mesmo nome mas diferente apelido Arthur Rubinstein - não são relacionados) e Nicolai Zaremba.
O primeiro esquisso que lhes mostrou foi rejeitado o que aumentou a ansiedade de Tchaikovsky ao ponto de lhe ter sido recomendado repouso absoluto dado que estava perto da loucura pela pressão e ausência de sono. Depois de muitas revisões a obra foi finalmente estreada a 15 de Fevereiro de 1868 em Moscovo dirigida por Anton Rubinstein a quem foi aliás dedicada.
Na verdade este primeiro "conflito" com os seus professores seria sintomático da história de Tchaikovsky ao longo da sua vida enquanto compositor. Essencialmente este conflito residia na própria concepção da música que Tchaikovsky entendia como romântico enquanto os seus professores então dominantes no conservatório de Moscovo queriam mais aderentes aos fundamentos do período clássico, na linha de Haydn, Mozart e Beethoven.
Esta obra foi concebida em quatro andamentos na perfeita tradição do período clássico. A versão que é hoje em dia interpretada é a da revisão de 1874 conduzida por Tchaikovsky que tinha uma grande predilecção por esta obra, dizia ele por ter sido a primeira e por ter ainda nela a força da juventude. A versão revista foi estreada em 1883 dirigida por Max Erdmannsdörfer.
O primeiro andamento (Allegro Tranquillo), na forma de sonata (um dos grandes problemas de Tchaikovsky foi precisamente enquadrar as suas ideias nesta forma relativamente castradora da sua capacidade fundamental: A Melodia. A este andamento tal como ao segundo o compositor deu um nome, chamando-lhe Sonhos de uma Caminhada de Inverno.
O segundo andamento (Adagio cantabile ma non tanto) que Tchaikovsky chamou Terra de Desolação, Terra de Nevoeiros é um maravilhoso tema baseado numa única melodia de longe o andamento que prefiro desta sinfonia. Podem ouvi-lo aqui.
O terceiro andamento (Sherzo allegro scherzando giocoso ) foi o primeiro a ser escrito tendo sido recuperado a partir de uma sonata para piano que Tchaikovsky tinha escrito enquanto estudante. Este andamento juntamente com o segundo foram os primeiros a serem aprovados por Rubinstein e Zaremba tendo sido inclusivamente estreados antes do resto da composição. Podem ouvir aqui uma parte deste terceiro andamento.
O quarto andamento (Finale, andante lugubre—allegro maestoso) foi baseado numa canção popular russa ("Распашу ли я млада, младeшенка"). Pode ouvir e ver aqui um excerto deste quarto andamento.
sexta-feira, 5 de dezembro de 2008
Glenn Gould (1932-1982) - Da infância ao primeiro concerto e gravação
Glenn Gould nasceu em Toronto no Canadá no dia 25 de Setembro de 1932. Desde muito cedo demonstrou grande aptidão para a música conseguindo ler música com três anos, muito antes de saber ler.
Dispunha de ouvido absoluto tendo começado por aprender piano com a sua mãe. A titulo de curiosidade diga-se que o seu trisavô pelo lado da mãe era simplesmente Grieg o famoso compositor Norueguês.
Aos dez anos de idade começou a aprender piano no Real Conservatório em Toronto com Alberto Guerrero excelente professor de origem chilena (professor entre outros de Gerald Moore, pianista acompanhador de muitas das estrelas do canto lírico que já passaram por este blog).
Gould começou a interpretar em público desde os cinco anos de idade de forma esporádica tendo participado em alguns concursos mas os seus pais nunca o fizeram seguir o caminho de criança prodígio.
Em 1945 deu-se o seu primeiro concerto público a sério em que tocou Orgão tendo no ano seguinte tocado pela primeira vez com uma Orquestra, a Orquestra Sinfónica do Conservatório de Toronto interpretando o Quarto Concerto para Piano de Beethoven .
Em 1947 deu-se o seu primeiro recital a solo com um programa bastante curioso que incluía Scarlatti, Beethoven Chopin e Liszt. Curioso porque como veremos Gould viria mais tarde a eliminar completamente do seu reportório as peças de Chopin e de Liszt que consideraria "Exibições vazias de sentimento e propósito".
Em 1952 estreia-se na televisão Canadiana sendo o primeiro pianista a ser transmitido ao vivo pela televisão desse país. Três anos mais tarde faz o seu primeiro recital nos Estados Unidos. E em boa hora o fez porque esse programa era de tal forma pouco ortodoxo que suscitou a curiosidade da Columbia Records. No dia seguinte assinava um contracto com esta editora de que viria a resultar a sua primeira gravação e uma interpretação verdadeiramente tão notável quanto controversa: As Variações Goldberg (1955).
Note-se que essa escolha só por si é verdadeiramente notável. Este conjunto de peças não faziam parte do reportório tradicional do piano. Para um pianista que faz a sua primeira gravação não deixa de ser um começo que marca o tom de máxima originalidade e total ausência de compromissos, tudo em favor da sua visão da música e da arte.
Gould não só gravou as variações de forma nunca antes vista - mais tarde ele próprio viria a criticar algumas das opções que então tomou e a regravar estas variações, uma das poucas gravações repetidas que efectuou - mas também escreveu as notas que figuram nesse disco que faz parte da história da música ocidental, queira-se ou não. Oiça aqui a gravação mais recente de Glenn Gould intrepretando esta obra.
Vou deixar-vos aqui com as notas do Gould para o programa de um concerto em Montreal em 1955 em que Gould escreveu precisamente sobre estas variações:
"Trata-se resumindo de música sem fim ou principio, musica sem um climax real e sem resolução, música em que no entanto existe inteligência que denominamos "Ego". Tem então unidade através da percepção intuitiva, unidade nascida do artesão e do detalhe, adocicada pela maestria e que se revela aqui, como é raro na arte, na visão da concepção exaltante do subsconsciente"
Dispunha de ouvido absoluto tendo começado por aprender piano com a sua mãe. A titulo de curiosidade diga-se que o seu trisavô pelo lado da mãe era simplesmente Grieg o famoso compositor Norueguês.
Aos dez anos de idade começou a aprender piano no Real Conservatório em Toronto com Alberto Guerrero excelente professor de origem chilena (professor entre outros de Gerald Moore, pianista acompanhador de muitas das estrelas do canto lírico que já passaram por este blog).
Gould começou a interpretar em público desde os cinco anos de idade de forma esporádica tendo participado em alguns concursos mas os seus pais nunca o fizeram seguir o caminho de criança prodígio.
Em 1945 deu-se o seu primeiro concerto público a sério em que tocou Orgão tendo no ano seguinte tocado pela primeira vez com uma Orquestra, a Orquestra Sinfónica do Conservatório de Toronto interpretando o Quarto Concerto para Piano de Beethoven .Em 1947 deu-se o seu primeiro recital a solo com um programa bastante curioso que incluía Scarlatti, Beethoven Chopin e Liszt. Curioso porque como veremos Gould viria mais tarde a eliminar completamente do seu reportório as peças de Chopin e de Liszt que consideraria "Exibições vazias de sentimento e propósito".
Em 1952 estreia-se na televisão Canadiana sendo o primeiro pianista a ser transmitido ao vivo pela televisão desse país. Três anos mais tarde faz o seu primeiro recital nos Estados Unidos. E em boa hora o fez porque esse programa era de tal forma pouco ortodoxo que suscitou a curiosidade da Columbia Records. No dia seguinte assinava um contracto com esta editora de que viria a resultar a sua primeira gravação e uma interpretação verdadeiramente tão notável quanto controversa: As Variações Goldberg (1955).
Note-se que essa escolha só por si é verdadeiramente notável. Este conjunto de peças não faziam parte do reportório tradicional do piano. Para um pianista que faz a sua primeira gravação não deixa de ser um começo que marca o tom de máxima originalidade e total ausência de compromissos, tudo em favor da sua visão da música e da arte.
Gould não só gravou as variações de forma nunca antes vista - mais tarde ele próprio viria a criticar algumas das opções que então tomou e a regravar estas variações, uma das poucas gravações repetidas que efectuou - mas também escreveu as notas que figuram nesse disco que faz parte da história da música ocidental, queira-se ou não. Oiça aqui a gravação mais recente de Glenn Gould intrepretando esta obra.
Vou deixar-vos aqui com as notas do Gould para o programa de um concerto em Montreal em 1955 em que Gould escreveu precisamente sobre estas variações:
"Trata-se resumindo de música sem fim ou principio, musica sem um climax real e sem resolução, música em que no entanto existe inteligência que denominamos "Ego". Tem então unidade através da percepção intuitiva, unidade nascida do artesão e do detalhe, adocicada pela maestria e que se revela aqui, como é raro na arte, na visão da concepção exaltante do subsconsciente"
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