Esta é a segunda parte da sequência sobre a vida de Tchaikovsky. Pode ler a primeira parte aqui.
Tchaikovsky após terminar o curso no Conservatório de São Petersburgo foi contratado para dar aulas no então recentemente criado conservatório em Moscovo. O salário era tão modesto que Tchaikovsky dificilmente poderia sobreviver com ele.
Porém Nicholas Rubinstein (o director do conservatório) ofereceu-lhe alojamento no seu próprio apartamento onde aliás também já vivia o jovem violinista Shradik.
Tchaikovsky é nessa altura um jovem relativamente inexperiente pesem embora os seus 25 anos e ainda pouco adaptado à vida em Moscovo. Kashkin um dos grandes amigos do compositor escrve que "Na aparência exterior Tchaikovsky produzia uma aparência favorável, mas o mesmo já não se pode dizer quanto à sua forma de vestir". É por causa disso que Tchaikovsky herda, oferecido por Nicholas Rubinstein um sobretudo pertença de Wieniawsky.
No começo da sua carreira como professor, Tchaikovsky utiliza em grande parte o método do seu antigo professor Zaremba embora depois pouco a pouco tenha adquirido um programa próprio apesar de nunca se ter considerado um grande professor. A verdade é que o seu gosto pelo detalhe e pelo método, a sua dedicação, a memória impressionante para exemplos musicais com que ilustrava as suas aulas faziam dele um professor de excepção, muito melhor do que o próprio Tcahikovsky pensava.
Nesta altura da sua vida as referências musicais do compositor eram Glinka, Mozart e Beethoven preferindo Schumann a Chopin, embora nesses primeiros anos em Moscovo ao ouvir Chopin interpretado por Rubinstein e Wieniawsky o tenha gradualmente apreciado mais.
Culturalmente Tchaikovsky conhecia bem a literatura Russa e dominava o Francês. Apreciava Tolstoi e Ostrovsky, que aliás conhecia pessoalmente dos ciclos culturais de Moscovo e que viria a ceder-lhe o material para o libreto da sua primeira ópera Voyevoda (1867) (Op. 3) - esta ópera foi destruída pelo compositor embora tenha sido reconstruída a partir de esboços e as partituras de Orquestra existentes.
No período entre 1866 e 1868 Tchaikovsky estava a trabalhar em simultâneo no seu poema sinfónico "Winter Days" que viria a tornar-se a sua Primeira Sinfonia e que como sabemos sofreu a rejeição dos seus mestres Anton Rubinstein e Zaremba, para grande desgosto de Tchaikovsky e a sua ópera Voyevoda que viria a ser um relativo fracasso em grande parte devido a um naipe de cantores de qualidade inferior e uma orquestra inferior numa Moscovo então inteiramente dominada pela Ópera Italiana.
Podemos dizer assim que as primeiras experiências enquanto compositor não foram propriamente um sucesso estrondoso ... e não fosse alguma (bastante) persistência do compositor e teriamos perdido algumas das obras primas da música clássica.
A única música que precisa de embalagem é a música de plástico.
sábado, 7 de fevereiro de 2009
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009
Tchaikovsky (1840 -1893) : Uma biografia - O nascimento de uma vocação
Esta biografia é baseada em grande parte no resumo do livro:
TCHAIKOVSKY
HIS LIFE AND WORKS, WITH EXTRACTS
FROM HIS WRITINGS, AND THE
DIARY OF HIS TOUR
ABROAD IN 1888
de Rosa Newmarch (traduzi a partir da versão inglesa) editado em 1900, seis anos apenas após o falecimento do grande compositor.
Pyoytr Ilyich Tchaikovsky nasceu a 7 de Maio de 1840 em Votinsk na província de Viatka. O pai era um engenheiro de minas. A mãe russa de vaga descendência francesa é tida como sendo fria e distante. De origens relativamente modestas Tchaikovsky apesar de ter desde muito cedo demonstrado forte aptitude musical foi obrigado a estudar numa escola de direito.
Aparentemente uma série de coincidências acabou por levar Tchaikovsky a considerar a música como carreira. Em primeiro lugar a escola de direito paradoxalmente respirava música graças ao seu patrono em segundo lugar uma competição com amigo leva-o a ter aulas de composição.
É assim que em 1861 entra na classe de composição do professor Zarenka no conservatório embora sem realmente ter a certeza da sua vocação. É nessas aulas que ocorre a ultima das consequências que vai levar Tchaikovsky a considerar a profissão de compositor.
Na realidade Anton Rubinstein tinha por hábito assistir às aulas de Zarenka e um dia vendo a facilidade de Tchaikovsky mas ao mesmo tempo o seu pouco cuidado fala com Tchaikovsky num misto de reprimenda e de encorajamento que o compositor nunca esqueceria e o levaria a tomar a decisão de abandonar o seu posto de jurista para abraçar a carreira de músico.
Este post é o primeiro de uma sequência biográfica sobre Tchaikovsky. Leia a segunda parte aqui.
TCHAIKOVSKY
HIS LIFE AND WORKS, WITH EXTRACTS
FROM HIS WRITINGS, AND THE
DIARY OF HIS TOUR
ABROAD IN 1888
de Rosa Newmarch (traduzi a partir da versão inglesa) editado em 1900, seis anos apenas após o falecimento do grande compositor.
Pyoytr Ilyich Tchaikovsky nasceu a 7 de Maio de 1840 em Votinsk na província de Viatka. O pai era um engenheiro de minas. A mãe russa de vaga descendência francesa é tida como sendo fria e distante. De origens relativamente modestas Tchaikovsky apesar de ter desde muito cedo demonstrado forte aptitude musical foi obrigado a estudar numa escola de direito.
Aparentemente uma série de coincidências acabou por levar Tchaikovsky a considerar a música como carreira. Em primeiro lugar a escola de direito paradoxalmente respirava música graças ao seu patrono em segundo lugar uma competição com amigo leva-o a ter aulas de composição.
É assim que em 1861 entra na classe de composição do professor Zarenka no conservatório embora sem realmente ter a certeza da sua vocação. É nessas aulas que ocorre a ultima das consequências que vai levar Tchaikovsky a considerar a profissão de compositor.
Na realidade Anton Rubinstein tinha por hábito assistir às aulas de Zarenka e um dia vendo a facilidade de Tchaikovsky mas ao mesmo tempo o seu pouco cuidado fala com Tchaikovsky num misto de reprimenda e de encorajamento que o compositor nunca esqueceria e o levaria a tomar a decisão de abandonar o seu posto de jurista para abraçar a carreira de músico.
Este post é o primeiro de uma sequência biográfica sobre Tchaikovsky. Leia a segunda parte aqui.
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009
Recomendações de música para o fim de semana
Este post é também publicado no blog Folhas Pautadas.
Começando as recomendações pelo Sul do País temos no Algarve a Orquestra do Algarve dirigida por Laurent Wagner no Aunditório Municipal de Albufeira na Sexta-Feira às 21:30. Obras de Haydn, Mozart e Sergei Prokofiev.
Passando para Lisboa temos a OML dirigida por César Viana e com o barítono João Merino também na Sexta-Feira às 21:30 na Aula Magna por ocasião da celebração dos 400 anos sobre o nascimento do Padre António Vieira. Serão interpretadas obras de Sousa Carvalho, Lourenço Rebelo e Rameau.
Continuando na zona de Lisboa mais precisamente no Monte Estoril (Cascais) teremos um Recital de Violino e Piano por Bruno Monteiro e João Paulo Santos no Museu da Música Portuguesa - Casa Verdades de Faria no Sábado 7 de fevereiro às 18h. Serão interpretadas obras de Brahms, Fauré, Grieg e Sarasate.
Continua nestas nossas recomendações o Quarteto Capela que estará na Quinta da Encosta (Sassoeiros-Cascais) acompanhado de Miguel Carvalhinho na guitarra Sábado 7 de Fevereiro às 21:30. Serão interpretadas obras de Joseph Haydn, Luigi Boccherini e Franz Schubert.
Em Espinho teremos a Orquestra Clássica de Espinho com a Soprano Dora Rodrigues e dirigida por Pedro Neves no Auditório de Espinho Sábado 7 de Fevereiro às 21:30. Participa também o
Coro dos Amigos da Academia de Música de Espinho dirigido por Fausto Neves. O programa será composto por obras de Bach.
Começando as recomendações pelo Sul do País temos no Algarve a Orquestra do Algarve dirigida por Laurent Wagner no Aunditório Municipal de Albufeira na Sexta-Feira às 21:30. Obras de Haydn, Mozart e Sergei Prokofiev.
Passando para Lisboa temos a OML dirigida por César Viana e com o barítono João Merino também na Sexta-Feira às 21:30 na Aula Magna por ocasião da celebração dos 400 anos sobre o nascimento do Padre António Vieira. Serão interpretadas obras de Sousa Carvalho, Lourenço Rebelo e Rameau.
Continuando na zona de Lisboa mais precisamente no Monte Estoril (Cascais) teremos um Recital de Violino e Piano por Bruno Monteiro e João Paulo Santos no Museu da Música Portuguesa - Casa Verdades de Faria no Sábado 7 de fevereiro às 18h. Serão interpretadas obras de Brahms, Fauré, Grieg e Sarasate.
Continua nestas nossas recomendações o Quarteto Capela que estará na Quinta da Encosta (Sassoeiros-Cascais) acompanhado de Miguel Carvalhinho na guitarra Sábado 7 de Fevereiro às 21:30. Serão interpretadas obras de Joseph Haydn, Luigi Boccherini e Franz Schubert.
Em Espinho teremos a Orquestra Clássica de Espinho com a Soprano Dora Rodrigues e dirigida por Pedro Neves no Auditório de Espinho Sábado 7 de Fevereiro às 21:30. Participa também o
Coro dos Amigos da Academia de Música de Espinho dirigido por Fausto Neves. O programa será composto por obras de Bach.
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009
Henri Duparc (1848 - 1933)
Continuamos hoje numa sequência de post sobre alguns compositores franceses do período romântico enquanto não fechamos a série sobre Tchaikovsky com a sua biografia.
Henri Duparc nasceu a 21 de Janeiro de 1848 em Paris. Estudou piano com César Franck (de que falaremos neste blog dado que a sua Sonata para Violino e Piano é uma das minhas peças preferidas) tendo sido um dos primeiros membros da Sociedade Nacional de Música fundada por Saint-Saens.
A vida de Henri Duparc é marcada pela sua doença (neurastenia) que não só o faz abandonar a composição aos 36 anos de idade como também o fez destruir uma grande parte da sua obra deixando apenas cerca de 40 composições.
Em 1868 publica a sua primeira obra: "Cinco Melodias" que curiosamente foi uma das que prevaleceu apesar das dúvidas do compositor sobre algumas dessas obras. Entre as obras destruídas figura a sua ópera inacabada intitulada Roussalka. Duparc explica essa destruição e outras em cartas frequentemente pungentes enviadas aos seus amigos.
Duparc foi também um notável compositor de canções sendo aliás nesse género que ainda hoje algumas das suas composições são interpretadas. Entre essas canções algumas com poemas de Baudelaire são especialmente notáveis.
Seleccionei uma destas canções em grande parte porque este poema é um dos meus preferidos. Trata-se de "Invitation au Voyage" que pode ouvir aqui.
Minha criança, minha irmã
Sonha com a doçura
de ir até lá viver juntos !
Amar à vontade,
Amar e morrer
No país que contigo se parece!
Os sois molhados
dos teus céus embrulhados
têm para o meu espírito o charme
Tão misterioso
De teus olhos traiçoeiros
Brilhando através das suas lágrimas.
Mon enfant, ma soeur,
Songe à la douceur
D'aller là-bas vivre ensemble !
Aimer à loisir,
Aimer et mourir
Au pays qui te ressemble !
Les soleils mouillés
De ces ciels brouillés
Pour mon esprit ont les charmes
Si mystérieux
De tes traîtres yeux,
Brillant à travers leurs larmes.
Lá tudo é ordem e beleza,
Luxo, calma e volúpia.
Là, tout n'est qu'ordre et beauté,
Luxe, calme et volupté.
Móveis luzidios
Polidos pelos anos
Decorariam o nosso quarto;
As flores mais raras
juntando os seus aromas
aos vago perfume do âmbar,
Os tectos ricos
os espelhos profundos
o esplendor oriental
tudo falaria
à alma em segredo
a sua doce língua natal
Des meubles luisants,
Polis par les ans,
Décoreraient notre chambre ;
Les plus rares fleurs
Mêlant leurs odeurs
Aux vagues senteurs de l'ambre,
Les riches plafonds,
Les miroirs profonds,
La splendeur orientale,
Tout y parlerait
À l'âme en secret
Sa douce langue natale.
Lá tudo é ordem e beleza,
Luxo, calma e volúpia.
Là, tout n'est qu'ordre et beauté,
Luxe, calme et volupté.
Vê nesses canais
dormir esses barcos
de humor vagabundo
É para saciar
os teus menores desejos
que eles vêm do fim do mundo
Os sois que se põem
revestem o campo
os canais, a cidade inteira
de jacintos e de ouro;
o mundo adormece
numa quente luz.
Vois sur ces canaux
Dormir ces vaisseaux
Dont l'humeur est vagabonde ;
C'est pour assouvir
Ton moindre désir
Qu'ils viennent du bout du monde.
- Les soleils couchants
Revêtent les champs,
Les canaux, la ville entière,
D'hyacinthe et d'or ;
Le monde s'endort
Dans une chaude lumière.
Lá tudo é ordem e beleza,
Luxo, calma e volúpia.
Là, tout n'est qu'ordre et beauté,
Luxe, calme et volupté.
Duparc faleceu a 12 de Fevereiro de 1933 em Mont-de-Marsan.
Henri Duparc nasceu a 21 de Janeiro de 1848 em Paris. Estudou piano com César Franck (de que falaremos neste blog dado que a sua Sonata para Violino e Piano é uma das minhas peças preferidas) tendo sido um dos primeiros membros da Sociedade Nacional de Música fundada por Saint-Saens.
A vida de Henri Duparc é marcada pela sua doença (neurastenia) que não só o faz abandonar a composição aos 36 anos de idade como também o fez destruir uma grande parte da sua obra deixando apenas cerca de 40 composições.
Em 1868 publica a sua primeira obra: "Cinco Melodias" que curiosamente foi uma das que prevaleceu apesar das dúvidas do compositor sobre algumas dessas obras. Entre as obras destruídas figura a sua ópera inacabada intitulada Roussalka. Duparc explica essa destruição e outras em cartas frequentemente pungentes enviadas aos seus amigos.
Duparc foi também um notável compositor de canções sendo aliás nesse género que ainda hoje algumas das suas composições são interpretadas. Entre essas canções algumas com poemas de Baudelaire são especialmente notáveis.
Seleccionei uma destas canções em grande parte porque este poema é um dos meus preferidos. Trata-se de "Invitation au Voyage" que pode ouvir aqui.
Minha criança, minha irmã
Sonha com a doçura
de ir até lá viver juntos !
Amar à vontade,
Amar e morrer
No país que contigo se parece!
Os sois molhados
dos teus céus embrulhados
têm para o meu espírito o charme
Tão misterioso
De teus olhos traiçoeiros
Brilhando através das suas lágrimas.
Mon enfant, ma soeur,
Songe à la douceur
D'aller là-bas vivre ensemble !
Aimer à loisir,
Aimer et mourir
Au pays qui te ressemble !
Les soleils mouillés
De ces ciels brouillés
Pour mon esprit ont les charmes
Si mystérieux
De tes traîtres yeux,
Brillant à travers leurs larmes.
Lá tudo é ordem e beleza,
Luxo, calma e volúpia.
Là, tout n'est qu'ordre et beauté,
Luxe, calme et volupté.
Móveis luzidios
Polidos pelos anos
Decorariam o nosso quarto;
As flores mais raras
juntando os seus aromas
aos vago perfume do âmbar,
Os tectos ricos
os espelhos profundos
o esplendor oriental
tudo falaria
à alma em segredo
a sua doce língua natal
Des meubles luisants,
Polis par les ans,
Décoreraient notre chambre ;
Les plus rares fleurs
Mêlant leurs odeurs
Aux vagues senteurs de l'ambre,
Les riches plafonds,
Les miroirs profonds,
La splendeur orientale,
Tout y parlerait
À l'âme en secret
Sa douce langue natale.
Lá tudo é ordem e beleza,
Luxo, calma e volúpia.
Là, tout n'est qu'ordre et beauté,
Luxe, calme et volupté.
Vê nesses canais
dormir esses barcos
de humor vagabundo
É para saciar
os teus menores desejos
que eles vêm do fim do mundo
Os sois que se põem
revestem o campo
os canais, a cidade inteira
de jacintos e de ouro;
o mundo adormece
numa quente luz.
Vois sur ces canaux
Dormir ces vaisseaux
Dont l'humeur est vagabonde ;
C'est pour assouvir
Ton moindre désir
Qu'ils viennent du bout du monde.
- Les soleils couchants
Revêtent les champs,
Les canaux, la ville entière,
D'hyacinthe et d'or ;
Le monde s'endort
Dans une chaude lumière.
Lá tudo é ordem e beleza,
Luxo, calma e volúpia.
Là, tout n'est qu'ordre et beauté,
Luxe, calme et volupté.
Duparc faleceu a 12 de Fevereiro de 1933 em Mont-de-Marsan.
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