Escrevo esta curta nota biográfica respondendo a uma sugestão do nosso atento leitor pianoman. Na verdade em boa hora o fiz porque fiquei a conhecer, e a desejar conhecer melhor a vida daquele que poderia ter sido o melhor pianista português de sempre, e que o terá sido segundo alguns claro.
O que aqui vos conto resulta em grande parte deste artigo que por sua vez faz referência a um artigo da revista Atlantico que infelizmente já não se encontra online (pelo menos não encontrei). Esse excelente artigo da Atlantico (Outubro de 2005) da autoria de Pedro Dordio está felizmente transcrito na sua totalidade na primeira fonte que citei, pelo que não o transcrevo aqui. Fiquem aqui com um breve "resumo" porque muito mais haveria para dizer ...
Sérgio Varella-Cid nasceu em Lisboa a 5 de Outubro de 1937. Era filho de Lourenço Varela Cid pianista e professor do conservatório , também lisboeta e de Dora Soares Varela Cid violinista natural do Pará (Brasil).
O Jovem Sérgio deste muito novo revelou possuír um talento indiscutível para as teclas dando aos oito anos o seu primeiro concerto no ginásio do Liceu Camões e aos dez o primeiro recital público no Tivoli. O sucesso destas apresentações eleva-o desde logo a categoria de menino prodigio com concertos em várias cidades da Europa: Paris, Madrid, Escandinávia.
Porém o pai possivelmente já se apercebeu também que o talento de Sérgio tem de ser disciplinado pelo estudo e é assim que em 1955 Sérgio vai para Londres estudar com Benno Moiseiwitsch (1890-1963) de origem Ucraniana e aluno de Rubinstein. A escolha pese a sua excelência não terá sido a melhor no sentido da disciplina dado que Moiseiwitsch se caracterizava sobretudo pela sua enorme "liberdade" o que aliás se ajustava perfeitamente às características de Varella-Cid.
O facto é que entre 1955 e 1962, Varela Cid acumula prémios dos quais o maior (ainda antes de 1955) terá sido a famosa frase de Rubinstein "Este poderá ser o meu sucessor". Vence 1955 o 1º Prémio do Conservatório, em 1957 o 1º Prémio Concurso Internacional Magda Tagliaferro ainda em 1957 o 4º Prémio do Concurso Internacional de Música Vianna da Motta e em 1962 o 6º lugar no primeiro concurso Internacional Van Cliburn.
Em 1972 no auge das suas capacidades, imediatamente após ter dado uma série de concertos com sucesso no Canergie Hall e dois anos depois de ter ganho o prémio da Imprensa com a sua gravação integral dos concerto de Beethoven abandona a carreira de pianista.
Desapareceu em São Paulo a 26 de Junho de 1981 onde tinha fixado residência a partir de 1979. Diz Vitorino de Almeida que Varella-Cid tinha alma de aventureiro ao jeito de Arséne Lupin, ao jeito de Rimbaud diria eu, um gosto inexplicável pelo marginal.
Suspeita-se que tenha sido assassinado por Hosmany Ramos que numa recente entrevista ao Expresso que pode ouvir aqui explica a natureza da sua relação com o pianista português e nega a autoria do crime. Porém deve-se dar a credibilidade que tem um homem acusado de múltiplos crimes, foragido e mentiroso compulsivo ...
Certo é que Sérgio Varella-Cid tinha tudo para ser um pianista de eleição e que pese ter rivalizado com Sequeira Costa nos anos 50-60 esteve muito longe de realizar todo o seu potencial, pelo menos se acreditarmos na validade da profecia de Rubinstein.
A única música que precisa de embalagem é a música de plástico.
domingo, 1 de março de 2009
sábado, 28 de fevereiro de 2009
Johann Strauss II (1825 - 1899)
Hoje resolvemos falar-vos de um compositor que se notabilizou num tipo muito especifico de composição: A Valsa.
Confesso que para mim este compositor é bastante especial porque foi precisamente a ouvir a valsa que comecei a gostar de música clássica. Como já contei aqui, para os mais novos isto vai parecer quase uma história de encantar, quando tinha 11/12 anos apenas existiam dois canais de televisão (e mesmo assim um deles nem emitia sempre), tínhamos só uma televisão na casa e quanto a gira-discos bem em minha casa havia o do meu pai no qual não podia mexer.
Rádios tinha alguns mas confesso que na altura desconhecia a existência de uma Rádio Clássica. E de qualquer forma estamos a falar daqueles pequenos rádios de pilhas que serviam muito bem para os relatos de futebol ou de Hoquei mas dificilmente para ouvir música ... IPod ou walkmans (com K7´s) ainda não existiam e portanto o nosso acesso à música era muito mais complicado.
Ora bem acontece que a minha mãe possuía um velho giradiscos e juntamente com esse giradiscos um fantástico acervo de alguns 45 rpms entre os quais bastante música francesa e alguns discos de música clássica. Entre esses havia um de que devo ter gasto os sulcos: No lado A tinha o Danúbio Azul do nosso convidado de hoje e no lado B, a Valsa do Imperador do mesmo compositor. Também havia Chopin lembro-me ...
Johann Strauss II nasceu a 25 de Outubro de 1825 em Viena filho do também famoso compositor Johann Strauss I. Curiosamente o seu pai preferia que o filho seguisse a carreira de banqueiro e não a de músico. Foi assim às escondidas do pai que estudou música até ao fim da adolescência. Quando o pai saíu de casa foi-lhe então possível assumir abertamente a sua paixão.
Os primeiros anos da sua vida enquanto músico não foram fáceis sobretudo porque devido às suas ideias revolucionárias muitos dos possíveis contratos eram praticamente impossíveis de obter. Ainda por cima as relações com o seu pai eram no minimo tensas, perturbadas por uma intensa rivalidade.
As suas valsas mais conhecidas foram compostas a partir de 1867 começando precisamente com o Danúbio Azul (1867), Bosques de Viena (1868), Sangue Vienense (1873), Rosas do Sul (1880) e a Valsa do Imperador (1888).
Para além das valsas Johann Strauss também escreveu algumas operetas entre as quais a mais famosa será "O Morcego" ou o "Barão Cantor".
Strauss faleceu em Viena a 3 de Viena de 1899.
Confesso que para mim este compositor é bastante especial porque foi precisamente a ouvir a valsa que comecei a gostar de música clássica. Como já contei aqui, para os mais novos isto vai parecer quase uma história de encantar, quando tinha 11/12 anos apenas existiam dois canais de televisão (e mesmo assim um deles nem emitia sempre), tínhamos só uma televisão na casa e quanto a gira-discos bem em minha casa havia o do meu pai no qual não podia mexer.
Rádios tinha alguns mas confesso que na altura desconhecia a existência de uma Rádio Clássica. E de qualquer forma estamos a falar daqueles pequenos rádios de pilhas que serviam muito bem para os relatos de futebol ou de Hoquei mas dificilmente para ouvir música ... IPod ou walkmans (com K7´s) ainda não existiam e portanto o nosso acesso à música era muito mais complicado.
Ora bem acontece que a minha mãe possuía um velho giradiscos e juntamente com esse giradiscos um fantástico acervo de alguns 45 rpms entre os quais bastante música francesa e alguns discos de música clássica. Entre esses havia um de que devo ter gasto os sulcos: No lado A tinha o Danúbio Azul do nosso convidado de hoje e no lado B, a Valsa do Imperador do mesmo compositor. Também havia Chopin lembro-me ...
Johann Strauss II nasceu a 25 de Outubro de 1825 em Viena filho do também famoso compositor Johann Strauss I. Curiosamente o seu pai preferia que o filho seguisse a carreira de banqueiro e não a de músico. Foi assim às escondidas do pai que estudou música até ao fim da adolescência. Quando o pai saíu de casa foi-lhe então possível assumir abertamente a sua paixão.
Os primeiros anos da sua vida enquanto músico não foram fáceis sobretudo porque devido às suas ideias revolucionárias muitos dos possíveis contratos eram praticamente impossíveis de obter. Ainda por cima as relações com o seu pai eram no minimo tensas, perturbadas por uma intensa rivalidade.
As suas valsas mais conhecidas foram compostas a partir de 1867 começando precisamente com o Danúbio Azul (1867), Bosques de Viena (1868), Sangue Vienense (1873), Rosas do Sul (1880) e a Valsa do Imperador (1888).
Para além das valsas Johann Strauss também escreveu algumas operetas entre as quais a mais famosa será "O Morcego" ou o "Barão Cantor".
Strauss faleceu em Viena a 3 de Viena de 1899.
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009
Tchaikovsky (1840 -1893) : Uma biografia - Os azares das estreias
Não deve ser fácil encontrar um compositor que tenha tido de forma tão consistente "azar" com as estreias das suas obras. Estamos agora em 1874 e para trás tinha ficado já a estreia da primeira sua primeira sinfonia em 1868, acolhida sem grande entusiasmo, a Vovodea a sua primeira ópera interpretada por artistas de segunda categoria em 1869, a simples recusa da segunda ópera Undina nesse mesmo ano, a estreia de Romeo e Julieta que começa por passar desapercebida na sua estreia em 1870 simplesmente por ter coincidido com a absolvição de Rubinstein num qualquer caso em que era acusado, as estreia da sua Sinfonia nº2 e da fantasia "A Tempestade" em 1873 qualquer uma delas sem grande sucesso: As reacções foram muito variadas indo desde a indiferença ao ódio.
E finalmente em 1874 na estreia do seu concerto Nº 1 para piano possivelmente uma das obras mais emblemáticas de todo o reportório clássico também ela recebida de forma relativamente fria a começar por Rubinstein que considera o concerto demasiado mau para lhe ser dedicado ...
Porém Tchaikovsky tinha já por essa altura aprendido alguma coisa com os anteriores fracassos e recusou-se a mudar uma nota que fosse ...
E finalmente em 1874 na estreia do seu concerto Nº 1 para piano possivelmente uma das obras mais emblemáticas de todo o reportório clássico também ela recebida de forma relativamente fria a começar por Rubinstein que considera o concerto demasiado mau para lhe ser dedicado ...
Porém Tchaikovsky tinha já por essa altura aprendido alguma coisa com os anteriores fracassos e recusou-se a mudar uma nota que fosse ...
Recomendação Especial - Folefest 2009 - Castelo Branco
Caros amigos,
Para além das recomendações normais do fim de semana quem estiver na zona de Castelo Branco não deixe de ver o programa do Folefest 09, o concurso e festival de Acordeão. Podem ver todos os detalhes aqui . Se puderem não deixem de aproveitar para conhecer um instrumento que sofre de um estigma de todo imerecido ...
Já sabem, deixem as pantufas em casa e aproveitem para passar um Sábado ou uma noite de Sexta-feira diferentes. Ao vivo é outra coisa ...
Para além das recomendações normais do fim de semana quem estiver na zona de Castelo Branco não deixe de ver o programa do Folefest 09, o concurso e festival de Acordeão. Podem ver todos os detalhes aqui . Se puderem não deixem de aproveitar para conhecer um instrumento que sofre de um estigma de todo imerecido ...
Já sabem, deixem as pantufas em casa e aproveitem para passar um Sábado ou uma noite de Sexta-feira diferentes. Ao vivo é outra coisa ...
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