sábado, 22 de maio de 2010

Theory in a Box

Nas minhas deambulações pela net encontrei um site chamado "Theory in a Box" que se propõe ensinar em e-learning os fundamentos teóricos musicais. O curso não é grátis pagando-se cerca de 100 dólares para os 10 capítulos. Sinceramente não experimentei mas estou tentado, apesar de ser em Inglês o que dificulta um pouco dado que a tradução do nome das notas ainda não para mim totalmente automática.

Quero dizer se alguém me diz "A Minor" lembro-me de imediato que é Lá menor o Sol (G) ou o Dó (C) também são imediatos já com o B e sobretudo com o E fico muitas vezes a pensar ... 

Vale a pena no entanto verem o video de apresentação deste curso online. Se vier a experimentar contarei. O link que vos enviei é para licenças individuais. Pelo que percebi existem versões para escolas.

Leos Janacek (1854 - 1928)

Enquanto vamos falando da ópera romântica para não nos concentrarmos inteiramente no canto vamos abordando alguns compositores menos conhecidos mas que não deixam por isso de ter obras interessantes.

Hoje vamos falar de Leos Janacek compositor checo do fim do período romântico. Nasceu em Hukvaldy a 3 de Julho de 1854 perto da fronteira da Morávia com a Polónia. Oriundo de uma família modesta cedo demonstrou capacidades musicais. O pai embora insistisse em que seguisse a carreira de professor aceitou que Janacek também aprendesse musica fim para o qual foi para um mosteiro em Brno cidade onde haveria de passar uma grande parte da sua vida ( fotografia retirada do site www.leosjanacek.com.


Terminando os seus estudos de professor começa a sua carreira embora nunca abandonando os estudos de piano e órgão que tinha começado por preferir à composição.

Casa-se relativamente cedo ( 1881 - tinha assim 27 anos) e tem uma filha mas rapidamente separa-se da mulher para uns anos mais tarde se voltar a reconciliar.

Foi um compositor que teve uma enorme dificuldade em conseguir que a sua música fosse apreciada. Conhecido essencialmente pelas suas óperas (sim eu sei que estamos a tentar deixar um pouco em paz este tópico) a sua primeira obra Jenufa apenas foi estreada em Brno quando o compositor tinha já 50 anos imediatamente após o falecimento da sua filha Olga a quem aliás a obra é dedicada. Mostro-vos de seguida uma das árias da ópera. Notem a linguagem musical extraordinariamente actual que faz deste compositor uma ponte entre o romantismo e as escolas nacionais e mesmo a linguagem musical do século XX.  Notem também a intensidade dramática que passa não obstante a total opacidade da língua ...



Janacek escreveu um total de 9 óperas sendo que algumas delas gozam de alguma popularidade neste nosso século XXI (a sua recuperação para o reportório fez-se sobretudo na segunda metade do século XX).

Das suas obras instrumentais vou referir uma que ouvi nos passados Dias da Música   pelo quarteto Leipzig . Trata-se do Quarteto para Cordas nº1 - Kreutzer Sonata que pode ouvir aqui.

Leos Janacek faleceu vitima de pneumonia em Ostrava a 12 de Agosto de 1928 depois de conseguir ter visto algumas das suas obras atingirem grandes sucessos em Praga, Viena e Berlim.

Para quem desejar saber mais recomenda-se o site http://www.leosjanacek.com 

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Barbeiro de Sevilha ( Rossini)

Este é o post inaugural na sequência que ficou combinada com o resultado da vossa votação. Como é usual começamos por dar apenas alguns dados referentes à obra, antes de começar a dar-vos o detalhe da mesma.

Esta ópera foi composta em 1815 tendo sido estreada a 20 de Fevereiro de 1816 no Teatro Argentina em Roma. Reza a história que a ópera não foi muito bem recebida na estreia dado que na audiência estaria uma claque de Paisiello que tinha uns anos antes composto uma ópera com o mesmo enredo.

Isto apesar de Rossini fazer tudo para elogiar o trabalho de Paisiello e ter mesmo proposto um nome alternativo para a sua obra: Almaviva pretendia chamar-lhe. Além de defender que se tratava de uma forma totalmente diferente de exploração da obra de base de Beaumarchais. O libreto é de Cesar Sterbini e não Guiseppe Petrosellini como é muitas vezes indicado (este foi o autor do libretto da obra concebida por Paisiello).

É considerada por muitos o melhor exemplo de ópera cómica sendo actualmente uma das obras mais executadas no mundo fazendo parte do reportório standard de ópera.

Para ilustrar este post com um post só podíamos escolher a ária mais conhecida deste ópera e provavelmente uma das mais conhecidas do reportório operático.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Maestro João Carlos Martins (1940) - Um exemplo de vida

De vez em quando há alguém que nos inspira verdadeiramente. Ontem tive a sorte de ao escrever o post sobre as pesquisas da semana ter conhecimento da experiência de vida do pianista e maestro João Carlos Martins. Posso dizer-vos que hoje ao fazer a pesquisa para este post a minha vida ficou de súbito tão mais rica. Diz o Maestro que tem orgulho de ser Brasileiro. Acho que sim que deve, mas devem também os brasileiros orgulharem-se de terem um músico de semelhante porte e atitude em relação à vida.

Permitam-me os meus leitores brasileiros dizer-vos que hoje, depois de ouvir o documentário de que falo no fim deste post e de ter ouvido uma boa dezena de vezes o hino brasileiro sou também brasileiro. Parafraseando o poeta Chico Buarque de Holanda numa canção louvando uma revolução das flores por terras lusas, mas parafraseando o poeta dizia que com homens destes o Brasil irá certamente um dia cumprir seu ideal.

João Carlos Martins nasceu em São Paulo em 1940 começou desde muito cedo por se afirmar ao piano. Começou com aulas de piano com Aida de Vuono tendo aos 11 anos iniciado lições com aquele que era considerado à altura um dos melhores professores de piano de São Paulo o Russo radicado no Brasil José Kliass.

Com 18 anos foi convidado a participar no festival Casals tendo sido um dos seleccionados para o recital final em Washington. Com 20 anos estreou-se no Carnegie Hall recebendo na altura criticas extraordinárias que o comparavam a Glenn Gould. Foi aliás João Carlos Martins que estreou o Memorial Glenn Gould em Toronto.

Depois dessa estreia foi a aclamação mundial com concertos com as maiores orquestras do mundo e a gravação do Cravo bem Temperado por exemplo que lhe valeu o epíteto de "maior especialista de Bach". Porém no auge da fama quis o destino que em 1969 num acidente num jogo de futebol lhe causasse uma nevralgia. Com esforço conseguiu ultrapassar esse primeiro obstáculo mas ao longo dos anos acabaria por desenvolver um síndrome de esforço repetido que o voltou a afastar do piano.

Abandonou então a sua carreira mas foi durante o tempo que conseguiu resistir à chamada do piano. Desenvolveu então de novo uma técnica diferente para poder tocar com alguns dos dedos que mantinham a destreza. Porém em 1995 na Bulgária ao sair de um ensaio ao ser assaltado uma pancada na cabeça e no braço deixa o lado direito inutilizado.

Mais terapia e  de novo consegue voltar a tocar agora apenas com a mão esquerda aprendendo então o reportório para mão esquerda. Porém infelizmente de novo uma nova operação acaba por tornar completamente impossível tocar piano. O pianista resolve então dedicar-se à regência de orquestra tendo criado vários projectos de divulgação musical entre as quais a Orquestra Jovem Bachiana e o projecto Toca Atitude.

Pelo meio ainda teve tempo de ser Treinador e Manager de boxe e criar uma empresa de construção civil e ser acusado (e ilibado) de irregularidades financeiras.

Não consigo contar número de vezes que recomeçou a sua vida e sobretudo sempre para dar a a volta por cima. As sua actual actividade artística com a Filarmonica Bachiana já o levou de novo ao Carneggie Hall onde se tinha estreado há tantos anos.

A sua actividade na divulgação da música clássica tem paralelo em homens como Bernstein ou Barenboim e isso torna-o imediatamente um dos inspiradores futuros e presentes deste blog.  Para terem uma ideia mais precisa da vida deste grande músico convido-vos a ver o documentário várias vezes premiado.

Podemos também recomendar o livro A Saga das Mãos para quem queira saber mais.



Podem também assistir aqui à cena final da novela onde o Maestro faz um resumo da sua vida nos depoimentos que quem segue a novela já conhece (além de dirigir a orquesta nesse final empolgante). Ah e sim o final não poderia ser mais adequado porque não só a música de Beethoven é uma mensagem de esperança renovada mas porque também ele Beethoven teve de superar a surdez para continuar a compor. Aliás quando Beethoven compõe esta nona sinfonia já está praticamente surdo.

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