sábado, 21 de agosto de 2010

Post nº 1000 : Os vossos comentários a este blog (Parte 35 - 1 a 15 de Setembro de 2009)

No dia 1 de Setembro descobriamos que há violoncelistas que detestam com paixão o Canon de Pachebel e Mário comentava assim : "Divertidíssimo! Devo dizer que eu próprio odeio o Pachelbel, um compositor de pepineiras, mas fiquei banzado com a demonstração do uso do canon pelos U2 (Within you or without you) e Beatles (Let it be). Quem diria !". Pianoman por seu lado dizia-nos que também tinha feito um post sobre esse mesmo vídeo: "É um vídeo realmente divertido. Aqui há cerca de um mês fiz um post com esse vídeo como figura central. Faz parte da série de posts "Plagialismos" e tem disponíveis para audição os vários exemplos musicais que ele refere como "baseados" no Cânone de J. Pachelbel.
o Post em causa pode ser visto AQUI". Ematejoca por seu lado confessava que era neutra em relação ao dito Canon : "Nem gosto nem desgosto do Canon de Pachebel. Nos concertos de verão às quartas-feiras nunca falta. O vídeo era cómico!!! A Literatura e a Música andam de mãos dadas. A sua paixão é a música, a minha a literatura. Nunca lhe ofereci um selinho, porque não é coisa do "Diz que não gosta de música clássica ? "Hoje faço-o, porque o selinho se chama "Literatura é Arte"! Aceite-o, pelo menos pro-forma." Penso que na altura não aceitei o dito selo hoje fica aqui o compromisso de o aceitar "pró-forma". Frioleiras que adora Violoncelo por seu lado também gosta do Canon : "o violoncelo é o meu instrumento musical preferido... e adoro o canon de Pachebel.............". Certo diria eu mas não tem de o tocar no violoncelo :-).

No dia 2 de Setembro a propósito de uma canção de Schumann dizia Ematejoca:

"Im wunderschönen Monat Mai,
Als alle Knospen sprangen,
Da ist in meinem Herzen
Die Liebe aufgegangen.


Im wunderschönen Monat Mai,
Als alle Vögel sangen,
Da habe ich ihr gestanden
Mein Sehnen und Verlangen.


Um dos meus poetas preferidos é o Heinrich Heine, que nasceu em Düsseldorf, mas ainda muito novo foi para Hamburgo, onde morava um tio muito rico. Desde 1831 viveu em Paris, casando e morrendo lá.
Heine e Schumann nunca foram amigos. Quando se encontraram - em Maio de 1828, em Munique - o Heine não ligou nenhuma ao Schumann(o mesmo tinha feito o Goethe a Heine). No seu diário, Schumann escreve, que Heine é um homenzinho irónico "ironisches Männchen", no entanto, o Poeta Heine fica para sempre o seu preferido.A música nunca interessou Heine, de que pouco ou nada sabia. Nos concertos ele morria de tédio.
Há mais ou menos dois anos houve em Düsseldorf na Kunsthalle uma exposição fabulosa sobre estes dois homens: o poeta Heine e o músico Schumann."

No dia 3 de Setembro Ematejoca dizia a propósito da nossa votação para a Sinfonia Preferida : "Compreendo, que o 1º lugar esteja ocupado pela nona sinfonia de Beethoven, e talvez seja também a minha preferida. Para contrariar acabo por votar num outro compositor." . Não pude na altura deixar de felicitar essa atitude "contestatária" : "É assim mesmo ! Queremos é contestatários, ... apesar de claro a nona também ser a minha preferida." Comentário que valeu a resposta de Geocrusoe : "Está a tentar influenciar-me? ;) por enquanto duas das 3 no pódio e a outra faz parte do grupo das aceites. Mantenho, não consigo tirar a que não gosto para pôr Berlioz... paciência!"

A propósito de um post sobre o disco de Rui Paiva dizia Eco : "Tenho ido à FNAC do Colombo e eles nunca têm o cd...Quem sabe indo mesmo ao EL Corte Inglés, eles ainda o tenham..."

A 6 de Setembro dizia Blogger comentando os resultados intermédios da votação da sinfonia preferida: "uma pena haver tanto beethoven! entendo que o homem seja um génio, mas mesmo assim...tchaikovsky nº6, sibelius nº5 :(". Pois eu também achei mas foi a vontade popular. Ainda sobre estes resultados Ematejoca contava-nos que tinha votado em Sibelius: "Votei na Sibelius nº 5, mas mesmo assim a minha preferida é a nona de Beethoven!!! Hoje recebi de presente um DVD: Paavo Järví meets Elisabeth Leonskaja


Johannes Brahms
Concerto para piano e orquestra nº 2


Robert Schumann
Synphony Sibelius nº 1


Conhece o maestro Paavo Järví e a pianista Elisabeth Leonskaja? Eu nunca ouvi falar neles!". Frioleiras por seu lado perguntava se ainda podia votar na Quinta de Mahler: "Eu voto na nr. 5 de Mahler. Posso, ainda?". Não infelizmente não podia.

A 7 de Setembro Fantasia Musical dizia sobre a descoberta do blog Minerva Pop : "Sem dúvida, um blogue a descobrir"

A 8 de Setembro Pianoman apreciava um quadro de Latour : "Este quadro de Latour é óptimo para a nossa série de posts Música & Pintura. Ainda não me tinha lembrado dele! Com a sua permissão, irei incluí-lo num futuro post da referida série." Comentei então que haveria um outro que poderia também fazer parte: "há um outro também do Latour sobre a Sinfonia Fantástica de Berlioz que também podia incluir." mas havia regras pianisticas que o exluiam : "Eu descobri outro dele que se chama "Uma peça de Schumann" de 1864. Esse da Sinfonia Fantástica mostra algum piano? (ou pelo menos um instrumento de tecla?)É que isso tem sido condição necessária para pertencer à nossa série."

A 10 de Setembro Moura Aveirense confessa não suportar vibratto em vozes : "Não suporto vibrato em vozes, dá-me cá uns nervos!". Geocrusoe por seu lado descobria que faltava alguma coisa no ultimo paragrafo : "julgo que falta identificar um período no último parágrafo ou tem esta palavra a mais.Já agora, aquele modo de cantar as óperas de rossini são vibratos em série?". Tarzan por sue lado dizia: "Há alguns anos, o criticomusical.blogspot.com/ apresentou um paper em que se demonstrava, através de gravações muito antigas que a moda do vibrato nas orquestras e instrumentos solísticos é relativamente recente (salvo erro, a partir dos anos 30).
Na música vocal, e dadas as inúmeras evidências de vedetismo e exuberância dos profissionais líricos, acredito que a moda seja bem mais antiga. Pessoalmente irrita-me o vibrato permanente, esteja ele justificado do ponto de vista histórico ou não. O vibrato e os ornamentos perdem a sua eficácia se forem constantemente usados já que deviam ser elementos expressivos. Mal comparado, ouvir uma peça cantada em vibrato permanente é como ler um romance com hipérboles em todas as frases.". Pianoman acrescenta : "A utilização do Vibrato é realmente polémica, mas, como em quase tudo na vida, depende do bom-senso.
Em meados do Século XVIII, Leopold Mozart escreveu num tratado para violino exercícios para praticar algo a que ele chamou de "tremolato" mas que qualquer aluno de violino reconhece como o que se chama vibrato actualmente.
No entanto, o próprio Leopold Mozart queixa-se do uso indiscriminado desse recurso por parte dos violinistas. Isto não significa que não se usava vibrato naquele tempo, mas sim que se usava demais. Isto, obviamente, não significa que não se use vibrato de todo.


A respeito do uso do vibrato, lembro-me de uma enorme polémica que aconteceu nos Proms do ano passado. Isto porque o maestro Roger Norrington decidiu que iria tocar a famosa "Pomp and Circunstance" de Elgar (e também a sua Sinfonia No.1) SEM NENHUM vibrato, pois, segundo ele, o vibrato foi uma invenção do início do Século XX e toda a música anterior a essa data deverá ser tocada sem vibrato. Assim, segundo ele, cumprem-se as intenções de Elgar.". Mário por seu lado gentilmente avisava que tinha citado o nosso blog : "Publiquei no Livro de Areia um post referido a este seu Vibrato, http://olivrodaareia.blogspot.com/2009/09/vibrato-qb-de-david-daniels.html"

A 13 de Setembro dizia Geocrusoe dizia a respeito da ultima fase da votação da sinfonia preferida : "Isto agora é bem mais difícil, queria votar em quase todas... mas optei por manter as minhas 3 votações das fases anteriores. (parece ser a média de votação de cada um)". Ematejoca por seu lado dizia : "Já que se pode votar em 3 sinfonias, vou escolher mais 2 e votar nelas!"


A 14 de Setembro Ematejoca escrevia mais um comentário inspiradíssimo com um poema de Heines: "Outro belo poema do nosso Heine:


Aus meinen Tränen sprießen
Viel blühende Blumen hervor,
Und meine Seufzer werden
Ein Nachtigallenchor.


Und wenn du mich lieb hast, Kindchen,
Schenk' ich dir die Blumen all',
Und vor deinem Fenster soll klingen
Das Lied der Nachtigall.


Quem traduziu para a nossa língua? E aonde é que foi buscar a Primavera?!


PS: Ontem a Clara faria 190 anos!" . E claro que tinha razão quanto à Primavera, tinha sido um erro de tradução ...

Nesse mesmo dia mdsol voltava ao nosso convívio : "Deixo um olá de quem tem andado um tanto dispersa, mas não esquece os cantinhos onde gosta de espreitar :))))"

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Alban Berg, Richard Strauss e Mahler e gráficos

Como foi referido no blog The Rest is Noise foi recentemente publicado um livro Alban Berg and His World editado por Christopher Hailey e que procura esclarecer-nos sobre o papel deste compositor no modernismo vienense. No site da Princepton Press podem ler o primeiro capitulo do livro intitulado Berg´s Worlds gratuitamente assim como ler o Índice completo da obra.

Uma parte particularmente engraçada do livro segundo Alex Ross é uma análise das carreiras de Mahler e de Strauss. Na primeira vemos um gráfico com uma linha recta sempre ascendente. Na de Strauss vemos duas rectas na forma de um triângulo a primeira ascendente a segunda descendente indicando portanto o declinio de Strauss enquanto compositor no fim da sua vida.

Diz Alex Ross que se Berg tivesse ouvido "As Quatro Ultimas Canções" ou "Cappricio" talvez tivesse considerado uma segunda recta ascendente no gráfico de Strauss. Obviamente o de Mahler (digo eu) não se discute :-). No que diz respeito às Quatro Ultimas Canções também partilho a opinião, são efectivamente belíssimas ...

É caso para dizer "Oh da Guarda!"

Chamaram-me a atenção para um caso insólito - à falta de outro adjectivo - que ocorreu em Vila Viçosa localidade do distrito da Guarda. Podem ler uma descrição do caso no Café Mondego que contém igualmente um scan de uma página do Diário de Notícias onde o jornalista Manuel António Pina descreve o sucedido.

Em resumo o Presidente da Junta de Vila Viçosa resolveu boicotar um concerto de música clássica dado num espaço privado e devidamente autorizado à força de ... vuvuzelas no exterior do recinto. A causa para tal boicote não tinha nada a ver com a música mas antes com conflitos passados entre o organizador do concerto e referido Presidente da Junta.

Obviamente que a causa do boicote é irrelevante, imaterial porque fossem quais fossem as razões que eventualmente lhe assistiriam (nem as discuto embora em boa verdade face ao tipo de "vingança" tenda a pensar que poucas serão as probabilidades de lhe assistir alguma) estas estariam irremediavelmente perdidas na altura em soprassem nas ditas. Como digo e repito os fins nunca justificam os meios: Nunca. Nem os músicos nem o público mereceria certamente o tratamento já para não falar do principio em si.

Mas esperem que o melhor ainda está para vir. Foi chamada a polícia obviamente. Que nada fez. Afinal de contas um dos sopradores de vuvuzela era o Presidente da Junta. Aparentemente a policia sabe quem manda na terra demonstrando assim sobeja cultura política.

Pensais que o caso acaba aqui? Pois não. Segundo a novela em causa um dos espectadores era o Director do Teatro Municipal da Guarda que terá tentado incutir bom senso nos "manifestantes" como assim se apregoavam. Rezam os artigos que por causa dessa intervenção o referido Teatro terá o seu orçamento cortado em 20% em 2010 e 30% em 2011.

Confesso-vos que me custa muito acreditar que no meu país alguém com responsabilidades se comporte desta forma como se estivéssemos numa republica de vuvuzelas (para não dizer mal de uma fruta que não tem qualquer tipo de culpa no cartório, já as vuvuzelas merecem ...). Quero ainda acreditar que pelo menos a ultima parte desta história tem outras explicações. Quero acreditar que a não intervenção da polícia se deveu a preferirem as vuvuzelas a Vivaldi ignorando assim a lei em virtude de uma profunda e revolucionária (contemporânea ?) sensibilidade artística. Gostaria ainda de acreditar que não se tratou de um boicote mas da expressão de um profundo sentimento artístico irreprimível, urgente, uma espécie de happening pós-moderno.

Quero acreditar em tudo isso, ignorando as probabilidades, porque qualquer outra explicação vai do muito muito triste pela falta de carácter ao profundamente preocupante pelo abuso de poder. Como vos dizia é caso para gritarmos bem alto: Oh da Guarda ... (some pun intended).

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Vivaldi - Concerto para Flauta em Dó Menor - RV 441

Este concerto (RV 441)  é um dos mais virtuosos concertos do barroco sendo bastante "clássico" na sua estrutura. Foi composto em 1742 sendo um dos dois que Vivaldi compôs para o instrumento. Os três andamentos seguem a sequência andamento rápido - lento - rápido, sendo que cada um dos andamentos foi composto na forma clássica de ritornello.

Para ouvirem este magnifico concerto proponho uma interpretação do flautista sueco Dan Laurin com o Drottningholm Baroque Ensemble. Em qualquer um dos andamentos as passagens em Arpejos são particularmente difíceis do ponto de vista técnico demonstrando que na época a flauta era certamente um instrumento solista por natureza.

I. Allegro non molto
II. Largo - Até ao minuto 2:48 aproximadamente.
III. Allegro - Do minuto 2:48 em diante.

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