quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

A melhor pesquisa de ontem - "o que dar de presente para quem gosta de violino"

É uma boa questão. Depende da idade claro. Depende também se gosta de ouvir tocar ou se prefere ou pretende iniciar-se na arte de tocar o violino. Claro que um qualquer concerto mais relevante do reportório romântico interpretado por um violinista de referência será sempre um bom presente.

Para recomendar algo ligeiramente diferente e que seja mais ou menos universal para todos esses perfis vou propor um documentário que inclui uma série espantosa dos grandes interpretes do instrumento "The Art of Violin" um filme de Bruno Monsaingeon com interpretações de uma verdadeira constelação de estrelas: Enescu, Ferras, Francescatti, Grumiaux, Heifetz, Kogan, Kreisler, Menuhin, Milstein, Neveu, Oistrackh, Ysaÿe entre outros.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Novo documentário sobre João Carlos Martins

A Luciana Nunes deu-nos a conhecer a existência de um novo documentário sobre o maestro João Carlos Martins. Além do excelente filme podem participar num passatempo em que poderão ganhar um livro de José Carlos Monteiro – “História Visual: Cinema Brasileiro”.

Dada a minha profunda admiração pelo maestro João Carlos Martins não podia deixar de vos recomendar ouvirem e verem este magnifico documentário que ilustra perfeitamente a história de superação, a lição de vida que nos proporciona este maestro brasileiro.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Jean Sibelius (1865 - 1957)

Sibelius é um daqueles compositores que me provocam uma grande dose de tristeza por terem sido tão maltratados durante o seu período de vida. No caso de Sibelius porque insistia, graças a Deus :-), em escrever música neo-romântica quando a linguagem do século já era outra ...

Jean Sibelius nasceu em Hämeenlinna no Grão Ducado da Finlândia no dia 8 de Dezembro de 1865  no que era então uma dependência do Império Russo numa família de língua sueca. Porém apesar de toda esta mistura (ou se calhar por causa dela) foi o primeiro dos grandes expoentes (e de certa forma consolidadores) da identidade nacional finlandesa.

No seu livro "The Rest is Noise" Alex Ross dedica um dos seus capítulos intitulando-o Apparition from the Woods: The loneliness of Jean Sibelius. Neste capítulo além da análise das princiipais obras do compositor Finlandês Alex Ross explica-nos uma parte do drama de Sibelius citando um trabalho de Kundera em que ele fala das "Pequenas nações da europa" e do sentimento de isolamento que os heróis nacionais dessas pequenas nações podem sentir. todos sabem de tudo dos seus heróis, não há espaço para o erro. Isto pode ser uma pressão insuportável. Para Sibelius atormentado que estava pela recepção do seu trabalho nos meios intelectuais  europeus, recepção altamente negativa ao ponto de terem apelidado Sibelius "o pior compositor de sempre" pode ter sido um pouco demais ...

Claro que a solidão não provém apenas do facto anterior. ser considerado um elemento "fora de tempo", um compositor sem nada de novo a dizer foi certamente a outra parte do problema de Sibelius. Problema amenizado (ou talvez não, paradoxo resultante do facto anterior) da enorme popularidade de que gozava na Finlândia e nos Estados Unidos onde era considerado nem mais nem menos que o novo Beethoven. Na verdade terá sido necessário chegarmos ao fim do século XX para que alguns musicólogos tenham por fim entendido que estar "a la page" nem sempre é sinónimo de inovação e que por vezes trabalhar em modelos aparentemente do passado pode ser precisamente a expressão de uma voz interior que não liga a épocas ou modas. No que me diz respeito já sabem para onde vão as minhas simpatias. Um dia destes ainda me v~em com calças de sino de novo ...

Há dois tipos de composição onde Sibelius focou o seu talento: O poema sinfónico e a sinfonia. Existem para além destas formas duas outras obras de que estão de certa forma isoladas na obra do compositor mas de que teremos de falar pela sua enorme relevância no trabalho do compositor e sobretudo - pelo menos em um dos casos - na sua relevância no reportório actual. Estamos a falar claro da Valse Triste (Op. 44) composta em 1903 e o famoso concerto para violino e orquestra  Op. 47 (1903-1905).

No que diz respeito ao Poema Sinfónico foi neste tipo de composição que podemos dizer sem exagerar em demasia que uma boa parte da identidade finlandesa se fixou. Não só porque Sibelius soube capturar musicalmente a alma finlandesa (por exemplo indo buscar elementos ao folclore, técnica em que aliás precedeu tanto Bartok como Stranvinsky) como também soube encontrar a poética adequada de base tradicional finlandesa que o fixou definitivamente como um representante nacional ao ponto de hoje se perguntarem a um finlandês o que é próprio à Finlandia possivelmente para além da famosa marca de telemóveis a referência mais frequente será "o nosso Sibelius".  Dessas composições a primeira Kullervo (Op. 7) é baseada no poema épico Kalevala tendo sido o primeiro grande sucesso do compositor. Seguiram-se vários outros dos quais En Saga (Op. 9), Karelia Suite (Op. 10) e  Finlandia (Op. 26).

No que diz respeito às sinfonias Sibelius tal como Beethoven procurou em cada uma das sinfonias basear-se na anterior melhorando-a ou complementando-a na busca da perfeição. Essa procura foi uma das causas adicionais para que Sibelius tenha muito cedo terminado a sua produção enquanto compositor. É conhecido hoje o facto de Sibelius ter destruído a sua oitava sinfonia - aquela que deveria sumarizar tudo o anterior - depois de anos e anos de tentativas (e de ter por várias vezes prometido-a aos seus fãs americanos). Simplesmente Sibelius não se sentia capaz de tal tarefa quer pela tarefa em si quer pela pressão auto-induzida ou induzida pelo exterior. Facto é que essa oitava ficará para sempre apenas como memória do que poderia ter sido.

Das várias sinfonias a ultima (a sétima) composta em 1926 marca o fim do período de produtividade de Sibelius. Depois disso ainda compôs mais algumas obras de música para teatro (para a peça de Shakespeare - A Tempestade) e o poema sinfónico Tapiola mas na realidade nada que tenha o relevo da sua produção passada e sobretudo nada de comparável quanto à quantidade do período anterior.

Sibelius faleceu a 20 de Setembro 1957 no meio da natureza de que tanto gostava.

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Mensagem de Ano Novo

Depois do nosso post de ontem a noite o post de hoje só poderia incluir algumas sugestões para ouvirem música ao vivo neste próximo fim de semana. Para além destas sugestões fica o voto de um excelente 2011 com muita música. Antes das recomendações que vou tentar que incluam o país inteiro quero deixar-vos com uma citação de Leonard Bernstein ...

This will be our response to violence: to make music more intensely, more beautifully and more devotedly than ever before.
Esta será a nossa resposta à violência: Fazer música mais intensamente, com mais beleza e com mais devoção que anteriormente. 


Para começar e para quem tenha a Mezzo claro que podem iniciar os festejos com o Concerto de Ano Novo da Filarmónica de Berlim. Hoje pelas 17:00 com um programa francês (curioso - Berlioz, Saint Saens, ) e com a direcção de orquestra de Dudamel - definitivamente a não perder. Ainda na televisão e para quem goste da música vienense de Strauss o habitual concerto de Ano Novo é este ano transmitido na RTP1 às 14:15 do dia 1.

No que diz respeito a música ao vivo aqui ficam algumas recomendações que cobrem o país de sul a norte
e também as regiões autónoma dos Açores e da Madeira.

Começando pelo Sul do país mais precisamente no Algarve teremos o "Concerto de Ano Novo" com a Orquestra do Algarve dirigida por Osvaldo Ferreira no Casino de Vilamoura no dia 1 de Janeiro pelas 17:30. Será solista a soprano Ana Paula Russo que interpretará árias de Mozart, Bach e Lehár. Serão também interpretados temas de Strauss, Brahms e John Barry. Este concerto repete no dia seguinte pelas 16:00 no Auditório Municipal de Lagoa. Podem ver o programa completo no Site da Orquestra.

Em Lisboa no CCB teremos a Orquestra Metropolitana de Lisboa dirigida por Cesário Costa no dia 1 de Janeiro Sábado. O programa é composto por obras de Johann Strauss (Valsas e Polkas).

Na invicta cidade do Porto teremos um concerto intitulado "Ano Novo, Novo Mundo" com a Orquestra Sinfónica do Porto Casa da Música dirigida por Edwin Outwater. será no domingo dia 2 de Janeiro às 18h num programa em que serão solistas a meio-soprano Nora Sourouzian e o barítono Jason Howard num programa variado e ligeiro próprio de um dia de ano novo. Salientamos porque dele falamos ontem uma obra de John Philip Sousa a "Liberty Bell March".

Um pouco mais a Norte teremos o Mezza Voce Ensemble na Igreja de São Mamede de Ribatua em Alijó no dia 2 de Janeiro pelas 16h. O Concerto está integrado no ciclo "Temporada de Música Antiga no Douro".

O Coral Magistrói de Carapeços dará no Auditório da Câmara Municipal de Barcelos um concerto de Ano Novo às 17h do Domingo 2 de Janeiro.

Em Vila Real no seu teatro teremos o "Concerto de Ano Novo" pela Orquestra Filarmónica Mediterrânea no Sábado às 17h integrado no Festival de Ano Novo 2011 num programa que inclui sobretudo Strauss mas também por Puccini, Bizet e Verdi.

Na Madeira teremos hoje às 21h a Orquestra de Bandolins da Madeira dirigida por Eurico Martins na Igreja Inglesa.

Para os Açores infelizmente apenas conseguimos encontrar uma recomendação para o dia 5 mas vale a pena a espera já que nesse dia poderão ouvir Diana Vieira num recital de Piano no Teatro Micaelense - Centro Cultural e de Congressos. Será às 21:30 e no programa teremos obras de F. Martin, Copland, Schubert e Balakirev.

Boa música e bom ano de 2011 para todos. Até lá muito juízo ou bastante falta dele conforme vos aprouver.

Oportunidades na Amazon