Georges Auric nasceu em Lodéve no Herault, França no dia 15 de Fevereiro de 1899. Desde muito cedo o seu talento para a composição foi claro. Com 13 anos entra no conservatório de Paris na classe de Georges Caussade (Contraponto e Fuga) tendo um ano mais tarde sido aluno de Vincent d´Arcy na Schola Cantorum.
Rapidamente ganha notoriedade enquanto músico vanguardista e faz parte do Grupo dos Seis com Louis Durey, Arthur Honegger,Darius Milhaud,Francis Poulenc, Germaine Tailleferre embora este grupo seja mais uma construção teórica que um agrupamento de sensibilidades tão diversas eram as suas raízes e estéticas. A propósito (embora não sobre este tema) sugiro que oiçam um documento muito interessante em que Cocteau e Auric (entre outros) falam de Satie (em françês). Sobre o tema dos seis isso sim podem também ouvir o próprio Poulenc (também em francês).
Convive nessa altura com os maiores vultos da época Stravinsky, Apollinaire, Radiguet, Braque, Picasso, Léon Bloy, Jacques Maritain. Jean Cocteau, Erik Satie tornando conhecido em 1924 com o ballet "Les Facheux" para os Ballets russos de Diaghilev. Este ballet não só inaugura uma longa série de música para Ballet como acaba por ser também a centelha que o faria tornar-se num dos mais relevantes compositores de música para cinema do século XX.
Neste particular escreveu muitas das bandas sonoras dos filmes de Jean Cocteau entre os quais teremos de destacar a Bela e o Monstro de 1946. Auric viria também a escrever música para filmes de Hollywood tendo nessa altura adquirido fama mundial. Entre esses poderíamos destacar por exemplo Moulin Rouge de John Houston (1952). São destaques no entanto curtos de um dos mais prolíficos autores de música para cinema do século XX. Só para vos dar mais alguns exemplos: Férias em Roma (1953) de Corcunda de Notre Dame (1958) de Delannoy, Bom Dia Tristeza (1958) de Otto Preminger, Os Inocentes (1961) de Jack Clayton, A partir de 1962 quando aceita o cargo de director da Ópera de Paris deixa de compor para Cinema.
Músicou também variadíssimos poemas dos maiores poetas franceses do século XX entre os quais Nerval, Aragon e Eluard, infelizmente não encontro no You Tube registos dessas obras.
Em 1975 termina aquela que viria a ser a sua ultima grande obra "Imaginées", conjunto de seis peças que tanto podem ser interpretadas em conjunto como de forma separada. Estas obras foram dedicadas por vezes aos músicos que as estrearam outras vezes são homenagens a amigos de Auric.
Como as obras para instrumentos de sopro não estão muito representadas neste blog (as minhas desculpas aos instrumentistas desses instrumentos ... não é por má vontade garanto) deixava-vos com o seu Trio para Oboé, Clarinete e Fagote de 1938.
Georges Auric faleceu em Paris no dia 23 de Julho de 1983.
A única música que precisa de embalagem é a música de plástico.
sábado, 12 de novembro de 2011
domingo, 6 de novembro de 2011
Monty Python´s falam sobre Música e Always look on the Bright side of Life
No novo canal dos Monty Phyton - de que sou fã incondicional - encontrei este pequeno video em que o John Cleese fala sobre música ... Posso dizer-vos que o meu respeito subiu (se é que ainda era possível) uns mil pontos ... Já agora neste mesmo canal observem esta excelente produção ao vivo ... com orquestra - fantástico :-) ... Always look on the Bright side of Life (parte da produção Not the Messiah - humor ao mais alto nível). Prometo um post um pouco mais sério (ou não) ainda hoje !
terça-feira, 1 de novembro de 2011
Juan Crisóstomo de Arriaga (1806-1826)
Continuamos hoje a nossa divulgação de alguns compositores um pouco menos conhecidos que vamos encontrando na obra "Guia da Música de Câmara" de François-René Tranchefort publicada em Portugal pela Gradiva. Este texto baseia-se em parte no que é escrito nesse livro e em outras fontes encontradas e mencionadas no texto sempre que tal for relevante.
Juan Crisóstomo de Arriaga nasceu em Bilbao a 27 de Janeiro de 1806, exactamente 50 anos após Mozart. Não se sabe se por essa razão se por simples coincidência o pai abastado comerciante e músico amador dá-lhe como dois primeiros nomes os de Mozart.
Se fossemos supersticiosos diríamos que esse baptismo foi simultâneamente uma bênção e uma praga. Bênção porque o jovem Juan cedo começa tal como Mozart a revelar um enorme génio tornando-se tal como o seu homónimo uma criança prodígio.
Compõe a sua primeira ópera com apenas 13 anos (infelizmente dessa obra "Os Escravos Felizes") subsistem apenas a abertura e alguns fragmentos.
O pai reconhecendo o seu enorme talento envia-o para Paris onde estuda com Baillot e Fétis onde rapidamente completa o curso tornando-se assistente de Fétis. Infelizmente por causas desconhecidas acabaria por falecer em Paris a 17 de Janeiro de 1926 antes de completar o seu vigésimo aniversário .
Todas estas coincidências levaram-no ao cognome de "Mozart Espanhol" que se face à dimensão da obra é sem dúvida um pouco exagerado já quanto ao potencial e ao estilo é uma designação bastante próxima. Na realidade apesar de ser contemporâneo de Beethoven o seu estilo é mais próximo de Mozart e de Hayden do que do pré-romantismo ou mesmo do romantismo de Beethoven.
Das suas obras hoje em dia há três quartetos para cordas (os unicos publicados em vida do compositor) que são frequentemente interpretados. Entre esses o mais interessante será o terceiro de que vos deixamos aqui uma interpretação pelo Quarteto Quiroga.
Juan Crisóstomo de Arriaga nasceu em Bilbao a 27 de Janeiro de 1806, exactamente 50 anos após Mozart. Não se sabe se por essa razão se por simples coincidência o pai abastado comerciante e músico amador dá-lhe como dois primeiros nomes os de Mozart.
Se fossemos supersticiosos diríamos que esse baptismo foi simultâneamente uma bênção e uma praga. Bênção porque o jovem Juan cedo começa tal como Mozart a revelar um enorme génio tornando-se tal como o seu homónimo uma criança prodígio.
Compõe a sua primeira ópera com apenas 13 anos (infelizmente dessa obra "Os Escravos Felizes") subsistem apenas a abertura e alguns fragmentos.
O pai reconhecendo o seu enorme talento envia-o para Paris onde estuda com Baillot e Fétis onde rapidamente completa o curso tornando-se assistente de Fétis. Infelizmente por causas desconhecidas acabaria por falecer em Paris a 17 de Janeiro de 1926 antes de completar o seu vigésimo aniversário .
Todas estas coincidências levaram-no ao cognome de "Mozart Espanhol" que se face à dimensão da obra é sem dúvida um pouco exagerado já quanto ao potencial e ao estilo é uma designação bastante próxima. Na realidade apesar de ser contemporâneo de Beethoven o seu estilo é mais próximo de Mozart e de Hayden do que do pré-romantismo ou mesmo do romantismo de Beethoven.
Das suas obras hoje em dia há três quartetos para cordas (os unicos publicados em vida do compositor) que são frequentemente interpretados. Entre esses o mais interessante será o terceiro de que vos deixamos aqui uma interpretação pelo Quarteto Quiroga.
segunda-feira, 31 de outubro de 2011
Hélène Grimaud e a querela com Abbado
No Blog The Rest is Noise chamam-nos a atenção para um artigo do The New Yorker em que se conta a história da querela de Hélène Grimaux e Claudio Abbado. Na verdade o artigo intitulado Her Way - A pianist of strong opinions é muito mais do que a simples descrição desse fait-divers. É um perfil excelente não só da artista como também das escolhas e do custo da independência dessas escolhas. Numa altura em que sair da norma artística é um risco Hélène Grimaux não deixa nunca de manifestar as suas interpretações. Nós apreciamos e recomendamos a leitura do longo artigo de sete páginas ao som da interpretação que se segue, repetida se preciso for (ctrl+click para abrir numa outra janela o link).
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