domingo, 6 de janeiro de 2013

A pesquisa da Semana (#01 de 2013) -. Qual a melhor Sinfonia de Mozart?

Bom de todas as pesquisas que foram feitas no site no total de 192 eleger uma não é fácil. Muitas houve que tiveram a sua resposta imediata porque foram sobre listas de músicos ou de maestros ou de obras, tudo coisas que já estão publicadas e que por isso esperamos que tenham sido apreciadas.

Das que não obtiveram resposta porque simplesmente nunca abordei esse assunto a que chamou a minha atenção foi: Qual a melhor sinfonia de Mozart ? 

Em primeiro lugar convirá referir que Mozart compôs um número indeterminado de sinfonias. Este número é indeterminado por duas razões: Em primeiro lugar algumas sinfonias que lhe são ainda atribuídas são de origem discutível. Em segundo lugar existem alguma sinfonias que se crê terem sido efectivamente compostas mas cujas partituras estão perdidas. Em terceiro lugar e por fim existem alguma obras incompletas.

Feitas as contas Mozart não chega a Haydn e as suas 106 Sinfonias mas ultrapassa largamente Beethoven e as suas nove. Diremos prudentemente que Mozart terá composto entre 40 a 50 Sinfonias. Mozart compôs a sua primeira Sinfonia K. 16 com apenas 8 anos. Não é um erro tipográfico eu escrevi mesmo OITO anos. Em três andamentos apenas (portanto ainda sem a forma que viria a caracterizar definitivamente o género) mas já uma obra notável. São apenas cerca de 12 minutos de música, portanto longe ainda da duração "normal" deste tipo de obra mas ainda assim, ainda assim ...

A ultima que Mozart compôs data de 1788 mas desta obra iremos falar daqui a pouco porque faz parte da nossa lista de 4 recomendações sinfónicas de Mozart.

Estabelecidos os limites com a primeira e da ultima obra concebidas  voltemos então à questão que nos atormenta, qual a melhor? Na verdade não conseguimos responder com uma única obra mas antes com um conjunto de 4 que são todas dignas de figurar num top de Sinfonias. Notem ainda que iremos nesta lista considerar uma obra que tecnicamente não é uma Sinfonia mas também não é propriamente um concerto e logo ...

Na nossa lista de Sinfonias de Mozart a não perder a primeira a merecer esse epíteto seria a Sinfonia nº 38 (K. 504) denominada normalmente como a Sinfonia de Praga dado ter sido composta em 1786 e estreada em 1787 em Praga umas semanas após a estreia da ópera bufa  Le Nozze de Figaro. É uma sinfonia em três andamentos num esquema semelhante á forma de "concerto" com um primeiro andamento rápido (embora com uma introdução lenta) seguido de um andamento lento para terminar com um presto. Tal como acontecia na época a obra não possui grande consistência em termos de conjunto sendo claro que algumas ideias foram importadas de outras obras.

A segunda sinfonia que proporíamos para as melhores Sinfonias de Mozart seria a Sinfonia Nº 40 ou a Grande Sinfonia em Sol Menor (K. 550) assim chamada para a distinguir da única outra sinfonia também numa tonalidade menor (Sinfonia nº 25 - K. 183). O inicio desta sinfonia é tão conhecido que dificilmente não o terão ouvido pelo menos uma vez ainda que não sabendo tratar-se desta obra. Por isso antes de continuarem a ler oiçam a melodia que estabelece desde logo o seu carácter; nas palavras do recém falecido Charles Rosen : "Uma obra de paixão, violência e dor". A obra foi composta em 1788 e embora exista o mito que poderia nunca ter sido ouvida pelo compositor na verdade o facto de existirem revisões à mesma demonstra quase que inequivocamente que o compositor teve na verdade oportunidade de ouvir a sua obra interpretada. É uma sinfonia em quatro andamentos no formato canónico para uma sonata do período clássico. Um primeiro andamento rápido em forma de Sonata, um segundo andamento lento, o terceiro andamento um minueto com trio para terminar quarto andamento rápido neste caso marcado Allegro Assai. Sem prejuízo do resto da Sinfonia mesmo eu que não sou propriamente um fã de Mozart devo dizer-vos que o primeiro andamento desta Sinfonia está entre os meus preferidos. A intensidade dramática conseguida pela repetição do tema com pequenas variações cada uma delas mais triste que a anterior é simplesmente genial. Gozem agora a Sinfonia completa, são cerca de 30 minutos de perfeição.



A terceira Sinfonia que vos diria que colocaria na lista das melhores de Mozart é a Sinfonia imediatamente seguinte Sinfonia nº 41 (Júpiter) nome que não é de Mozart mas do editor o famoso Johann Salomon de que falamos a propósito de Haydn. Embora o inicio não seja tão facilmente identificável como no caso anterior estou seguro que se trata de uma obra que também conhecem porque continua a ser tal como a anterior muito frequentemente interpretada. A K. 551 é composta também por 4 andamentos na mesma disposição clássica. Um dos temas do primeiro andamento é daquelas melodias que não nos sai da cabeça uma vez que os ouvimos. Estreada também em 1788 esta obra é a ultima Sinfonia escrita por Mozart antecendendo em menos de 2 anos a sua morte. Vale a pena ouvi-la na sua totalidade.

A quarta obra que coloco nesta lista é uma pequena liberdade poética dado que se trata de um género misto entre o concerto para um instrumento solista e a sinfonia em que não existe instrumento solista. Trata-se da Sinfonia Concertante para Violino, Viola e Orquestra (K. 364) composta em 1779 em três andamentos no formato canónico de um concerto do período clássico. Embora existam dois instrumentos solistas a verdade é que a sua predominância não é tão grande como nos Concertos normais daí esta ser considerada uma forma híbrida entre a Sinfonia e o Concerto. Deixo-vos com uma versão completa desta Sinfonia.


E agora qual destas quatro será a melhor? Pois não sei ... Se tivesse de escolher apenas uma se fosse pelo conjunto escolheria a Sinfonia Concertante. Se pudesse escolher um andamento apenas escolheria o primeiro da Nº 40. Estando à espera que termine a preparação da próxima grande votação vamos colocar este tópico à vossa consideração. Destas quatro Sinfonias de Mozart qual consideram a melhor? Ou a vossa escolha seria outra? A votação vai ser colocada de imediato ...

sábado, 5 de janeiro de 2013

Obra de Piano Solo Preferida - Resultado Final


Chegamos ao fim desta votação e por isso os 10 primeiros vão passar a fazer parte da nossa lista dos 10 mais preferidos. Tivemos um total de 466 votos o que me deixa bastante feliz. Apenas consigo estimar o número de votantes que deverá ter sido certamente superior a 100.

Dos resultados apenas direi que tenho pena que Mendelssohn e Brahms e sobretudo Mozart tenham ficado fora do Top 10 mas a democracia é assim. Nos casos em que existiu empate exerci o direito de voto de qualidade do editor :-)

Espero que continuem a consultar o nosso  Guia de Votação para conhecerem melhor estas obras.

  1. Chopin - Nocturnos ..........................46 (+4)
  2. Beethoven - Patética, Appassionata, Ao Luar. 32 (+2)
  3. Bach - Variações Goldberg ...................30 (+5)
  4. Beethoven - Ultimas Sonatas .................27 (+4)
  5. Satié - Gnossienes, Gymnopédies .............26 (+2)
  6. Debussy - Suite Bergamasque .................25 (+1)
  7. Chopin - Polonaises .........................22 (+2)
  8. Rachmaninoff - Sonatas ......................21 (+1)
  9. Albeniz - Ibéria ............................21 (+2)
  10. Schumann - Carnaval .........................21 (+2)
  11. Mendelssohn - Canções sem palavras ..........19 (+2)
  12. Mozart - Sonatas para Piano .................18 (+1)
  13. Brahms - Intermezzi .........................17 (+1)
  14. Bach - Fugas e Tocattas .....................14 (+1)
  15. Scarlatti - Sonatas para Teclas .............14 (0)
  16. Liszt - Rapsódias Húngaras ..................14 (+2)
  17. Liszt - Sonatas .............................12 (+1)
  18. Bach - Cravo bem Temperado ..................12 (+3)
  19. Chopin - Valsas e Mazurkas ..................12 (+2)
  20. Schubert - Sonatas para Piano ................9 (+2)
  21. Schostakovich - 24 Prelúdios e Fugas .........8 (+1)
  22. Prokofiev - Sonatas nº 6 e nº 7 ..............7 (+1)
  23. Chopin - Études ..............................7 (+1)
  24. Chopin - Sonatas .............................7 (+1)
  25. Beethoven - Hammerklavier ....................5 (+1)

Mozart - Flauta Mágica (Segunda Parte)

A primeira parte deste post pode ser lida em Mozart - Flauta Mágica.

No segundo acto os membros da ordem de Osiris dizem a Sarastro que Tamino está pronto para prestar prova de que é digno de Pamina. Sarastro revela que raptou Pamina para que esta possa casa com Tamino.

Na segunda cena Tamino e Papageno apresentam-se para prestar provas e os membros da ordem perguntam-lhe "O que procuram", Tamino responde Luz, Conhecimento e Amor. Resistem depois a primeira tentação

Na terceira cena Pamina estando a dormir Monostatos tenta força-la. A rainha da noite aparece e revela as suas verdadeiras intenções dando um punhal a Pamina para que esta mate Sarastro. Monostatos tenta então chantegear Pamina ameaçando contar a Sarastro as intenções da Raínha da Noite.

Na quarta cena continuam as provas de Tamino e Papageno que sabem que devem manter o silêncio. Papageno não resiste e fala com Papagena, Tamino porém apesar da presença de Pamina mantém-se sem falar o que a leva ao desespero.

Os sacerdotes da Ordem de Osiris revelam o seu contentamento por Tamino ter passado as provas com distinção. Pamina no entanto contempla o suicídio por pensar que Tamino já não a ama. Três crianças-dissuadem-na e levam-na até Pamino com quem é autorizada a passar a ultima prova: Não temer a morte. Protegidos pela música da Flauta Mágica passam com distinção.

Monostatos, a Rainha da Noite e as suas três aias tentam incendiar o palácio de Sarastro mas são derrotadas e lançadas para as escuridão eterna.

Podem ver aqui o Segundo Acto .

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Mozart - Flauta Mágica

Este post deveria ter sido o do primeiro dia de 2013 e tinha decidido falar-vos da Flauta Mágica precisamente por causa do poder da referida Flauta de transformar a tristeza em alegria e que segundo o libretto seria capaz de trazer Paz ao Mundo.

A Flauta Mágica é uma opereta em dois actos composta por Mozart em 1791 e estreada a 30 de Setembro de 1791 em Viena sendo actualmente uma das peças deste género mais vezes interpretadas no mundo inteiro, sucesso que aliás se declarou desde a sua estreia.

O libretto escrito por Emanuel Schikaneder (1751–1812) é inspirado no poema Oberon de Christoph Martin Wieland (1733-1813) e conta-nos uma história de forte influência maçónica e que pode ser descrita como a procura do conhecimento e da luz.

Note-se que durante muito tempo se considerou que Mozart apenas teria aceite esta encomenda por não ter conseguido "nada de melhor". Isto porém é ignorar o profundo amor que Mozart tinha pelo teatro em particular pelo teatro popular de origem alemã, dificilmente aliás se teria encontrado um melhor casamento desse ponto de vista.

A obra foi composta por Mozart à medida das capacidade vocais dos executantes da estreia (os elementos da companhia de  Emanuel Schikaneder) que Mozart conhecia bem o que explica que existam papeis de dificuldade consideravelmente diferente.

Na primeira cena Tamino, um principe está em perigo perseguido por uma serpente e pede ajuda aos Deuses para o salvarem o que acontece às mãos de três ajudantes da Raínha da Noite. No entanto Tamino desmaia e quando acorda pensa que foi Papageno que entretanto aparece que o salvou. A falsa impressão é rapidamente desfeita pelas três serviçais da Raínha da Noite que reaparecem mostrando a Tamino uma fotografia de Pamina a desaparecida filha da Raínha da Noite e por quem Tamino imediatamente se apaixona. Tamino promete que irá libertar Pamina das garras de Sarastro o feiticeiro de quem Pamina está prisioneira. Tamino recebe a Flauta Mágica que tem o poder de transformar tristeza em alegria.

Na segunda cena já no Palácio de Sarastro Papageno que se juntou à missão do príncipe anuncia a boa noticia a Pamina. Entretanto Pamina e Tamino vêm-se pela primeira vez e beijando-se causando a indignação da corte de Sarastro que diz a Tamino que terá de provar que é digno de Pamina.




Amanhã falar-vos-ei do segundo acto.

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