Bem esta recomendação é sem dúvida motivada por laços familiares mas penso que ainda assim é uma excelente recomendação e uma ocasião para ouvirem jovens violinistas. Bem sei que a hora é um pouco complicada (para mim irá ser) porém aqui fica a recomendação.
No Palácio Foz às 18h (segunda-feira 25 de Fevereiro de 2013) segundo o programa no link quatro jovens violinistas. Não vos será difícil adivinharem o resto tendo em consideração a razão já invocada. Só posso acrescentar que relativamente ao programa existe pelo menos mais um compositor de que será interpretada uma obra. Trata-se do primeiro andamento do concerto para violino e orquestra de Kachaturian na versão transcrita para piano e violino.
Fiquem aqui com a versão original para Violino e Orquestra e até logo se puderem.
A única música que precisa de embalagem é a música de plástico.
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013
domingo, 24 de fevereiro de 2013
Liszt : Études d'exécution transcendante (Segunda Parte)
A semana passada começamos a falar-vos desta obra - Liszt : Études d'exécution transcendante - hoje iremos terminar com os últimos seis estudos. Relembremos apenas que daremos sempre duas alternativas uma com imagem fixa e uma segunda com vídeo. Não porque as interpretações com video sejam piores mas porque teriamos dessa forma um reduzido número de pianistas e quisemos aproveitar para vos mostrar mais nomes.
Étude No. 7 (Eroica) em Mi bemol Maior : Este estudo adequadamente partilha a mesma tonalidade da Sinfonia Eroica de Beethoven o que pode justificar só por si o nome embora musicalmente mais do que "eroico" o tom seja nobre e digno. Este estudo não é considerado tecnicamente tão difícil como alguns dos outros sendo que alguns pianistas preferem a versão de 1837. Voltamos a começar com Cziffra para depois vos mostrar de novo Berezovsky.
Étude No. 8 (Wilde Jagd) em Dó Menor : Um nome sem dúvida adequado para uma peça que decorre num ritmo frenético (marcado como Presto Furioso) e que pretende retratar uma caçada. A peça tem uma parte inicial rápida para no meio ter uma parte mais lírica (mas não menos difícil por isso) para de novo terminar numa série de oitavas e acordes descendentes verdadeiramente desafiantes. É um estudo que testa a capacidade de resistência de qualquer pianista. A primeira interpretação que escolhemos é de Evgeny Kissin.
Para a segunda interpretação deste mesmo estudo mantemos Boris Berezovsky. Note-se a propósito desta interpretação que consta que Liszt e os seus alunos conseguiam tocar este estudo em cerca de 4 minutos precisos. Hoje em dia conforme podem ver estamos mais na base dos 4:30 ...
Étude No. 9 (Ricordanza) em Lá Bemol Maior: É um contraste marcante com o estudo anterior. Uma melodia nostalgica com variações para tornarem a peça um verdadeiro estudo. Primeiro interprete escolhido Lazar Berman.
Para o nosso vídeo com imagem do pianista voltamos à juventude (relativa claro, este pianista nasceu em 1972) desta vez com Dmytro Sukhovienko.
Étude No. 10 (Allegro agitato molto) Fá Menor: Um dos dois estudos sem titulo. Este começa de forma bastante agitada mas vai aos poucos tornando-se mais calmo. Para a interpretação por um pianista de referência proponho-vos Richter.
Para a versão com imagem escolhemos uma pianista Lola Astanova sobretudo conhecida pelo seu gosto no que diz respeito ao estilo e à moda. Uma espécie de David Beckham feminino no mundo da música clássica.
Étude No. 11 (Harmonies du Soir) Ré Bemol Maior: Musicalmente este é um dos estudos mais exigentes (juntamente com o nº 12) embora tecnicamente seja dos mais acessíveis. É também um dos mais inovadores em termos de tonalidade já que várias experiências em harmonias cromáticas tornam a tonalidade algo ambígua. Um dos estudos mais populares pela maior acessibilidade (pelo menos aparente) tanto quanto pelo lirismo da melodia. Voltamos a Claudio Arrau para este estudo.
Na versão com imagem voltamos também a Berezovsky.
Étude No. 12 (Chasse-Neige) Si Bemol Menor : Apesar do nome poder indicar uma peça relativamente calma na verdade se de neve se trata então estamos perante uma verdadeira tempestade. Uma peça que combina a dificuldade do toque leve em certas partes com a autêntica tempestade que se abate por vezes sobre o teclado. Para esta peça escolhemos Jorge Bolet
Para terminar teríamos de voltar a Berezovsky . Notem que a maior parte das interpretações que vos mostrei são de um mesmo concerto. Nos dias de hoje arriscar os doze estudos ao vivo e em sequência é obra. Dizemos isto porque a nossa tendência em comparar com gravações e perdoar menos os erros técnicos preferindo a perfeição à musicalidade expõe muito os pianistas (e outros músicos claro) em peças desta natureza. Um acto de coragem sem dúvida num concerto que deve ter sido memorável.
Étude No. 7 (Eroica) em Mi bemol Maior : Este estudo adequadamente partilha a mesma tonalidade da Sinfonia Eroica de Beethoven o que pode justificar só por si o nome embora musicalmente mais do que "eroico" o tom seja nobre e digno. Este estudo não é considerado tecnicamente tão difícil como alguns dos outros sendo que alguns pianistas preferem a versão de 1837. Voltamos a começar com Cziffra para depois vos mostrar de novo Berezovsky.
Étude No. 8 (Wilde Jagd) em Dó Menor : Um nome sem dúvida adequado para uma peça que decorre num ritmo frenético (marcado como Presto Furioso) e que pretende retratar uma caçada. A peça tem uma parte inicial rápida para no meio ter uma parte mais lírica (mas não menos difícil por isso) para de novo terminar numa série de oitavas e acordes descendentes verdadeiramente desafiantes. É um estudo que testa a capacidade de resistência de qualquer pianista. A primeira interpretação que escolhemos é de Evgeny Kissin.
Para a segunda interpretação deste mesmo estudo mantemos Boris Berezovsky. Note-se a propósito desta interpretação que consta que Liszt e os seus alunos conseguiam tocar este estudo em cerca de 4 minutos precisos. Hoje em dia conforme podem ver estamos mais na base dos 4:30 ...
Étude No. 9 (Ricordanza) em Lá Bemol Maior: É um contraste marcante com o estudo anterior. Uma melodia nostalgica com variações para tornarem a peça um verdadeiro estudo. Primeiro interprete escolhido Lazar Berman.
Para o nosso vídeo com imagem do pianista voltamos à juventude (relativa claro, este pianista nasceu em 1972) desta vez com Dmytro Sukhovienko.
Étude No. 10 (Allegro agitato molto) Fá Menor: Um dos dois estudos sem titulo. Este começa de forma bastante agitada mas vai aos poucos tornando-se mais calmo. Para a interpretação por um pianista de referência proponho-vos Richter.
Para a versão com imagem escolhemos uma pianista Lola Astanova sobretudo conhecida pelo seu gosto no que diz respeito ao estilo e à moda. Uma espécie de David Beckham feminino no mundo da música clássica.
Étude No. 11 (Harmonies du Soir) Ré Bemol Maior: Musicalmente este é um dos estudos mais exigentes (juntamente com o nº 12) embora tecnicamente seja dos mais acessíveis. É também um dos mais inovadores em termos de tonalidade já que várias experiências em harmonias cromáticas tornam a tonalidade algo ambígua. Um dos estudos mais populares pela maior acessibilidade (pelo menos aparente) tanto quanto pelo lirismo da melodia. Voltamos a Claudio Arrau para este estudo.
Na versão com imagem voltamos também a Berezovsky.
Étude No. 12 (Chasse-Neige) Si Bemol Menor : Apesar do nome poder indicar uma peça relativamente calma na verdade se de neve se trata então estamos perante uma verdadeira tempestade. Uma peça que combina a dificuldade do toque leve em certas partes com a autêntica tempestade que se abate por vezes sobre o teclado. Para esta peça escolhemos Jorge Bolet
Para terminar teríamos de voltar a Berezovsky . Notem que a maior parte das interpretações que vos mostrei são de um mesmo concerto. Nos dias de hoje arriscar os doze estudos ao vivo e em sequência é obra. Dizemos isto porque a nossa tendência em comparar com gravações e perdoar menos os erros técnicos preferindo a perfeição à musicalidade expõe muito os pianistas (e outros músicos claro) em peças desta natureza. Um acto de coragem sem dúvida num concerto que deve ter sido memorável.
Em memória do dia de ontem com alguns comentários
Zeca Afonso numa canção que exprime no meu entender o que se passa não só neste país mas em praticamente todo o mundo ocidental.
Não sou radical mas precisamente por ser moderado e acreditar que o sistema da social democracia e de um estado social que realmente equilibre as oportunidades e assegure a igualdade de acesso à saúde, educação e justiça sem aceitar a sombra de um "mas" mesmo que seja sobre a forma em moda de uma qualquer justificação económica bacoca.
Por isso dizia, tenho de denunciar o aproveitamento que se faz de uma situação que essencialmente é da responsabilidade de quem criou um sistema económico e financeiro insustentável e errado e agora ao abrigo da justificação de correcções necessárias nos quer fazer regressar ao inicio do século XX "corrigindo" precisamente a única coisa que estava certa.
A esses digo: Não vou por aí e sugiro a todos que exerçamos o nosso dever numa democracia: a cidadania avançada que implica ser capaz de reflectir e pensar acima dos sound bytes com que nos bombardeiam. Pensem como as coisas começaram, comparem os números, utilizem os neurónios. Não se deixem enganar por pseudo-argumentos económicos que hoje valem tal como irão valer daqui a uns meses exactamente os opostos. A economia está muito muito longe de ser uma ciência quanto mais exacta.
Por tudo isto e pedindo desculpa por esta interrupção na música clássica fiquem com Zeca Afonso e a mais adequada canção depois daquilo que acabei de vos dizer. Os Vampiros na sua versão original.
Não sou radical mas precisamente por ser moderado e acreditar que o sistema da social democracia e de um estado social que realmente equilibre as oportunidades e assegure a igualdade de acesso à saúde, educação e justiça sem aceitar a sombra de um "mas" mesmo que seja sobre a forma em moda de uma qualquer justificação económica bacoca.
Por isso dizia, tenho de denunciar o aproveitamento que se faz de uma situação que essencialmente é da responsabilidade de quem criou um sistema económico e financeiro insustentável e errado e agora ao abrigo da justificação de correcções necessárias nos quer fazer regressar ao inicio do século XX "corrigindo" precisamente a única coisa que estava certa.
A esses digo: Não vou por aí e sugiro a todos que exerçamos o nosso dever numa democracia: a cidadania avançada que implica ser capaz de reflectir e pensar acima dos sound bytes com que nos bombardeiam. Pensem como as coisas começaram, comparem os números, utilizem os neurónios. Não se deixem enganar por pseudo-argumentos económicos que hoje valem tal como irão valer daqui a uns meses exactamente os opostos. A economia está muito muito longe de ser uma ciência quanto mais exacta.
Por tudo isto e pedindo desculpa por esta interrupção na música clássica fiquem com Zeca Afonso e a mais adequada canção depois daquilo que acabei de vos dizer. Os Vampiros na sua versão original.
sábado, 23 de fevereiro de 2013
Pesquisa da Semana (#07-2013) : A vida pessoal de Arturo Benedetti Michelangeli
Este post está em atraso desde a semana passada. Na verdade não é nosso costume enfatizar demasiado a vida pessoal dos músicos porém neste caso fazemos uma excepção.

Este pianista sempre protegeu muito a sua vida privada e por isso esta questão tem alguma razão de ser pelo menos nos aspectos que nos podem ajudar a compreender a forma como interpretava e a escolha do seu reportório. Por isso nesta resposta procuraremos apenas dar-vos os elementos que são públicos e que nos ajudem a entender como é que ele entendia a sua arte. O resto tal como desejaria pertence à esfera privada ...
Arturo Benedetti Michelangeli nasceu em Brescia, Itália a 5 de Janeiro de 1920. Embora tenha começado pelo violino rapidamente foi no piano que percebeu que residia a sua forma de expressão. Casou-se em 1940 com Guiliana Guidetti que conheceu na sua cidade natal e que tinha sido sua aluna e com quem permaneceu até 1970. A partir dessa data a sua companheira foi Marie-José Gros Dubois sua secretária e 20 anos mais nova. Arturo Benedetti Michelangeli era tão discreto quanto à sua vida privada que muitos desconheciam o facto de ele ser casado.
Gostava de tocar pela noite dentro, detestava tocar em público (deste ponto de vista tinha muitas semelhanças com Glenn Gould), gostava de carros (a sua única paixão conhecida além da música) e de conduzir o seu Ferrari a alta velocidade. Detestava entrevistas e quando as dava muitas vezes contava mentiras sobre o seu passado ou origens; como se se tratasse realmente de uma ficção voluntária.
Arturo Benedetti Michelangeli era um perfeccionista e por isso muitos consideravam o seu reportório bastante limitado avaliando o que tocava em público. Porém na verdade o pianista conhecia praticamente todas as obras de piano e tinha interesse por todos os compositores (que aliás venerava), simplesmente apenas aceitava interpretar em público uma obra quando verdadeiramente considerava ter extraído a sua essência, a pretendida pelo compositor. Aliás para ele os aplausos eram devidos não ao interprete - detestava também o protagonismo que lhe era conferido - mas sim ao compositor.
Não aceitava qualquer aluno mas mais do que dar aulas a grandes estrelas ou promessas de virtuosos talvez por causa do que acabamos de dizer preferia ensinar professores ou simplesmente pessoas que julgava terem verdadeira paixão pela música.
Era obcecado pela perfeição também nos instrumentos que utiliza em palco ao ponto de muitas vezes fazer deslocar um dos seus pianos. Quando a companhia de gravação que fundou faliu e o estado Italiano lhe confiscou os seus pianos como forma de pagamento Arturo Benedetti Michelangeli considerou isso uma afronta e deixou a Italia para nunca mais voltar, diz a lenda que recusando mesmo participar em concertos organizados por Italianos ou em que estes tivessem uma participação relevante (incluindo na audiência ... ). Existem algumas excepções a esta regra nomeadamente um concerto que deu em Brescia, sua cidade natal ou na Cidade do Vaticano mas foram excepções que confirmam a regra.
Arturo Benedetti Michelangeli faleceu em Lugano na Suiça a 12 de Junho de 1995 vitima de uma doença prolongada. Na sequência da descrição que o caracterizou o artista deixou instruções explicitas para que a causa da morte não fosse divulgada. Foi enterrado em Pura perto de Lugano sem qualquer lápide que indique o local da campa.
Para terminar em música deixo-vos com uma gravação com imagem do grande artista interpretando um dos seus compositores preferidos, Chopin.

Este pianista sempre protegeu muito a sua vida privada e por isso esta questão tem alguma razão de ser pelo menos nos aspectos que nos podem ajudar a compreender a forma como interpretava e a escolha do seu reportório. Por isso nesta resposta procuraremos apenas dar-vos os elementos que são públicos e que nos ajudem a entender como é que ele entendia a sua arte. O resto tal como desejaria pertence à esfera privada ...
Arturo Benedetti Michelangeli nasceu em Brescia, Itália a 5 de Janeiro de 1920. Embora tenha começado pelo violino rapidamente foi no piano que percebeu que residia a sua forma de expressão. Casou-se em 1940 com Guiliana Guidetti que conheceu na sua cidade natal e que tinha sido sua aluna e com quem permaneceu até 1970. A partir dessa data a sua companheira foi Marie-José Gros Dubois sua secretária e 20 anos mais nova. Arturo Benedetti Michelangeli era tão discreto quanto à sua vida privada que muitos desconheciam o facto de ele ser casado.
Gostava de tocar pela noite dentro, detestava tocar em público (deste ponto de vista tinha muitas semelhanças com Glenn Gould), gostava de carros (a sua única paixão conhecida além da música) e de conduzir o seu Ferrari a alta velocidade. Detestava entrevistas e quando as dava muitas vezes contava mentiras sobre o seu passado ou origens; como se se tratasse realmente de uma ficção voluntária.
Arturo Benedetti Michelangeli era um perfeccionista e por isso muitos consideravam o seu reportório bastante limitado avaliando o que tocava em público. Porém na verdade o pianista conhecia praticamente todas as obras de piano e tinha interesse por todos os compositores (que aliás venerava), simplesmente apenas aceitava interpretar em público uma obra quando verdadeiramente considerava ter extraído a sua essência, a pretendida pelo compositor. Aliás para ele os aplausos eram devidos não ao interprete - detestava também o protagonismo que lhe era conferido - mas sim ao compositor.
Não aceitava qualquer aluno mas mais do que dar aulas a grandes estrelas ou promessas de virtuosos talvez por causa do que acabamos de dizer preferia ensinar professores ou simplesmente pessoas que julgava terem verdadeira paixão pela música.
Era obcecado pela perfeição também nos instrumentos que utiliza em palco ao ponto de muitas vezes fazer deslocar um dos seus pianos. Quando a companhia de gravação que fundou faliu e o estado Italiano lhe confiscou os seus pianos como forma de pagamento Arturo Benedetti Michelangeli considerou isso uma afronta e deixou a Italia para nunca mais voltar, diz a lenda que recusando mesmo participar em concertos organizados por Italianos ou em que estes tivessem uma participação relevante (incluindo na audiência ... ). Existem algumas excepções a esta regra nomeadamente um concerto que deu em Brescia, sua cidade natal ou na Cidade do Vaticano mas foram excepções que confirmam a regra.
Arturo Benedetti Michelangeli faleceu em Lugano na Suiça a 12 de Junho de 1995 vitima de uma doença prolongada. Na sequência da descrição que o caracterizou o artista deixou instruções explicitas para que a causa da morte não fosse divulgada. Foi enterrado em Pura perto de Lugano sem qualquer lápide que indique o local da campa.
Para terminar em música deixo-vos com uma gravação com imagem do grande artista interpretando um dos seus compositores preferidos, Chopin.
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