sábado, 13 de abril de 2013

Festival Terras sem Sombra

Daqui a pouco vou arrancar para Almodôvar para assistir ao inicio do Festival Terras sem Sombra com o Concerto Moderno. O concerto será às 21:30 na Igreja Matriz de Santo Ildefonso. Para os meus amigos Algarvios e Alentejanos que Almodôvar fica mesmo na fronteira aqui fica o desafio ainda que de ultima hora. Depois conto como se passou.

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Paganinni - 1º Concerto para Violino e Orquestra

Continuando na nossa revisão das 100 obras que recomendo para quem nunca ouviu música "clássica" e gostaria de o fazer hoje vou falar-vos do 1º Concerto para Violino e Orquestra de Paganinni.

Este concerto foi o primeiro de cinco concertos para Violino escritos por Paganinni embora as más línguas digam que poderia perfeitamente ter-se abstido de continuar porque segundo essas pessoas nada de novo aconteceu nos restantes concertos.

Composto em 1817 e 1818 este concerto (Op. 6) segue a forma clássica do concerto definida pelos compositores do período Barroco: Três andamentos na forma Rápido-Lento-Rápido. Nada de inovador nesta forma portanto. Já a questão sobre a tonalidade deste concerto merece a nossa atenção. Na verdade no manuscrito original Paganinni escreveu a peça em Mi Bemol Maior no entanto a parte de solista estando escrita em Ré Maior. Esta prática implicava que o violino solo fosse afinado de forma diferente da Orquestra (meio tom acima). Esta prática tinha uma razão de ser que vou tentar explicar. A ideia era que o solista soasse mais limpo e mais potente que a orquestra em certas partes o que se conseguia dado que em qualquer instrumento de cordas uma corda solta soa sempre mais forte e mais clara que uma pisada. A afinação diferente da Orquestra e do instrumento do solista permitia-lhe brilhar utilizando uma corda solta enquanto a Orquestra era "obrigada" a tocar cordas pisadas. Esta prática é hoje em dia obsoleta. O concerto foi estreado em Nápoles a 31 de Março de 1819.

O primeiro andamento (Allegro Maestoso) começa com uma introdução orquestral a que se segue um verdadeiro show case técnico do solista. Para este primeiro andamento escolhi uma jovem solista (na altura mesmo muito jovem), Sarah Chang para vos demonstrar entre outras coisas a enorme progressão técnica que se verificou no instrumentistas. Hoje literalmente milhares de violinistas são capazes de interpretar este concerto enquanto no tempo do compositor isto era considerado pouco menos que absolutamente intocável.



O segundo andamento (Adagio) tem uma natureza totalmente diferente. Neste andamento revela-se de forma absoluta a capacidade de Paganinni para escrever melodias. Na verdade Rossini seu amigo dizia que se um dia ele começasse a escrever óperas a sua carreira estaria em perigo. Este andamento de certa forma pode ser visto como um verdadeiro cântico instrumental, um autêntico e pungente lamento de pouco mais de 5 minutos. Escolhemos para ilustrar este andamento uma gravação histórica de 1934 com Yehudi Menuhin e a Orquestra de Paris dirigida por Pierre Monteux.



No Terceiro Andamento (Rondo. Allegro spirituoso – Un poco più presto)  voltamos ao fogo de artificio técnico embora (e este é um grande embora) não deixemos de ter a introdução de mais uma belíssima melodia. Note-se a este respeito que hoje muitas vezes nos esquecemos da capacidade de Paganinni enquanto compositor obcecados que estamos no seu virtuosismo e na concepção moderna da especialização. Mantemos a escolha da gravação anterior.

domingo, 7 de abril de 2013

Crowd Founding - Um fim feliz para o CD do Coro VoxMix e VoxOn

Meus amigos, vamos retirar o destaque que tínhamos a este projecto porque chegou a um fim feliz a recolha de fundos para o projecto. Obrigado a todos os que leram e ajudaram. Obrigado também aos que leram mas não puderam ajudar e aos que ajudaram sem ler :-)

O fundamental é mesmo terem feito o máximo possível !

sábado, 6 de abril de 2013

Paganini - Os 24 "capriccios"

Depois de um longo interregno voltamos ao violino. Agora com aquele que é considerado por muitos como o maior violinista de todos os tempos. Não sei (é impossível determinar) se será efectivamente o melhor mas que se trata sem dúvida de um dos maiores instrumentistas de sempre disso não há dúvida.

Estamos a falar deles porque incluímos na nossa lista uma entrada de Paganini enquanto compositor em que colocamos precisamente os 24 capriccios e também o primeiro concerto para Violino de que falaremos amanhã.

Os 24 capriccios foram escritos entre 1802 e 1817 tendo sido publicados em 1819. São aproximadamente uma forma de estudo ou seja cada um deles pretende ilustrar ou permitir ao seu executante treinar uma ou mais capacidades técnicas especificas. A sua influência na técnica violinistica foi enorme não só pelo aspecto técnico que explorava de forma verdadeiramente inovadora mas também pela sua génese e colocação do artista no centro da obra do qual o virtuosismo e a dedicatória "alli artisti" são duas demonstrações fundamentais. Não esqueçamos que estávamos no inicio do romantismo e que essas afirmações de liberdade e de independência que hoje parecem normais à época eram perfeitamente revolucionárias.

No que diz respeito a gravações a primeira gravação integral da versão original de Paganinni é normalmente atribuída a Ruggiero Ricci em 1947 embora antes disso (em 1940) Ossy Renardy tenha interpretado e gravado uma versão com acompanhamento ao piano.

Hoje Paganinni é muitas vezes visto como um "mero" virtuoso o que infelizmente reduz a noção da influência que teve na consolidação do romantismo. Não nos esqueçamos que compositores como Chopin e Liszt eram grandes admiradores do compositor e não apenas enquanto virtuoso.

Propomos para ilustrar este post dois capriccios primeiro o nº 24 precisamente por Ruggiero Ricci mas não na gravação de 1947.



Depois graças ao You Tube podemos mostrar-vos a gravação de 1940 de Ossy Renard no capriccio nº 14 dito "Militar" por razões que serão óbvias quando ouvirem a obra.


Por fim para quem desejar ouvir a totalidade dos 24 Capriccios recomendamos uma versão de Salvatore Accardo de que podem ouvir a primeira parte neste video


E a segunda parte neste outro



No total mais de uma hora de música mas vale a pena. Se tiverem de ouvir apenas um então claramente o nº 24 com cerca de meia hora de duração é a obra maior neste conjunto.

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