quinta-feira, 23 de maio de 2013

Henri Dutilleux (1916-2013) In Memoriam

Faleceu ontem um dos maiores vultos da composição francesa do século XX e XXI, Henri Dutilleux. Embora a sua obra seja relativamente reduzida em termos de quantidade a qualidade da mesma não deixa grandes dúvidas sobre a importância que teve, tem e terá certamente na história da música destes dois séculos.

Muitas vezes comparado por sucessão (a Ravel e Debussy por exemplo) ou colocado numa espécie de intermezzo entre Messiaen e Boulez na verdade se existe alguma característica que se possa atribuir totalmente a Dutilleux é ter sido totalmente único na aproximação à composição não hesitando a fugir a convenções mesmo as que estavam na moda.

Talvez por isso a sua música é das poucas que é interpretada regularmente fora de qualquer necessidade programática de modernismo ou de variedade, escolhida apenas pelo seu valor intrínseco. Opinião polémica certamente a que acabo de proferir.

Henri Dutilleux apreciava particularmente a poesia e a literatura e a sua obra tem muitas vezes ligação profunda a essas artes. É reflexo desse gosto a selecção que escolhemos para ilustrar musicalmente este post. Temps Horloge interpretado por Renée Flemming e a Saito Kinen Orchestra dirigida por Seiji Ozawa. Esta interpretação é especialmente relevante pois quando compunha para voz Dutilleux, um perfeccionista absoluto tinha na ideia uma interprete especifica que neste caso era precisamente Renée Flemming.




Pensamos que é também especialmente relevante a escolha pelos dois últimos poemas utilizados na obra. De Robert Desnos temos adequadamente "O Ultimo Poema"


J'ai rêvé tellement fort de toi,

J'ai tellement marché, tellement parlé,
Tellement aimé ton ombre,
Qu'il ne me reste plus rien de toi,
Il me reste d'être l'ombre parmi les ombres
D'être cent fois plus ombre que l'ombre
D'être l'ombre qui viendra et reviendra
dans ta vie ensoleillée.


e de Charles Baudelaire "Enivrez-vous".

[...]
"Il est l'heure de s'enivrer! 
Pour n'être pas les esclaves martyrisés du Temps, 
enivrez-vous; 
enivrez-vous sans cesse! 
De vin, de poésie ou de vertu, à votre guise."



quarta-feira, 22 de maio de 2013

Os 200 anos de Wagner

Faz hoje 200 anos que Wagner nasceu em Leipzig. Especialmente conhecido pelas suas óperas não sendo um compositor que aprecie particularmente não deixa por isso de ser um dos principais compositores do fim do século XIX , aliás um dos mais notáveis compositores de todos os tempos valha a verdade.

É autor de um dos extractos mais facilmente reconhecível e mais vezes interpretado na música clássica, a celebre cavalgada das valquírias da segunda ópera do ciclo Der Ring des Nibelungen (nesta gravação uma interpretação da Filarmónica de Viena dirigida por Furtwangler).



Apesar do aspecto sempre cheio de grandiloquência da sua música Wagner também compôs algumas obras mais intimistas entre as quais gostava de citar Siegfried Idyll que Wagner teria pretendido que não fosse publicado - dedicada à sua mulher e interpretada em jeito de serenata de presente pelo nascimento do seu filho e que por isso, hoje que festejamos um aniversário nos parece uma forma adequada de terminar este post.

domingo, 12 de maio de 2013

Demasiado cedo, Demasiado Rápido

Hoje antes de um artigo sobre música propriamente dita deixo-vos um post sobre jovens talentos. Uma opinião da Pianista Mitsuko Uchida sobre a forma como os pais e a própria industria ao levarem jovens demasiado cedo e de forma demasiado rápida à fama podem prejudicar o seu desenvolvimento artístico.

Diz ela que como em outras coisas na vida, mais devagar é melhor. Subscrevo em parte, embora dependa também muito (e sobretudo) da estrutura e maturidade do jovem. Porque também com 12 anos a idade não se mede pelo bilhete de identidade ...

Serve aliás como exemplo a própria Mitsuko ela também jovem prodígio e que sobreviveu a esse cenário de potencial catástrofe. Creio que a razão está no que ela explica sobre a forma como via o seu sucesso ...

Artigo do Independent para ler neste link.

sábado, 11 de maio de 2013

A semana passada foi semana de Diapason

Não tive ocasião de vos falar da Diapason nesta semana, as minhas desculpas. Destaco obviamente o tema de capa um excelente artigo sobre os 100 anos da Sagração da Primavera, aquele escândalo que mudou tanta coisa na música e também um artigo muito interessante sobre o Barco Fantasma de Wagner, claro a outra celebração deste ano ou melhor deste mês de Maio. Aliás estes dois dias 22 de Maio, centenário do nascimento de Wagner e 29 de Maio centenário da Sagração da Primavera serão festejados condignamente aqui neste blog. 


De resto nesta Diapason um outro artigo engraçado sobre os 100 anos do Theatre des Champs Elysées totalmente baseado em fotografias com algumas muito interessantes, por exemplo uma retratando uma ovação em pé de um recital de Clara Haskil e Arthur Grumiaux. 

Por fim o disco dificilmente poderia ser melhor. Como sempre uma excelente selecção com Rostropovich nos concertos de Violoncelo de Saint Saens e Schumann e nas variações Rococo de Tchaikovsky  e Britten que aparece neste CD tanto enquanto maestro dirigindo o Concerto para Violoncelo de Schumann mas também enquanto pianista numa obra também de Schumann Fünf Stücke in Volkston (ou seja "cinco peças ao estilo popular") (Op. 102). 

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