Depois da sua eliminação do US Open ontem à noite quando foi atropelado por um certo jogador espanhol Roger Federer decidiu dedicar-se ao violino como demonstra este vídeo. A promessa é que daqui a 25 anos estaremos em condição de o poder ouvir. Por agora o reportório é limitado e resume-se a alguma música contemporânea de autor desconhecido. Não obstante esteve na shortlist da Gramophone ...
Pronto agora a sério ... É uma campanha do festival de Música de Lucerne e que prova que é possível fazer humor com música clássica sendo verdadeiro e mesmo assim com piada - pela personagem em causa claro mas não só. A forma como "testa" o violino tem um subtil humor que mesmo quem não sabe nada de ténis percebe. Um contra exemplo para um outro post que esteve na moda estes últimos dias ...
PS: Que me desculpem os compositores contemporâneos e a Gramophone. Essa parte da piada não tem nada a ver com o vídeo e é um "pun" particular. Se quiserem e estiverem mesmo zangados comigo podem mudar-lhe a ultima letra ...
A única música que precisa de embalagem é a música de plástico.
terça-feira, 3 de setembro de 2013
segunda-feira, 2 de setembro de 2013
A cada 3 segundos ...
Um dia destes num post do Facebook de uma das nossas leitoras chamou-me a atenção um video que vos vou mostrar. Não só (não tanto) pela qualidade artística mas sobretudo pelo conceito e ainda mais pela mensagem transmitida.
Este vídeo uma acção da Grey (suponho que se trata da agência de publicidade) organizada para o International Children Fund com o objectivo de recolha de fundos. O video começa com uma canção dos Tears for fears (Mad Wolrd) entoada por um grupo de crianças que se vai tornando mais pequeno de três em três segundos, o tempo que medeia entre cada perda de vida de uma criança por razões totalmente evitáveis.
Este vídeo uma acção da Grey (suponho que se trata da agência de publicidade) organizada para o International Children Fund com o objectivo de recolha de fundos. O video começa com uma canção dos Tears for fears (Mad Wolrd) entoada por um grupo de crianças que se vai tornando mais pequeno de três em três segundos, o tempo que medeia entre cada perda de vida de uma criança por razões totalmente evitáveis.
domingo, 1 de setembro de 2013
Os prémios da Gramophone - Segunda Parte
A primeira parte deste post foi publicada à uns dias neste post : Os prémios da Gramophone - Primeira parte.
Concerto
O prémio foi atribuído a Patricia Kopatchinskaja pela sua interpretação dos concertos dos compositores hungaros Bartók (segundo concerto), Eötvös e Ligeti . A violinista apresenta-se com a Hessen Radio Symphony Orchestra dirigida por Peter Eötvös.
Para vos ser sincero só poderei falar do concerto de Bartok e da violinista. As duas outras obras deixo-vos aqui o link (num dos casos até interpretado pela mesma artista) a apreciação terá de ser vossa.
Quanto ao concerto de Bartok é uma obra notável de que vos deixo de imediato uma gravação da estreia em 1939.
No que diz respeito à violinista não a consegui encontrar numa interpretação desta obra mas encontrei no You Tube uma interpretação da Sonata de Bartok para violino solo. Excelente (apesar de uma posição estranha do violino em relação à face ... )
A obra de Peter Eötvös na interpretação da violinista pode ser ouvida integralmente no You Tube (penso que numa outra gravação no entanto). Esta obra é dedicada à memória dos sete astronautas que perderam a vida no vaivém espacial daí o nome Seven.
Por fim Ligetti numa interpretação da Filarmónica de Berlim dirigida por Sir Simon Rattle sendo solista Tasmin Little.
Música Contemporânea
Nesta categoria o prémio foi para um CD contendo interpretações de três obras de Dutilleux, Correspondances, o Concerto para Violoncelo e Shadows of Time. Não consigo encontrar a soprano da primeira peça nesta gravação com a Orquestra da Radio França (a gravação premiada) mas aqui fica um extracto com a Filarmónica de Berlim dirigida por Sir Simon Rattle.
O concerto para Violoncelo escrito como sabemos para Rostropovich teve como solista Anssi Kartunnen. Não descobri nenhuma interpretação deste solista deste concerto e por isso tive de dividir esta ilustração em duas partes. Na primeira mostro-vos o solista a interpretar (a participar numa interpretação) de uma obra de António Pinho Vargas.
Depois o concerto bem só poderia ser por Rostropovich ele próprio ... A propósito o concerto tem um titulo "Tout un monde Lointaint" - Todo um mundo longínquo ... Aqui podem ouvir o primeiro andamento chamado "Enigme" - Enigma,
Por fim "Shadows of Time" escrito por ocasião do 50º aniversário do fim da segunda guerra mundial e neste caso com a gravação premiada.
Instrumental
O premiado foi um disco de Steven Osborne com obras de Musorgsky e Prokofiev. Pictures from an exbition e Visions Fugitives respectivamente. Aqui fica uma interpretação do pianista desta ultima obra.
Concerto
O prémio foi atribuído a Patricia Kopatchinskaja pela sua interpretação dos concertos dos compositores hungaros Bartók (segundo concerto), Eötvös e Ligeti . A violinista apresenta-se com a Hessen Radio Symphony Orchestra dirigida por Peter Eötvös.
Para vos ser sincero só poderei falar do concerto de Bartok e da violinista. As duas outras obras deixo-vos aqui o link (num dos casos até interpretado pela mesma artista) a apreciação terá de ser vossa.
Quanto ao concerto de Bartok é uma obra notável de que vos deixo de imediato uma gravação da estreia em 1939.
No que diz respeito à violinista não a consegui encontrar numa interpretação desta obra mas encontrei no You Tube uma interpretação da Sonata de Bartok para violino solo. Excelente (apesar de uma posição estranha do violino em relação à face ... )
A obra de Peter Eötvös na interpretação da violinista pode ser ouvida integralmente no You Tube (penso que numa outra gravação no entanto). Esta obra é dedicada à memória dos sete astronautas que perderam a vida no vaivém espacial daí o nome Seven.
Por fim Ligetti numa interpretação da Filarmónica de Berlim dirigida por Sir Simon Rattle sendo solista Tasmin Little.
Música Contemporânea
Nesta categoria o prémio foi para um CD contendo interpretações de três obras de Dutilleux, Correspondances, o Concerto para Violoncelo e Shadows of Time. Não consigo encontrar a soprano da primeira peça nesta gravação com a Orquestra da Radio França (a gravação premiada) mas aqui fica um extracto com a Filarmónica de Berlim dirigida por Sir Simon Rattle.
O concerto para Violoncelo escrito como sabemos para Rostropovich teve como solista Anssi Kartunnen. Não descobri nenhuma interpretação deste solista deste concerto e por isso tive de dividir esta ilustração em duas partes. Na primeira mostro-vos o solista a interpretar (a participar numa interpretação) de uma obra de António Pinho Vargas.
Depois o concerto bem só poderia ser por Rostropovich ele próprio ... A propósito o concerto tem um titulo "Tout un monde Lointaint" - Todo um mundo longínquo ... Aqui podem ouvir o primeiro andamento chamado "Enigme" - Enigma,
Por fim "Shadows of Time" escrito por ocasião do 50º aniversário do fim da segunda guerra mundial e neste caso com a gravação premiada.
Instrumental
O premiado foi um disco de Steven Osborne com obras de Musorgsky e Prokofiev. Pictures from an exbition e Visions Fugitives respectivamente. Aqui fica uma interpretação do pianista desta ultima obra.
Max Bruch - Concerto para Violino em Sol Menor
Embora tivéssemos falado muito "en passant" por este concerto quando votamos o nosso concerto de Violino preferido fizemo-lo quase que através de uma curta biografia do compositor Max Bruch que é um desses compositores conhecido por praticamente apenas uma obra - aliás como veremos pela história que vos vou contar uma perseguição que o afligiu em vida de forma bastante dramática.
O concerto Op. 26 em Sol Menor terá sido começado a ser composto em 1857 quando ainda estudava com Ferdinand Hiller. Porém só cerca de 10 anos mais tarde em 1865 o trabalho viria a assumir uma forma quase final quando Bruch residia em Colónia onde era o director do Real Instituto de Música. Na altura a peça era o seu primeiro grande trabalho para Orquestra e obviamente o seu primeiro concerto. Em Abril de 1886 a peça estava pronta para ser estreada o que acabou acontecer a 24 de Abril embora com um solista diferente do previsto.
Essa primeira ante-estreia se quisermos assim chamar-lhe levou Bruch a considerar que o concerto necessitava de ser revisto o que acabou por fazer durante quase um ano com o auxilio do violinista Joseph Joaquim de quem já falamos por várias vezes neste blog e que teve neste período de tempo um papel fundamental na consolidação da forma romântica do concerto - talvez tanto quanto os compositores que auxiliou.
Certo é que graças ao trabalho dos dois o concerto fica pronto para nova estreia a 5 de Janeiro de 1867 sendo solista o próprio Joachim a quem aliás Bruch dedicou a obra. O concerto foi um sucesso absoluto de tal forma que Bruch desesperou durante toda a sua vida porque apenas lhe falavam dessa sua obra. Embora tenha composto mais dois concertos a verdade é que nunca atingiram notoriedade.
O caso era especialmente desesperante porque Bruch fruto de um mau negócio não recebia qualquer rendimento desse primeiro concerto - tinha aceite um modelo em que apenas recebia um valor fixo na data de edição não tendo depois direito a nenhuma royaltie subsequente. No final da sua vida tentou ainda encontrar uma forma de receber editando o trabalho nos Estados Unidos mas mesmo aí foi vitima de um editor sem escrúpulos e a sua morte em 1920 acabou por chegar antes de ter visto recompensado financeiramente o seu sucesso.
Na verdade parece assim parco consolo as palavras do violinista Joseph Joachim que colocava este concerto de violino junto dos 4 grandes concertos de violino germânicos: O de Beethoven, o de Brahms, o de Mendelssohn e o de Bruch.
O anterior julgamento pode parecer excessivo e a colocação de Bruch ao nível de Brahms e de Beethoven um devaneio lírico do violinista. Mas não nos esqueçamos que é de um especialista que estamos a falar e de alguém que participou activamente na composição de três destes concertos. O que se passa é que na verdade o concerto de Bruch é uma obra notável transmitindo uma riqueza de ambientes e de tensões dignas de uma obra prima de cinema - aliás o concerto de Bruch é uma obra altamente cinematográfica.
Começa com um andamento que Bruch marcou como prelúdio (Vorspiel) que estabelece um ambiente quase místico - de antecipação. Ficamos várias vezes suspensos antes da entrada da Orquestra com um fortíssimo que parece ir resolver tudo mas não eis que de novo nova melodia se lança no ar retomando a dúvida ... Tudo desemboca num final calmo que liga ao maravilhoso segundo andamento, um Andante onde podemos ouvir das mais belas melodias e orquestrações compostas para um andamento lento de um concerto.
Como dizia Joachim no entanto o concerto não acaba nesse Adagio, reinventa-se com um maravilhoso contraste para o terceiro andamento que depois de uma introdução calma pela orquestra se vai desenvolvendo até um final frenético e energético que deixa normalmente os ouvintes suspensos.
Hesitei bastante na interpretação a utilizar para este concerto. sendo um dos concertos "standard" do reportório violinistico (Max Bruch sofreria ainda hoje) praticamente todos os grandes violinistas de Perlman a Heifetz passando por Menuhin e Oistrakh o interpretaram. Então entre esses e a nova escola de um Bell, ou de uma Julia Fischer ou de uma Sarah Chang qual escolher? Bom hoje estou romântico e prefiro olhar para a Julia Fischer ... critério tão bom como outro qualquer, trata-se afinal de uma grande obra do romantismo e esta violinista captou o espírito da obra - isso vos garanto. Julia Fischer portanto com a Orquestra de Zurique dirigida por David Zinman.
O concerto Op. 26 em Sol Menor terá sido começado a ser composto em 1857 quando ainda estudava com Ferdinand Hiller. Porém só cerca de 10 anos mais tarde em 1865 o trabalho viria a assumir uma forma quase final quando Bruch residia em Colónia onde era o director do Real Instituto de Música. Na altura a peça era o seu primeiro grande trabalho para Orquestra e obviamente o seu primeiro concerto. Em Abril de 1886 a peça estava pronta para ser estreada o que acabou acontecer a 24 de Abril embora com um solista diferente do previsto.Essa primeira ante-estreia se quisermos assim chamar-lhe levou Bruch a considerar que o concerto necessitava de ser revisto o que acabou por fazer durante quase um ano com o auxilio do violinista Joseph Joaquim de quem já falamos por várias vezes neste blog e que teve neste período de tempo um papel fundamental na consolidação da forma romântica do concerto - talvez tanto quanto os compositores que auxiliou.
Certo é que graças ao trabalho dos dois o concerto fica pronto para nova estreia a 5 de Janeiro de 1867 sendo solista o próprio Joachim a quem aliás Bruch dedicou a obra. O concerto foi um sucesso absoluto de tal forma que Bruch desesperou durante toda a sua vida porque apenas lhe falavam dessa sua obra. Embora tenha composto mais dois concertos a verdade é que nunca atingiram notoriedade.
O caso era especialmente desesperante porque Bruch fruto de um mau negócio não recebia qualquer rendimento desse primeiro concerto - tinha aceite um modelo em que apenas recebia um valor fixo na data de edição não tendo depois direito a nenhuma royaltie subsequente. No final da sua vida tentou ainda encontrar uma forma de receber editando o trabalho nos Estados Unidos mas mesmo aí foi vitima de um editor sem escrúpulos e a sua morte em 1920 acabou por chegar antes de ter visto recompensado financeiramente o seu sucesso.
Na verdade parece assim parco consolo as palavras do violinista Joseph Joachim que colocava este concerto de violino junto dos 4 grandes concertos de violino germânicos: O de Beethoven, o de Brahms, o de Mendelssohn e o de Bruch.
O anterior julgamento pode parecer excessivo e a colocação de Bruch ao nível de Brahms e de Beethoven um devaneio lírico do violinista. Mas não nos esqueçamos que é de um especialista que estamos a falar e de alguém que participou activamente na composição de três destes concertos. O que se passa é que na verdade o concerto de Bruch é uma obra notável transmitindo uma riqueza de ambientes e de tensões dignas de uma obra prima de cinema - aliás o concerto de Bruch é uma obra altamente cinematográfica.
Começa com um andamento que Bruch marcou como prelúdio (Vorspiel) que estabelece um ambiente quase místico - de antecipação. Ficamos várias vezes suspensos antes da entrada da Orquestra com um fortíssimo que parece ir resolver tudo mas não eis que de novo nova melodia se lança no ar retomando a dúvida ... Tudo desemboca num final calmo que liga ao maravilhoso segundo andamento, um Andante onde podemos ouvir das mais belas melodias e orquestrações compostas para um andamento lento de um concerto.
Como dizia Joachim no entanto o concerto não acaba nesse Adagio, reinventa-se com um maravilhoso contraste para o terceiro andamento que depois de uma introdução calma pela orquestra se vai desenvolvendo até um final frenético e energético que deixa normalmente os ouvintes suspensos.
Hesitei bastante na interpretação a utilizar para este concerto. sendo um dos concertos "standard" do reportório violinistico (Max Bruch sofreria ainda hoje) praticamente todos os grandes violinistas de Perlman a Heifetz passando por Menuhin e Oistrakh o interpretaram. Então entre esses e a nova escola de um Bell, ou de uma Julia Fischer ou de uma Sarah Chang qual escolher? Bom hoje estou romântico e prefiro olhar para a Julia Fischer ... critério tão bom como outro qualquer, trata-se afinal de uma grande obra do romantismo e esta violinista captou o espírito da obra - isso vos garanto. Julia Fischer portanto com a Orquestra de Zurique dirigida por David Zinman.
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