Em Janeiro de 2009 contava-vos a história do homem que democratizou o ensino de um instrumento e provavelmente inspirou dezenas de outros a fazerem o mesmo, neste artigo sobre Shinichi Suzuki (1898-1998).
Esta semana leio no dia 25 de Outubro este artigo do teoricamente insuspeito Telegraph. O meu primeiro comentário relativamente a esta noticia é que fica provado que o problema do mau jornalismo não se encontra limitado a Portugal. E explico a razão deste meu comentário que me perdoem os meus amigos jornalistas (e são alguns).
O problema com este artigo é que se coloca ao serviço dos que sempre atacaram o método desta vez colocando em causa o passado do Suzuki como se isso justificasse de alguma forma o mérito ou demérito do método quando nada no que é ensinado hoje em dia depende efectivamente desse passado. Ou seja nem sequer quero por em causa a veracidade ou falsidade da fonte citada, o facto é que se se utiliza esse argumento para colocar em causa a validade do método então diria eu que já que o infeliz japonês já não se pode defender caberia ao jornalista tentar perceber se realmente o facto relatado influi ou não no que é ensinado. Não o fazendo está a prestar um péssimo serviço.
Deixem-me assim resolver o problema por ele (Telegraph desde já fica concedida a autorização para utilizarem este texto se assim desejarem).
Como dizia em 2009 a polémica relativamente ao método sempre existiu. Sempre os puristas acusaram o mesmo de produzir autómatos sem sensibilidade musical nenhuma e sempre existiram várias teorias sobre os danos futuros do mesmo - ou seja quem por ele aprendesse seria incapaz de mais tarde interpretar correctamente e seguir profissionalmente uma qualquer carreira enquanto violinista.
O método baseia-se na repetição mas não é verdade que seja necessário começar aos 5 anos ou menos. Pode-se começar mais tarde e até pode ser utilizado em adultos. É um método que se foi aperfeiçoando e que nas suas versões mais recentes incorpora muitas das técnicas clássicas sobretudo a partir de um nível em que efectivamente isso faz sentido. É um método que essencialmente elimina as dificuldades dos primeiros passos tornando a aprendizagem menos solitária (através de aulas de grupo regulares) e menos competitiva (incentivando a colaboração entre alunos). É um método que procura resolver no caso do Violino a relação com o instrumento numa posição pouco natural. Não é a única forma de começar? Não, não é. Será a melhor? Não sei. Mas sei que, por ter experimentado a forma clássica, pelo menos pior não será.
Sei também que todas as afirmações quanto aos vícios introduzidos são falsas. E sei-o por vários exemplos que conheço. E note-se que o método não tem por pretensão criar profissionais e que muitas vezes as crianças ou adolescentes que o querem fazer após a fase de iniciação passam a utilizar métodos mais clássicos - sem qualquer problema.
Em resumo a história de vida de Shinichi Suzuki pode até ter sido diferente da que ele contou. Não é por isso que não deixou de verdadeiramente ter inventado uma forma diferente e eficaz de democratizar o ensino do violino. Colocar num titulo de um artigo "Violin teacher Suzuki is the biggest fraud in music history, says expert" é simplesmente péssimo jornalismo.
A única música que precisa de embalagem é a música de plástico.
segunda-feira, 27 de outubro de 2014
domingo, 26 de outubro de 2014
Shostakovich - Concerto para Violino nº1 em Lá Menor (Op. 77)
Pode hoje parecer estranho de uma obra abstracta (e voltamos ao tema de ontem) mas a verdade é que este concerto não foi interpretado durante mais de 10 anos devido ao receio do compositor que o mesmo fosse julgado revisionista pelo regime de Estaline e literalmente condenasse o compositor à morte (e literalmente é mesmo literalmente).
A verdade é que o concerto foi composto pouco após a segunda guerra mundial entre 1947 e 1948 tendo apenas sido estreado a 29 de Outubro de 1955 tendo por solista David Oistrakh a quem a obra tinha sido dedicada e que colaborou intensamente com o compositor em várias alterações e revisões. A honra da direcção de Orquestra coube a Yevgeny Mravinsky que dirigiu a Filarmónica de Leninegrado. O concerto foi muito bem recebido sendo que a história ainda lhe haveria de conceder mais um papel.
As relações entre os Estados Unidos e a Russia estavam a conhecer em 1953 (consequência eventual da morte de Estaline em 1953) um bom período tanto que Oistrakh foi autorizado a fazer uma tournée aos Estados Unidos onde iria tocar com algumas orquestras americanas que se disputaram o privilégio de estrear - precisamente este concerto para Violino. Essa interpretação foi transmitida pela rádio e gravada sendo neste momento possível ouvir um extracto de cerca de 4 minutos no site dos Arquivos da Filarmónica de Nova Iorque (o final e o inicio do aplauso final). Orquestra dirigida por Dimitri Mitropoulos. O programa dessa série de concertos está disponível sendo interessante a dscrição que faz da obra e que seguimos de seguida. Notem em primeiro lugar que tanto neste programa como em muitas outras referências este concerto é numerado como sendo o Opus 99. Isto tem por causa obviamente o tempo decorrente entre a composição e a publicação e interpretação. Shostakovich em vida preferiu não arriscar e conservadoramente manteve essa numeração. Musicalmente faz muito mais sentido incluir este concerto com uma numeração mais próxima da original.
O concerto rompe com a tradição clássica do concerto ao ter sido concebido em quatro andamentos (em vez dos tradicionais três).
1º Andamento Nocturne: Moderato – Um discurso baseado em dois temas, um lamento em que por vezes paira Beethoven por outras Mahler. Um andamento numa forma de Sonata muito modificada quase livre. Um andamento que cresce de um lamento para um "grito"dramático num crescendo que não vos deixará indiferentes. Aliás posso dizer-vos que foi exactamente este concerto e este andamento que um dia na Gulbenkian há uns anos me fez mudar de opinião de forma radical relativamente a Schostakovich.
2º Andamento Scherzo: Allegro – Neste andamento pela primeira vez podemos ouvir o motivo DSCH embora de forma quase ocasional. Esta parte da composição caracteriza-se por um ritmo verdadeiramente frenético sendo muitas vezes apelidado de "diabólico".
3º Andamento Passacaglia: Andante – Cadenza (attacca) – Talvez o andamento mais conhecido do concerto e aquele que permite ao solista uma maior expressividade. O andamento termina com uma condução directa ao ultimo andamento (é esse o significado da expressão "attacca" mecanismo utilizado para manter o ambiente criado).
4º Andamento Burlesque: Allegro con brio – Presto – Um andamento também muito rítmico como aliás uma grande parte do concerto uma verdadeira dança campestre porém com o acido tipico de Schostakovich.
Sendo a obra dedicada a David Oistrakh obviamente apenas poderíamos recomendar uma interpretação deste violinista. A que vos mostramos de 1956 não está disponível da sua totalidade (embora exista uma gravação em disco da mesma e uma gravação feita em estúdio no dia seguinte) mas felizmente podemos encontrar um magnifico vídeo de um concerto em Berlim (1967) com Oistrakh e a Staatskapelle Berlin dirigida por Heinz Fricke.
A verdade é que o concerto foi composto pouco após a segunda guerra mundial entre 1947 e 1948 tendo apenas sido estreado a 29 de Outubro de 1955 tendo por solista David Oistrakh a quem a obra tinha sido dedicada e que colaborou intensamente com o compositor em várias alterações e revisões. A honra da direcção de Orquestra coube a Yevgeny Mravinsky que dirigiu a Filarmónica de Leninegrado. O concerto foi muito bem recebido sendo que a história ainda lhe haveria de conceder mais um papel.
As relações entre os Estados Unidos e a Russia estavam a conhecer em 1953 (consequência eventual da morte de Estaline em 1953) um bom período tanto que Oistrakh foi autorizado a fazer uma tournée aos Estados Unidos onde iria tocar com algumas orquestras americanas que se disputaram o privilégio de estrear - precisamente este concerto para Violino. Essa interpretação foi transmitida pela rádio e gravada sendo neste momento possível ouvir um extracto de cerca de 4 minutos no site dos Arquivos da Filarmónica de Nova Iorque (o final e o inicio do aplauso final). Orquestra dirigida por Dimitri Mitropoulos. O programa dessa série de concertos está disponível sendo interessante a dscrição que faz da obra e que seguimos de seguida. Notem em primeiro lugar que tanto neste programa como em muitas outras referências este concerto é numerado como sendo o Opus 99. Isto tem por causa obviamente o tempo decorrente entre a composição e a publicação e interpretação. Shostakovich em vida preferiu não arriscar e conservadoramente manteve essa numeração. Musicalmente faz muito mais sentido incluir este concerto com uma numeração mais próxima da original.
O concerto rompe com a tradição clássica do concerto ao ter sido concebido em quatro andamentos (em vez dos tradicionais três).
1º Andamento Nocturne: Moderato – Um discurso baseado em dois temas, um lamento em que por vezes paira Beethoven por outras Mahler. Um andamento numa forma de Sonata muito modificada quase livre. Um andamento que cresce de um lamento para um "grito"dramático num crescendo que não vos deixará indiferentes. Aliás posso dizer-vos que foi exactamente este concerto e este andamento que um dia na Gulbenkian há uns anos me fez mudar de opinião de forma radical relativamente a Schostakovich.
2º Andamento Scherzo: Allegro – Neste andamento pela primeira vez podemos ouvir o motivo DSCH embora de forma quase ocasional. Esta parte da composição caracteriza-se por um ritmo verdadeiramente frenético sendo muitas vezes apelidado de "diabólico".
3º Andamento Passacaglia: Andante – Cadenza (attacca) – Talvez o andamento mais conhecido do concerto e aquele que permite ao solista uma maior expressividade. O andamento termina com uma condução directa ao ultimo andamento (é esse o significado da expressão "attacca" mecanismo utilizado para manter o ambiente criado).
4º Andamento Burlesque: Allegro con brio – Presto – Um andamento também muito rítmico como aliás uma grande parte do concerto uma verdadeira dança campestre porém com o acido tipico de Schostakovich.
Sendo a obra dedicada a David Oistrakh obviamente apenas poderíamos recomendar uma interpretação deste violinista. A que vos mostramos de 1956 não está disponível da sua totalidade (embora exista uma gravação em disco da mesma e uma gravação feita em estúdio no dia seguinte) mas felizmente podemos encontrar um magnifico vídeo de um concerto em Berlim (1967) com Oistrakh e a Staatskapelle Berlin dirigida por Heinz Fricke.
sábado, 25 de outubro de 2014
A melhor pesquisa da semana - nº1 de 2014 - "Os sentimentos expressos nas sinfonias de Beethoven"
"Os sentimentos expressos nas sinfonias de Beethoven"
Esta é uma boa pesquisa e uma boa questão porque a sua resposta pode ser dada de muitas formas diferentes. Uma das características de uma boa pergunta !
A primeira resposta que pode ser dada é que as Sinfonias de Beethoven são tão grandes quanto a vida. Os sentimentos expressos são nem mais nem menos que todos os que passam por todos e cada um dos seres humanos que existem ou existiram.
Ou então pelo menos eles exprimem os sentimentos de quem as ouve. Serão uma espécie de camaleões reflexivos à anteriori ou à posteriori. Em cada uma das obras de Beethoven poderemos ouvir um reflexo, uma imagem dos nossos sentimentos.
Ora bolas estarão a resmungar. Não é nada disso que o leitor está a perguntar. O que o leitor está a perguntar é "Que significado quis o compositor dar a cada uma das suas sinfonias ou aos andamentos que as compõem". Curiosamente apesar das aparências era essa a questão a que estava a responder.
Para vos explicar porquê terei que relembrar a velha questão sobre a música programática versus musica abstracta. A maioria das obras de música clássica são puramente abstractas ou então têm intenções enunciadas pelos compositores mas que são na maioria dos casos intenções expressas de forma abstracta e portanto susceptíveis de serem lidas de outra forma.
A música programática explicita com excepção das obras onde existe uma componente cantada com lírica é rara. Existem excepções como a Sinfonia Fantástica de Berlioz ou as Quatro Estações de Vivaldi porém mesmo estas na verdade fossem as notas programáticas perdidas e poderíamos muito bem achar que se tratam de obras com intenções totalmente diversas.
Por outras palavras, claro que é útil lerem os textos explicativos que vos entregam no inicio dos concertos ou que publico aqui. Dão à obra um contexto que vos permite uma interpretação diferente mas mais importante do que o conhecimento é sem dúvida é a vontade de ouvirem música. Qualquer música que vos agrade sem grande preocupação pelo que é "suposto" sentir ou exprimir. Seja o que for que sentirem estará correcto.
Tomem como exemplo o Adagio da Sétima Sinfonia de Beethoven com o qual vos deixo. Dificilmente encontrarão um excerto mais pungente e que mais facilmente desperta as mais diferentes emoções: alegria, tristeza, saudade e os mais opostos sentimentos: amor, ódio, calma ou paixão. Pouco importa. O que importa mesmo são os 9 minutos sublimes que podemos repetir tantas vezes quantas quisermos porque nunca são iguais. Como um camaleão reflexivo a obra exprime o que não conseguimos dizer ou apurar.
Esta é uma boa pesquisa e uma boa questão porque a sua resposta pode ser dada de muitas formas diferentes. Uma das características de uma boa pergunta !
A primeira resposta que pode ser dada é que as Sinfonias de Beethoven são tão grandes quanto a vida. Os sentimentos expressos são nem mais nem menos que todos os que passam por todos e cada um dos seres humanos que existem ou existiram.
Ou então pelo menos eles exprimem os sentimentos de quem as ouve. Serão uma espécie de camaleões reflexivos à anteriori ou à posteriori. Em cada uma das obras de Beethoven poderemos ouvir um reflexo, uma imagem dos nossos sentimentos.
Ora bolas estarão a resmungar. Não é nada disso que o leitor está a perguntar. O que o leitor está a perguntar é "Que significado quis o compositor dar a cada uma das suas sinfonias ou aos andamentos que as compõem". Curiosamente apesar das aparências era essa a questão a que estava a responder.
Para vos explicar porquê terei que relembrar a velha questão sobre a música programática versus musica abstracta. A maioria das obras de música clássica são puramente abstractas ou então têm intenções enunciadas pelos compositores mas que são na maioria dos casos intenções expressas de forma abstracta e portanto susceptíveis de serem lidas de outra forma.
A música programática explicita com excepção das obras onde existe uma componente cantada com lírica é rara. Existem excepções como a Sinfonia Fantástica de Berlioz ou as Quatro Estações de Vivaldi porém mesmo estas na verdade fossem as notas programáticas perdidas e poderíamos muito bem achar que se tratam de obras com intenções totalmente diversas.
Por outras palavras, claro que é útil lerem os textos explicativos que vos entregam no inicio dos concertos ou que publico aqui. Dão à obra um contexto que vos permite uma interpretação diferente mas mais importante do que o conhecimento é sem dúvida é a vontade de ouvirem música. Qualquer música que vos agrade sem grande preocupação pelo que é "suposto" sentir ou exprimir. Seja o que for que sentirem estará correcto.
Tomem como exemplo o Adagio da Sétima Sinfonia de Beethoven com o qual vos deixo. Dificilmente encontrarão um excerto mais pungente e que mais facilmente desperta as mais diferentes emoções: alegria, tristeza, saudade e os mais opostos sentimentos: amor, ódio, calma ou paixão. Pouco importa. O que importa mesmo são os 9 minutos sublimes que podemos repetir tantas vezes quantas quisermos porque nunca são iguais. Como um camaleão reflexivo a obra exprime o que não conseguimos dizer ou apurar.
sexta-feira, 24 de outubro de 2014
Concerto para Violoncelo em Si Menor - Dvorak
O ultimo dos concertos para um instrumento solista e Orquestra composto por Dvorak. Na opinião de muitos o melhor concerto de Violoncelo do reportório - pessoalmente estou dividido entre este e o de Shostakovich mas certamente uma das obras que prefiro. Na opinião de muitos a obra prima de Dvorak ainda superior à Nona Sinfonia (dita do Novo Mundo).
O concerto foi escrito entre 1894-1895 para o seu amigo violoncelista Hanus Wihan a quem é dedicado. Porém por razões de comunicação e de agenda a estreia da obra coube a Leo Stern a 19 de Março de 1896 em Londres no Queens Hall concerto dirigido pelo próprio Dvorak. Hanus Wihan acabou por o interpretar apenas em 1899 também sobre a direcção de Dvorak (entretanto várias interpretações desta obra fantástica tinham já ocorrido)
A obra segue o formato tradicional de concerto com um andamento rápido seguido de um andamento lento para no final voltarmos a um andamento rápido. Existem muitas interpretações sobre o significado emocional desta obra, existindo quem veja na mesma uma espécie de despedida na forma de uma autobiografia, outros que pensam que se trata da expressão da saudade e da alegria do regresso à terra natal (quando Dvorak iniciou a composição desta obra estava nos Estados Unidos afastado da mulher).
No nosso entender esta obra pode conter todas estas metáforas e outras tantas que a nossa alma imaginar tal é a riqueza e equilíbrio que revela.
1º Andamento Allegro (Si Menor - Si Maior) : Este andamento contém um dos temas mais facilmente reconhecíveis de Dvorak. Certamente um andamento inspirado pela sua experiência americana, um andamento cheio de energia e alegria, um claro contraponto ao resto do concerto que por razões que veremos é essencialmente triste e nostálgico.
2º Andamento Adagio, ma non troppo (Sol Maior) : Se quanto ao anterior andamento podem subsistir dúvidas quanto ao seu "significado" neste caso estas dúvidas estão totalmente esclarecidas porque é sabido pelas palavras do próprio Dvorak que todo este andamento é dedicado a Josefina o seu primeiro grande amor e irmã de sua mulher com quem se casou após a rejeição da irmã. Uma citação de uma das canções preferidas de Josefina Kéž duch můj sám “Deixa-me Só” aparece, uma expressão da preocupação do compositor que tinha acabado de saber da doença da cunhada.
3º Andamento Allegro moderato – Andante – Allegro vivo (Si Maior - Si Menor) : Este andamento prolonga a homenagem que o compositor faz à sua cunhada tendo já sido composto após o retorno à Checoslováquia e tendo já conhecimento da sua morte. O certo é que Dvorak foi especialmente
Quanto à qualidade e interesse desta obra basta referir o que Brahms disse a seu propósito, algo do género "Ah se eu soubesse que era possível escrever um concerto de Violoncelo destes ... Os Violoncelistas devem estar agradecidos a Dvorak por ter escrito uma obra destas .
A minha interpretação preferida desta obra? Bem mentiria se não vos dissesse que gosto de Rostropovich porém este concerto é um soneto à vida e ao amor e nesse sentido tendo a preferir a interpretação mais suave de Jacqueline Du Pré com a Sinfónica de Chicago dirigida por Daniel Barenboim. E claro que se puderem adquirir a gravação que inclui também o Concerto para Violoncelo de Elgar terão num mesmo disco os dois concertos nos quais esta Violoncelista é para muitos imbatível (no caso de Elgar há maestros que terão dito que sem Jacqueline este concerto - o de Elgar - não é a mesma coisa ... mas isto será outra história).
O concerto foi escrito entre 1894-1895 para o seu amigo violoncelista Hanus Wihan a quem é dedicado. Porém por razões de comunicação e de agenda a estreia da obra coube a Leo Stern a 19 de Março de 1896 em Londres no Queens Hall concerto dirigido pelo próprio Dvorak. Hanus Wihan acabou por o interpretar apenas em 1899 também sobre a direcção de Dvorak (entretanto várias interpretações desta obra fantástica tinham já ocorrido)
A obra segue o formato tradicional de concerto com um andamento rápido seguido de um andamento lento para no final voltarmos a um andamento rápido. Existem muitas interpretações sobre o significado emocional desta obra, existindo quem veja na mesma uma espécie de despedida na forma de uma autobiografia, outros que pensam que se trata da expressão da saudade e da alegria do regresso à terra natal (quando Dvorak iniciou a composição desta obra estava nos Estados Unidos afastado da mulher).
No nosso entender esta obra pode conter todas estas metáforas e outras tantas que a nossa alma imaginar tal é a riqueza e equilíbrio que revela.
1º Andamento Allegro (Si Menor - Si Maior) : Este andamento contém um dos temas mais facilmente reconhecíveis de Dvorak. Certamente um andamento inspirado pela sua experiência americana, um andamento cheio de energia e alegria, um claro contraponto ao resto do concerto que por razões que veremos é essencialmente triste e nostálgico.
2º Andamento Adagio, ma non troppo (Sol Maior) : Se quanto ao anterior andamento podem subsistir dúvidas quanto ao seu "significado" neste caso estas dúvidas estão totalmente esclarecidas porque é sabido pelas palavras do próprio Dvorak que todo este andamento é dedicado a Josefina o seu primeiro grande amor e irmã de sua mulher com quem se casou após a rejeição da irmã. Uma citação de uma das canções preferidas de Josefina Kéž duch můj sám “Deixa-me Só” aparece, uma expressão da preocupação do compositor que tinha acabado de saber da doença da cunhada.
3º Andamento Allegro moderato – Andante – Allegro vivo (Si Maior - Si Menor) : Este andamento prolonga a homenagem que o compositor faz à sua cunhada tendo já sido composto após o retorno à Checoslováquia e tendo já conhecimento da sua morte. O certo é que Dvorak foi especialmente
Quanto à qualidade e interesse desta obra basta referir o que Brahms disse a seu propósito, algo do género "Ah se eu soubesse que era possível escrever um concerto de Violoncelo destes ... Os Violoncelistas devem estar agradecidos a Dvorak por ter escrito uma obra destas .
A minha interpretação preferida desta obra? Bem mentiria se não vos dissesse que gosto de Rostropovich porém este concerto é um soneto à vida e ao amor e nesse sentido tendo a preferir a interpretação mais suave de Jacqueline Du Pré com a Sinfónica de Chicago dirigida por Daniel Barenboim. E claro que se puderem adquirir a gravação que inclui também o Concerto para Violoncelo de Elgar terão num mesmo disco os dois concertos nos quais esta Violoncelista é para muitos imbatível (no caso de Elgar há maestros que terão dito que sem Jacqueline este concerto - o de Elgar - não é a mesma coisa ... mas isto será outra história).
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