Pois é ! Não sei porquê mas perdeu-se o texto das minhas recomendações. Cá vai outra vez !
Estava eu a dizer que hoje estou contente porque entre as recomendações de miúdos e adolescentes que já ouvi tocar muitas vezes e as recomendações da blogosfera dos amigos vou conseguir dar-vos propostas para quase todo o país - enfim pelo menos de Norte a Sul ...
Em primeiro lugar vou repetir-vos a recomendação do concerto dos Violinhos em Castelo Branco às 16h de Sábado na Sé de Castelo Branco.
Vou também repetir-vos tal como combinado a recomendação para Lisboa no dia seguinte. Domingo, 9 de Março a Orquestra de jovens violinistas Paganinus do Conservatório Regional de Sétubal na lindissima Sala do Capítulo no Mosteiro dos Jerónimos pelas 11h. Não percam.
Agora ao Sul, passando assim para as recomendações de alguns amigos da Blogosfera, recomendo-vos em Castro Verde integrado no Festival Terras sem Sombra (magnifico nome para uma magnifica iniciativa) dia 8 de Março às 21:00 na Basílica Real de Nossa Senhora da Conceição poderão ouvir O Virgo Splendens: A Devoção Mediterrânica Medieval pelo BANCHETTO MUSICALE LUSITANIA. Para informações mais detalhadas sobre este grupo e sobre o programa recomenda-se vivamente este post. Definitivamente a não perder. Sugere-se também um bom jantar algures no Alentejo :-) ... só têm o embaraço da escolha por isso nem sequer faço recomendações especificas.
Finalmente na zona do Porto, mais concretamente em São João da Madeira recomendamos um concerto que embora não seja estrictamente de música clássica é um projecto que nos parece merecer a vossa atenção. "Despiques" - Lançamento do CD e concerto-conferência. Com o Coro de Câmara de São João da Madeira dirigido por Magna Ferreira. Serão interpretadas Obras originais, sobre temas populares das Terras de Santa Maria, dos compositores Fernando Valente, Nuno Peixoto e Pedro Santos. Adaptação vocal da Harmonização do Hino de São João da Madeira por Eugénio Amorim. Sábado dia 8 de Março às 21:45 no Auditório dos Paços da Cultura, em S. J. Madeira.
Já sabem não fiquem em casa, não se submetam à ordem das pantufas, não cedam ao charme do sofá, não se deixem amolecer pelo canto sibilino da televisão, saiam de casa, vão ver e ouvir música ao vivo. Nem sequer têm desculpa do custo porque a maioria destas recomendações é Grátis !!! Já sabem, ao vivo é outra coisa !
A única música que precisa de embalagem é a música de plástico.
sexta-feira, 7 de março de 2008
quinta-feira, 6 de março de 2008
Beethoven - Sinfonia nº 6
Como dissemos esta sinfonia não poderia ter um contraste maior em relação à quinta. Curiosamente as duas foram escritas em simultaneo e segundo Grove é mesmo provável que a numeração original tenha sido a inversa (primeiro a sexta e depois a quinta). Foi completada em 1808 tendo sido composta entre 1804 e 1808 tal como a quinta. Também como esta foi dedicada aos mesmos Franz Joseph von Lobkowitz e ao conde Rasumovsky. Curiosamente foi estreada exactamente no mesmo concerto em que a quinta o foi (imaginem como foi possível !) e que correu bastante mal. Um programa demasiado longo mal ensaiado terão sido as razões.
Aliás como vos disse a junção destas duas obras dedicada a estes dois homens em conjunto tinha de certeza um significado para Beethoven dado que conforme vos referi era suposto a quinta ser dedicada ao conde Franz von Oppersdorf (que "coitado" se teve de contentar com a quarta sinfonia).
Se a terceira e a quinta endereçam a emoção e a luta pela felicidade do espírito a sexta sinfonia op. 68 em Fá Maior é a primeira e única verdadeira incursão de Beethoven na música programática. Porém note-se que mesmo neste caso Beethoven teve o cuidado de nos avisar que a sua sinfonia mais do que "uma pintura" pretendia retratar os sentimentos de paz e de poesia ao contacto com a Natureza.
Não vamos hoje dissecar os vários andamentos desta sinfonia (até porque são mais do que os habituais - 5 neste caso) e o adiantado da hora já não permite essa veleidade. Deixo-vos por hoje com um parágrafo da análise de Berlioz sobre esta sinfonia:
Mais le poëme de Beethoven!... ces longues périodes si colorées!... ces images parlantes!... ces parfums!... cette lumière!... ce silence éloquent!... ces vastes horizons!... ces retraites enchantées dans les bois!... ces moissons d’or!... ces nuées roses, taches errantes du ciel!... cette plaine immense sommeillant sous les rayons de midi!... L’homme est absent!... la nature seule se dévoile et s’admire... Et ce repos profond de tout ce qui vit! Et cette vie délicieuse de tout ce qui repose!... Le ruisseau enfant qui court en gazouillant vers le fleuve!... le fleuve père des eaux, qui, dans un majestueux silence, descend vers la grande mer!... Puis l’homme intervient, l’homme des champs, robuste, religieux... ses joyeux ébats interrompus par l’orage... ses terreurs... son hymne de reconnaissance ...
Que recomendamos leiam ouvindo o início da Pastoral aqui.
Aliás como vos disse a junção destas duas obras dedicada a estes dois homens em conjunto tinha de certeza um significado para Beethoven dado que conforme vos referi era suposto a quinta ser dedicada ao conde Franz von Oppersdorf (que "coitado" se teve de contentar com a quarta sinfonia).
Se a terceira e a quinta endereçam a emoção e a luta pela felicidade do espírito a sexta sinfonia op. 68 em Fá Maior é a primeira e única verdadeira incursão de Beethoven na música programática. Porém note-se que mesmo neste caso Beethoven teve o cuidado de nos avisar que a sua sinfonia mais do que "uma pintura" pretendia retratar os sentimentos de paz e de poesia ao contacto com a Natureza.
Não vamos hoje dissecar os vários andamentos desta sinfonia (até porque são mais do que os habituais - 5 neste caso) e o adiantado da hora já não permite essa veleidade. Deixo-vos por hoje com um parágrafo da análise de Berlioz sobre esta sinfonia:
Mais le poëme de Beethoven!... ces longues périodes si colorées!... ces images parlantes!... ces parfums!... cette lumière!... ce silence éloquent!... ces vastes horizons!... ces retraites enchantées dans les bois!... ces moissons d’or!... ces nuées roses, taches errantes du ciel!... cette plaine immense sommeillant sous les rayons de midi!... L’homme est absent!... la nature seule se dévoile et s’admire... Et ce repos profond de tout ce qui vit! Et cette vie délicieuse de tout ce qui repose!... Le ruisseau enfant qui court en gazouillant vers le fleuve!... le fleuve père des eaux, qui, dans un majestueux silence, descend vers la grande mer!... Puis l’homme intervient, l’homme des champs, robuste, religieux... ses joyeux ébats interrompus par l’orage... ses terreurs... son hymne de reconnaissance ...
Que recomendamos leiam ouvindo o início da Pastoral aqui.
Órgãos de Portugal - Uma recomendação de um site
Depois da descarga emocional que a quinta sinfonia representa precisavamos mesmo de interromper a sequência para nos prepararmos para o ambiente bucólico da sexta. E mesmo a calhar recebemos um email de um leitor que nos apresenta um site excepcional: Órgãos de Portugal
Neste site o autor Nuno Carmona, lista todos os orgãos de Portugal, históricos e modernos, ordenados por concelhos e com fotos e dados técnicos. Poderá também encontrar uma discografia de peças gravadas nestes instrumentos, partituras, uma agenda de concertos e uma lista de links com mais sites sobre orgãos e organistas.
Um site muito completo que contém tudo aquilo que quer saber sobre orgãos. Assim não se esqueçam de dar uma vista de olhos e de manterem-se atentos à agenda e outras novidades que por lá apareçam. Obviamente vai já para a lista dos Recomendados ...
Parabéns Nuno Carmona por um excelente site !
Neste site o autor Nuno Carmona, lista todos os orgãos de Portugal, históricos e modernos, ordenados por concelhos e com fotos e dados técnicos. Poderá também encontrar uma discografia de peças gravadas nestes instrumentos, partituras, uma agenda de concertos e uma lista de links com mais sites sobre orgãos e organistas.
Um site muito completo que contém tudo aquilo que quer saber sobre orgãos. Assim não se esqueçam de dar uma vista de olhos e de manterem-se atentos à agenda e outras novidades que por lá apareçam. Obviamente vai já para a lista dos Recomendados ...
Parabéns Nuno Carmona por um excelente site !
terça-feira, 4 de março de 2008
Beethoven - Sinfonia nº 5 Op. 67 em Dó Menor (Segunda Parte)
A quinta sinfonia estreada a 22 de Dezembro de 1808 é composta de quatro andamentos. A descrição que se segue (como aliás das restantes sinfonias de Beethoven) é uma mistura dos meus sentimentos pessoais com as opiniões de Berlioz e de Groove (que indico sempre que são transcrições ou aliterações das mesmas).
O primeiro andamento (Allegro) é a expressão dos sentimentos desordenados, de momentos de puro desespero logo seguidos de outros do mais profundo lirismo. Mas a expressão destes profundos e contrastantes estados de espírito é construído no mais profundo respeito por uma estrutura clássica. O facto desta expressão tão dramática ser feita dentro de tão rigorosos limites realça mais o génio do compositor e paradoxalmente torna a transmissão das emoções directa e imediata. Ontem na introdução a esta obra tinha-vos mostrado uma versão de Toscanini. Hoje vou essencialmente socorrer-me de Bernstein (tenho utilizado várias vezes Karajan nas outras sinfonias) portanto agora desculpem-me mas vou mostrar-vos Bernstein em 1976 com a Sinfónica da Rádio da Baviera (para quem gosta das histórias de moda podem aqui ver Bernstein com um look diferente - de barba ... ). Oiçam aqui.
O segundo andamento (Adagio) é tão profusamente triste tão consistentemente melancólico e não obstante tão perfeitamente belo e sintetizado. Nada existe a mais, nenhuma expressão excessiva, apenas e exclusivamente a justa medida. Oiçam aqui este segundo andamento dirigido por Carlos Kelber.
Por outro lado o terceiro andamento (Sherzo) é todo ele mistério começando num tom que revela do medo mas que pouco a pouco se afasta para dar lugar ao surpreendente inicio do quarto andamento que como sabem é tocado sem interrupção. Aliás esta ligação é extraordinariamente dificil de conseguir. Oiçam aqui a primeira parte do terceiro andamento aqui dirigido por Leonard Bernstein em 1976 por ocasião de um concerto em favor da amnistia internacional. Oiçam aqui a fase final deste terceiro andamento e o inicio do quarto andamento.
Se o terceiro andamento é misterioso o quarto por seu lado é a manifestação da energia e alegria pura, é se quisermos o final feliz de uma obra absolutamente fantástica. Continuemos com Bernstein no final deste quarto andamento aqui.
O primeiro andamento (Allegro) é a expressão dos sentimentos desordenados, de momentos de puro desespero logo seguidos de outros do mais profundo lirismo. Mas a expressão destes profundos e contrastantes estados de espírito é construído no mais profundo respeito por uma estrutura clássica. O facto desta expressão tão dramática ser feita dentro de tão rigorosos limites realça mais o génio do compositor e paradoxalmente torna a transmissão das emoções directa e imediata. Ontem na introdução a esta obra tinha-vos mostrado uma versão de Toscanini. Hoje vou essencialmente socorrer-me de Bernstein (tenho utilizado várias vezes Karajan nas outras sinfonias) portanto agora desculpem-me mas vou mostrar-vos Bernstein em 1976 com a Sinfónica da Rádio da Baviera (para quem gosta das histórias de moda podem aqui ver Bernstein com um look diferente - de barba ... ). Oiçam aqui.
O segundo andamento (Adagio) é tão profusamente triste tão consistentemente melancólico e não obstante tão perfeitamente belo e sintetizado. Nada existe a mais, nenhuma expressão excessiva, apenas e exclusivamente a justa medida. Oiçam aqui este segundo andamento dirigido por Carlos Kelber.
Por outro lado o terceiro andamento (Sherzo) é todo ele mistério começando num tom que revela do medo mas que pouco a pouco se afasta para dar lugar ao surpreendente inicio do quarto andamento que como sabem é tocado sem interrupção. Aliás esta ligação é extraordinariamente dificil de conseguir. Oiçam aqui a primeira parte do terceiro andamento aqui dirigido por Leonard Bernstein em 1976 por ocasião de um concerto em favor da amnistia internacional. Oiçam aqui a fase final deste terceiro andamento e o inicio do quarto andamento.
Se o terceiro andamento é misterioso o quarto por seu lado é a manifestação da energia e alegria pura, é se quisermos o final feliz de uma obra absolutamente fantástica. Continuemos com Bernstein no final deste quarto andamento aqui.
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