Luigi Cherubini nasceu em Florença em 1760, não se conhece exactamente a data (8 e 14 de Setembro são algumas das possibilidades). Embora tenha nascido em Itália passou a maioria da sua vida em França. Embora tenha composto em praticamente todos os géneros destacou-se sobretudo na Ópera e na música Sacra.
Começou a aprender música com apenas 6 anos pela mão do seu pai. Considerado uma criança prodígio Cherubini cedo estudou composição (aos nove) e aos treze anos já tinha composto várias obras de música sacra.
Em 1785 viajou para Londres na procura de uma maior liberdade criativa e nesse mesmo ano fez uma viagem a França na companhia do seu amigo Gianbattista Viotti que o apresentou à rainha Maria Antonieta e à sociedade parisiense. Cherubini gostou tanto do que viu que praticamente não voltou a sair de Paris.
Foi já em Paris que compôs a sua ópera mais conhecida Médée(1797) que ainda hoje é interpretada pelas grandes figuras e nos grandes palcos mundiais. A título de exemplo fiquem com a grande Maria Callas aqui.
Curiosamente Luigi Cherubini entrou em conflito com um outro músico de quem já temos aqui falado, Hector Berlioz, possivelmente um desacordo entre gerações diferentes no Conservatório de que Cherubini era director.
Continuando neste registo de curiosidades Cherubini tinha no entanto alguns defensores e amigos entre os quais Beethoven (que o considerava o melhor da sua geração), Rossini e o Pintor Ingres. Aliás Cherubini e Ingres partilhavam gostos já que Cherubini apreciava muito a pintura e Ingres o Violino. Aliás é dessa amizade e do facto de Ingres ter aprendido a tocar violino como Hobby que nasceu a expressão "Violino d´Ingres" para referir um hobby ou passatempo de um artista no qual este ou esta não é muito bom apesar de estar firmemente convencido do contrário.
Cherubini faleceu em Paris no dia 15 de Março de 1842.
A única música que precisa de embalagem é a música de plástico.
domingo, 6 de abril de 2008
sábado, 5 de abril de 2008
Herbert Von Karajan (1908-1989)
Herbert von Karajan se fosse vivo faria hoje 100 anos. Desta forma resolvemos festejar esta ocasião com um post sobre um dos grandes maestros do século XX. Figura bastante controversa como veremos não deixa por isso de ser um génio impar e uma figura incontornável na música.
Karajan nasceu em Salzburgo em 1908 no seio de uma próspera família burguesa. Iniciou os seus estudos musicais no Salzburg Mozarteum, ainda hoje uma das melhores escolas de música da Europa. Nessa escola Bernhard Paumgartner (1887 -1971), ele também um filho de Salzburgo (ainda que adoptivo) e futuro director do festival de Salzburgo e grande director da referida escola recomendou-lhe que seguisse a carreira de Maestro.
Assim entre 1926 e 1929 estuda com Franz Schalk (1863-1931) na Academia de Viena a arte de dirigir uma orquestra. Curiosamente Franz Schalk viria também a ter um papel importante no estabelecimento do Festival de Salzburgo.
A estreia de Karajan como maestro ocorre em Salzburgo em 1929 a 22 de Janeiro de 1929. Entre 1929 e 1934 é maestro da Orquestra de Ulm. Em 1933 estreia-se no Festival de Salzburgo. Em 1934 obtém o primeiro convite para tocar com a Filarmónica de Viena e torna-se Director Musical em Aachen.
Em 1938 estreia-se com a orquestra de que viria a ser o emblema de marca. Depois de uma interpretação hoje lendária de Tristão e Isolda ganhou a simpática alcunha de "Das Wunder Karajan".
Ainda nesse ano assina o seu primeiro contracto de gravação, actividade a que emprestou uma grande parte do seu esforço. Em 1939 faz a sua primeira gravação: A Flauta Mágica de Mozart.
Entre 1941 e 1944 mantém em plena guerra a sua actividade musical em Berlim tendo por isso e pela sua inscrição no partido nazi acusado de colaboracionismo. No entanto, após a guerra a comissão austríaca encarregada de estudar o seu caso considerou-o inocente.
Pode assim em 1947 aceitar o convite da nova Filarmónica de Londres para como maestro convidado dirigir mais de 20 concertos nos Estados Unidos. Em 1951 conduz O Anel do Nibelungo, Tristao e Isolda e Meistersinger no então recriado festival de Bayreuth.
Em 1955 sucede ao grande Furtwängler como maestro da Filarmónica de Berlim de que viria a ser a cara a marca (além de ter durante anos moldado esta orquestra a sua concepção do que deveria ser uma orquestra filarmónica). Na realidade em 1956 obtem uma nomeação vitalícia como regente dessa orquestra.
Entre 1956 e 1960 aceita o cargo de director artístico do Festival de Salzburgo. esta cargo permitiu-lhe ser director artístico da Filarmónica de Viena entre 1957 e 1964. Em 1959 volta a Deutsche Grammophon e desde logo se propõe efectuar a gravação integral das nove sinfonias de Beethoven, projecto que acaba por levar a cabo em 1963. Aliás esse ano seria um ano fantástico já que também marca a inauguração da nova sala de espectáculos de Berlim construída de acordo com as suas especificações. Proponho que vejam dessa época este fantástico vídeo em duas partes com a quinta sinfonia de Beethoven. Parte 1 - Parte 2.
Em 1967 cria o Festival da Páscoa em Salzburgo onde durante várias épocas iria interpretar o Anel de Wagner. Já em 1968 iria fundar a fundação Karajan estabelecendo um prémio bienal para jovens maestros. Em 1977 grava o seu segundo ciclo completo das nove sinfonias de Beethoven. Em 1978, no que alguns consideram ter sido o seu maior erro grava os cinco concertos para violino com a jovem violinista alemã Anne-sophie Mutter que na altura tinha 14 anos.
Em 1980 sempre na vanguarda da inovação grava o primeiro título digital da Deutsche Grammophon que simbolicamente é também a flauta mágica de Mozart.
Em 1984 grava o seu terceiro e ultimo ciclo integral das nove sinfonias de Beethoven. Em 1989 interpreta pela ultima vez em público em Nova Iorque conduzindo muito adequadamente a Orquesta Filarmónica Vienense onde é interpretada a sétima sinfonia de Bruckner, o que também não deixa de ser uma escolha que faz sentido sendo também ele (Bruckner) um mal amado ... Esta mesma composição foi também a ultima gravação efectuada.
Faleceu em Anif, perto de Salzburgo no dia 16 de Julho de 1989.
"Those who have achieved all their aims probably set them too low"
Herbert von Karajan.
Karajan nasceu em Salzburgo em 1908 no seio de uma próspera família burguesa. Iniciou os seus estudos musicais no Salzburg Mozarteum, ainda hoje uma das melhores escolas de música da Europa. Nessa escola Bernhard Paumgartner (1887 -1971), ele também um filho de Salzburgo (ainda que adoptivo) e futuro director do festival de Salzburgo e grande director da referida escola recomendou-lhe que seguisse a carreira de Maestro.
Assim entre 1926 e 1929 estuda com Franz Schalk (1863-1931) na Academia de Viena a arte de dirigir uma orquestra. Curiosamente Franz Schalk viria também a ter um papel importante no estabelecimento do Festival de Salzburgo.
A estreia de Karajan como maestro ocorre em Salzburgo em 1929 a 22 de Janeiro de 1929. Entre 1929 e 1934 é maestro da Orquestra de Ulm. Em 1933 estreia-se no Festival de Salzburgo. Em 1934 obtém o primeiro convite para tocar com a Filarmónica de Viena e torna-se Director Musical em Aachen.
Em 1938 estreia-se com a orquestra de que viria a ser o emblema de marca. Depois de uma interpretação hoje lendária de Tristão e Isolda ganhou a simpática alcunha de "Das Wunder Karajan".
Ainda nesse ano assina o seu primeiro contracto de gravação, actividade a que emprestou uma grande parte do seu esforço. Em 1939 faz a sua primeira gravação: A Flauta Mágica de Mozart.
Entre 1941 e 1944 mantém em plena guerra a sua actividade musical em Berlim tendo por isso e pela sua inscrição no partido nazi acusado de colaboracionismo. No entanto, após a guerra a comissão austríaca encarregada de estudar o seu caso considerou-o inocente.
Pode assim em 1947 aceitar o convite da nova Filarmónica de Londres para como maestro convidado dirigir mais de 20 concertos nos Estados Unidos. Em 1951 conduz O Anel do Nibelungo, Tristao e Isolda e Meistersinger no então recriado festival de Bayreuth.
Em 1955 sucede ao grande Furtwängler como maestro da Filarmónica de Berlim de que viria a ser a cara a marca (além de ter durante anos moldado esta orquestra a sua concepção do que deveria ser uma orquestra filarmónica). Na realidade em 1956 obtem uma nomeação vitalícia como regente dessa orquestra.
Entre 1956 e 1960 aceita o cargo de director artístico do Festival de Salzburgo. esta cargo permitiu-lhe ser director artístico da Filarmónica de Viena entre 1957 e 1964. Em 1959 volta a Deutsche Grammophon e desde logo se propõe efectuar a gravação integral das nove sinfonias de Beethoven, projecto que acaba por levar a cabo em 1963. Aliás esse ano seria um ano fantástico já que também marca a inauguração da nova sala de espectáculos de Berlim construída de acordo com as suas especificações. Proponho que vejam dessa época este fantástico vídeo em duas partes com a quinta sinfonia de Beethoven. Parte 1 - Parte 2.
Em 1967 cria o Festival da Páscoa em Salzburgo onde durante várias épocas iria interpretar o Anel de Wagner. Já em 1968 iria fundar a fundação Karajan estabelecendo um prémio bienal para jovens maestros. Em 1977 grava o seu segundo ciclo completo das nove sinfonias de Beethoven. Em 1978, no que alguns consideram ter sido o seu maior erro grava os cinco concertos para violino com a jovem violinista alemã Anne-sophie Mutter que na altura tinha 14 anos.
Em 1980 sempre na vanguarda da inovação grava o primeiro título digital da Deutsche Grammophon que simbolicamente é também a flauta mágica de Mozart.
Em 1984 grava o seu terceiro e ultimo ciclo integral das nove sinfonias de Beethoven. Em 1989 interpreta pela ultima vez em público em Nova Iorque conduzindo muito adequadamente a Orquesta Filarmónica Vienense onde é interpretada a sétima sinfonia de Bruckner, o que também não deixa de ser uma escolha que faz sentido sendo também ele (Bruckner) um mal amado ... Esta mesma composição foi também a ultima gravação efectuada.
Faleceu em Anif, perto de Salzburgo no dia 16 de Julho de 1989.
"Those who have achieved all their aims probably set them too low"
Herbert von Karajan.
Recomendação de Ultima Hora : Mões - Castro Daire
Num dos blogs que leio regularmente fiquei a saber que a Sociedade Filarmónica de Mões (concelho de Castro Daire) vai realizar um concerto hoje (5 de Abril) às 20h30 no salão paroquial de Mões.
O repertório contará com as seguintes peças:
* Clarinera Major - J. Vte Mas Quiles
* Ross Roy - Jacob de Haan
* Brisas d'Aire - António Lourenço
* Viva Itália! - Jack Bullock
* Abba Gold - Abba/arr. Ron Sebregts
* Harmonique - Wim Laseroms
Concerto sobre a direcção do Maestro David Sousa que se estreia.
Já sabem qual é o desafio se estiverem perto desta localidade. Saiam de casa e vão ouvir música ao vivo, porque como sabem Ao Vivo é Outra Coisa!
O repertório contará com as seguintes peças:
* Clarinera Major - J. Vte Mas Quiles
* Ross Roy - Jacob de Haan
* Brisas d'Aire - António Lourenço
* Viva Itália! - Jack Bullock
* Abba Gold - Abba/arr. Ron Sebregts
* Harmonique - Wim Laseroms
Concerto sobre a direcção do Maestro David Sousa que se estreia.
Já sabem qual é o desafio se estiverem perto desta localidade. Saiam de casa e vão ouvir música ao vivo, porque como sabem Ao Vivo é Outra Coisa!
sexta-feira, 4 de abril de 2008
Jan Ladislav Dussek ( 1760-1812 )
Dussek nasceu a 12 de Fevereiro de 1760 em Čáslav numa família desde há muito ligada à música. Depois de ter estudado na Boémia durante os primeiros anos da sua carreira rapidamente chegou à corte de Catarina a Grande em S. Petersburgo onde se tornou o protegido da rainha. Tinha entretanto passado por Londres onde conheceu e casou com a Harpista Sophia Corri. Teve de sair à pressa da Rússia perseguido pela polícia por razões desconhecidas. Bem não serão totalmente desconhecidas se considerarmos que a vida de Jan Dussek se caracterizou, como dizê-lo, por um forte pendor romântico e conquistador ...
Dussek escreveu um número considerável de peças nomeadamente concertos para piano que pelo virtuosismo que exigem podem ser consideradas percursores do período romântico.
Não querendo menosprezar a importância de Dussek como compositor a maior influência que terá tido na história da música terá sido ao convencer o seu sogro a tornar-se editor de música e ao persuadir o construtor de pianos Broadwood a aumentar a gama dos teclados de piano. Foi num destes pianos que Beethoven compôs algumas das suas composições.
Em 1799 em Hamburgo entre ao serviço do Rei Luis Ferdinand da Prússia cuja morte chorou numa sonata que ficou célebre. Passou os últimos da sua vida sobre a protecção do ministro Talleyrand em Paris onde viria a falecer em 1812.
Dussek escreveu também bastante para música de câmara em particular para Violino, Harpa e Piano. Neste género inovou ao ser o primeiro a utilizar percussão ou pelo menos dos primeiros.
Deixamos-vos aqui com uma parte de uma das obras mais célebres do compositor intitulada "O sofrimento da Raínha de França" Op. 23 em Dó Menor. Podem ouvir aqui a segunda parte.
Dussek escreveu um número considerável de peças nomeadamente concertos para piano que pelo virtuosismo que exigem podem ser consideradas percursores do período romântico.
Não querendo menosprezar a importância de Dussek como compositor a maior influência que terá tido na história da música terá sido ao convencer o seu sogro a tornar-se editor de música e ao persuadir o construtor de pianos Broadwood a aumentar a gama dos teclados de piano. Foi num destes pianos que Beethoven compôs algumas das suas composições.
Em 1799 em Hamburgo entre ao serviço do Rei Luis Ferdinand da Prússia cuja morte chorou numa sonata que ficou célebre. Passou os últimos da sua vida sobre a protecção do ministro Talleyrand em Paris onde viria a falecer em 1812.
Dussek escreveu também bastante para música de câmara em particular para Violino, Harpa e Piano. Neste género inovou ao ser o primeiro a utilizar percussão ou pelo menos dos primeiros.
Deixamos-vos aqui com uma parte de uma das obras mais célebres do compositor intitulada "O sofrimento da Raínha de França" Op. 23 em Dó Menor. Podem ouvir aqui a segunda parte.
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