quarta-feira, 21 de maio de 2008

Chopin - Prelúdios

Chopin escreveu 26 preludios e também neste caso não vos vou falar de todos um a um. Vinte e Quatro destes preludios constituem o Opus 28, um forma sozinho o Opus 45 e o vigésimo sexto é póstumo sem numeração.

Estas peças estão fortemente ligadas na sua concepção à obra de Bach "Cravo bem Temperado" no sentido em que se sabe que Chopin não só admirava bastante a obra de Bach pela sua perfeição, pela sua minúcia e atenção aos mais pequenos detalhes como também se sabe que Chopin estudou profundamente essa obra antes de compor os preludios que constituem o Op. 28.

Á semelhança de Bach existe uma ordem lógica nos prelúdios embora enquanto Bach escolheu uma ordem cromática Chopin preferiu uma ordenação que segue o ciclo das tonalidades (explicações sobre estes dois temas estão prometidas daqui a uns tempos, por agora basta saberem que se tratam de formas diferentes, mas ambas racionais de ordenação em termos musicais).

Uma nota final antes de vos falarmos de alguns dos Prelúdios. O nome se traduzido "á letra" significaria "introdução", peças que serviriam como introdução a outras peças de maior importância. É um erro pensar assim por duas razões. Se tomados individualmente cada um destes preludios é uma obra de arte de concisão, embora por vezes apenas esquissos, mas são esquissos de um grande mestre. Se tomados no seu conjunto esta será talvez a obra mais revolucionária de Chopin. A obra que em conjunto com os Estudos o coloca sem margem para duvidas na galeria dos mais relevantes compositores no que diz respeito ao ensino do piano. Aliás é curioso a esse respeito que Chopin não tenha deixado escola, talvez pelo seu feitio ou outros interesses ... talvez pela sua vida demasiado curta e preenchida.

Por todas as razões achamos que devem tomar cerca de 30 a 35 minutos do vosso tempo e ouvir todos os preludios em sequência, na sequência que Chopin imaginou e perceberem a natureza do génio. A propósito e como nota de rodapé existem muitas fábulas mais ou menos românticas sobre quase todos os preludios, muitos deles têm nomes não atribuídos por Chopin mas pelos seus admiradores ou estudiosos. Existe nomeadamente controvérsia sobre onde teriam sido escritos: A fábula mais romântica diz que foram compostos num monasterio em Maiorca mas sabe-se que se é verdade que foram terminados quando Chopin vivia com a actriz George Sand nessa ilha também não deixa de ser verdade que muitos deles já teriam sido certamente compostos anteriormente.

Escolhemos dois preludios porque são dos nossos preferidos mas poderíamos facilmente ter escolhido outros tal a riqueza deste conjunto de obras. Lembram-me pela concisão e pela variação abrupta de tom, do humor à mais profunda escuridão passando pelo lirismo mais completo - lembram-me dizia - algumas obras de Prevert por exemplo.

Fiquem assim com Vladimir Horowitz no Op. 28 nº 15 (Raindrop) aqui ou com Dong-Min Lim no Op.28 nº 17 aqui.

Se quiserem ouvir todos os preludios podem por exemplo recorrer a esta interpretação de Martha Argerich que é excelente. É pena o ruído de fundo que estraga a experiência mas para terem um ideia da profundidade da obra e posteriormente adquirirem (ou não) é adequado. Está dividido em três partes (e graças a Deus os números são iguais em Japonês :-)).

Parte 1 (Preludios 1 a 8), Parte 2 (Preludios 9 a 15), Parte 3 (Preludios 16 a 24)

terça-feira, 20 de maio de 2008

Chopin - Sonata para piano nº3 Opus 58 em Si Menor

A terceira e ultima sonata para piano de Chopin foi composta diz-se para calar as críticas referentes à segunda sonata que como vimos aqui foi considerada destituída de unidade, de ligação. Esta peça Op. 58 em Si Menor foi editada em 1845 e é dedicada à condessa E. de Perthuis.

Na verdade esta obra apresenta-se muito mais próxima da composição clássica de uma Sonata na tradição germânica numa transformação continua de temas e a integração entre o acompanhamento e a melodia. Também neste caso seleccionamos quatro pianistas de eleição para vos mostrar cada um dos quatro andamentos que constituem a sonata.

O primeiro andamento (Allegro Maestoso) é marcado por um inicio constituído por uma sequência de acordes fantástica e que muito prometem que aos poucos como que se dissolvem para dar lugar a uma melodia lindíssima. A conclusão deste andamento é também muito marcante pelo seu profundo lirismo. Podem ouvir aqui este andamento na interpretação de Dinu Lipatti.

Do segundo andamento (Scherzo: Molto vivace) que podemos ouvir aqui pelo pianista russo Oleg Boshniakovich realçamos a sua inegável leveza.

Do terceiro andamento (Largo) realçamos o seu carácter sonhador, tranquilo e etéreo quase hipnótico. Confessamos que escolhemos neste caso um pianista que na nossa opinião mais realça estas características, oiçam aqui Alfred Cortot, um dos grandes especialistas de Chopin na mais profunda tradição romântica.

Do quarto andamento (Finale: Presto non tanto; Agitato) teremos de destacar a enorme força interior que emite. Oiçam aqui um outro grande pianista William Kapell.

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Perguntas e Respostas de Segunda

Pesquisa nº1 : "Pessoas Envergonhadas" - Uma pesquisa surpreendente !
Esta surpreendeu-me não pelo facto de alguém chegar ao blog por esta pesquisa (bem isto só por si seria suficientemente surpreendente) mas sobretudo por terem sido 5 pessoas ! cinco pesquisas. Fiz o percurso inverso e descobri o culpado. Um dos meus textos (o do passatempo de destreza musical continha a expressão "pessoas envergonhadas". E não é que pesquisando por esta expressão estamos nos primeiros lugares do search do google?

Pesquisa nº2 : "Qual a relação de Beethoven com a música clássica"
Questão pertinente mas ao mesmo tempo ambígua. Na verdade não sabemos se se está a referir ao período clássico ou ao conjunto da música a que chamamos clássica. Pensamos que deverá ser em relação à primeira destas hipóteses que a questão é colocada.

Pesquisa nº3 : "A única obra de Beethoven"
Intrigante. Talvez a pesquisa fosse "A única ópera de Beethoven" o que seria correcto dado que efectivamente Beethoven apenas escreveu uma - Fidélio - de que falámos aqui. Já agora uma outra pesquisa relacionada com esta ópera pedia o libretto em Português. Pois não temos nem sabemos se haverá. Alguém sabe?

domingo, 18 de maio de 2008

Chopin - Sonata para Piano nº 2 Op. 35 em Si Bemol Menor

Se a Sonata nº 1 é uma obra pouco representativa do carácter de Chopin e do estilo de composição que tanto admiramos já a segunda sonata (Op. 35 em Si Bemol Menor) está na categoria das composições geniais, muito embora a obra tenha pouca "unidade", isto é os andamentos não estão relacionados uns com os outros, em linguagem popular e simples diríamos exagerando um pouco que é "uma manta de retalhos".

Na verdade Schumann disse desta obra quase pior : "Chopin juntou aqui quatro dos seus filhos loucos". Schmann pensava na verdade que o terceiro andamento não "pertencia" a esta obra e este na verdade foi composto antes dos restantes. Esta composição é sobretudo conhecida precisamente pelo terceiro andamento que contém a famosa Marcha Fúnebre. Chopin dizia defendendo-se da falta de unidade que o quarto andamento começava com o murmúrio das pessoas discutindo o terceiro andamento. Concedemos até que esse argumento possa ser válido mas então e a ligação entre os dois primeiros e os dois últimos ?

Pessoalmente cremos que nos devemos talvez abstrair de uma unidade construída com base na técnica de composição para nos centrarmos na possível unidade dos sentimentos que são expressos e aí a unidade existe, pensamos nós. Uma unidade bastante sombria mas não obstante uma unidade. Mas não julgue pelo que dizemos. Desta vez vamos mostrar os quatro andamentos e em todos temos pianistas de eleição para a sua interpretação.

1. Grave; Doppio movimento : Por Witold Malcuzynski aqui.
2. Scherzo: Por Rachmaninoff aqui.
3. Marcha Funebre (Lento) : Por Arturo Benedetti Michelangeli (1920-1995) aqui.
4. Finale: Presto : Por Vladimir Horowitz aqui.

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