Um dos outros compositores extraordinariamente relevantes do período romântico (bem mesmo do fim do período romântico) e de que ainda não falamos é Richard Strauss embora tenhamos falado aqui de uma das suas composições: 4 Ultimas Canções .
Strauss nasceu em Munique a 11 de Junho de 1864 filho do primeiro trompetista da corte que lhe ensinou os primeiros principios musicais. embora tivesse sempre estudado música em privado nunca ingressou no conservatório. Em 1882 iniciou os seus estudos universitários em Munique mas não em música. Um ano depois viria a abandonar esses estudos tendo na altura conseguido um lugar de assistente com o famoso maestro Van Bullow.
Strauss casou-se com a soprano Pauline de Ahna em 1894 tendo esta sido a inspiração de muitas das suas obras e talvez a razão pela qual a maior parte das suas óperas são para vozes sopranos - apesar de se pensar que em particular as 4 ultimas canções poderiam ter mais a ver com a admiração de Strauss por Kirsten Flagstad.
Strauss foi artisticamente bastante conservador no inicio da sua carreira musical em grande parte pela educação musical providenciada pelo seu pai. Isso viria no entanto a mudar em primeiro lugar através dos seus poemas sinfónicos de que devemos realçar Also Sprach Zarathustra de 1896 (baseado na obra de Nietzsche de mesmo nome) e também D. Quixote de 1898.
As suas óperas conheceram também bastante sucesso e polémica em particular Salomé (1903-1905) no que diz respeito a este ultimo critério. Dentro deste género Friendstag assume alguma relevância pelo seu libretto pacifista numa altura que toda a Alemanha se preparava para a guerra. Esta obra é vista por muitos como a expressão da verdadeira posição de Strauss relativamente ao poder Nazi na Alemanha. Strauss que que chegou a ser nomeado pelo ministro da propaganda Goebels "Reichsmusikkammer" foi no entanto afastado do cargo por se ter recusado a eliminar do libreto Die schweigsame Frau o seu amigo Stefan Zweig. Claro que algumas outras obras como Rosenkavalier ou Elektra também merecem referência.
Além destes géneros Strauss também compôs obras embora poucas de música de câmara e alguns concertos dos quais podemos realçar o Concerto para Oboé de 1945 que podem ouvir aqui. Iremos claro falar em maior detalhe deste compositor mas por agora fiquem com este registo.
Richard Strauss faleceu a 8 de Setembro de 1949 em Garmisch-Partenkirchen.
A única música que precisa de embalagem é a música de plástico.
sábado, 23 de janeiro de 2010
quinta-feira, 21 de janeiro de 2010
Gustav Mahler (1860 - 1911)
Em vários manuais de história da música Mahler e Bruckner são analisados em conjunto. Aliás conta a "anedota" que Mahler estava presente na estreia de uma das sinfonias de Bruckner, na altura com apenas 17 anos.
Tal como Bruckner Mahler era Austríaco tendo nascido em Kalischt na Boémia no seio de uma família judaica - Hoje esta localidade faz parte da Républica Checa pelo que a nacionalidade de Mahler poderia também ser reclamada por este país !
Em todo o caso o facto é que para além da nacionalidade outras semelhanças aproximam os dois compositores. Em primeiro lugar a natureza contemplativa da sua música. A sua preferência pelo género sinfónico em que não obstante o seu génio incontestável nunca conseguiram um reconhecimento absoluto.
Mahler estudou no Conservatório de Viena e na Universidade de Viena tendo sido aluno precisamente de Bruckner, uma outra razão pela qual existe sem dúvida uma certa relação na obra dos dois compositores. Mahler acreditava que uma sinfonia devia "abarcar o mundo inteiro" e talvez por isso as suas obras são geralmente tão introspectivas.
Mahler que no seu tempo era reconhecido - justamente - como um extraordinário maestro nunca conseguiu quer no género sinfónico quer nas canções (o outro tipo de composição que tentou e neste género que claro que o ciclo de canções Das Lied von der Erde - As Canções da Terra é absolutamente incontornável) ver o seu génio confirmado. Muito possivelmente porque as pessoas viam-no como um maestro ... e não como um compositor.
Faremos mais tarde uma biografia mais detalhada deste compositor por agora fiquemos com uma canção do ciclo Das Lied von der Erde mas oiçam primeiro uma introdução por Leonard Bernstein que entendia Mahler como ninguém (aliás se puderem ver o programa Musica para Jovens que Bernstein dedicou inteiramente a Mahler percebem o que eu quero dizer). O ciclo que refiro está inteiramente disponível no You Tube comecem pela primeira parte aqui (Orquestra Filarmónica de Israel dirigida por Leonard Bernstein).
Tal como Bruckner Mahler era Austríaco tendo nascido em Kalischt na Boémia no seio de uma família judaica - Hoje esta localidade faz parte da Républica Checa pelo que a nacionalidade de Mahler poderia também ser reclamada por este país !
Em todo o caso o facto é que para além da nacionalidade outras semelhanças aproximam os dois compositores. Em primeiro lugar a natureza contemplativa da sua música. A sua preferência pelo género sinfónico em que não obstante o seu génio incontestável nunca conseguiram um reconhecimento absoluto.
Mahler estudou no Conservatório de Viena e na Universidade de Viena tendo sido aluno precisamente de Bruckner, uma outra razão pela qual existe sem dúvida uma certa relação na obra dos dois compositores. Mahler acreditava que uma sinfonia devia "abarcar o mundo inteiro" e talvez por isso as suas obras são geralmente tão introspectivas.
Mahler que no seu tempo era reconhecido - justamente - como um extraordinário maestro nunca conseguiu quer no género sinfónico quer nas canções (o outro tipo de composição que tentou e neste género que claro que o ciclo de canções Das Lied von der Erde - As Canções da Terra é absolutamente incontornável) ver o seu génio confirmado. Muito possivelmente porque as pessoas viam-no como um maestro ... e não como um compositor.
Faremos mais tarde uma biografia mais detalhada deste compositor por agora fiquemos com uma canção do ciclo Das Lied von der Erde mas oiçam primeiro uma introdução por Leonard Bernstein que entendia Mahler como ninguém (aliás se puderem ver o programa Musica para Jovens que Bernstein dedicou inteiramente a Mahler percebem o que eu quero dizer). O ciclo que refiro está inteiramente disponível no You Tube comecem pela primeira parte aqui (Orquestra Filarmónica de Israel dirigida por Leonard Bernstein).
Recomendações para o fim de semana 22/24 de Janeiro 2010
Retomamos esta semana após umas semanas de ausência as nossas recomendações para o fim de semana se tudo correr como pensamos passaremos a fazer estas recomendações à Quarta-Feira. Manteremos a nossa lógica de percorrer todo o país de sul para norte.
Assim e começando no Algarve mais precisamente em Loulé teremos um recital de piano intitulado "Um Piano Russo" pela pianista Tatiana Balyuk. Será no Salão Nobre dos Paços do Concelho de Loulé no Sábado dia 23 pelas 16:30. Fazem parte do programa obras de Tchaikovsky, Scriabin, Prokofiev, Rachmaninov e Victor Hussla.
Continuando no Algarve na Biblioteca Municipal de Albufeira teremos o acordeonista Gonçalo Pescada num concerto destinado a bébés. Será no Sábado mas infelizmente a notícia não nos diz a hora.
Ainda no Algarve mas agora na Igreja Matriz de Vila do Bispo teremos a Orquestra do Algarve dirigida por Osvaldo Ferreira no Sábado à 21h. Serão interpretadas obras de Richard Wagner, Dvorák e Beethoven.
Agora um pouco mais a norte no Alentejo integrado no "6º Festival Terras sem Sombra - Festival de Música Sacra do Baixo Alentejo" teremos Jordi Savall (Viola da Gamba) e Pedro Estevan (Percurssão) num recital que terá lugar na Igreja Matriz de Santiago Maior (Santiago do Cacém) no Sábado às 21:30.
Viajando ainda um pouco mais para Norte teremos em Almada no Fórum Municipal Romeu Correia um recital de piano e violino por Bruno Monteiro e João Paulo Santos. O recital intitulado "O Casal Shumann" e que terá lugar no Sábado às 16h consiste em obras pouco conhecidas de Clara e Robert Schumann.
Na invicta cidade do Porto teremos na Sexta-Feira dia 22 pelas 21h um concerto intitulado "Nacionalismos à parte" pela ONP dirigida por Michal Dworzinsky na Casa da Música do Porto. O pianista Boris Giltburg interpretará com a ONP o 1º concerto para piano de Chopin. O concerto inclui também a interpretação de obra de Francisco Lacerda.
Também na Invicta e também na Casa da Música mas agora no Domingo teremos às 12h um concerto intitulado "Brahms e a Música Antiga" com o Coro Casa da Música dirigido por Paul Hillier.
Finalmente na belíssima ilha da Madeira teremos a Orquestra de Bandolins da Madeira dirigida por Eurico Martins. Será na Sexta-Feira às 21h na Igreja Inglesa.
Assim e começando no Algarve mais precisamente em Loulé teremos um recital de piano intitulado "Um Piano Russo" pela pianista Tatiana Balyuk. Será no Salão Nobre dos Paços do Concelho de Loulé no Sábado dia 23 pelas 16:30. Fazem parte do programa obras de Tchaikovsky, Scriabin, Prokofiev, Rachmaninov e Victor Hussla.
Continuando no Algarve na Biblioteca Municipal de Albufeira teremos o acordeonista Gonçalo Pescada num concerto destinado a bébés. Será no Sábado mas infelizmente a notícia não nos diz a hora.
Ainda no Algarve mas agora na Igreja Matriz de Vila do Bispo teremos a Orquestra do Algarve dirigida por Osvaldo Ferreira no Sábado à 21h. Serão interpretadas obras de Richard Wagner, Dvorák e Beethoven.
Agora um pouco mais a norte no Alentejo integrado no "6º Festival Terras sem Sombra - Festival de Música Sacra do Baixo Alentejo" teremos Jordi Savall (Viola da Gamba) e Pedro Estevan (Percurssão) num recital que terá lugar na Igreja Matriz de Santiago Maior (Santiago do Cacém) no Sábado às 21:30.
Viajando ainda um pouco mais para Norte teremos em Almada no Fórum Municipal Romeu Correia um recital de piano e violino por Bruno Monteiro e João Paulo Santos. O recital intitulado "O Casal Shumann" e que terá lugar no Sábado às 16h consiste em obras pouco conhecidas de Clara e Robert Schumann.
Na invicta cidade do Porto teremos na Sexta-Feira dia 22 pelas 21h um concerto intitulado "Nacionalismos à parte" pela ONP dirigida por Michal Dworzinsky na Casa da Música do Porto. O pianista Boris Giltburg interpretará com a ONP o 1º concerto para piano de Chopin. O concerto inclui também a interpretação de obra de Francisco Lacerda.
Também na Invicta e também na Casa da Música mas agora no Domingo teremos às 12h um concerto intitulado "Brahms e a Música Antiga" com o Coro Casa da Música dirigido por Paul Hillier.
Finalmente na belíssima ilha da Madeira teremos a Orquestra de Bandolins da Madeira dirigida por Eurico Martins. Será na Sexta-Feira às 21h na Igreja Inglesa.
terça-feira, 19 de janeiro de 2010
Anton Bruckner (1824 - 1896)
Continuando a nossa análise de compositores do período romântico hoje vamos falar de Bruckner que nasceu na Áustria a 4 de Setembro de 1824 na cidade de Ansfelden. O pai era organista e professor tendo sido o seu primeiro professor. Bruckner desde muito cedo revelou tendências musicais tendo por essa razão ido estudar após o falecimento do pai (1837) para o monastério de St. Florian onde fazia parte do coro. Infelizmente (felizmente para nós) a voz mudou e Bruckner decidiu então seguir a profissão do pai tendo estudado composição e órgão com em Linz com Dürrnberger.
Sendo a família de origem humilde e os salários enquanto organista e professor parcos Bruckner nunca teve uma vida fácil do ponto de vista financeiro. Nesses primeiros anos da sua vida profissional já como organista em St. Florian e em Linz as suas composições foram todas de tipo religioso destinando-se portanto a fazerem parte da liturgia. Nesse tipo de composição Bruckner encontrou sempre grande aceitação.
Porém no que diz respeito as suas sinfonias, as composições pelas quais é hoje mais conhecido foram sempre bastante mal recebidas pela sociedade vienense para onde entretanto se tinha mudado.Para este facto talvez tenha ajudado o facto de se ter tornado entretanto admirador e amigo de Wagner o que obviamente atraiu o ódio dos apoiantes de Brahms.
Nos últimos anos da sua vida à medida que a popularidade de Wagner crescia e que as audiências se iam habituando aos poucos á natureza contemplativa das suas obras o sucesso de Bruckner foi crescendo. Em 1886 o Imperador condecora-o com a ordem Franz-Joseph.
Bruckner faleceu em Viena a 11 de Outubro de 1896. A sua ultima sinfonia (a nona) dedicada a Deus ("dem lieben Gott") demonstra que tinha atingido a paz interior não obstante uma vida dificil e com pouco reconhecimento do seu enorme talento.
Para ilustra o seu estilo e antes de falarmos em maior detalhes de algumas das suas sinfonias, proponho que oiçam o segundo andamento da sétima sinfonia composta num período coincidente com o falecimento do amigo e inspirador Wagner. Poderia escolher um dos muitos maestros que foram responsáveis pela popularidade actual da obra de Bruckner. Como há muito tempo não ouvimos Furtwangler e porque esta versão é sublime aqui fica o adagio da sétima sinfonia de Bruckner em Mi Maior com a sinfónica de Berlim dirigida por Furtwangler numa gravação de 1942.
Parte 1, Parte 2, Parte 3 (já sabem que as sinfonias de Brukner são longas ... ).
Sendo a família de origem humilde e os salários enquanto organista e professor parcos Bruckner nunca teve uma vida fácil do ponto de vista financeiro. Nesses primeiros anos da sua vida profissional já como organista em St. Florian e em Linz as suas composições foram todas de tipo religioso destinando-se portanto a fazerem parte da liturgia. Nesse tipo de composição Bruckner encontrou sempre grande aceitação.
Porém no que diz respeito as suas sinfonias, as composições pelas quais é hoje mais conhecido foram sempre bastante mal recebidas pela sociedade vienense para onde entretanto se tinha mudado.Para este facto talvez tenha ajudado o facto de se ter tornado entretanto admirador e amigo de Wagner o que obviamente atraiu o ódio dos apoiantes de Brahms.
Nos últimos anos da sua vida à medida que a popularidade de Wagner crescia e que as audiências se iam habituando aos poucos á natureza contemplativa das suas obras o sucesso de Bruckner foi crescendo. Em 1886 o Imperador condecora-o com a ordem Franz-Joseph.
Bruckner faleceu em Viena a 11 de Outubro de 1896. A sua ultima sinfonia (a nona) dedicada a Deus ("dem lieben Gott") demonstra que tinha atingido a paz interior não obstante uma vida dificil e com pouco reconhecimento do seu enorme talento.
Para ilustra o seu estilo e antes de falarmos em maior detalhes de algumas das suas sinfonias, proponho que oiçam o segundo andamento da sétima sinfonia composta num período coincidente com o falecimento do amigo e inspirador Wagner. Poderia escolher um dos muitos maestros que foram responsáveis pela popularidade actual da obra de Bruckner. Como há muito tempo não ouvimos Furtwangler e porque esta versão é sublime aqui fica o adagio da sétima sinfonia de Bruckner em Mi Maior com a sinfónica de Berlim dirigida por Furtwangler numa gravação de 1942.
Parte 1, Parte 2, Parte 3 (já sabem que as sinfonias de Brukner são longas ... ).
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