Já sabem que pessoalmente sou um tanto fanático por listas. Neste caso Alex Ross traz-nos uma lista de 1948 que consiste nas 12 gravações preferidas de Thomas Mann.
Alex Ross: The Rest Is Noise: Thomas Mann's Top 12 List:
Além de vos convidar a ler o artigo original fizemos uma pesquisa e procuramos encontrar essas gravações o que quase inacreditavelmente foi possível em quase todas. Não se esqueçam que esta lista é de 1948 ... Sem exagero acho que esta lista com as audições propostas é um autêntico documento de história.
FRANCK Symphony in D Minor. Pierre Monteux conducting the San Francisco Symphony Orchestra.
Encontramos uma das várias gravações que Monteux fez ...
MENDELSSOHN Concerto in E Minor. Nathan Milstein, violin, and the Philharmonic-Symphony Orchestra of New York, Bruno Walter conducting.
Não é a gravação a que refere Thomas Mann mas é Milstein ...
MOZART and others A Song Recital by Lotte Lehmann.
Encontramos uma gravação de 1938 mas não podemos garantir que seja esta ... ainda assim uma gravação histórica de Lotte Lehmann.
BERLIOZ Harold in Italy. William Primrose, violinist [sic], with the Boston Symphony, Serge Koussevitzky conducting.
Pensamos que neste caso é mesmo a gravação a que Thomas Mann faz alusão. Primrose com a Boston Symphony.
BEETHOVEN Symphony No. 3 in E flat ("Eroica"). Bruno Walter conducting the Philharmonic-Symphony Orchestra of New York.
Também acreditamos que neste caso conseguimos encontrar a gravação em causa. Podem assim ouvir Bruno Walter a dirigir a Filarmónica de Nova Iorque na Terceira de Beethoven.
WAGNER Parsifal, Act III. Berlin State Opera soloists, chorus, and orchestra, Karl Muck conducting.
Mais um caso em que possivelmente podemos ouvir a gravação recomendada ... Uma Gravação de 1928 verdadeiramente excepcional, "quente" e emotiva ...
WAGNER Die Walküre, Act I. Lotte Lehmann, soprano, Lauritz Melchior, tenor, Emanuel List, bass, and the Vienna Philharmonic Orchestra, Bruno Walter conducting.
Mais uma gravação histórica ... 1935 .... Lotte Lehmann e Lauritz Melchior ....
BERG Excerpts from Wozzeck. Charlotte Boerner, soprano, and the Janssen Symphony Orchestra, Werner Janssen conducting
Pois aqui lamentamos mas não encontramos. A obra de Berg podem ouvi-la aqui. Da soprano infelizmente ... nada.
STRAUSS, JOHANN Two Overtures and Two Waltzes. Various European orchestras. Bruno Walter and George Szell conducting.
Conseguimos George Szell a dirigir a Filarmónica de Viena numa gravação de 1934 interpretando o Danúbio Azul.
SCHUBERT "Der Musensohn" (Goethe) and "Der Wanderer" (Schmidt von Lübeck). Gerhard Hüsch, baritone, and Hanns Udo Müller, piano.
A gravação mencionada não encontrei. A primeira destas canções por Heinrich Schlusnus. Proponho que oiçam o baritono mencionado no Der Erlkonig de Schumann que está a seguir nesta lista.
SCHUMANN "Romanze" (Geibel) and Schubert's "Der Erlkönig" (Goethe). Heinrich Schlusnus, baritone, and Franz Rupp, piano.
Encontramos a primeiras das gravações mencionadas aqui.
ROOSEVELT "A Prayer for the Nation on D-Day, June 6, 1944." Franklin D. Roosevelt, recorded off the air.
O registo deste fabuloso documento histórico aqui.
A única música que precisa de embalagem é a música de plástico.
domingo, 13 de novembro de 2011
sábado, 12 de novembro de 2011
Georges Auric (1899-1983)
Georges Auric nasceu em Lodéve no Herault, França no dia 15 de Fevereiro de 1899. Desde muito cedo o seu talento para a composição foi claro. Com 13 anos entra no conservatório de Paris na classe de Georges Caussade (Contraponto e Fuga) tendo um ano mais tarde sido aluno de Vincent d´Arcy na Schola Cantorum.
Rapidamente ganha notoriedade enquanto músico vanguardista e faz parte do Grupo dos Seis com Louis Durey, Arthur Honegger,Darius Milhaud,Francis Poulenc, Germaine Tailleferre embora este grupo seja mais uma construção teórica que um agrupamento de sensibilidades tão diversas eram as suas raízes e estéticas. A propósito (embora não sobre este tema) sugiro que oiçam um documento muito interessante em que Cocteau e Auric (entre outros) falam de Satie (em françês). Sobre o tema dos seis isso sim podem também ouvir o próprio Poulenc (também em francês).
Convive nessa altura com os maiores vultos da época Stravinsky, Apollinaire, Radiguet, Braque, Picasso, Léon Bloy, Jacques Maritain. Jean Cocteau, Erik Satie tornando conhecido em 1924 com o ballet "Les Facheux" para os Ballets russos de Diaghilev. Este ballet não só inaugura uma longa série de música para Ballet como acaba por ser também a centelha que o faria tornar-se num dos mais relevantes compositores de música para cinema do século XX.
Neste particular escreveu muitas das bandas sonoras dos filmes de Jean Cocteau entre os quais teremos de destacar a Bela e o Monstro de 1946. Auric viria também a escrever música para filmes de Hollywood tendo nessa altura adquirido fama mundial. Entre esses poderíamos destacar por exemplo Moulin Rouge de John Houston (1952). São destaques no entanto curtos de um dos mais prolíficos autores de música para cinema do século XX. Só para vos dar mais alguns exemplos: Férias em Roma (1953) de Corcunda de Notre Dame (1958) de Delannoy, Bom Dia Tristeza (1958) de Otto Preminger, Os Inocentes (1961) de Jack Clayton, A partir de 1962 quando aceita o cargo de director da Ópera de Paris deixa de compor para Cinema.
Músicou também variadíssimos poemas dos maiores poetas franceses do século XX entre os quais Nerval, Aragon e Eluard, infelizmente não encontro no You Tube registos dessas obras.
Em 1975 termina aquela que viria a ser a sua ultima grande obra "Imaginées", conjunto de seis peças que tanto podem ser interpretadas em conjunto como de forma separada. Estas obras foram dedicadas por vezes aos músicos que as estrearam outras vezes são homenagens a amigos de Auric.
Como as obras para instrumentos de sopro não estão muito representadas neste blog (as minhas desculpas aos instrumentistas desses instrumentos ... não é por má vontade garanto) deixava-vos com o seu Trio para Oboé, Clarinete e Fagote de 1938.
Georges Auric faleceu em Paris no dia 23 de Julho de 1983.
Rapidamente ganha notoriedade enquanto músico vanguardista e faz parte do Grupo dos Seis com Louis Durey, Arthur Honegger,Darius Milhaud,Francis Poulenc, Germaine Tailleferre embora este grupo seja mais uma construção teórica que um agrupamento de sensibilidades tão diversas eram as suas raízes e estéticas. A propósito (embora não sobre este tema) sugiro que oiçam um documento muito interessante em que Cocteau e Auric (entre outros) falam de Satie (em françês). Sobre o tema dos seis isso sim podem também ouvir o próprio Poulenc (também em francês).
Convive nessa altura com os maiores vultos da época Stravinsky, Apollinaire, Radiguet, Braque, Picasso, Léon Bloy, Jacques Maritain. Jean Cocteau, Erik Satie tornando conhecido em 1924 com o ballet "Les Facheux" para os Ballets russos de Diaghilev. Este ballet não só inaugura uma longa série de música para Ballet como acaba por ser também a centelha que o faria tornar-se num dos mais relevantes compositores de música para cinema do século XX.
Neste particular escreveu muitas das bandas sonoras dos filmes de Jean Cocteau entre os quais teremos de destacar a Bela e o Monstro de 1946. Auric viria também a escrever música para filmes de Hollywood tendo nessa altura adquirido fama mundial. Entre esses poderíamos destacar por exemplo Moulin Rouge de John Houston (1952). São destaques no entanto curtos de um dos mais prolíficos autores de música para cinema do século XX. Só para vos dar mais alguns exemplos: Férias em Roma (1953) de Corcunda de Notre Dame (1958) de Delannoy, Bom Dia Tristeza (1958) de Otto Preminger, Os Inocentes (1961) de Jack Clayton, A partir de 1962 quando aceita o cargo de director da Ópera de Paris deixa de compor para Cinema.
Músicou também variadíssimos poemas dos maiores poetas franceses do século XX entre os quais Nerval, Aragon e Eluard, infelizmente não encontro no You Tube registos dessas obras.
Em 1975 termina aquela que viria a ser a sua ultima grande obra "Imaginées", conjunto de seis peças que tanto podem ser interpretadas em conjunto como de forma separada. Estas obras foram dedicadas por vezes aos músicos que as estrearam outras vezes são homenagens a amigos de Auric.
Como as obras para instrumentos de sopro não estão muito representadas neste blog (as minhas desculpas aos instrumentistas desses instrumentos ... não é por má vontade garanto) deixava-vos com o seu Trio para Oboé, Clarinete e Fagote de 1938.
Georges Auric faleceu em Paris no dia 23 de Julho de 1983.
domingo, 6 de novembro de 2011
Monty Python´s falam sobre Música e Always look on the Bright side of Life
No novo canal dos Monty Phyton - de que sou fã incondicional - encontrei este pequeno video em que o John Cleese fala sobre música ... Posso dizer-vos que o meu respeito subiu (se é que ainda era possível) uns mil pontos ... Já agora neste mesmo canal observem esta excelente produção ao vivo ... com orquestra - fantástico :-) ... Always look on the Bright side of Life (parte da produção Not the Messiah - humor ao mais alto nível). Prometo um post um pouco mais sério (ou não) ainda hoje !
terça-feira, 1 de novembro de 2011
Juan Crisóstomo de Arriaga (1806-1826)
Continuamos hoje a nossa divulgação de alguns compositores um pouco menos conhecidos que vamos encontrando na obra "Guia da Música de Câmara" de François-René Tranchefort publicada em Portugal pela Gradiva. Este texto baseia-se em parte no que é escrito nesse livro e em outras fontes encontradas e mencionadas no texto sempre que tal for relevante.
Juan Crisóstomo de Arriaga nasceu em Bilbao a 27 de Janeiro de 1806, exactamente 50 anos após Mozart. Não se sabe se por essa razão se por simples coincidência o pai abastado comerciante e músico amador dá-lhe como dois primeiros nomes os de Mozart.
Se fossemos supersticiosos diríamos que esse baptismo foi simultâneamente uma bênção e uma praga. Bênção porque o jovem Juan cedo começa tal como Mozart a revelar um enorme génio tornando-se tal como o seu homónimo uma criança prodígio.
Compõe a sua primeira ópera com apenas 13 anos (infelizmente dessa obra "Os Escravos Felizes") subsistem apenas a abertura e alguns fragmentos.
O pai reconhecendo o seu enorme talento envia-o para Paris onde estuda com Baillot e Fétis onde rapidamente completa o curso tornando-se assistente de Fétis. Infelizmente por causas desconhecidas acabaria por falecer em Paris a 17 de Janeiro de 1926 antes de completar o seu vigésimo aniversário .
Todas estas coincidências levaram-no ao cognome de "Mozart Espanhol" que se face à dimensão da obra é sem dúvida um pouco exagerado já quanto ao potencial e ao estilo é uma designação bastante próxima. Na realidade apesar de ser contemporâneo de Beethoven o seu estilo é mais próximo de Mozart e de Hayden do que do pré-romantismo ou mesmo do romantismo de Beethoven.
Das suas obras hoje em dia há três quartetos para cordas (os unicos publicados em vida do compositor) que são frequentemente interpretados. Entre esses o mais interessante será o terceiro de que vos deixamos aqui uma interpretação pelo Quarteto Quiroga.
Juan Crisóstomo de Arriaga nasceu em Bilbao a 27 de Janeiro de 1806, exactamente 50 anos após Mozart. Não se sabe se por essa razão se por simples coincidência o pai abastado comerciante e músico amador dá-lhe como dois primeiros nomes os de Mozart.
Se fossemos supersticiosos diríamos que esse baptismo foi simultâneamente uma bênção e uma praga. Bênção porque o jovem Juan cedo começa tal como Mozart a revelar um enorme génio tornando-se tal como o seu homónimo uma criança prodígio.
Compõe a sua primeira ópera com apenas 13 anos (infelizmente dessa obra "Os Escravos Felizes") subsistem apenas a abertura e alguns fragmentos.
O pai reconhecendo o seu enorme talento envia-o para Paris onde estuda com Baillot e Fétis onde rapidamente completa o curso tornando-se assistente de Fétis. Infelizmente por causas desconhecidas acabaria por falecer em Paris a 17 de Janeiro de 1926 antes de completar o seu vigésimo aniversário .
Todas estas coincidências levaram-no ao cognome de "Mozart Espanhol" que se face à dimensão da obra é sem dúvida um pouco exagerado já quanto ao potencial e ao estilo é uma designação bastante próxima. Na realidade apesar de ser contemporâneo de Beethoven o seu estilo é mais próximo de Mozart e de Hayden do que do pré-romantismo ou mesmo do romantismo de Beethoven.
Das suas obras hoje em dia há três quartetos para cordas (os unicos publicados em vida do compositor) que são frequentemente interpretados. Entre esses o mais interessante será o terceiro de que vos deixamos aqui uma interpretação pelo Quarteto Quiroga.
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