E foi mesmo. Lembram-se de vos dizer que por vezes há coincidências que parecem não o ser? Lembram-se de vos dizer que tinha decidido de fazer uma série sobre Debussy? então e não é que a capa da Diapason deste mês é mesmo sobre Debussy? E juro-vos que não fazia ideia ... mesmo ...
Desta forma vamos todos poder celebrar os 150 anos do génio melhor informados ! Amanhã prometo começar a série para já fiquem com esta linda capa verde e claro com o Quator para piano uma das obras que consta no CD (esta não é gravação em causa mas é uma excelente gravação dos anos 50 que venceu um Grande Prémio do Disco em 1956)
Quatuor à Cordes
A única música que precisa de embalagem é a música de plástico.
quinta-feira, 3 de maio de 2012
terça-feira, 1 de maio de 2012
Emílio de Cavalieri (1550-1602)
Hoje por razões que irão entender dentro de uns meses voltamos ao período barroco mais precisamente ao seu inicio ...Emílio de Cavalieri (1550–1602): Compositor Italiano possivelmente nascido em Roma a 11 de Março de 1550 - A data de nascimento não é totalmente segura. É um compositor chave na definição do período barroco pela "invenção" do estilo monódico. A sua composição mais significativa terá sido Rappresentatione di Anima, et di Corpo... . Podem ler uma biografia mais detalhada na Página de Música Antiga.
segunda-feira, 30 de abril de 2012
Kachaturian - Concerto para Violino
Falamos desta obra quando da votação do concerto de violino preferido porém hoje resolvemos retomar essa descrição porque não estamos totalmente satisfeitos com o que referimos na altura.
O segundo andamento (Andante Sostenuto) é o meu preferido pela belíssima melodia que constitui o tema principal. Depois de um fortissimo da orquestra o andamento acaba num maravilhoso decrescendo.
Se o segundo andamento é essencialmente uma exposição de um enorme lirismo então o terceiro andamento (Alegro Vivace) representa sem dúvida a festa (este andamento inicia cerca do minuto 12:30). O andamento começa com um fortissimo da Orquestra para depois o solista entrar com um tema que sem dúvida (não conheço a música popular da Arménia mas nem seria preciso) é inspirado num tema popular deste País. Aliás todo este andamento esta repleto de referências à música popular desse país de que aliás Kachaturian fez recolha.
Este concerto foi composto em 1940 em plena Segunda Guerra Mundial e dedicado ao grande violinista David Oistrakh . Tem três andamentos numa forma bastante "clássica" que na forma (rápido-lento-rápido) quer na parte melódica ou harmónica. Considerando que nesta mesma altura na ex-União Soviética existiam génios como Prokofiev ou Schostakovich é fácil perceber que Kachaturian seja visto como um compositor de segundo plano - injustamente qualificado apenas como um "homem do sistema" embora seja verdade que foi dos que mais apoiou o regime soviético - não sem ter tido a seu tempo os seus problemas.
Se é fácil de perceber essa comparação diga-se que não me parece inteiramente justificada tal como não muito explicável o facto deste concerto ser tão poucas vezes interpretado porque parece-me estar entre as grandes obras do século XX.
Se é fácil de perceber essa comparação diga-se que não me parece inteiramente justificada tal como não muito explicável o facto deste concerto ser tão poucas vezes interpretado porque parece-me estar entre as grandes obras do século XX.
No que diz respeito ao concerto propriamente dito desta vez escolhi para ilustrar o mesmo uma interpretação pela Orquestra Sinfónica da Gulbenkian sendo solista Gareguin Aroutiounian.
Kachatourian era de origem Arménia e creio que essa origem transparece de forma bastante clara quer nas melodias quer nos ritmos nitidamente orientais que percorrem a peça.
No primeiro andamento (Allegro con Fermeza) gosto especialmente da parte rítmica, repetitiva e um pouco agreste (oiçam por exemplo perto do segundo 50" ou no 1:40") e do contraste existente com as partes mais melódicas e doces (por exemplo no minuto 2:50). Escrito na forma de sonata segue o esquema clássico de exposição dos dois temas, desenvolvimento e recapitulação com uma breve coda no final. Nada de inovador desse ponto de vista, aliás esta obra deve ser apreciada pelo que transmite emocionalmente do que pela inovação.
Kachatourian era de origem Arménia e creio que essa origem transparece de forma bastante clara quer nas melodias quer nos ritmos nitidamente orientais que percorrem a peça.
No primeiro andamento (Allegro con Fermeza) gosto especialmente da parte rítmica, repetitiva e um pouco agreste (oiçam por exemplo perto do segundo 50" ou no 1:40") e do contraste existente com as partes mais melódicas e doces (por exemplo no minuto 2:50). Escrito na forma de sonata segue o esquema clássico de exposição dos dois temas, desenvolvimento e recapitulação com uma breve coda no final. Nada de inovador desse ponto de vista, aliás esta obra deve ser apreciada pelo que transmite emocionalmente do que pela inovação.
O segundo andamento (Andante Sostenuto) é o meu preferido pela belíssima melodia que constitui o tema principal. Depois de um fortissimo da orquestra o andamento acaba num maravilhoso decrescendo.
Se o segundo andamento é essencialmente uma exposição de um enorme lirismo então o terceiro andamento (Alegro Vivace) representa sem dúvida a festa (este andamento inicia cerca do minuto 12:30). O andamento começa com um fortissimo da Orquestra para depois o solista entrar com um tema que sem dúvida (não conheço a música popular da Arménia mas nem seria preciso) é inspirado num tema popular deste País. Aliás todo este andamento esta repleto de referências à música popular desse país de que aliás Kachaturian fez recolha.
sábado, 28 de abril de 2012
Debussy - Prelude à l´aprés-midi d´un Faune
Na sequência do post de ontem hoje iremos falar da obra de Debussy "Prélude à l´aprés-midi d´un faune" uma obra inspirada do poema do mesmo nome de Stephane Mallarmé
[...]
Tant pis ! vers le bonheur d’autres m’entraîneront
Par leur tresse nouée aux cornes de mon front :
Tu sais, ma passion, que, pourpre et déjà mûre,
Chaque grenade éclate et d’abeilles murmure ;
Et notre sang, épris de qui le va saisir,
Coule pour tout l’essaim éternel du désir.
A l’heure où ce bois d’or et de cendres se teinte.
Une fête s’exalte en la feuillée éteinte :
Etna ! c’est parmi toi visité de Vénus
Sur ta lave posant ses talons ingénus,
Quand tonne un somme triste ou s’épuise la flamme.
Je tiens la reine !
O sûr châtiment..
Non, mais l’âme
De paroles vacante et ce corps alourdi
Tard succombent au fier silence de midi :
Sans plus il faut dormir en l’oubli du blasphème,
Sur le sable altéré gisant et comme j’aime
Ouvrir ma bouche à l’astre efficace des vins !
Couple, adieu ; je vais voir l’ombre que tu devins.
Além de ser uma das obras mais conhecidas de Debussy esta peça marca o inicio de uma nova forma de compor por levar ao limite a noção de tonalidade. É uma obra que mantém o carácter impressionista de Debussy mas não é programática ou seja não pretende imitar ou descrever antes procura criar um ambiente emocional semelhante ao poema o que sem dúvida consegue. Aliás nesse aspecto nada melhor do que ouvir o que o próprio Debussy tem a dizer do assunto:
"A música deste prelúdio é uma ilustração muito livre do maravilhoso poema de Mallarmé. Não pretende de forma nenhum ser uma sintese do mesmo. Antes é uma sucessão de cenas pelas quais passam os desejos e os sonhos de um fauno no calor da tarde. Depois cansado de perseguir as ninfas e as naíades socumbe a um sono intoxicante no qual pode finalmente realizar os seus sonhos de possessão na natureza Universal".
Do ponto de vista da estrutura esta parece ser numa primeira aproximação uma espécie de composição livre mas uma inspecção mais cuidada revela células e motivos que se repetem. Esta forma de composição é também um prenuncio, um prelúdio ao que há de vir em termos estruturais. A melodia inicial tocada na flauta representa o instrumento que o Fauno toca sendo aos poucos submergido pela orquestra representando dessa forma o seu progressivo adormecimento e absorção no sonho. As ténues linhas de desenvolvimento, a imprecisão dos contornos musicais são uma deliciosa interpretação dessas mesmas características que ecoam no poema e na pintura de Turner ou de Whistler de que Debussy era especialmente admirador.
Este poema sinfónico foi composto durante o ano de 1894 sendo estreado em Paris a 22 de Dezembro desse ano dirigido por Gustave Doret.
A obra intitula-se "prelúdio" dado que embora seja na verdade a única peça que chegou a ser composta Debussy tinha intenção de escrever uma trilogia (sim já na época era moda :-)). Mais tarde (1912) esta obra foi adaptada para bailado tendo sido interpretado pelo famoso Nijisnky. Uma interpretação polémica na altura aliás ...
Começando pela peça em orquestra proponho-vos uma interpretação pela LSO dirigida por Leopold Stokovski pela celebração do seu nonagésimo aniversário, em duas partes desculpem o corte.
De seguida se desejarem proponho que apreciem também o bailado interpretado por Rudolf Nureyev.
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Tant pis ! vers le bonheur d’autres m’entraîneront
Par leur tresse nouée aux cornes de mon front :
Tu sais, ma passion, que, pourpre et déjà mûre,
Chaque grenade éclate et d’abeilles murmure ;
Et notre sang, épris de qui le va saisir,
Coule pour tout l’essaim éternel du désir.
A l’heure où ce bois d’or et de cendres se teinte.
Une fête s’exalte en la feuillée éteinte :
Etna ! c’est parmi toi visité de Vénus
Sur ta lave posant ses talons ingénus,
Quand tonne un somme triste ou s’épuise la flamme.
Je tiens la reine !
O sûr châtiment..
Non, mais l’âme
De paroles vacante et ce corps alourdi
Tard succombent au fier silence de midi :
Sans plus il faut dormir en l’oubli du blasphème,
Sur le sable altéré gisant et comme j’aime
Ouvrir ma bouche à l’astre efficace des vins !
Couple, adieu ; je vais voir l’ombre que tu devins.
Além de ser uma das obras mais conhecidas de Debussy esta peça marca o inicio de uma nova forma de compor por levar ao limite a noção de tonalidade. É uma obra que mantém o carácter impressionista de Debussy mas não é programática ou seja não pretende imitar ou descrever antes procura criar um ambiente emocional semelhante ao poema o que sem dúvida consegue. Aliás nesse aspecto nada melhor do que ouvir o que o próprio Debussy tem a dizer do assunto:
"A música deste prelúdio é uma ilustração muito livre do maravilhoso poema de Mallarmé. Não pretende de forma nenhum ser uma sintese do mesmo. Antes é uma sucessão de cenas pelas quais passam os desejos e os sonhos de um fauno no calor da tarde. Depois cansado de perseguir as ninfas e as naíades socumbe a um sono intoxicante no qual pode finalmente realizar os seus sonhos de possessão na natureza Universal".
Do ponto de vista da estrutura esta parece ser numa primeira aproximação uma espécie de composição livre mas uma inspecção mais cuidada revela células e motivos que se repetem. Esta forma de composição é também um prenuncio, um prelúdio ao que há de vir em termos estruturais. A melodia inicial tocada na flauta representa o instrumento que o Fauno toca sendo aos poucos submergido pela orquestra representando dessa forma o seu progressivo adormecimento e absorção no sonho. As ténues linhas de desenvolvimento, a imprecisão dos contornos musicais são uma deliciosa interpretação dessas mesmas características que ecoam no poema e na pintura de Turner ou de Whistler de que Debussy era especialmente admirador.
Este poema sinfónico foi composto durante o ano de 1894 sendo estreado em Paris a 22 de Dezembro desse ano dirigido por Gustave Doret.
A obra intitula-se "prelúdio" dado que embora seja na verdade a única peça que chegou a ser composta Debussy tinha intenção de escrever uma trilogia (sim já na época era moda :-)). Mais tarde (1912) esta obra foi adaptada para bailado tendo sido interpretado pelo famoso Nijisnky. Uma interpretação polémica na altura aliás ...
Começando pela peça em orquestra proponho-vos uma interpretação pela LSO dirigida por Leopold Stokovski pela celebração do seu nonagésimo aniversário, em duas partes desculpem o corte.
De seguida se desejarem proponho que apreciem também o bailado interpretado por Rudolf Nureyev.
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