segunda-feira, 7 de maio de 2012

No dia de hoje há vinte anos

No dia de hoje faz vinte anos estava uma manhã de Sol , era Sol Maior com toda a certeza, na maternidade Alfredo da Costa esperando que nascesses. Não querias nascer como se te fosse importante escolher o dia 7 de Maio, um dia perfeito como tantas vezes dizes.

Tu não querias conhecer o mundo mas eu e a tua mãe mal podíamos esperar. Foste (és) um filho planeado e muito desejado. Porém apesar de todos os planos que pudéssemos ter feito veio a realidade superar toda e qualquer expectativa: Quando te decidiste a conhecer o mundo foi para o mudar de forma irreversível.

Para a tua mãe como sabes e eu repito-o na sua ausência eras o seu grande amor. Mesmo. De forma absoluta e indiscutível. Deves por isso sentir a falta do seu carinho, das suas brincadeiras do seu sorriso sempre que te via. Na sua ausência física digo-te eu em seu (nosso) nome: És o seu (nosso) grande amor.

Mudaste o nosso mundo mas sem dúvida mudarás (ainda) o mundo de tantas e tantas pessoas. Porque reconheço em ti a mesma atitude de total altruísmo e abnegação pelos seus amigos que conheci na tua mãe. Porque reconheço em ti as qualidades de carácter que sabes preservar. Porque te vejo saber separar o essencial da vaidade e do que é oco.

Continua assim Miguel porque o Mundo precisa de pessoas assim. Precisa mais disso do que qualquer outra coisa. Sempre em Sol Maior por certo.

PS: Só tens mesmo de jogar um bocado menos Football Manager (só um bocadinho :-))

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Hoje foi dia de comprar a Diapason

E foi mesmo. Lembram-se de vos dizer que por vezes há coincidências que parecem não o ser? Lembram-se de vos dizer que tinha decidido de fazer uma série sobre Debussy? então e não é que a capa da Diapason deste mês é mesmo sobre Debussy? E juro-vos que não fazia ideia ... mesmo ...

Desta forma vamos todos poder celebrar os 150 anos do génio melhor informados ! Amanhã prometo começar a série para já fiquem com esta linda capa verde e claro com o Quator para piano uma das obras que consta no CD (esta não é gravação em causa mas é uma excelente gravação dos anos 50 que venceu um Grande Prémio do Disco em 1956)

Quatuor à Cordes

terça-feira, 1 de maio de 2012

Emílio de Cavalieri (1550-1602)

Hoje por razões que irão entender dentro de uns meses voltamos ao período barroco mais precisamente ao seu inicio ...


Emílio de Cavalieri (1550–1602): Compositor Italiano possivelmente nascido em Roma a 11 de Março de 1550 - A data de nascimento não é totalmente segura. É um compositor chave na definição do período barroco pela "invenção" do estilo monódico. A sua composição mais significativa terá sido Rappresentatione di Anima, et di Corpo... . Podem ler uma biografia mais detalhada na Página de Música Antiga.

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Kachaturian - Concerto para Violino

Falamos desta obra quando da votação do concerto de violino preferido porém hoje resolvemos retomar essa descrição porque não estamos totalmente satisfeitos com o que referimos na altura.

Este concerto foi composto em 1940 em plena Segunda Guerra Mundial e dedicado ao grande violinista David Oistrakh  . Tem três andamentos numa forma bastante "clássica" que na forma (rápido-lento-rápido) quer na parte melódica ou harmónica. Considerando que nesta mesma altura na ex-União Soviética existiam génios como Prokofiev ou Schostakovich é fácil perceber que Kachaturian seja visto como um compositor de segundo plano - injustamente qualificado apenas como um "homem do sistema" embora seja verdade que foi dos que mais apoiou o regime soviético - não sem ter tido a seu tempo os seus problemas.

Se é fácil de perceber essa comparação diga-se que não me parece inteiramente justificada tal como não muito explicável o facto deste concerto ser tão poucas vezes interpretado porque parece-me estar entre as grandes obras do século XX.

No que diz respeito ao concerto propriamente dito desta vez escolhi para ilustrar o mesmo uma interpretação pela Orquestra Sinfónica da Gulbenkian sendo solista Gareguin Aroutiounian.

Kachatourian era de origem Arménia e creio que essa origem transparece de forma bastante clara quer nas melodias quer nos ritmos nitidamente orientais que percorrem a peça.

No primeiro andamento (Allegro con Fermeza) gosto especialmente da parte rítmica, repetitiva e um pouco agreste  (oiçam por exemplo perto do segundo 50" ou no 1:40")  e do contraste existente com as partes mais melódicas e doces (por exemplo no minuto 2:50). Escrito na forma de sonata segue o esquema clássico de exposição dos dois temas, desenvolvimento e recapitulação com uma breve coda no final. Nada de inovador desse ponto de vista, aliás esta obra deve ser apreciada pelo que transmite emocionalmente do que pela inovação.



O segundo andamento (Andante Sostenuto) é o meu preferido pela belíssima melodia que constitui o tema principal. Depois de um fortissimo da orquestra o andamento acaba num maravilhoso decrescendo.



Se o segundo andamento é essencialmente uma exposição de um enorme lirismo então o terceiro andamento (Alegro Vivace) representa sem dúvida a festa (este andamento inicia cerca do minuto 12:30). O andamento começa com um fortissimo da Orquestra para depois o solista entrar com um tema que sem dúvida (não conheço a música popular da Arménia mas nem seria preciso) é inspirado num tema popular deste País. Aliás todo este andamento esta repleto de referências à música popular desse país de que aliás Kachaturian fez recolha.

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