domingo, 15 de julho de 2012

Telemann - Tafelmusik

Num dos primeiros post deste blog (de Novembro de 2007 vejam lá) já vos tinha falado desta obra deste compositor alemão do período barroco contemporâneo de Bach. Porém não estou satisfeito com o que na altura vos disse e por isso resolvi voltar ao tema até porque esta obra faz parte das minhas 100 recomendações.

Telemann era contemporâneo de Bach e acreditem ou não no seu tempo era considerado um compositor bem mais relevante do que Bach ao ponto de ter conseguido sempre melhores posições, maior número de publicações e melhores salários e sobretudo uma reputação muitíssimo melhor enquanto músico. Não foi aliás nessa época o único músico a suplantar Bach já que Christoph Graupner também o fez. Aliás a bem dizer se Bach obteve o posto em Leipzig que acabou por o levar à fama um século mais tarde foi porque tanto Telemann como Graupner não quiseram esse mesmo lugar. Curiosamente Telemann era aliás amigo pessoal de Bach tendo sido padrinho de um dos filhos do compositor (precisamente o mais conhecido Carl Emanuel Bach).

Uma reacção a esta circunstância quase tão absurda como o facto que relatamos é reduzir estes dois compositores à insignificância, uma espécie de vingança uns quatro séculos depois ... Injustificada pois qualquer um destes dois músicos (sobretudo Telemann) tem o seu lugar na história da música.

Claro que Telemann também ajudou pelo facto de mais do que outro qualquer músico da época se ter preocupado com o seu marketing pessoal e da sua obra. Muitas vezes erradamente esse argumento é utilizado do ponto de vista negativo para denegrir a qualidade intrínseca das suas obras como se uma coisa proibisse a outra.

Acresce que Telemann foi um compositor extraordinariamente prolífico (aliás faz parte do Guiness Book of Records como sendo o compositor com mais obras publicadas) o que também não terá contribuído favoravelmente para a sua reputação qualitativa.

Fechando o longo parênteses e falando da obra em questão ela foi publicada em 1733 sendo constituída quase certamente por obras que não foram compostas para este fim. A obra está dividida em três partes cada uma constituída por 6 peças que forma uma espécie de suite. Cada uma das suites é concebida para formações com dimensões diferentes progredindo de obras para Orquestras de Câmara passando por obras para quartetos e trios e sonatas para instrumentos solo terminando de novo com uma orquestração para o mesmo conjunto orquestral do inicio.

Este conjunto de obras demonstra a enorme versatilidade de Telemann quer de estilos quer de formas que incluem estilos Polacos, Franceses e Italianos além da variedade orquestral e instrumental já referida.

Como vos explicamos o nome Tafelmusik significa "música de mesa" embora seja um pouco excessivo qualifica-la como música ambiente na verdade destinava-se a ser interpretada em ocasiões festivas.

Quando foi publicada a obra foi desde logo subscrita por mais de 200 pessoas entre nobres, clero e outros compositores (entre os quais Handel). Aliás o facto das encomendas terem nessa altura vindo um pouco de toda a Europa é ao mesmo tempo um elogio à capacidade de Telemann enquanto compositor mas também enquanto marketeer: Nessa altura um evento deste tipo pan-europeu estava longe de ser fácil. esta obra assegurou a Telemann considerável rendimento e desafogo financeiro.

Para vos demonstrar a latitude de estilos e de orquestração que esta obra inclui resolvi incluir bocados de cada uma das partes (também chamadas "suites" ou "produções").

Da primeira produção e como exemplo da música orquestral presente neste conjunto escolhi a abertura em Mi Menor (relembro que além da introdução a conclusão também é orquestral).



Da segunda produção e como exemplo da música de câmara escolhi o andante para quarteto em Ré Menor.

 

Da terceira produção escolhi a sonata para Oboe e Cravo como exemplo da música para solistas.

Estatísticas e Mensagens Populares da Semana (08.07.2012 a 14.07.2012)

Retomamos hoje os nossos posts regulares sobre algumas estatísticas interessantes deste blog.  Irei tentar que sejam semanais logo veremos se conseguimos manter essa frequência.

Na semana de 8 de Julho a 14 de Julho de 2012 tivemos 691 visitas de 557 visitantes únicos que no seu conjunto leram 1.001 páginas diferentes numa média de 1,45 páginas por visita num tempo médio de 1:17 por visita. 75,7% dos visitantes foram novos, 24,3% repetentes.

O maior número de visitantes veio do Brasil (382) seguindo-se Portugal (274) e num longínquo terceiro a França (6). Por cidades Lisboa continua a ser a principal fonte de visitas (124) seguindo-se São Paulo (59) e em terceiro o Rio de Janeiro (37).

Os nossos visitantes vieram em 76% como resultado de pesquisas, 11% de sites que nos referiram e 11% também de tráfego directo (bookmarks, memória ou outros em que o endereço foi digitado directamente).

Se excluirmos as páginas de topo e as mensagens a elas relacionadas as mensagens mais lidas esta semana foram:

1º Rhapsody in Blue ............... 14
2º Vivaldi as Quatro Estações ..... 12
3º Dia Mundial da Música (2011) ... 11
4º Clara Haskil ................... 10
5º Paris e Helena ................. 10 


No que diz respeito a essas páginas de topo ou mensagens relacionadas a estatística é a seguinte:


1º As melhores músicas clássicas ....... 47
2º Lista dos melhores Violinistas ...... 44
3º As 25 melhores Sinfonias ............ 40
4º Lista dos Grandes Maestros .......... 26
5º As dez melhores músicas clássicas ... 22

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Rhapsody in Blue - George Gershwin

O debate se esta obra se deve classificar com Jazz ou como música clássica nunca estará verdadeiramente terminado. A bem dizer isso não me interessa muito já que os títulos ou as classificações apenas são úteis enquanto taxonomia quando nos ajudam a entender a forma como as coisas se organizam. Se nas ciências essa forma deve obedecer a critérios rigorosos,  já nas artes há uma certa liberdade poética e de sentimento que nos pode permitir - a nosso belo prazer - definir algumas coisas como nos manda o coração. No meu caso esta obra é tanto uma peça de Jazz como uma música clássica.

Foi composta nos primeiros dias do ano de 1924 reza a lenda em apenas algumas semanas sobre a pressão da ideia ser "roubada" por um outro produtor. Na verdade a obra foi uma encomenda de Paul Whiteman o maestro de uma banda de Jazz e que tinha uns meses antes discutido com Gerswin a possibilidade de se fazer um concerto de raíz profundamente americana e que provasse que o Jazz era digno de uma sala de concerto. Ironia suplementar Paul Whiteman até tinha formação clássica, violinista que fora da Orquestra Sinfónica de Denver.

A orquestração da obra não é de Gershwin (pelo menos a da estreia não foi) mas sim de Ferde Grofé sendo também tema de debate se naquela altura Gershwin teria ou não capacidade técnica para ele próprio escrever a orquestração. É preciso enquadrar este facto na realidade de um compositor da Broadway que Gershwin também era. Normalmente o trabalho de orquestração não era feito pelos compositores das "canções" - Berlin, Kern ou Rodgers raramente orquestravam - mas sim por técnicos especialistas. O tempo dos compositores era demasiado precioso para algo que era essencialmente visto não como um trabalho criativo mas antes como um trabalho técnico. É assim razoável admitir que este modelo fosse aplicado nesta encomenda sobretudo dado o escasso tempo existente para a completar.

A obra está dividida em três partes embora não estejam identificadas como tal. A primeira parte é uma parte  rápida e alegre, a parte mais extensa, a segunda é uma parte lenta normalmente chamada o tema do amor pelo seu carácter doce para depois terminar de novo num final épico. Os leitores mais fieis deste blog não deixarão de notar nesta estrutura a forma normal de um concerto clássico com os andamentos rápido-lento-rápido. Podemos identificar claramente cinco temas que são apresentados logo nos primeiros compassos da obra.


A estreia a 12 de Fevereiro de 1924 recebeu um acolhimento fantástico por parte do público menos fantástico por parte da critica que nitidamente não conseguiu ultrapassar a barreira do género. Aliás nem de um lado nem do outro da barricada já que os especialistas do Jazz também não foram propriamente entusiasta da obra. Na estreia da obra estava presente uma plateia que hoje seria considerada impossível com alguns dos grandes vultos musicais da época: Heifetz, Kreisler, John Sousa e Rachmaninoff por exemplo. Na estreia com Gershwin ao piano a cadencia final foi verdadeiramente improvisada pelo que é impossível saber hoje como foi exactamente interpretada embora se admita que as versões que se seguiram interpretadas por Gershwin possam ser semelhantes.

Mas chega de palavras fiquem com a primeira parte da obra interpretada por Bernstein e a Filarmónica de Nova Iorque.





Deixo-vos também a titulo de comparação uma das versões interpretadas pelo compositor.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Mozart - As Sonatas para Violino

Inspirado pelo sentimento de urgência na reparação de uma injustiça colectiva que estamos a cometer neste blog vejo-me forçado a fazer campanha eleitoral por Mozart. Eu até não queria (não que Mozart não mereça antes pelo contrário, não deveria era precisar mas isso é outra história), mas dizia eu não queira porque, pecado capital para um amador de música clássica Mozart não me enche as medidas.

Antes que comecem a maldizer o autor deste blog uma explicação prévia. Não está em causa obviamente a genialidade do compositor. Aliás quem seria eu para a isso me atrever. É simplesmente porque em Mozart tudo é sempre tão certo, tão puro, tão claro e transparente (aliás essa é a grande dificuldade que se coloca a quem interpreta Mozart). Eu gosto de obras mais arriscadas, com mais arabescos, mais românticas se quisermos ou mais barrocas se preferirmos um passo para o passado. O período clássico e o seu expoente máximo, a perfeição da forma atingida por Haydn e Mozart nem sempre me conseguem comover. Há obviamente excepções ... Aqui fica desta forma assinalada a minha má vontade ao realizar esta campanha desculpem este longo desabafo.

Mozart escreveu como se sabe mais de trinta sonatas para violino e piano embora entre estas se encontrem 16 que são trabalhos da sua mais tenra infância e que na realidade são mais sonatas para piano com acompanhamento de violino do que o inverso. Esquecendo essas ficamos com as Sonatas Nº17 a Nº 36 das quais algumas estão incompletas ou foram completadas após a morte do compositor por alunos ou estudiosos. Em nome da verdade mesmo estas obras poderiam ser no minimo ser consideradas obras onde o piano é igualmente importante ou mesmo mais importante que o Violino. Porém hoje em dia são apresentadas desta forma e por isso as apresento nesta lista.

Escolher entre o conjunto que resta é muito difícil senão impossível. Como em outras cmapanhas eleitorais vamos escolher os andamentos que nos parecem ser melhores promessas para o vosso voto. Começamos assim com o segundo andamento (Allegro) da K.301 em Sol Maior a Sonata nº 18 composta em 1778 em Manheim e dedicada a Maria Elisabeth eleitora do Palatinado.

 

A segunda proposta é a sonata K. 302 em Mi Bemol Maior composta apenas uns meses depois e dedicado à mesma princesa fazendo portanto parte do mesmo ciclo intitulado "Sonatas do Palatinado".




Já num ciclo diferente a sonata K.454 em Si Bemol Maior composta em 1784 em Viena e dedicada a Regina Strinasacchi um virtuoso do violino.

 

E claro que depois do post sobre Clara Haskil não poderiamos terminar sem incluir uma sonata de Mozart interpretada por esta excelente dupla no caso a K. 526 em Lá Maior e escrita em 1788 eventualmente para o mesmo virtuoso violinista que a anterior.



Depois destes exemplos parece-me que pelo menos mais alguns votos terão de fluir para as obras de Mozart!

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