domingo, 31 de março de 2013

Compacto de Páscoa - Só poderia ser com Bach

Compacto porquê, podem legitimamente perguntar-se. Bem porque neste post vamos em simultâneo festejar a sexta-feira santa e o Domingo de Páscoa; claro que isto só poderia ser feito com Bach. Em primeiro lugar uma das obras de que já falamos e que Bach compôs especificamente para a Sexta-Feira santa, a Paixão de São Mateus de que vos proponho o sublime final.



Depois relativamente a este dia uma outra obra de Bach eventualmente (certamente) menos conhecida mas não menos merecedora de ser ouvida. Uma obra obviamente com um carácter totalmente diferente, festivo como é próprio deste dia, aliás uma das obras mais "felizes" de Bach. O Oratório de Páscoa - BWV 249.


Este compacto dura cerca de uma hora se ouvirem as duas obras em sequência. Vale a pena garanto!

sábado, 30 de março de 2013

Liszt Concerto nº2 para Piano e Orquestra

Depois de ontem termos falado do Concerto nº1 para Piano e Orquestra continuando a completar a lista de posts destinados a ilustrar as 100 obras que recomendo para começarem a ouvir música clássica (com bastante batota já que devido a entradas com múltiplas sugestões são algo mais do que 100 :-)) hoje iremos falar-vos do Concerto nº2 para Piano e Orquestra de Liszt.

Este concerto foi composto em 1839 uma década depois dos primeiros esboços do primeiro mas foi guardado sem que tenha sido publicado ou interpretado durante mais de uma década como aliás também aconteceu com o primeiro concerto como vimos ontem. Esta obra foi estreada a 7 de Janeiro de 1857 sendo solista o aluno de Liszt Hans von Bronsart a quem o concerto aliás é dedicado e a orquestra dirigida pelo próprio Liszt.

Se o primeiro concerto já demonstrava o carácter inovador de Liszt e profundamente romântico na forma este segundo leva essa característica ao extremo. Na verdade esta obra, claramente menos virtuosa na sua exigência técnica é composta por um único andamento dividido em seis partes (nem sempre são assim indicadas, sendo estas divisões na verdade bastante subtis podem existir diferentes interpretações). Mais ainda Liszt que como vos dissemos ontem foi o inventor do conceito de poema sinfónico inicialmente apelidou este concerto de "concerto sinfónico" um termo que o seu amigo Henry Litolff utilizou para definir um novo conceito em que o concerto deixava de ser apenas uma forma de exposição dos dotes de virtuoso do solista para ser um verdadeiro diálogo entre o instrumento solista e a orquestra.

Liszt acabou no entanto por abandonar essa intenção embora seja verdade que este concerto equilibra bastante o papel do solista e da orquestra. Tão importante quanto isso é a forma de composição em que Liszt leva ao expoente máximo a técnica de desenvolvimento temático e transformação de um único tema ao longo literalmente de toda a obra dando-lhe uma maravilhosa sensação de unidade.

O concerto começa com a exposição do tema que nos vai acompanhar durante 20 minutos nas suas várias metamorfoses, algumas dificilmente identificáveis, uma maravilhosa e tranquila primeira exposição pelos sopros que o piano começa por simplesmente acompanhar enquanto as cordas retomam a sua exposição. Estes primeiros minutos do concerto estão entre os meus preferidos. O ambiente quase melancólico é cortado pelo piano com um tema com um ritmo muito marcado que vai levar a orquestra a um picos emocionais da obra. A outra passagem de que gosto particularmente é aquela que corresponde à terceira parte em que um violoncelo solo introduz de novo o tema literalmente acompanhado pelo piano.

Escolhi para ilustrar esta obra uma gravação que não tendo grande qualidade sonora é uma interpretação histórica. Podemos nesta gravação ouvir Claudio Arrau com Filarmónica de Nova Iorque dirigida por Szell. Uma gravação de Dezembro de 1946.

sexta-feira, 29 de março de 2013

Liszt - Concerto nº 1 para Piano e Orquestra

Hoje voltamos à nossa lista de 100 obras completando a primeira parte de uma das entradas que dedicamos a Liszt. Falaremos hoje do seu primeiro concerto para Piano e Orquestra.

Antes disso deixem só referir que este compositor é um daqueles cujo papel na história da música é muitas vezes ignorado ou diminuído quando na realidade Liszt foi um homem absolutamente brilhante sendo a sua influência na segunda metade do século XIX absolutamente fundamental.

Este concerto começou a ser concebido em 1830 (os primeiros temas são desta data) tendo decorrido portanto mais de 25 anos até à sua estreia em Weimar a 17 de Fevereiro de 1855 sendo a orquestra dirigida por Berlioz e o solista o próprio Liszt. Imaginem o privilégio daqueles que estiveram nessa sala.

O concerto tem uma preocupação de unidade própria de Liszt sendo constituído por 4 andamentos que são interpretados sem interrupção entre eles (apesar disso não ser explicitamente referido por Liszt entre o primeiro e o segundo andamento essa é claramente a intenção compositor) . O concerto é relativamente curto (um pouco menos de 20 minutos) mas não deixa por isso de transmitir uma dimensão artística notável não só pelo virtuosismo pianistico necessário para a sua execução mas sobretudo pela forma do concerto que ao incluir um ultimo andamento que resume o material anteriormente exposto transmite precisamente aquele sentimento de unidade e integralidade que aprecio especialmente.

O facto do concerto conter 4 andamentos aproxima a sua forma mais de uma sinfonia do que do tradicional concerto o que não nos deve surpreender no inventor do poema sinfónico. Na verdade quase que podemos dizer que este concerto conta uma história, com um inicio e um fim.

O primeiro andamento (Allegro Maestoso) inclui um tema que é recorrente ao longo do concerto. neste primeiro perto do minuto 2 podem ouvir uma das passagens que prefiro, um dialogo sublime entre o piano e um clarinete "infelizmente" cortado pelo reaparecimento do tema agora num modo quase furioso como se quisesse terminar este momento de poesia. O segundo andamento (Quasi adagio)  - minuto 6" na interpretação que escolhemos - começa com os violoncelos e os contrabaixos em surdina a exporem o tema que é de seguida retomado pelo piano numa forma suave que aos poucos vai crescendo. O terceiro andamento (Allegretto vivace - Allegro animato) é introduzido por um triângulo. O que hoje pode parecer perfeitamente normal foi na altura severamente criticado ao ponto do nosso amigo, o critico Hanslick o ter apelidado "O Concerto do Triângulo". O quarto andamento (Allegro marziale animato)
como o tempo indica tem quase um carácter de marcha militar. Dizemos quase porque se é verdade que existe aquele ritmo forte que marca uma marcha este andamento não deixa também de como dizia Liszt efectuar o resumo dos restantes andamentos trazendo-os a uma conclusão.

Para a poesia de Liszt pensamos que é adequado escolhermos o "poeta" dos interpretes, Arturo Benedetti Michelangeli com a NHK dirigida por Alexander Rumpf numa gravação ao vivo de 1965.


sábado, 23 de março de 2013

A minha outra paixão e Shostakovich

Sabem os meus amigos mais próximos (e outros menos próximos também) que para além da música clássica o Sporting Clube de Portugal é a minha paixão. Escrevi assim mesmo Sporting Clube de Portugal porque é por ser este clube de Portugal e não de Lisboa ou de qualquer outra terra, com o devido respeito a todas elas, uma das razões pelas quais sou do Sporting Clube de Portugal.

Estou a escrever este post porque depois de votar, algo contrariado devo confessar face às escolhas existentes, fiquei a pensar que post poderia fazer hoje tendo chegado à triste conclusão que a contrariedade me tinha retirado a inspiração e a vontade. Estejam descansados poupo-vos a Marcha do Sporting.

Que outra alma dilacerada poderá melhor representar o dilema com que me confrontei hoje pela manhã? Bem que me perdoe Shostakovich que as suas razões eram bem mais graves do que as minhas mas é mais ou menos como me senti. Por isso por hoje fiquem com Shostakovich no seu Concerto para Violoncelo sem mais comentários. Interpretação de Rostropovich a quem o concerto foi dedicado e para quem foi escrito. Direcção de Eugene Ormandy da Orquestra de Filadelfia numa gravação de 1959.

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