Este post também é publicado no blog Folhas Pautadas.
Começamos a nossa visita ao país musical ao vivo pelo sul, pela cidade de Faro onde o Quarteto Lacerda vai interpretar a integral dos Quartetos de Cordas de Joseph Haydn por ocasião do bi-centenário da morte do compositor. O concerto terá lugar na Sexta-Feira dia 9 de Janeiro às 21:30 no Teatro Municipal de Faro.
Em Palmela no Auditório Municipal de Pinhal Novo no Sábado dia 10 às 21:30 teremos um concerto pelo Trio de Clarinetes de Palmela (Fernando Pernas, João Quítalo e Mário Cabica) . A entrada é livre.
Agora já em Lisboa, não costumamos referir o que se passa na Gulbenkian não porque não tenha qualidade (obviamente é sempre muito bom) mas porque sinceramente não precisam da nossa modesta promoção. Abre-se aqui a excepção para a Orquestra de Câmara de Basileia e Marijana Mijanovic que estarão no Auditório da Fundação no dia 11 às 19h. Serão interpretadas obras de António Vivaldi e Georg Friederich Händel. Na próxima semana (Terça-Feira 19h) no auditório 2 não deixem também de ir ver jovens músicos portugueses neste momento a estudar em Zurique num recital que promete (Oboé, Fagote e Piano).
Ainda na zona de Lisboa mais precisamente no Museu Condes de Castro Guimarães em Cascais o Coro Vox Maris dará no dia 10 de Janeiro às 17h um concerto. Continuando com coros e não muito longe no Colégio dos Maristas de Carcavelos teremos o "Encontro de Coros - 20º Aniversário do Coral Infantil de Carcavelos" no mesmo dia (Sábado 10) mas às 16h. Estarão presentes o Coral Infantil de Carcavelos, Coral Infantil Bragantino (Bragança), Coral Infanto-Juvenil de Torres Novas, Coro Vozes do Mar da ESSA e Pequenos Cantores de Coimbra
Em Santarém teremos a Orquestra do Algarve dirigida por Laurent Wagner no Teatro Sá da Bandeira no Domingo às 17h num concerto intitulado "Música de filmes". A entrada é livre condicionada à lotação da sala.
Ainda em Santarém e também no dia 10 teremos às 21:30 na Igreja da Graça o Coro Gregoriano de Lisboa, informação do blog Belogue de Notas.
No Sábado dia 10 de Janeiro às 21:30 a Orquestra Clássica do Centro dará no Cine-Teatro Messias (Lugar da Mealhada) um "Concerto de Ano Novo" em que serão interpretadas Valsas, Mazurcas, Polcas e Danças de Strauss, Offenbach e Brahms.
A Sociedade Filarmónica de Crestuma estará no Auditório Municipal de Gaia (AMG) na Sexta-Feira dia 9 de Janeiro pelas 21:45 num "Concerto de São Gonçalo" sendo dirigido pelo Maestro José Monteiro.
A Orquestra Nacional do Porto interpretará um concerto intitulado "Novo Mundo" na Casa da Música do Porto dirigida por Christoph König. Será na Sexta-Feira às 21h num programa que incluirá obras de Edgar Varèse, George Gershwin, György Ligeti, Heitor Villa-Lobos e Antonín Dvorák.
No Theatro Circo de Braga a Orquestra da Universidade do Minho interpretará a 5ª Sinfonia de Beethoven . Será no Sábado às 21:30. Na primeira parte o pianista Luís Pipa interpretará o 4º Concerto para piano e orquestra enquanto Ângelo Martingo interpretará a Fantasia Coral para piano, coro e orquestra. A Orquestra será dirigida por Vítor Matos.
Finalmente integrado no "Fan - Festival de Ano Novo 2008/2009" teremos em Bragança no Teatro Municipal de Bragança a ópera "Amor de Perdição" de João Arroyo no Sábado dia 10 de Janeiro às 21:30. Participa o Coro do Centro de Estudos em Ópera e Teatro Musical da Universidade de Aveiro (CEOTM-UA), a Orquestra Orquestra Sinfónica da Escola Superior de Música e Artes do Espectáculo do Instituto Politécnico do Porto (ESMAE), e o Coro do Centro de Estudos em Ópera e Teatro Musical da Universidade de Aveiro. A ópera é baseada no romance homónimo de Camilo de Castelo Branco. A direcção artística é de António Salgado e a direcção musical de António Saiote. Encenação de Marcos Barbosa.
A única música que precisa de embalagem é a música de plástico.
quinta-feira, 8 de janeiro de 2009
Tchaikovsky - Bailados - Quebra Nozes
O Quebra de Nozes (Op. 71) é o terceiro e ultimo dos bailados compostos por Tchaikovsky tendo sido composto entre 1891 e 1892 sendo também uma das ultimas obras publicadas em vida do compositor. Da Bela Adormecida, o segundo bailado
O bailado foi composto por encomenda de Ivan Vsevolozhsky. Contrariamente ao bailado Bela Adormecida de que falamos aqui Tchaikovsky não estava especialmente contente com a história (uma
A estreia do Bailado teve lugar numa dupla estreia em conjunto com a ultima ópera do compositor Iolanta a 18 de Dezembro de 1892. A estreia foi um sucesso relativo mas tal como para os restantes bailados Tchaikovsky nunca pensou no sucesso que estes se veriam a revelar.
Trata-se de um ballet em dois actos baseado em L’Histoire d’un Casse Noisette de Alexandre Dumas Pai que por sua vez é uma adaptação de um conto de Hoffmann. A coreografia inicial é de Petitpas mas foi terminado pelo seu assistente Lev Ivanov devido a doença.
Oiçam aqui uma das minhas valsas preferidas, a valsa das flores, que faz parte do segundo acto do ballet.
O bailado foi composto por encomenda de Ivan Vsevolozhsky. Contrariamente ao bailado Bela Adormecida de que falamos aqui Tchaikovsky não estava especialmente contente com a história (uma
A estreia do Bailado teve lugar numa dupla estreia em conjunto com a ultima ópera do compositor Iolanta a 18 de Dezembro de 1892. A estreia foi um sucesso relativo mas tal como para os restantes bailados Tchaikovsky nunca pensou no sucesso que estes se veriam a revelar.
Trata-se de um ballet em dois actos baseado em L’Histoire d’un Casse Noisette de Alexandre Dumas Pai que por sua vez é uma adaptação de um conto de Hoffmann. A coreografia inicial é de Petitpas mas foi terminado pelo seu assistente Lev Ivanov devido a doença.
Oiçam aqui uma das minhas valsas preferidas, a valsa das flores, que faz parte do segundo acto do ballet.
terça-feira, 6 de janeiro de 2009
Glenn Gould (1932-1982) - O Escritor (parte III)
Esta é a terceira parte de um artigo que Glenn Gould escreveu para a revista High Fidelity em 1974. A entrevista que traduzo aqui a partir da versão original que podem encontrar aqui é do próprio Gould que desempenha o papel de entrevistado e entrevistador. A entrevista claro é também sobre o próprio Gould.
Além de nos explicar muito sobre a forma como este artista se encarava este artigo é também um verdadeiro statement sobre o que é a arte e a música além de demonstrar uma visão notável. As duas primeiras partes deste artigo estão aqui (primeira parte) e aqui (segunda parte).
Glenn Gould entrevista Glenn Gould sobre Glenn Gould
High Fidelity, Fevereiro 1974.
(Terceira Parte)
g.g.: Então suponho que a questão óbvia é: Se não faz julgamentos estéticos em relação ao trabalho de outros então como encara julgamentos estéticos em relação ao seu trabalho?
G.G.: Oh, alguns dos meus melhores amigos são críticos, apesar de não ter a certeza que gostasse que o meu piano fosse tocado por um deles.
g.g.: Mas há alguns momentos definiu o termo "Perfeição espíritual" como um estado em que o julgamento estético é eliminado.
G.G.: Não queria ter dado a impressão que a única forma de chegar a esse estado fosse esse critério.
g.g.:Claro, percebo issso. Mas seria justo dizer que na sua opinião o espirito crítico leva fatalmente à exclusão de um estado de graça ?G.G.: Bem, acho que isso seria muita presunção da minha parte. Como disse alguns dos meus melhores amigos são --
g.g.: -- são critícos, eu sei, mas está a fugir à questão.G.G.: Não intencionalmente. Simplesmente penso que não se deve generalizar em assuntos em que reputações tão distintas estão em causa e --
g.g.: Mr Gould penso que nos deve, assim como aos nossos leitores uma resposta a esta questão
G.G.: Devo?
g.g.: É a minha convicção; talvez devesse repetir a questão.
G.G.: Não, não é necessário.
g.g.: Então acha realmente que o crítico represente uma espécie moralmente ameaçada?G.G.: Não, não é necessário.
g.g.: -- Por favor Mr. Gould, responda à pergunta - Acha isso não acha ?
G.G.: Bem, como disse, eu --
G.G.: Bem, como disse, eu --
G.G: [pausa] Sim.
g.g.: Com certeza que acha e agora também se sente melhor com esta confissão.
G.G.: Hmm, não neste momento
g.g.: Mas isso virá com o tempo.
G.G.: Acha mesmo ?
g.g.: Não tenho dúvida. Mas agora que colocou a sua posição de forma tão franca tenho de mencionar o facto que em tempos já fez criticas com expressão de valores estéticos. Lembro-me por exemplo de um artigo sobre Petula Clark que escreveu para esta coluna alguns anos atrás e que --G.G: -- que continha mais julgamentos estéticos por centimetro quadrado de página que eu julgaria possível escrever hoje. Mas era essencialmente uma critica moral. Era uma peça em que utilizei a Miss Clark, por assim dizer, para comentar num determinado meio social.
g.g.: Acha portanto que consegue destinguir entre uma crítica estética do inviduo - que rejeita de forma liminar - e o estabelecimento de imperativos morais para sociedade como um todo.
G.G: Penso que consigo. claro que há áreas em que a sobreposição é inevitável. vamos por exemplo admitir que moro numa cidade em que todas as casas são cinzento de navio de guerra.g.g.: Porquê essa côr ?
G.G.: É a minha cor preferida.
G.G.: É a minha cor preferida.
g.g: É uma cor bastante negativa não é ?
g.g: Mudando desta forma a simetria do planeamento urbano.
G.G.: Sim isso também, mas está a ver a questão do ponto de vista estético. As reais consequências desta acção seriam que este seria o prenúncio de actividade maníaca na cidade e quase inevitavelmente - dado que outras casas seriam pintadas inevitavelmente de outras cores - encorajariam um clima de competição e como corolário de violência.
g.g: Imagino então que esse vermelho no seu vocabulário represente o comportamento agressivo.
G.G.: Penso que há um consenso quanto a isso. Mas como disse haveria aqui uma sobreposição do estético com o moral. O homem que pintou a primeira casa de vermelho pode o ter feito por uma razão puramente estética e para utilizar uma velha palavra seria pecado responsabiliza-lo pela escolha da cor. Tal facto iria certamente cercear qualquer outro julgamento da sua parte. Mas se fossemos capazes de o convencer que a sua estética apresentava um perigo para a comunidade e desde que ele conseguisse ter um vocabulário adequado para a tarefa - que não seria obviamente uma de standards estéticos - então isso seria, creio da minha responsabilidade.
g.g: Tem a noção que esta a começar a falar como um personagem saído de George Orwell ?
G.G.: O mundo Orweliano não contém terrores especiais para mim.
Fim da terceira parte
Leia aqui a Quarta Parte.
segunda-feira, 5 de janeiro de 2009
Tchaikovsky - Bailados - A Bela Adormecida
O bailado A Bela Adormecida (Op. 66) foi o segundo composto por Tchaikovsky. Do primeiro bailado O Lago dos Cisnes (Op. 20 ) já havíamos falado aqui.
O bailado A Bela Adormecida foi composto entre 1888 e 1889. O bailado foi uma encomenda de Ivan Vsevolozhsky (director dos teatros imperiais) tendo sido estreado em S. Petersburgo a 15 de Janeiro de 1890.
A história do ballet baseia-se no conto de Perrault com o mesmo nome embora na adaptação dos irmãos Grimm. Contrariamente ao que tinha acontecido no primeiro ballet Tchaikovsky trabalhou sobre instruções especificas do coreógrafo Maurice Petitpas o que explica a muito maior consistência da obra e conjugação entre o bailado e a música.
O Bailado é o mais extenso (com intervalos dura mais de 4 horas) de Tchaikovsky apesar de ter apenas 3 actos e um prólogo. Hoje em dia é muitas vezes encurtado para satisfazer o nosso infelizmente frenético ritmo de vida.
Este segundo ballet foi recebido de forma muito mais favorável do que o primeiro embora Tchaikovsky não tenha vivido suficiente tempo para ver esta obra tornar-se a peça de reportório clássico que hoje em dia é.
Vejam aqui um extracto deste ballet.
O bailado A Bela Adormecida foi composto entre 1888 e 1889. O bailado foi uma encomenda de Ivan Vsevolozhsky (director dos teatros imperiais) tendo sido estreado em S. Petersburgo a 15 de Janeiro de 1890.
A história do ballet baseia-se no conto de Perrault com o mesmo nome embora na adaptação dos irmãos Grimm. Contrariamente ao que tinha acontecido no primeiro ballet Tchaikovsky trabalhou sobre instruções especificas do coreógrafo Maurice Petitpas o que explica a muito maior consistência da obra e conjugação entre o bailado e a música.
O Bailado é o mais extenso (com intervalos dura mais de 4 horas) de Tchaikovsky apesar de ter apenas 3 actos e um prólogo. Hoje em dia é muitas vezes encurtado para satisfazer o nosso infelizmente frenético ritmo de vida.
Este segundo ballet foi recebido de forma muito mais favorável do que o primeiro embora Tchaikovsky não tenha vivido suficiente tempo para ver esta obra tornar-se a peça de reportório clássico que hoje em dia é.
Vejam aqui um extracto deste ballet.
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