segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Wikileaks, music, and power - Alex Ross: The Rest Is Noise:

Escolhemos para post de hoje uma relação curiosa entre a música clássica, o poder e as Wikileaks. Um blog nunca estaria completo sem pelo menos uma referência a essas "fugas" (não no sentido musical do termo bem entendido :-))

Alex Ross: The Rest Is Noise: Wikileaks, music, and power:

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sábado, 17 de setembro de 2011

Dimitri Shostakovich (1906-1975) - A primeira crise

Passaram-se dois anos entre a estreia da ópera Lady Macbeth of the Mtsensk District em 1934 (aliás com considerável sucesso) até ao ano de 1936 em que surgem vários ataques a Schostakovich em particular um artigo intitulado "caos em vez de música".

Quando o Politburo vem ver a estreia da obra no Bolschoi (incluindo o próprio Stalin) Schostakovich também está na assistência tendo sido avisado por amigos de que o deveria fazer. Horrorizado o compositor percebe que Stalin detesta a obra. Note-se que estes dois factos correspondiam na altura a uma pena de morte (e isto não é uma metáfora artística, estamos a falar da efectiva eliminação física do compositor). Não admira assim que Schostakovich receie a partir desse momento Stalin e recear será certamente um eufemismo, pavor ou terror seria possivelmente mais adequado.

Facto é que os críticos que tinham aplaudido a ópera rapidamente se retractaram dizendo que não tinham reparado nas óbvias falhas da ópera sendo igualmente facto que o rendimento de Schostakovich desceu consideravelmente. As poucas oportunidades que apareciam eram para obras de propaganda ...

Schostakovich aplicava-se a sério nestas obras e de certa forma isso poderá ter-lhe literalmente salvo a vida. A resposta oficial do compositor deu-se com a Quinta Sinfonia que por isso é por vezes também apelidada "A Resposta Criativa de um artista soviético justamente criticado". A sinceridade como que Schostakovich se terá retractado e respectiva polémica associado merecerá obviamente um post. Por agora ficamos apenas com a música.

A Quinta Sinfonia representou uma reabilitação parcial e permitiu a Schostakovich respirar um pouco mais tranquilamente tendo igualmente iniciado a compor música de câmara de forma mais sistemática forma que também lhe permitia explorar outras ideias, como dizer mais "formalistas" ... Um bom exemplo desse trabalho é  o Quarteto nº1 em Dó Maior (Op. 49 de 1938).

Outro bom exemplo é o Op. 57 - Quinteto para Piano em Sol Menor (1940)  (este extracto vale a pena ser ouvido dado que no Piano está Marta Argerich, no primeiro violino Joshua Bell e no violoncelo Maisky). Aliás este quinteto vale-lhe o seu primeiro prémio Lenine consolidando de certa forma a reabilitação. Dizemos de certa forma porque pelo meio houve uma Sexta Sinfonia recebida friamente.

Pouco depois a então União das Repúblicas Socialistas Soviéticas vê-se envolvida na segunda guerra mundial apesar do pacto Germano-Soviético. Começa então em Leninegrado a composição da Sétima Sinfonia e o próximo post desta série ...

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Tiago Cabrita - Duas Peças

Os que conhecem este blog sabem que a música contemporânea não é de forma geral "my cup of tea" mas ultimamente tenho estado aos poucos a mudar de percepção embora existam coisas que continuo sem conseguir ouvir ...

Serve este preâmbulo para vos propor (porque gostei) duas obras de um jovem compositor português, Tiago Cabrita, ambas interpretadas por músicos portugueses. Não consigo definir com total certeza qual das duas prefiro embora caso tivesse mesmo que escolher talvez me inclinasse para AntiClockwise interpretada por Artur Mouradian na Eliminatória do Prémio Jovens Músicos, Violino Nível Superior (aliás sobre este prémio voltaremos a falar em breve com uma proposta de uns dias bem passados).

A outra obra Rasgo de Melodia que vos proponho é interpretada por um quarteto composto por Isa Antunes (Piano), Mariana Pinto (Violino), Bárbara Pires (Viola) e Mariana Lobo Fernandes (Violoncelo).

Fiquem portanto com música portuguesa, feita por músicos portugueses neste regresso do vosso escriba que se pretende regular daqui em diante.




domingo, 4 de setembro de 2011

Protestos no Concerto da Filarmónica de Israel nas Proms

O concerto da Orquestra Filarmónica de Israel nas Proms que teve lugar no passado dia 1 de Setembro foi interrompido por protestos de membros da audiência simpatizantes da causa Palestiniana. Podem ver um extracto desses protestos aqui. 

Embora considere perfeitamente legitimo que essas pessoas protestem fora da sala - a Orquestra Filarmónica de Israel podendo ser tomada como uma bandeira, um símbolo do referido estado - já a manifestação dentro da sala me parece ir contra o principio democrático de que a nossa liberdade termina onde começa a dos outros, e todos os outros escolheram ouvir a Orquestra ... 

Não se trata de defender uma espécie de "santidade" da música apenas o simples respeito pela escolha individual dos milhares de pessoas que tinham adquirido um bilhete para ouvir aquele concerto. 

A este propósito não posso obviamente deixar de lembrar Barenboim e o seu discurso no Knesset que vos repetirei sem dúvida mais vezes e que subscrevo inteiramente. Apenas a paz e a não violência podem ser respostas válidas às tentativas de solução pela força.

É verdade que a história também nos ensinou que quando alguém diz que nos quer eliminar é bom que acreditemos no que diz, mas a mesma história também nos ensina que a força deve ser dirigida apenas e unicamente contra quem verdadeiramente nos ameaça e não contra moinhos de vento e inocentes ... sobre o risco de gerar ainda mais violência ... 



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