sábado, 26 de novembro de 2011

Yehudi Menuhin (1906-1999) - Quarta Parte

Não é segredo para muitos de vós que o tempo passa mesmo depressa. Passa tanto mais depressa quanto gostariamos que não o fizesse ou mesmo que voltasse para trás. Vem isto a propósito de me ter apercebido que deixei a biografia de Yehudi Menuhin há quase um mês. Foi no dia 30 de Outubro que publiquei a Terceira Parte: A Guerra

Podem ler as duas primeiras partes desta biografia nestes dois posts:
Primeira Parte: Um Talento Precoce
Segunda Parte: Os Anos Antes da Guerra

Após o fim da guerra torna-se também maestro, um sonho que segundo o próprio tinha desde criança estreando-se num ensaio semi-privado com a Orquestra Sinfónica de Dallas curiosamente interpretando o prelúdio de Die Meistersinger de Wagner.

Pouco depois (1947) casa com Diana Gould que havia conhecido em Londres durante uma das suas variadas tournées para as tropas americanas que o levou a locais tão recônditos como o Alaska.

Esse ano aliás (1947) foi um ano difícil para Menuhin pois aceitou (para não dizer procurou) tocar sobre a direcção de Furtwangler que na altura estava praticamente proscrito e na lista dos músicos que teriam colaborado com o terceiro reich. Menuhin no entanto lembrou a comunidade internacional que Furtwangler tinha ajudado numerosos judeus a fugir da Alemanha. Disse ainda que o fazia num espírito de reconciliação e de recuperação do espírito da Alemanha. Não encontro uma gravação deste concerto mas encontrei uma outra de 1949 no Festival de Lucerna com o Concerto para Violino de Brahms.

Em 1948 estreia a sonata para Violino e Piano de William Walton encomendada pelo próprio Menuhin. Não encontro uma gravação desta obra por Menuhin portanto por enquanto proponho-vos o Concerto para Violino do mesmo compositor dirigido pelo próprio William Walton com a Sinfónica de Londres e Menuhin no Violino Solo.

Em 1950 inicia a actividade enquanto defensor dos Direitos Humanos que nunca viria a abandonar até à sua morte e fá-lo desafiando abertamente o apartheid na Africa do sul. Visita Israel apesar das ameaças de morte resultantes do facto de ter tocado com Furtwangler. Em 1952 faz uma tournée na India contra a fome.

Em 1954 inicia na Academia Nadia Boulanger aquele que viria a ser outro dos seus grandes legados ao mundo: A sua carreira enquanto professor. Em 1955 cria a sua primeira escola em Londres (mais tarde transferida para Surrey).

Também nos anos 50 e 60 inicia a sua colaboração com Festivais de música clássica nomeadamente o de Gstaad (1957) onde interpreta com Britten entre outros e também Bath (1959) do qual é o grande impulsionador e director artístico até 1968.

Em 1969 e durante três mandatos consecutivos torna-se presidente do International Music Council tendo durante o seu mandato criado o Dia Mundial da Música.

O epilogo desta história fica para a quinta e ultima parte desta biografia. Para vos deixar com música como sempre e porque já falamos da gravação de Brahms com Furtwangler (para muitos essa gravação não fosse o facto de ser mono seria a melhor gravação desse concerto) proponho que oiçam o dueto com Ravi Shankar. É justo terminar esta parte desta biografia porque na verdade esta tentativa de aproximação de várias áreas musicais foi também uma preocupação de Yehudi Menuhin expressa não só neste dueto mas também por exemplo nas suas gravações com Stephane Grappelli. (que aliás a propósito tem um dos sons mais bonitos e emocionalmente profundos que conheço). A propósito o primeiro dueto entre Shankar e Menuhin que teve lugar perante a Assembleia Geral da ONU em 1967 foi um momento memorável ...


quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Mais um protesto - Neste caso nos Proms e ... um protesto artístico !

A indignação não é exclusiva do nosso povo e dos nossos sindicatos. Em Inglaterra nos Proms deste ano especialmente agitados ao que parece, depois dos protestos por causa da Orquestra de Israel seguiu um protesto de um ouvinte que achou que a Sinfonia de Bruckner que estava a ouvir estava a ser conduzida de forma demasiado lenta. Levantou-se e saiu gritando impropérios vários. Leia a história completa no blog do Alex Ross onde soubemos da história.

Alex Ross: The Rest Is Noise: The great Bruckner rumpus:

Depois o tal protestante explicou a sua acção no seu blog - que por acaso tomei a liberdade de comentar por duas vezes - dizendo que não tinha interrompido nada já que o maestro se tinha já encarregado de interromper tudo com a sua (na opinião do protestante) má interpretação da obra.

Confesso que temo que se isto pegar se comece a ir para a Gulbenkian de pauta e caneta na mão apontando os erros e dando notas aos maestros e ocasionalmente gritando: tempi, tempi agitando os braços para cima ou para baixo consoante as necessidades... Um festival sem dúvida.

Mas gosto da paixão demonstrada por Bruckner ...

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Samuel Barber (1910-1981)

Este compositor americano (nascido a 9 de Março de 1910) é praticamente ignorado nos nossos dias embora muito possivelmente muitos de nós conheçamos pelo menos uma das suas obras, o Quarteto para Cordas Op. 11 composto em 1938. Esta obra deve a sua fama inicial ao facto do seu andamento lento (o Adagio) ter sido orquestrada por Toscanini (1938) e utilizada numa emissão de rádio como homenagem ao Presidente Roosevelt após o seu falecimento (1945).



Mais recentemente esta obra foi utilizada em filmes como Platoon ou O Homem Elefante embora pessoalmente possa apostar que a maioria das pessoas que viu estes filmes desconhecia a proveniência da música.

Samuel Barber não foi um homem feliz com a sua arte. Na altura em que nasceu ser neo-romântico equivalia já a ser considerado um dinossauro irrelevante. Injusto certamente. Espero que a versão que vos propus dirigida por Leonard Bernstein vos agrade (podem também ouvir a interpretação de 1938 de Toscanini) ou podem também gostar de uma outra dirigida pelo grande violoncelista e maestro Rostropovich interpretada em 1990 em Moscovo.



Samuel Barber não compôs no entanto apenas este quarteto. Entre as suas outras obras recomendo-vos o Concerto para Violino e Orquestra (ele próprio um capitulo dramático na vida de um compositor) de que gosto muito, composto em 1939, o Concerto para Violoncelo (1945)  e o Concerto para Piano (1962)

Samuel Barber foi também um notável compositor de Ópera apesar de ter apenas completado três obras e uma delas ter sido um fracasso responsável aliás pela profunda depressão do compositor que após 1966 ainda assim continuou a compor ... No que diz respeito à parte vocal Barber não só era excelente na Ópera como também fruto do seu gosto pela poesia musicou vários poemas de autores como por exemplo James Joyce  ou ainda Rainer Maria Rilke ou mesmo Neruda.

Samuel Barber foi membro da Academia Americana de Artes, duas vezes vencedor de um prémio Pullitzer e membro activo de vários agrupamentos que procuraram defender a música e os músicos.

E numa forma de rondo ou se preferirmos na busca romântica da unidade da obra proponho-vos que voltemos ao inicio com o  Adagio do Quarteto para Cordas com a versão cantada também ela adaptada pelo próprio Samuel Barber que faleceu a 23 de Janeiro de 1981 em Nova Iorque vitima de cancro. Desta vez a obra tantas vezes utilizada para outros soará em sua própria homenagem e memória ...

terça-feira, 22 de novembro de 2011

MozART GROUP - Uma sugestão vinda do blog Atributos

No Blog Atributos encontramos esta pérola de comédia musical ...

ATRIBUTOS: MozART GROUP 

Recomendo que vejam o filme no You tube e sigam para os restantes vídeos do grupo que podem encontrar nos videos relacionados. A cara de Bobby McFerrin de puro deleite numa das partes deste vídeo seria suficiente (vejam por volta dos 5:30) ...

O site oficial do Grupo www.mozartgroup.org informa-nos que vão estar no nosso país entre os dias 26 e 29 de Junho. Certamente a não perder !

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