No próximo dia 24 de Outubro na Igreja do Loreto às 21:30 na Baixa-Chiado teremos a Sinfonietta de Lisboa dirigida por Vasco Pearce de Azevedo com o Guitarrista Pedro Joia que interpretará obras suas. Do programa constam ainda obras de Holst e de Elgar e também algumas peças de Bernardo Sassetti.
A entrada é livre.
Mais detalhes na página facebook do evento nomeadamente o programa completo e detalhado.
A única música que precisa de embalagem é a música de plástico.
sexta-feira, 19 de outubro de 2012
terça-feira, 16 de outubro de 2012
Agostino Steffani (1654-1728) - Compositor, Padre, Diplomata e Espião
Agostino Steffani é um daqueles personagens cuja história facilmente daria um livro ou um filme sem grande necessidade de adição de elementos dramáticos. Tendo nascido em Itália a 25 de Julho de 1654 foi admitido no coro da Igreja de São Marcos em Veneza. Foi nesse coro que a beleza da sua voz o levou a ser notado por um conde alemão que o levou para a sua corte para que completasse a sua educação musical o que acabou por acontecer nas mãos capazes de Johann Kaspar Kell (1627-1693).
Voltou a Itália para estudar em Roma com Ercole Bernabei onde no entanto apenas ficou um ano. Volta para a Alemanha onde é nomeado organista da corte. Uns largos anos mais tarde em 1681, relativamente tarde para um compositor nessa altura, publica a sua primeira ópera, Marco Aurélio a que se seguirão várias outras até à sua obra mais conhecida neste género, Niobe de 1688.
Aceita então o cargo de director artístico na corte de Hanover onde conhece várias personagens e figuras importantes da época entre as quais Leibniz. É também desse período o seu encontro com Handel então a começar o seu percurso pessoa em relação à qual demonstrou grande bondade tendo tido sem dúvida um papel importante em possibilitar que este músico chegasse a ser o vulto que acabou por se tornar na história da música.
Compõe em Hanover mais uma dezena de óperas algumas das quais lhe valem uma grande reputação e sucesso mas o Padre não se limita a esse papel já que enquanto membro do clero desempenha alguns papeis diplomáticos difíceis sendo recompensado pelo papa Inocencio XI com o titulo de Bispo nas Antilhas Espanhola sendo depois em 1698 nomeado embaixador da Santa Sé em Bruxelas.
Em 1724 a Academia de Música Antiga de Londres nomeia presidente vitalício facto que poderia permanecer mais ou menos desconhecido não fosse o facto de como forma de agradecimento o compositor ter enviado à Academia provavelmente a sua obra mais notável, um magnifico Stabat Mater, uma obra verdadeiramente notável para a época.
A sua vida enquanto compositor e diplomata é tanto mais interessante quanto conseguiu apesar de tudo manter uma boa reputação muito possivelmente por ser hábil em esconder os seus verdadeiros sentimentos e opiniões numa época em que tanto teve de trabalhar em cortes católicas como protestantes. A sua música nomeadamente a que compunha em homenagem a quem pretendia aceder fazia maravilhas. O seu raciocínio lógico e claro também deverá ter tido a sua quota parte numa vida que não terá sido de forma nenhuma aborrecida.
Agostino Steffani faleceu em Frankfourt (julga-se) a 12 de Fevereiro de 1728 (pensa-se) ...
Voltou a Itália para estudar em Roma com Ercole Bernabei onde no entanto apenas ficou um ano. Volta para a Alemanha onde é nomeado organista da corte. Uns largos anos mais tarde em 1681, relativamente tarde para um compositor nessa altura, publica a sua primeira ópera, Marco Aurélio a que se seguirão várias outras até à sua obra mais conhecida neste género, Niobe de 1688.
Aceita então o cargo de director artístico na corte de Hanover onde conhece várias personagens e figuras importantes da época entre as quais Leibniz. É também desse período o seu encontro com Handel então a começar o seu percurso pessoa em relação à qual demonstrou grande bondade tendo tido sem dúvida um papel importante em possibilitar que este músico chegasse a ser o vulto que acabou por se tornar na história da música.
Compõe em Hanover mais uma dezena de óperas algumas das quais lhe valem uma grande reputação e sucesso mas o Padre não se limita a esse papel já que enquanto membro do clero desempenha alguns papeis diplomáticos difíceis sendo recompensado pelo papa Inocencio XI com o titulo de Bispo nas Antilhas Espanhola sendo depois em 1698 nomeado embaixador da Santa Sé em Bruxelas.
Em 1724 a Academia de Música Antiga de Londres nomeia presidente vitalício facto que poderia permanecer mais ou menos desconhecido não fosse o facto de como forma de agradecimento o compositor ter enviado à Academia provavelmente a sua obra mais notável, um magnifico Stabat Mater, uma obra verdadeiramente notável para a época.
A sua vida enquanto compositor e diplomata é tanto mais interessante quanto conseguiu apesar de tudo manter uma boa reputação muito possivelmente por ser hábil em esconder os seus verdadeiros sentimentos e opiniões numa época em que tanto teve de trabalhar em cortes católicas como protestantes. A sua música nomeadamente a que compunha em homenagem a quem pretendia aceder fazia maravilhas. O seu raciocínio lógico e claro também deverá ter tido a sua quota parte numa vida que não terá sido de forma nenhuma aborrecida.
Agostino Steffani faleceu em Frankfourt (julga-se) a 12 de Fevereiro de 1728 (pensa-se) ...
domingo, 14 de outubro de 2012
Mission - Cecilia Bartoli com obras de Agostini Stefanni
Outros dos presentes de que agora posso falar já que acabei de ouvir o disco Mission de Cecilia Bartoli com obras de Agostini Steffani (1654-1728) compositor sobre o qual farei de seguida um post em separado (ligado a este assim que estiver terminado).
Como sabem os leitores mais atentos a este blog este disco já tinha sido tema da Diapason do mês passado e é a partir da entrevista de Cecilia Bartoli e da minha audição do disco que vos faço agora uma apreciação global do disco e daqueles que me parecem os pontos mais fortes do mesmo.
Começo pela embalagem tipo livro em capa dura com mais de 150 páginas não apenas com as letras das árias das operas seleccionadas mas também com uma biografia extensa do compositor, padre diplomata e espião Agostini Stefanni. Alguns dos mapas providenciados nessas páginas assim como algumas das fotografias no interior, uma excelente obra conceptual são por si uma verdadeira obra de arte.
Quanto ao disco em si uma recolha de várias opera de Steffani a primeira nota que salta à vista é o tempo relativamente reduzido de cada faixa que pode levar ao receio de alguma falta de unidade sobretudo tendo em consideração o facto de ser composto de fragmentos de várias óperas. Pois bem esse receio é totalmente infundado. Aliás a bem da verdade não aconteceu com certeza por acaso já que a escolha de Cecilia Bartoli foi criteriosa tendo mesmo resistido à facilidade de incluir os relativamente famosos duetos do compositor, facilidade essa ainda mais tentadora tendo em consideração a participação de Jarousky. Aliás devo-vos dizer que num tempo em que tantas vezes se procura a facilidade comercial esta resistência é absolutamente refrescante.
Pela razão anterior - por essa unidade quase milagrosa - é difícil propor-vos uma selecção mas ainda assim vou tentar seguindo alguns critérios que serão eventualmente discutíveis mas que procuram dar-vos uma visão dos vários aspectos da obra dentro da referida unidade.
Em primeiro lugar a obra contempla várias faixas em estreia absoluta no que diz respeito a edição em CD mais precisamente 19 das 24 faixas. De todas essas 19 estreias escolher uma não é fácil e ainda mais difícil é encontrar uma que esteja no You Tube ...
Depois obviamente teria de vos propor uma das faixas em que Jarousky colabora com Bartoli . É uma faixa da única ópera relativamente conhecida de Agostini Steffani, Niobe chamada T´abbracio, mia Diva ... Ti stringo, mio nume (por acaso também uma das faixas em estreia no que diz respeito à gravação em CD).
Por fim tenho de destacar uma faixa em que Cecília Bartoli canta acompanhada apenas de um alaúde. Infelizmente também não consegui por enquanto localizar um exemplo.
Deixo assim estes dois desafios aos nossos estimados leitores ...
Um disco que recomendo em qualquer um dos formatos existentes. Do digital ao que me ofereceram (obrigado irmã ;-))
Como sabem os leitores mais atentos a este blog este disco já tinha sido tema da Diapason do mês passado e é a partir da entrevista de Cecilia Bartoli e da minha audição do disco que vos faço agora uma apreciação global do disco e daqueles que me parecem os pontos mais fortes do mesmo.
Começo pela embalagem tipo livro em capa dura com mais de 150 páginas não apenas com as letras das árias das operas seleccionadas mas também com uma biografia extensa do compositor, padre diplomata e espião Agostini Stefanni. Alguns dos mapas providenciados nessas páginas assim como algumas das fotografias no interior, uma excelente obra conceptual são por si uma verdadeira obra de arte.
Quanto ao disco em si uma recolha de várias opera de Steffani a primeira nota que salta à vista é o tempo relativamente reduzido de cada faixa que pode levar ao receio de alguma falta de unidade sobretudo tendo em consideração o facto de ser composto de fragmentos de várias óperas. Pois bem esse receio é totalmente infundado. Aliás a bem da verdade não aconteceu com certeza por acaso já que a escolha de Cecilia Bartoli foi criteriosa tendo mesmo resistido à facilidade de incluir os relativamente famosos duetos do compositor, facilidade essa ainda mais tentadora tendo em consideração a participação de Jarousky. Aliás devo-vos dizer que num tempo em que tantas vezes se procura a facilidade comercial esta resistência é absolutamente refrescante.
Pela razão anterior - por essa unidade quase milagrosa - é difícil propor-vos uma selecção mas ainda assim vou tentar seguindo alguns critérios que serão eventualmente discutíveis mas que procuram dar-vos uma visão dos vários aspectos da obra dentro da referida unidade.
Em primeiro lugar a obra contempla várias faixas em estreia absoluta no que diz respeito a edição em CD mais precisamente 19 das 24 faixas. De todas essas 19 estreias escolher uma não é fácil e ainda mais difícil é encontrar uma que esteja no You Tube ...
Depois obviamente teria de vos propor uma das faixas em que Jarousky colabora com Bartoli . É uma faixa da única ópera relativamente conhecida de Agostini Steffani, Niobe chamada T´abbracio, mia Diva ... Ti stringo, mio nume (por acaso também uma das faixas em estreia no que diz respeito à gravação em CD).
Por fim tenho de destacar uma faixa em que Cecília Bartoli canta acompanhada apenas de um alaúde. Infelizmente também não consegui por enquanto localizar um exemplo.
Deixo assim estes dois desafios aos nossos estimados leitores ...
Um disco que recomendo em qualquer um dos formatos existentes. Do digital ao que me ofereceram (obrigado irmã ;-))
sábado, 13 de outubro de 2012
Acordai
Em solidariedade com a manifestação desta tarde, embora não subscrevendo alguma das idiotas canções que por lá eventualmente se cantarão, uma haverá que sem dúvida espero se cante: Acordai de Fernando Lopes Graça.
Para além da 5ª de Beethoven. Diz-se que o destino se batesse à porta, bateria assim, com aqueles acordes. Que isso seja o sinal para não confiando no destino queiramos fazê-lo à nossa medida, protestando, intervindo, trabalhando também. Manifestar-se com Beethoven que mais do que tudo foi um verdadeiro revolucionário, apaixonado pela Igualdade e Fraternidade é uma boa forma de começar e de continuar a promover a mudança.
Porque não tenham dúvidas que a música, a arte, a cultura, não são coisas "acessórias". São fundamentais à nossa existência. Sem elas pouco mais somos que escravos ou vegetais.
Mudança com arte com paz com determinação mas sem violência sem procurar bodes expiatórios que mais não são muitas vezes que simples formas de canalizar falsas mudanças. É preciso verdadeiramente Acordar e pensar e não vegetar ...
Para além da 5ª de Beethoven. Diz-se que o destino se batesse à porta, bateria assim, com aqueles acordes. Que isso seja o sinal para não confiando no destino queiramos fazê-lo à nossa medida, protestando, intervindo, trabalhando também. Manifestar-se com Beethoven que mais do que tudo foi um verdadeiro revolucionário, apaixonado pela Igualdade e Fraternidade é uma boa forma de começar e de continuar a promover a mudança.
Porque não tenham dúvidas que a música, a arte, a cultura, não são coisas "acessórias". São fundamentais à nossa existência. Sem elas pouco mais somos que escravos ou vegetais.
Mudança com arte com paz com determinação mas sem violência sem procurar bodes expiatórios que mais não são muitas vezes que simples formas de canalizar falsas mudanças. É preciso verdadeiramente Acordar e pensar e não vegetar ...
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