sábado, 8 de dezembro de 2012

Obra de Piano Solo Preferida - Actualização de Votação


Cinco semanas de votação 254 votos (+36 que a semana passada - só mais 36 caros leitores? ).  Não se esqueçam que temos um guia de audição para poderem votar em consciência, o nosso Guia das 25 Obras Preferidas. Faltam apenas três semanas mais ou menos para o fim da votação!

Continuamos com os nocturnos de Chopin muito destacados continuam mesmo a conseguir dobrar o número de votos dos segundos classificados. Nas surpresa negativas continua Mozart o que me parece requerer um aviso adicional da minha parte algures nesta semana. Mantêm-se Debussy e Satié no podium o que constitui uma surpresa e sobretudo no segundo caso alguma injustiça se comparados a Bach, Beethoven ou Mozart, mas enfim são as nossas preferências e democracia é democracia!

Ultrapassamos metade do período de votação e gostava mesmo de poder contar com muito mais votos! Consultem o Guia de Votação e votem!

  1. Chopin - Nocturnos ..........................31 (+4)
  2. Debussy - Suite Bergamasque .................15 (+2)
  3. Satié - Gnossienes, Gymnopédies .............15 (+2)
  4. Beethoven - Patética, Appassionata, Ao Luar. 14 (+4)
  5. Bach - Variações Goldberg ...................14 (+4)
  6. Beethoven - Ultimas Sonatas .................12 (+1)
  7. Chopin - Polonaises .........................12 (+2)
  8. Bach - Fugas e Tocattas .....................12 (+3)
  9. Brahms - Intermezzi .........................10 (0)
  10. Albeniz - Ibéria ............................10 (0)
  11. Rachmaninoff - Sonatas ......................10 (0)
  12. Schumann - Carnaval .........................10 (+1)
  13. Mendelssohn - Canções sem palavras ..........10 (+1)
  14. Liszt - Rapsódias Húngaras ..................10 (+2)
  15. Scarlatti - Sonatas para Teclas ..............9 (0)
  16. Liszt - Sonatas ..............................9 (+2)
  17. Chopin - Valsas e Mazurkas ...................8 (+1)
  18. Mozart - Sonatas para Piano ..................8 (+2)
  19. Bach - Cravo bem Temperado ...................7 (+2)
  20. Schostakovich - 24 Prelúdios e Fugas .........5 (0)
  21. Prokofiev - Sonatas nº 6 e nº 7 ..............5 (0)
  22. Schubert - Sonatas para Piano ................5 (+1)
  23. Chopin - Études ..............................5 (+1)
  24. Beethoven - Hammerklavier ....................4 (0)
  25. Chopin - Sonatas .............................4 (+1)

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Óscar Niemeyer (1907-2012) - In Memoriam

Estava muito doente e tinha já 104 anos. Sabia-se que um dia viria a falecer como aliás sabemos todos. Apreciava as curvas e detestava o ângulo recto. Faleceu no passado dia 5 de Dezembro. Não tem muito a ver com música? Talvez não, mas é arte e em homenagem e em memória ao grande arquitecto deixo-vos com uma imagem dum auditório (Ibirapuera em São Paulo) por ele desenhado.



Deixo-vos também com música, brasileira claro, mais especificamente uma das Bachianas Brasileiras de Heitor Villa Lobos. Estou certo que onde quer que estejam já estarão ambos a discutir as curvas das formas melódicas ou arquitecturais.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Um aniversário "clássico" com um regresso esperado!

Caros leitores hoje permitam-me fazer um parênteses neste blog e falar um pouco menos de música (embora tenha um pouco disso no fim deste post). Hoje vou falar-vos de gargalhadas ou pelo menos do sorriso da minha adolescência. Vou falar-vos do regresso das bandas desenhadas da Disney a Portugal pela mão da editora onde trabalho.

É uma estreia neste blog falar-vos disso mas estamos a precisar neste país de umas sólidas gargalhadas, e na falta de outras perspectivas pelo menos o Tio Patinhas sempre é um ministro das Finanças mais divertido que o outro.

Partilho convosco a capa da primeira edição publicada após um longo interregno certo que não vão ter dificuldade em encontrá-la. Um post interesseiro dirão. É verdade reconheço-o! Sem nenhuma causa nobre a não ser a de honestamente achar que vos trará a dose certa de felicidade para o dia de hoje.

Dizia que haveria música. E vai haver porque coincidência do destino Walt Disney faria hoje 111 anos - uma feliz coincidência. E no que diz respeito a música aí retomamos mesmo a musica clássica naquele que é um dos meus filmes preferidos e provavelmente uma das melhores formas de propaganda à música clássica jamais feita. Deixo-vos com Fantasia, mais concretamente com Debussy - Clair de Lune, a minha homenagem a Walt Disney como se diz no comentário deste vídeo muito à frente (muito à frente mesmo) do seu tempo.



segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

A Vida Inteira de Tiago Cabrita

Ás vezes parece-nos que determinados autores determinados artistas esperam o momento certo para nos encontrarem ou reencontrarem. Passam-se anos sem que lhes tenhamos prestado muita atenção (a atenção que mereciam) e de repente no espaço de uns dias tudo parece girar à volta deles.

Estou a dizer-vos isto não por causa da obra musical da qual hoje vos vou falar mas mais por causa do poema e do poeta que estão na origem do libretto. Na verdade Ruy Belo de repente cruzou-se por várias vezes no espaço de dias no espaço da minha atenção. Primeiro precisamente por ser com base num seu poema que António Carlos Cortês escreveu o libretto para a ópera de Tiago Cabrita "A Vida Inteira" depois porque curiosamente na Cinemateca, onde fui ver o filme "In a Lonely Place" comentado por Abílio Hernandez Cardoso se voltou a falar de um outro poema de Ruy Belo a propósito de Boggart e do seu olhar de água, pura água.

Confesso que não pude deixar de fazer um paralelo entre as duas obras não porque sejam tematicamente idênticas mas porque em ambos os casos estamos perante existências a beira de um abismo e que jogam com a ideia da morte. Diz o poema de Ruy Belo


Às vezes sabes sinto-me farto 
por tudo isto ser sempre assim 
Um dia não muito longe não muito perto
um dia muito normal um dia quotidiano 
um dia não é que eu pareça lá muito hirto 
entrarás no quarto e chamarás por mim 
e digo-te já que tenho pena de não responder 
de não sair do meu ar vagamente absorto 
farei um esforço parece mas nada a fazer 
hás-de dizer que pareço morto 
que disparate dizias tu que houve um surto 
não sabes de quê não muito perto 
e eu sem nada para te dizer 
um pouco farto não muito hirto 
e vagamente absorto não muito perto
desse tal surto queres tu ver que hei-de estar morto?

Diz  um dos diálogos do filme de Boggart, uma espécie de micro-poema por duas vezes repetido pelo guionista e depois por uma das personagens, o filme dentro do filme um pouco como na vida, um pouco como na nossa vida inteira.

I was born when she kissed me
I died when she left me
I lived a few weeks 
While she loved me

Não sei se conseguirão ver este filme e depois só depois ouvir a obra do Tiago Cabrita. Não sei mesmo se ainda assim como eu farão este paralelo ou um outro. O que vos garanto é que em ambas as obras se sente a mesma intensidade dramática, o voltar ao mesmo ponto numa espécie de ciclo dentro de ciclo, de filme dentro de filme, de música dentro de música e sim ouvi-te Marilyn.

Como diz o outro poeta o Amor é uma doença se nele quisermos ver a nossa cura.




O video que partilho foi filmado no  Teatro Nacional de S.Carlos Março em  2012
Música: Tiago Cabrita
Libreto: António Carlos Cortez, a partir de um poema de Ruy Belo
Encenação: Luís Miguel Cintra
Orquestra Sinfónica Portuguesa, dirigida por João Paulo Santos
Marco Alves dos Santos (tenor) e Mário Redondo (barítono)

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