terça-feira, 25 de março de 2008

Johann Albrechtsberger (1736 - 1809)

Na véspera do post especial que terminará o nosso ciclo sobre Beethoven pareceu-nos apropriado falar do seu professor Johann Albrechtsberger.

Para muitos dos músicos do seu tempo incluindo o seu amigo Mozart, Albrechtsberger era o maior organista da sua geração. Mas para além desse virtuosismo que lhe era reconhecido Albrechtsberger foi ainda compositor e pedagogo e teórico musical.

Nasceu em Klosterneuburg (perto de Viena) a 3 Fevereiro de 1736. Iniciou os seus estudos de música num convento Beneditino tendo sido organista em Raab (1755) e Maria Taferl (1757). Foi nomeado organista da corte de Viena em 1772 e Kappelmeister da Catedral de St. Estevão em 1792.

Sem dúvida o seu maior contributo para a música foi o seu trabalho teórico que lhe permitiu ensinar Beethoven. E não se enganem. Em muitas composições de Beethoven os ensinamentos do mestre estão presentes. O seu livro Fundamentos da Composição publicado em 1790.

Johann Albrechtsberger faleceu em Viena a 7 de Março de 1809.

Foi relativamente difícil encontrar no You Tube composições de sua autoria. Fiquem assim com três exemplos que achei interessantes por razões diferentes. Em primeiro lugar uma fuga interpretada por três violoncelos e um contrabaixo aqui (não sei se se trata de um arranjo ou a versão original, muito provavelmente é um arranjo), um arranjo para uma fuga tocada numa viola aqui e finalmente um concerto para Trombone aqui. É pena que não existam aparentemente registos do Christian Lindberg (instrumentista virtuoso do trombone) deste ultimo concerto porque eu sei que ele o toca de forma inspiradora.

segunda-feira, 24 de março de 2008

Giovanni Paisiello (1740-1816)

Curiosamente no período clássico não era Mozart o mais popular criador de Óperas, esse papel cabia a Giovanni Paisiello.

Giovanni Paisiello nasceu em Taranto em 1740. Começou a ser notado pela sua voz o que lhe permitiu prosseguir os seus estudos no Conservatório de Nápoles. Escreveu as suas primeiras peças em 1763 no estilo leve e rítmico e no fraseado melódico que sempre o caracterizaram.

O sucesso destas primeiras peças foi tal que foi suficiente para primeiro ser convidado a escrever três óperas que foram bem recebidas na estreia.

Foi com base neste sucesso que em 1776 é convidado para a corte de Catarina II em S. Petersburgo onde acaba por compor uma das peças que muitos consideram a sua obra prima: O barbeiro de Sevilha (a primeira das óperas compostas com base neste libretto).

Em 1784 Paisiello deixa a Rússia e depois de uma breve passagem por Viena fixa-se em Nápoles ao serviço de Ferdinando IV onde compõe algumas das suas melhores óperas nomeadamente La Molinara.

Em 1802 fez uma relativamente breve estadia em Paris a convite de Napoleão. Na verdade a primeira produção Proserpine correu tão mal que apesar das excelentes condições oferecidas por Napoleão Paisiello resolveu voltar a Nápoles.

Na verdade por esta altura a boa estrela do compositor parecia ter já passado pressionado por um novo estilo que não conseguia acompanhar. O falecimento da esposa em 1815 abalou-o imenso tendo falecido pouco tempo depois em Nápoles a 5 de Junho de 1816.

Paisiello escreveu mais de 80 óperas, várias obras litúrgicas e algumas composições instrumentais. Sendo um compositor conhecido pela sua extrema inveja e receio de perda de privilégios e favores dos soberanos para quem trabalhava não deixa no entanto de ter por isso uma obra que devemos conhecer até porque segundo alguns especialistas a sua obra terá influenciado Rossini, Gluck e até mesmo Mozart.

Como referimos uma das suas obras de referência é o Barbeiro de sevilha que na altura foi melhor recebida que a versão de Rossini sobre o mesmo libretto de que pode ouvir aqui a abertura muito característica da leveza do seu estilo (aliás esta é uma das criticas que se apontam; escrever música demasiado leve para temas relativamente dramáticos). Por outro lado a sua aria mais conhecida é provavelmente "Nel cor più non mi sento" da ópera La Molinara que pode ouvir aqui.

Do seu trabalho de música sacra podemos destacar La passione di Gesù Cristo que infelizmente não encontramos no You Tube. Como exemplo deste tipo de obra podem no entanto ouvir aqui um Magnificat.

Quarta-Feira próxima é um dia especial !

A próxima quarta-feira é um dia especial. Fará 181 anos que Beethoven o compositor de que temos vindo a falar nestas ultimas semanas faleceu. Para marcar este acontecimento fecharemos nesse dia o nosso ciclo das nove sinfonias com o ultimo post sobre o quarto andamento da nona sinfonia.

Até esse dia iremos mantendo os nossos posts diários falando de outros compositores do período clássico.

domingo, 23 de março de 2008

Domingo de Páscoa

Hoje é Domingo de Páscoa. Reservei a minha mensagem de Páscoa para este dia só por ser Domingo de Páscoa, nada mais. Gostava de vos desejar uma Santa Páscoa e de partilhar convosco um texto que escrevi e enviei por email aos meus amigos. Alguns de vós terão-no recebido, outros não (mas não me culpem a mim, culpem os filtros anti spam :-)) fiquem no entanto certos de que se acham que são meus amigos eu serei certamente vosso.

Dizia eu no email (apenas ligeiramente adaptado, depois de mais uns dias de reflexão):

A Páscoa terá para alguns de vós um significado religioso. Para outros não e não há nisso nenhum mal. Porque a Páscoa tem o valor universal da redenção, da nossa capacidade de renascer, de corrigir os erros e avançar, de ultrapassar os obstáculos, de afastar as pedras do caminho uma a uma mas certamente não de qualquer maneira. Com respeito pelas bermas e por todos os que connosco partilham essa estrada. Para alguns as pedras que afastamos, um obstáculo que removemos pode ser um que inadvertidamente lhes colocámos. Com (o meu caso) ou sem fé em Deus, podemos e devemos sempre ter fé em nós, nos homens e na sua capacidade de se transcenderem.

Desta forma não queria de vos desejar a todos uma Santa Páscoa, vivam-na intensamente junto dos que vos são queridos ! Quando estava a escrever estas breves linhas lembrei-me claro de Drummond de Andrade e sendo embora um poema conhecido (muito conhecido mesmo) não deixa por isso de fazer sentido (mesmo sabendo que esta é uma interpretação livre, muito livre mesmo) do poema . Fiquem bem !

No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.

Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.

Carlos Drummond de Andrade

Abraços e beijinhos a quem de direito, abreijos para os mais gulosos (substituível por um doce :-)) .

No email não incluí música (que vergonha :-)) mas claro que a recomendação também muito pouco original só poderia mesmo ser Bach. Apontem o vosso browser para aqui e tenham os minutos de paz interior que a música vos pode proporcionar.

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