sábado, 26 de setembro de 2009

Dicionário de Termos Músicais: Cadenza (Cadência)

A Cadenza (cadência) é uma passagem (parte) improvisada ou escrita de uma composição que pretende fazer sobressair o papel do solista (durante a cadência que é interpretada em tempo livre a orquestra está tipicamente calada) sendo por isso uma peça fundamental do concerto.

Por vezes a cadência é deixada ao critério do solista quer improvisada quer escrita outras vezes o compositor especifica e compõe rigorosamente a cadência.

Tipicamente a cadência ocorre no fim do primeiro andamento embora em alguns casos bastante conhecidos possa acontecer em outros pontos da composição.

Entre as várias cadências escritas por solistas as compostas por Kreisler para o concerto de violino de Beethoven são especialmente relevantes. Entre as que foram concebidas pelos próprios compositores as de Grieg para o seu concerto para piano ou as de Beethoven para o seu  5º Concerto para piano são dos exemplos mais interessantes no que diz respeito ao valor intrínseco da cadência como parte da obra. Possivelmente no outro extremo situam-se as cadências dos concertos de Paganni que (com a eventual excepção do primeiro)  apenas existem para demonstrar as capacidades de virtuoso dos interpretes.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Sugestões para o fim de semana de 25 a 27 de Setembro 2009

Bom este fim de semana para além do dever do Domingo de não deixar que outros escolham por nós (não, não há desculpas :-)) há um outro ponto a não esquecer : Ouvir música ao vivo. Já sabem que a minha guerra em relação aos sofás e aparelhagens sofisticadas é intensa ... :-)  A sério há ocasiões para tudo ...

Por isso aqui ficam umas sugestões para este fim de semana. Em primeiro lugar e quebrando a habitual ordem geográfica começo por chamar a atenção para o Sábado no CCB onde durante quase todo o dia desfilaram alunos de muitas das escolas de música do País. Definitivamente a não perder.

No Algarve não esquecer que este fim de semana a Orquestra do Algarve inicia a sua temporada (Sexta-feira às 21:30 no Auditório da Fundação Manuel Viegas em Loulé - veja detalhes do programa no Site da Orquestra do Algarve). Teremos também ainda no Algarve no Centro Cultural São Lourenço em Loulé um recital de piano por Sandro Ivo Bartoli. Será no Sábado às 21:30. Serão interpretadas obras de  Bach, Liszt, Chopin, Nino Rota e César Franck.

De volta a Lisboa teremos um concerto intitulado "Sons do Norte da Europa" com obras de Jean Sibelius, Edvard Grieg, Trygve Madsen, Christer Danielsson e Vagn Holmboe. Serão interpretadas pelo Brass Ensemble da Metropolitana dirigido por Pedro Neves. Este concerto terá lugar na Reitoria da Universidade Nova de Lisboa na Sexta-Feira às 21h repetindo no CCB no dia seguinte.


Um pouco mais a Norte em Leiria, no Teatro José Lucio da Silva teremos uma mistura interessante de Cinema e Música ao vivo com a exibição de "Maria do Mar" - de Leitão de Barros para muitos a obra prima do cinema mudo português -  musicada pela Orquestra Filarmonia das Beiras e Bernardo Sassetti. Será às 21:30 de Sexta-Feira. Direcção de Vasco Pearce de Azevedo e voz de Filipa Pais.


Na invicta cidade do Porto na Casa da Música do Porto teremos a ONP com Caroline Widmann (Violino) dirigida por Christoph König. Será no Sábado às 18h sendo o concerto intitulado "Valsas e outras andanças". Serão intepretadas obras de Sibelius e Ravel entre outros.

Finalmente em Vila Real, integrado no Douro Jazz 2009 teremos no Teatro de Vila Real a Orquestra do Norte e Michel Lethiec (Clarinete) dirigida por José Ferreira Lobo. Será no Sábado às 22.00h sendo interpretada a obra de Gershwin, "Porgy e Bess".

Robert Schumann - Ich will meine Seele tauchen - Dichterliebe (Op. 48)

A quinta canção do ciclo chama-se Ich will meine Seele tauchen (quero mergulhar a minha alma). O post para a canção anterior pode ser lido aqui.

Quero mergulhar a minha alma
no cálice do Lírio 
O Lírio irá exalar 
a canção da minha bem amada.

A canção irá tremer
como o beijo da sua boca 
que uma vez me deu
numa hora maravilhosa.



A tradução a partir do inglês é minha. Para ilustrar esta canção continuamos com Fischer-Dieskau, esta canção começa perto do minuto 5:00 (o video inclui as canções 1 a 6 como já mencionamos em posts anteriores).

terça-feira, 22 de setembro de 2009

conferência de Daniel Barenboim em Lisboa

Na impossibilidade de ouvir o concerto de ontem Segunda-Feira e o recital de amanhã Quarta-Feira não podia perder a conferência na Fundação Gulbenkian de apresentação do seu livro "Tudo está ligado - O Poder da música".

Como já vos disse tenho uma admiração profunda por Daniel Barenboim por tudo aquilo que ele representa, pela coragem das suas ideias e por mesmo assim nunca aceitar compromissos na sua arte, a música mesmo quando (e sobretudo - mas já lá iremos) quando ela - a música - desempenha um papel de mediação ou de transcendência.

Esteve igual a si mesmo quando começou por falar do médio-oriente. Com coragem para explicar que na verdade só haviam duas alternativas e que ambas lhe pareciam impossíveis. Com coragem para dizer que um dos problemas do estado hebraico é não reconhecer que pelo menos terá uma quota parte da responsabilidade do problema palestiniano.

Falou depois do papel da música e disse-nos que esta era impossível de definir porque se o fosse então não valeria a pena interpreta-la. "A música não interessa por aquilo que é mas por aquilo que nós achamos que ela é, por aquilo que desperta dentro de nós, pela nossa interpretação dos sons". Não é assim que não tenha conteúdo mas antes que o seu conteúdo é essencialmente abstracto.

Falou-nos de Furtwangler e disse-nos que com ele a ligação tinha outro sentido pela sua capacidade única intuitiva de ligar várias partes de uma obra. Contou-nos como tinha conhecido Pierre Boulez e disse-nos que nunca tinha visto tamanha facilidade e tanto talento. Citou Celibidache dizendo que a mediocridade nem era um grande problema per se. Problema mesmo é ser contagiosa.

Explicou-nos que a música não pode "servir" para nada a não ser mudar-nos por dentro se aceitarmos o facto de que necessitamos de arte (e não apenas de música) para ser feliz. Fez o paralelo com Hitler e com Estaline e disse-nos que a música para poder ser um instrumento de mudança teria de ser de alguma forma introduzida na nossa vida "física".

Sem papas na língua explicou que o problema da democracia nos dias de hoje era o "marketing" que pouco podia resistir a essa máquina poderosa de superficialidade.

Para vos ser sincero ainda estou a "digerir" o que ouvi. Depois de ler o livro garanto-vos uma descrição mais detalhada. Se podia não ter ido a esta conferência? Se a vida não continuaria ? Podia. Continuava. Mas não seria a mesma coisa :-)

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