quinta-feira, 27 de março de 2008

As Recomendações de Quinta

Eureka ! Voltamos de novo a conseguir ter as recomendações da Quinta-Feira no seu dia de origem ...

Começando ao sul como vem sendo costume temos no Algarve a orquestra do Algarve que irá estar no dia 29 de Março (Sábado) às 21:30 no Pavilhão do Arade (Lagoa). Nem de propósito o programa é composto por obras do período clássico (Haydn) que terminámos quase e por peças do reportório Romântico (Chopin) que serão o objecto dos nossos posts futuros. A não perder definitivamente.

Ainda no sul do país mais precisamente no Alentejo em Évora poderemos ouvir no Sábado 29 de Março às 18h um recital de piano pelo excelente pianista brasileiro José Eduardo Martins no Convento dos Remédios. Serão interpretadas obras de compositores do período barroco (Rameau e Carlos Seixas), Clássico (do nosso agora bem conhecido Beethoven) na primeira parte. Na segunda parte serão interpretadas obras de Francisco de Lacerda e Fauré. Pela qualidade do interprete é mesmo a não perder !

No Domingo 30 de Março desculpai-me mas terei de fazer mais uma recomendação de pai babado, teremos na Aula Magna da Universidade Clássica de Lisboa pelas 17h a orquestra "OML Junior" resultante dos vários Workshops que esta instituição tem vindo a realizar nos últimos anos. Um programa bastante audacioso com obras que não revelarei ... é segredo :-)

Um bocadinho mais ao Norte, mais precisamente na região do Oeste entre Leiria e Alcobaça este blog refere-nos um ciclo de música coral que irá decorrer entre o dia 29 de Março e 6 de Abril. O primeiro concerto do dia 29 será no SERRO VENTOSO Salão Paroquial às 21h30 (mas consultem o referido blog ou este outro para mais informações).

Um pouco mais ao Norte mais precisamente em Espinho voltamos a chamar a vossa atenção para a excelente e diversificada programação do auditório de Espinho que nos dias 28 e 29 de Março irá fazer subir à cena Teatro - Café Chinez é o titulo. Eu sei que não é música clássica mas nós aqui somos eclécticos. Toda a informação relevante no blog oficial do auditório.

Por fim na cidade do Porto na aula Magna do Instituto Superior de Engenharia do Porto teremos a Orquestra do Norte dirigida por José Ferreira Lobo e o flautista Michel Lethiec, Sexta-Feira 28 de Março às 21:30.

Finalmente não queremos deixar de chamar a vossa atenção para os sites das salas que em Lisboa (CCB e Gulbenkian) e no Porto (Casa da Música) têm programação clássica regular e igualmente para os nossos amigos da Sercultur com variadíssimas sugestões culturais em cultura.sapo.pt .

Fiquem bem ! Renovo como sempre o meu desafio habitual contra os sofás e a preguiça aguda que nos assola. Oiçam música ao vivo, porque Ao Vivo é Outra coisa !

quarta-feira, 26 de março de 2008

Beethoven - Sinfonia nº 9 Op. 125 em Ré Menor - Quarto andamento

Como dissemos faz hoje precisamente 181 anos que Beethoven falecia no dia 26 de Março de 1827.

O quarto andamento como Charles Rosen (pianista americano nascido em 1927) diz é uma sinfonia dentro de uma sinfonia. Na verdade contem quatro "andamentos" tocados em sequência num verdadeiro hino à alegria e à humanidade.

Começa o andamento com uma introdução instrumental bastante lenta protagonizada pelos violoncelos. Sente-se a tensão crescer pelas interrupções ligeiras das flautas e outros sopros num diálogo entrecortado com os violoncelos. Por volta do minuto 3:50 ouve-se pela primeira vez o tema da alegria ainda que por breves momentos dado que é imediatamente interrompido pelos violoncelos. Finalmente por volta do minuto 5:00 começa um crescendo com a primeira exposição do tema. Estes tempos referem-se a esta interpretação de Bernstein de que falaremos daqui a pouco.

Entra então o coro pela primeira vez começando com o baixo solista pouco a pouco a que se juntam pouco a pouco os restantes elementos do coro e restantes solistas. Esta primeira errupção de alegria termina bruscamente para dar lugar ao "segundo andamento" deste andamento final que é um Scherzo num estilo militar. Oiçam aqui o fim da primeira parte deste ultimo andamento e o começo da segunda parte (a segunda parte começa no minuto 3:44). Este Scherzo termina mais uma vez com o tema principal tocado agora numa variação.

A terceira parte deste ultimo andamento apresenta um tema novo, sem dúvida pensado para constituir uma espécie de divisão dramática, um espaço de meditação antes da ultima parte. Oiçam aqui esta parte.

A ultima parte deste andamento é uma espécie de recapitulação dos temas deste andamento. Podem ouvir aqui essa recapitulação.

A gravação que vos fiz ouvir é ela própria um momento histórico. Foi gravada em 1989 por Leonard Bernstein por ocasião (e para festejar) a queda do muro de Berlim. No texto cantado a palavra "freude" - Alegria - foi mudada para "Freiheit" - Liberdade. A Orquestra e coros que ouviram tocar provêm de várias orquestra da ex-Republica Federal Alemã e da Ex-Republica Democrática Alemã alem de membros de várias orquestras europeias (Paris, Londres) e mesmo americanas (Nova Iorque por exemplo). Para terminar com tanto poder simbólico este concerto decorreu no dia 25 de Dezembro (dia de Natal) em pleno Berlim (Schauspielhaus) o centro e símbolo da divisão de um povo.

Acho que dificilmente encontraria uma forma mais adequada de terminar esta série de posts sobre Beethoven. Uma sinfonia tocada para celebrar aquilo em que Beethoven mais acreditava: A igualdade e a fraternidade entre os homens. Que esta música nos sirva de reflexão e de inspiração para chegarmos a esse difícil desígnio civilizacional.

AVISO - O TEXTO QUE SE SEGUE PODE SER CONSIDERADO DEMASIADO AÇUCARADO. PROCEDA COM CAUTELA.

É que o ódio, a repressão, a opressão, são tão mais fáceis de explicar e de justificar que nos esquecemos muitas vezes que o que nos separa das bestas não é tanto a inteligência mas sim o uso que dela fazemos.

Voltem a ouvir tudo agora e vejam se não vos apetece ir dar um abraço ao mundo inteiro. Procurem não esquecer esse sentimento. Fará de vós, estou certo, melhores homens e mulheres.

FIM DE AVISO.

terça-feira, 25 de março de 2008

Johann Albrechtsberger (1736 - 1809)

Na véspera do post especial que terminará o nosso ciclo sobre Beethoven pareceu-nos apropriado falar do seu professor Johann Albrechtsberger.

Para muitos dos músicos do seu tempo incluindo o seu amigo Mozart, Albrechtsberger era o maior organista da sua geração. Mas para além desse virtuosismo que lhe era reconhecido Albrechtsberger foi ainda compositor e pedagogo e teórico musical.

Nasceu em Klosterneuburg (perto de Viena) a 3 Fevereiro de 1736. Iniciou os seus estudos de música num convento Beneditino tendo sido organista em Raab (1755) e Maria Taferl (1757). Foi nomeado organista da corte de Viena em 1772 e Kappelmeister da Catedral de St. Estevão em 1792.

Sem dúvida o seu maior contributo para a música foi o seu trabalho teórico que lhe permitiu ensinar Beethoven. E não se enganem. Em muitas composições de Beethoven os ensinamentos do mestre estão presentes. O seu livro Fundamentos da Composição publicado em 1790.

Johann Albrechtsberger faleceu em Viena a 7 de Março de 1809.

Foi relativamente difícil encontrar no You Tube composições de sua autoria. Fiquem assim com três exemplos que achei interessantes por razões diferentes. Em primeiro lugar uma fuga interpretada por três violoncelos e um contrabaixo aqui (não sei se se trata de um arranjo ou a versão original, muito provavelmente é um arranjo), um arranjo para uma fuga tocada numa viola aqui e finalmente um concerto para Trombone aqui. É pena que não existam aparentemente registos do Christian Lindberg (instrumentista virtuoso do trombone) deste ultimo concerto porque eu sei que ele o toca de forma inspiradora.

segunda-feira, 24 de março de 2008

Giovanni Paisiello (1740-1816)

Curiosamente no período clássico não era Mozart o mais popular criador de Óperas, esse papel cabia a Giovanni Paisiello.

Giovanni Paisiello nasceu em Taranto em 1740. Começou a ser notado pela sua voz o que lhe permitiu prosseguir os seus estudos no Conservatório de Nápoles. Escreveu as suas primeiras peças em 1763 no estilo leve e rítmico e no fraseado melódico que sempre o caracterizaram.

O sucesso destas primeiras peças foi tal que foi suficiente para primeiro ser convidado a escrever três óperas que foram bem recebidas na estreia.

Foi com base neste sucesso que em 1776 é convidado para a corte de Catarina II em S. Petersburgo onde acaba por compor uma das peças que muitos consideram a sua obra prima: O barbeiro de Sevilha (a primeira das óperas compostas com base neste libretto).

Em 1784 Paisiello deixa a Rússia e depois de uma breve passagem por Viena fixa-se em Nápoles ao serviço de Ferdinando IV onde compõe algumas das suas melhores óperas nomeadamente La Molinara.

Em 1802 fez uma relativamente breve estadia em Paris a convite de Napoleão. Na verdade a primeira produção Proserpine correu tão mal que apesar das excelentes condições oferecidas por Napoleão Paisiello resolveu voltar a Nápoles.

Na verdade por esta altura a boa estrela do compositor parecia ter já passado pressionado por um novo estilo que não conseguia acompanhar. O falecimento da esposa em 1815 abalou-o imenso tendo falecido pouco tempo depois em Nápoles a 5 de Junho de 1816.

Paisiello escreveu mais de 80 óperas, várias obras litúrgicas e algumas composições instrumentais. Sendo um compositor conhecido pela sua extrema inveja e receio de perda de privilégios e favores dos soberanos para quem trabalhava não deixa no entanto de ter por isso uma obra que devemos conhecer até porque segundo alguns especialistas a sua obra terá influenciado Rossini, Gluck e até mesmo Mozart.

Como referimos uma das suas obras de referência é o Barbeiro de sevilha que na altura foi melhor recebida que a versão de Rossini sobre o mesmo libretto de que pode ouvir aqui a abertura muito característica da leveza do seu estilo (aliás esta é uma das criticas que se apontam; escrever música demasiado leve para temas relativamente dramáticos). Por outro lado a sua aria mais conhecida é provavelmente "Nel cor più non mi sento" da ópera La Molinara que pode ouvir aqui.

Do seu trabalho de música sacra podemos destacar La passione di Gesù Cristo que infelizmente não encontramos no You Tube. Como exemplo deste tipo de obra podem no entanto ouvir aqui um Magnificat.

Oportunidades na Amazon