Esta é a terceira parte da nossa história. Leia aqui a primeira parte e aqui a segunda parte.
Nem Guilhermina Suggia nem Pablo Casals se referiram posteriormente ao período no qual estiveram juntos em paris na Vila Monitor entre 1907 e 1913. Muitos documentos perderam-se outros foram deliberadamente destruídos pelo que é dificil fazer uma ideia do que foram esses anos baseado em factos e documentos.
Sabe-se que durante esse período Casals continuou nos palcos embora nunca se afastando muito de Paris. Os registos dos concertos de Suggia estão perdidos. Sabe-se ainda que pelo menos uma vez em 1908 viajaram juntos para São Petersburgo onde ambos actuaram. é também conhecido e documentado que a sua casa servia na altura como ponto de encontro de músicos e intelectuais. Entre os visitantes frequentes encontramos pianistas como Bauer e violinistas como Kreisler, Enesco ou Ysaÿe.
Do resto, das razões que levaram à separação podemos apenas especular. Casals disse mais tarde que esse período foi “o episódio mais cruelmente infeliz da minha vida” certamente um exagero ou talvez a dor dessa relação não ter sido possível. Na verdade tanto Casals como Suggia eram pessoas com uma forte personalidade que recusavam submeter-se a qualquer domínio do outro.
Suggia tinha começado como aluna de Casals e era mais nova do que este, as suas carreiras estavam em pontos bem diferentes. Casals era um artista de projecção mundial, Suggia estava nesse standard apenas a começar. A ambição de ambos era dificilmente conciliável mesmo que tocassem instrumentos diferentes mas sendo concorrentes directos e possivelmente os dois melhores violoncelistas do tempo era quase que óbvio que a ruptura um dia aconteceria.
Não se conhece ao certo a razão da separação embora seja muitas vezes especulado que a causa essencial foi o ciúme de Casals alimentado pelos "flirt" eventualmente propositados de Suggia, que não seriam mais do que tentativas de afirmação. A estas infidelidades terá sido adicionado o ciúme na carreira nomeadamente quando Emmanuel Moór dedicou o seu duplo concerto a ambos mas reservando o primeiro violoncelo a Suggia. Dizia-se que em sucessivos acessos de ciúme Casals escondia os violinos de Guilhermina.
Em todo o caso o que é definitivamente seguro é que em 1913 o casal separa-se e Guilhermina depois de uma breve estadia em casa da irmã em Brive-La-Gaillarde viaja para Londres onde inicia uma nova etapa da sua vida de que trataremos na próxima parte.
A única música que precisa de embalagem é a música de plástico.
sábado, 15 de novembro de 2008
sexta-feira, 14 de novembro de 2008
Lisa Ekdahl no CCB - Acabei de chegar ...
Hoje desculpem-me mas o post vai ser curto. Acabei de chegar do CCB onde fui ouvir uma cantora (não é música clássica, desculpem o aparte mas vale a pena ouvirem a sua voz) de que gosto particularmente: Lisa Ekdahl.
Gostei que tenha dito que estava feliz pelos Estados Unidos terem um novo presidente, gostei da simplicidade e como sempre da voz. Em poucas palavra o concerto de hoje foi muito muito bom, faltou talvez (ainda) um pouco de intimismo mas aquela sala é complicada para isso ... Em todo o caso excelente concerto com grande cumplicidade entre a cantora e o público.
Para quem não conhece podem ouvir aqui - esta ela não cantou- ou então esta outra , esta sim cantou-a hoje e ainda bem que é uma das minhas preferidas do seu reportório. Garanto que vale a pena ouvirem com atenção esta grande interprete.
Amanhã voltamos ao reportório clássico com mais um "episódio" sobre outra grande senhora, a Guilhermina Suggia.
Gostei que tenha dito que estava feliz pelos Estados Unidos terem um novo presidente, gostei da simplicidade e como sempre da voz. Em poucas palavra o concerto de hoje foi muito muito bom, faltou talvez (ainda) um pouco de intimismo mas aquela sala é complicada para isso ... Em todo o caso excelente concerto com grande cumplicidade entre a cantora e o público.
Para quem não conhece podem ouvir aqui - esta ela não cantou- ou então esta outra , esta sim cantou-a hoje e ainda bem que é uma das minhas preferidas do seu reportório. Garanto que vale a pena ouvirem com atenção esta grande interprete.
Amanhã voltamos ao reportório clássico com mais um "episódio" sobre outra grande senhora, a Guilhermina Suggia.
quinta-feira, 13 de novembro de 2008
As recomendações de Quinta-Feira de Música Clássica ao Vivo
Este post também é publicado no blog Folhas Pautadas onde para além destas recomendações poderão encontrar muitas outras dos restantes membros que nele participam. Gostávamos ainda de salientar que muitas destas sugestões se devem ao trabalho dos nossos amigos da Sercultur sendo que no site cultura.sapo.pt poderão encontrar muitas outras recomendações de qualidade.
Começamos a nossa viagem pelo sul do país anunciando o regresso dos Concertos Promenade pela Orquestra do Algarve dirigida por Laurent Wagner. Será no Pavilhão do Arade (Parchal) - Lagoa no Domingo dia 16 pelas 17h. Um concerto muito dentro do espírito deste blog onde todos são convidados a aprender. O programa é constituído pelas seguintes composições:
Apenas ligeiramente mais a norte teremos no Domingo dia 16 de Novembro pelas 17h na Sé de Évora o Ein Deutsches Requiem de Brahms.
Em Lisboa na Igreja do Instituto de S. Pedro de Alcântara também no Domingo 16 de Novembro às 17h teremos o Coral Vértice dirigido por Sérgio Fontão em obras de Francis Poulenc (1899-1963) alusivas a São Francisco de Assis e a Santo António. Para mais informações sobre o coral não deixe de visitar o seu blog oficial aqui.
Ainda na Zona de Lisboa teremos, também no Domingo 16 de Novembro às 17h no Palácio dos Aciprestes, um concerto bastante original intitulado "As outras schumann e Mendelssohn" em que serão interpretadas obras de Clara Schumann e Fany Mendelssohn. Um justo tributo a estas excelentes composistoras que viveram injustamente à sombra do seu apelido e de uma sociedade que infelizmente ignorava que o talento não conhece barreiras de género.
Em Coimbra, e felizmente tenho tido oportunidade de deixar aqui algumas sugestões para a minha cidade natal neste ultimos tempos, teremos integrado no Festival de Música de Coimbra 2008 um Recital de Orgão e Violino por Paulo Bernardino e Maria João Silva na Capela de São Miguel (Universidade de Coimbra). Será no Sábado dia 15 às 21:30 e entrada é livre. Obras do português Carlos Seixas e ainda Corelli, Tellemann, Sebastien Durán, Buxtehude.
Em Aveiro (desta vez não nos esquecemos da nossa Veneza) teremos a Carmen de Bizet pela Orquestra Filarmonia das Beiras dirigida por António Vassalo Lourenço no Domingo 16 pelas 18h. Será no Teatro Aveirense e as entradas variam entre os €10 e os €12(?).
Ainda em Aveiro (porque não há fome que não dê em fartura :-)) teremos integrado nos Festivais de Outono - Aveiro 08 "Winterreise" de Franz Schubert. Será na Quarta-Feira dia 19 pelas 21:30 no Museu de Aveiro e a entrada é livre. Esta obra será interpretada por Angel Gonzalez, no piano, e António Salgado, no baixo barítono.
Apenas ligeiramente mais a Norte em Espinho (e agora perdoem-me porque vou saír ligeiramente do género clássico mas penso que o Jazz também vale a pena ser ouvido ao vivo) teremos no Auditório de Espinho no Domingo 16 pelas 21:30 os músicos Pete Rende/Matt Pavolka Quartet “Blend”. Irão tocar com dois músicos portugueses: João Moreira no trompete e Marcos Cavaleiro na bateria. Preços: €7 bilhete normal, €5 para maiores de 65 e menores de 25 anos.
Na casa da Música do Porto no Sábado às 12h teremos integrado no «Festival À Volta do Barroco 2008» um concerto pelo ensemble "A Imagem da Melancolia" dirigido por Pedro Sousa Silva. Este agrupamento inteiramente constituído por flautas procura interpretar as obras de acordo com a estética da época utilizando cópias de instrumentos do século XVI. Entrada €5. Serão interpretadas obras de Hessen, Arauxo, Cabezon, Carreira, Holborne, Sheidt, Rosenmüller, Frescobaldi e Bertal.
Um pouco para interior, na Igreja de São Gonçalo em Amarante teremos a Orquestra do Norte com Carina Albuquerque e Emanuel Salvador e dirigida por José Ferreira Lobo no Sábado 15 de Novembro às 21:30. O programa inclui a Sinfonia nº 97 em Dó Maior de Haydn e o duplo concerto para violino e violoncelo de Brahms.
Esta mesma orquestra estará na Sexta-Feira dia 14 às 21:30 em Seia na Casa Municipal da Cultura de Seia mas aqui com o pianista Ângelo Martingo e um programa que inclui obras de Mozart (A Flauta Mágica - Abertura), Beethoven (Concerto nº 5 para Piano e Orquestra).
Começamos a nossa viagem pelo sul do país anunciando o regresso dos Concertos Promenade pela Orquestra do Algarve dirigida por Laurent Wagner. Será no Pavilhão do Arade (Parchal) - Lagoa no Domingo dia 16 pelas 17h. Um concerto muito dentro do espírito deste blog onde todos são convidados a aprender. O programa é constituído pelas seguintes composições:
- W.A. Mozart - "Eine kleine Nachtmusik" (ou ouçam aqui esta versão no You Tube - desculpem não resisti)
- Sergei Prokofiev - Pedro e o Lobo
- Johannes Brahms - Dança Húngara Nº 5 em Sol menor (a versão para orquestra)
- Johann Strauss - Marcha Radetzky, Op. 228.
Apenas ligeiramente mais a norte teremos no Domingo dia 16 de Novembro pelas 17h na Sé de Évora o Ein Deutsches Requiem de Brahms.
Em Lisboa na Igreja do Instituto de S. Pedro de Alcântara também no Domingo 16 de Novembro às 17h teremos o Coral Vértice dirigido por Sérgio Fontão em obras de Francis Poulenc (1899-1963) alusivas a São Francisco de Assis e a Santo António. Para mais informações sobre o coral não deixe de visitar o seu blog oficial aqui.
Ainda na Zona de Lisboa teremos, também no Domingo 16 de Novembro às 17h no Palácio dos Aciprestes, um concerto bastante original intitulado "As outras schumann e Mendelssohn" em que serão interpretadas obras de Clara Schumann e Fany Mendelssohn. Um justo tributo a estas excelentes composistoras que viveram injustamente à sombra do seu apelido e de uma sociedade que infelizmente ignorava que o talento não conhece barreiras de género.
Em Coimbra, e felizmente tenho tido oportunidade de deixar aqui algumas sugestões para a minha cidade natal neste ultimos tempos, teremos integrado no Festival de Música de Coimbra 2008 um Recital de Orgão e Violino por Paulo Bernardino e Maria João Silva na Capela de São Miguel (Universidade de Coimbra). Será no Sábado dia 15 às 21:30 e entrada é livre. Obras do português Carlos Seixas e ainda Corelli, Tellemann, Sebastien Durán, Buxtehude.
Em Aveiro (desta vez não nos esquecemos da nossa Veneza) teremos a Carmen de Bizet pela Orquestra Filarmonia das Beiras dirigida por António Vassalo Lourenço no Domingo 16 pelas 18h. Será no Teatro Aveirense e as entradas variam entre os €10 e os €12(?).
Ainda em Aveiro (porque não há fome que não dê em fartura :-)) teremos integrado nos Festivais de Outono - Aveiro 08 "Winterreise" de Franz Schubert. Será na Quarta-Feira dia 19 pelas 21:30 no Museu de Aveiro e a entrada é livre. Esta obra será interpretada por Angel Gonzalez, no piano, e António Salgado, no baixo barítono.
Apenas ligeiramente mais a Norte em Espinho (e agora perdoem-me porque vou saír ligeiramente do género clássico mas penso que o Jazz também vale a pena ser ouvido ao vivo) teremos no Auditório de Espinho no Domingo 16 pelas 21:30 os músicos Pete Rende/Matt Pavolka Quartet “Blend”. Irão tocar com dois músicos portugueses: João Moreira no trompete e Marcos Cavaleiro na bateria. Preços: €7 bilhete normal, €5 para maiores de 65 e menores de 25 anos.
Na casa da Música do Porto no Sábado às 12h teremos integrado no «Festival À Volta do Barroco 2008» um concerto pelo ensemble "A Imagem da Melancolia" dirigido por Pedro Sousa Silva. Este agrupamento inteiramente constituído por flautas procura interpretar as obras de acordo com a estética da época utilizando cópias de instrumentos do século XVI. Entrada €5. Serão interpretadas obras de Hessen, Arauxo, Cabezon, Carreira, Holborne, Sheidt, Rosenmüller, Frescobaldi e Bertal.
Um pouco para interior, na Igreja de São Gonçalo em Amarante teremos a Orquestra do Norte com Carina Albuquerque e Emanuel Salvador e dirigida por José Ferreira Lobo no Sábado 15 de Novembro às 21:30. O programa inclui a Sinfonia nº 97 em Dó Maior de Haydn e o duplo concerto para violino e violoncelo de Brahms.
Esta mesma orquestra estará na Sexta-Feira dia 14 às 21:30 em Seia na Casa Municipal da Cultura de Seia mas aqui com o pianista Ângelo Martingo e um programa que inclui obras de Mozart (A Flauta Mágica - Abertura), Beethoven (Concerto nº 5 para Piano e Orquestra).
quarta-feira, 12 de novembro de 2008
Leonard Bernstein - Sexta Parte - As Aulas em Harvard
Esta é a sexta parte da biografia de Leonard Bernstein. Veja aqui a quinta parte.
Em 1973 Leonard Bernstein é convidado a dar umas aulas em Harvard para uma cadeira chamada Charles Eliot Norton, uma cadeira de Poesia. A propósito das recentes eleições americanas este ano de 1973 tinha começado para Bernstein em Janeiro com um concerto de protesto pela re-eleição de Nixon para um segundo mandato ...
Leonard Bernstein vai utilizar esta oportunidade para construir - desculpem-me o termo mas estamos em 1973 numa altura em que estudos multi disciplinares estavam longe de ser comuns - um verdadeiro legado teórico que postula que a música e a língua partilham uma gramática comum e universal e que a música pode e deve ser analisada com as ferramentas da linguística.
O que ainda é mais surpreendente é que neste conjunto de palestras Bernstein não se pressupõe um conhecimento profundo de teoria musical de tal forma que estas cerca de 13 horas de aulas incluem uma espécie de curso rápido em teoria.
Para quem conhece os concertos para jovens descobrirão alguns pontos em comum nestas palestras em que Bernstein defende a tonalidade de certa forma contra a atonalidade e em que apresenta Mahler como o compositor emblemático do século XX.
Felizmente estas palestras foram gravadas e podem ser adquiridas em DVD na sua versão original e também em livro numa edição que data de 1976 ligeiramente revista pelo autor.
Diz Bernstein que embora possamos discordar daquilo que uma determinada música diz facilmente concordaremos nas formas (nas construções) utilizadas para a fazer dizer qualquer coisa. Defende Bernstein que a música naquilo em que é assimilável a uma linguagem é uma linguagem profundamente e essencialmente metafórica (metafóra = além do significado literal), uma forma de expressão que nos permite descrever o indescritível, dizer o indizível ...
Oiçam-no aqui e aqui em dois curtos extractos ...
Em 1973 Leonard Bernstein é convidado a dar umas aulas em Harvard para uma cadeira chamada Charles Eliot Norton, uma cadeira de Poesia. A propósito das recentes eleições americanas este ano de 1973 tinha começado para Bernstein em Janeiro com um concerto de protesto pela re-eleição de Nixon para um segundo mandato ...
Leonard Bernstein vai utilizar esta oportunidade para construir - desculpem-me o termo mas estamos em 1973 numa altura em que estudos multi disciplinares estavam longe de ser comuns - um verdadeiro legado teórico que postula que a música e a língua partilham uma gramática comum e universal e que a música pode e deve ser analisada com as ferramentas da linguística.
O que ainda é mais surpreendente é que neste conjunto de palestras Bernstein não se pressupõe um conhecimento profundo de teoria musical de tal forma que estas cerca de 13 horas de aulas incluem uma espécie de curso rápido em teoria.
Para quem conhece os concertos para jovens descobrirão alguns pontos em comum nestas palestras em que Bernstein defende a tonalidade de certa forma contra a atonalidade e em que apresenta Mahler como o compositor emblemático do século XX.
Felizmente estas palestras foram gravadas e podem ser adquiridas em DVD na sua versão original e também em livro numa edição que data de 1976 ligeiramente revista pelo autor.
Diz Bernstein que embora possamos discordar daquilo que uma determinada música diz facilmente concordaremos nas formas (nas construções) utilizadas para a fazer dizer qualquer coisa. Defende Bernstein que a música naquilo em que é assimilável a uma linguagem é uma linguagem profundamente e essencialmente metafórica (metafóra = além do significado literal), uma forma de expressão que nos permite descrever o indescritível, dizer o indizível ...
Oiçam-no aqui e aqui em dois curtos extractos ...
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