terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Para Ti - Dedicado a Maria de São José de Fernando Alipio de Vasconcelos

Um dos outros poemas do meu avô que decidi partilhar convosco é especialmente adequado a este dia 14 de Fevereiro. Foi um poema que o meu avô escreveu no Fundão em 1935 a 8 Dezembro e que dedicou à minha avó Maria de São José.

PARA TI

Foi numa tarde
à luz do Sol poente
à hora em que a terra
mais rescende
que nos beijámos
ambos longamente. . .
e longamente te disse
do amor que a ti me prende.
E penso desde então,
que ideia louca,
que tenho os teus lábios
eternamente em flor,
a perfumar de beijos minha boca.

Fernando Alípio de Vasconcelos - Fundão 08.12.1935

Que me desculpem mas para ilustrar este poema só consigo pensar num outro de Ary dos Santos, Estrela da Tarde. Espero que tenham todos namorado muito hoje ... 

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Tomás Borba (1867-1950)

Hoje, no dia 12 de Fevereiro de 1950 há 61 anos portanto falecia em Lisboa um dos maiores pedagogos portugueses do século XX, Tomás Borba.

Nascido em Conceição (Angra do Heroísmo) a 23 de Novembro de 1867 estudou literatura e teologia no Seminário Episcopal de Angra tendo sido nomeado sacerdote em 1890. No plano artístico nos Açores teve aulas de música com Guilherme Augusto da Costa Martins.

Em 1891 viaja para Lisboa para se matricular no Real Conservatório nas disciplinas de Piano e Composição. Inscreve-se também no curso de Letras na Universidade Clássica de Lisboa onde foi aluno de Teófilo Braga tendo terminado todos estes cursos com elevadas classificações.

Em 1901 tornou-se professor no Conservatório Real de onde apenas saiu em 1937 por ter atingido a idade da reforma. Em 1913 organizou e dinamizou aquele que terá sido até agora o primeiro e único congresso dos músicos portugueses. Professor de Lopes Graça e de Luís de Freitas Branco e Fragoso,  membro (presidente) da direcção da Academia dos Amadores de Música onde deu trabalho a Lopes Graça quando este foi impedido de leccionar pela ditadura Tomás Borba está assim directamente ligado ao apoio de vários dos melhores compositores portugueses do século XX.

Escreveu vários manuais que serviram de base ao ensino do canto coral nas escolas portuguesas e foi co-autor com Lopes Graça do Dicionário de Música que penso será até hoje o único dicionário deste género editado por portugueses.

Enquanto compositor destaca-se um Te-Deum e algumas outras obras de cariz religioso dado que Tomás Borba nunca esqueceu a sua condição de Padre e cristão. Infelizmente por mais que procurasse não consegui encontrar nenhum registo no You Tube nem tão pouco CD´s gravados com composições suas. Se alguém me puder ajudar agradecia. A excepção foi este video de um grupo de alunos surdos que cantam uma das suas composições. Após reflexão talvez o exemplo não pudesse ser melhor ... Creio que Tomás Borba ficaria satisfeito por ver que a sua música podia servir como base de ensino para todos ... para todos mesmo.



A sua enorme influência na música portuguesa deste século é visível igualmente na ilustre sequência dos seus alunos e também na enorme quantidade de grupos de música popular que adoptam o seu nome dada a sua raiz Açoriana um pouco por todo o mundo.

Como dissemos Tomás Borba faleceu em Lisboa a 12 de Fevereiro de 1950.

Amo as Estrelas de Fernando Alípio de Vasconcelos

Já por algumas vezes vos falei aqui da minha avó (da parte da minha mãe) ou do meu avô (da parte do meu pai). Foram pessoas que me marcaram muito e a quem sei que devo uma boa parte da minha forma de ver o mundo e dos meus gostos também.

Do meu avô as minhas primeiras recordações curiosamente estão ligadas à televisão. Ao Vitorino Nemésio que ele gostava tanto de ver - e surpreendia-se por eu na altura miúdo com pouco mais de 6 anos - também gostar daquelas conversas aparentemente sem rumo, da sua colecção de selos que passava horas a organizar ou mais tarde de vermos a Académica na televisão, do xadrês e dos livros de geografia que eu lia vezes sem conta nas férias de verão. O gosto pela leitura (pela cultura provavelmente) sem dúvida começou por aí ...

Ontem o meu pai enviou-me alguns textos escritos pelo meu avô e não posso deixar de vos deixar aqui um poema que dedicou aos seus netos.

Amo as Estrelas

Amo as estrelas, sim!. . . Não as que vejo
No azul do céu, dispersas e distantes. . .
As estrelas que eu amo, mais brilhantes,
Acendem no meu peito alvores de esperanças,
Fulgindo em luz de amor, quando vos beijo,
Nos vossos puros olhos de crianças!. . .

F. Alípio de Vasconcelos

Pensei durante algum tempo que música poderíamos associar a este poema. depois de reflectir um pouco escolhi Os Planetas de Holst. Não tanto por o tema ser aparentemente os planetas (excepto a terra) do sistema solar mas sobretudo porque Holst tanto quanto outros grandes compositores foi um notável professor tal como o meu avô ... Para além disso simbolicamente uma das peças que o meu filho já interpretou também é deste compositor ... (a suite S. Paulo no caso). 

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Nixon na China (John Adams) nos Cinemas do Brasil em Directo do Met

Através do nosso leitor Rafael Queres ficamos a saber que a Opera Nixon na China (1987) do compositor americano John Adams que conta a histórica visita de Nixon à China em 1972 será transmitida em directo de Nova Iorque (do Met) para os cinemas do Brasil às 16h. Para ver as salas em que a exibição ocorrerá podem consultar o site Mobz.

Assim pela segunda vez temos neste blog uma recomendação para o nosso país irmão e desta vez em várias cidades do Brasil dado que poderão ouvir esta composição nos cinemas do Rio de Janeiro, São José dos Campos, São Paulo, Porto Alegre, Campinas, Maringá, Brasília e Belo Horizonte. No mesmo site poderão saber como adquirir (e mesmo comprar) os bilhetes para assistirem à récita.

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