sábado, 16 de janeiro de 2010

Post nº 1000 - Os vossos comentários a este blog (Parte 5: 1 a 15 de Junho 2008)

Continuando a nossa visita aos vossos comentários analisando agora o período de 1 a 15 de Junho de 2009 eis o que disseram os comentadores deste blog:

No dia 2 de Junho de 2008 dizia-nos Pianoman sobre o Pianoforte : "Na minha opinião, quando se refere ao piano-forte (que eu chamo de fortepiano - inventado por Cristofori) como antecessor do actual piano, permita-me que eu discorde, pois considero esse instrumento o mesmo. Se fosse obrigado a escolher um antecessor para o piano, seria, sem dúvida, o clavicórdio, uma vez que o mecanismo é semelhante ao do piano actual no que diz respeito à maneira como a corda é posta a vibrar. Neste caso por martelos (corda percutida) e não por plectros (corda beliscada) como disse, e muito bem, que se passa nos cravos, virginais e espinetas." No dia seguinte esclarecia-nos sobre o verdadeiro significado de  "WoO" : "WoO=Werk Ohne Opuszahl (obra sem número de opus)". Ainda no mesmo dia voltava a corrigir agora explicando que um Duplo Contrabaixo não é bem assim que é chamado: "O que chama "duplo baixo" (provavelmente vindo de "doublebass") é o Contrabaixo."

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Lang Lang em 3D e o Ano Chopin

Este post é inteiramente dedicado a um colega meu ( pois é Nuno, isto anda tudo obcecado :-) ) com o qual tenho discutido nos últimos tempos a pertinência (ou falta dela) do 3D. Parece que tudo neste momento anda aproximadamente louco com o tema ao ponto do pianista chinês Lang Lang ter anunciado (leiam aqui a notícia no Figaro) que irá protagonizar um filme em 3D.

Trata-se de um filme com uma história fantástica. Umas crianças descobrem um piano mágico e uma máquina voadora dotada de um telescópio; com ele vão descobrindo a música de Chopin. Será um filme de divulgação da música clássica pelo que se saúda a tentativa, apesar do 3D ... :-) Muito embora neste caso o 3D possa não querer dizer o mesmo que no filme Avatar por exemplo (pela descrição do projecto não dá para perceber mas parece que não). Na realidade o filme irá misturar personagens em animação, marionetas e personagens reais (incluindo Lang Lang).

O estúdio que vai produzir o filme será o mesmo que concebeu e realizou Pedro e o Lobo que é um filme absolutamente fantástico - podem vê-lo no You Tube aqui por exemplo - tinha falado dele aqui a propósito do workshop da OML Junior em Montalegre. Este primeiro filme (Pedro e o Lobo) obteve aliás o Oscar para melhor curta metragem animada em 2008. Só por isso o filme que irá estrear em Outubro 2010 promete muito.

Estaremos atentos, assim que descobrir (existir) um trailer será devidamente postado :-)

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

De volta a Bach - A terceira partita (BWV 1006 em Mi Maior)

Por razões que desconheço de vez em quando volto a Bach. Quando o faço para além dos concertos de Brandenburgo que revisito frequentemente as peças para Violino e Violoncelo solo são sempre das primeiras a voltarem-me à memória.

Um pouco por acaso resolvi atardar-me hoje na terceira partita uma das composições que faz parte da selecção enviada para o espaço nas Sondas Voyager (numa gravação da Gavotte de Arthur Grumiaux).

Esta terceira partita (BWV 1006 em Mi Maior) é composta por 7 andamentos. Destes o mais frequentemente interpretado é o primeiro embora a Gavotte seja também muito popular. Os dois últimos andamentos pela suas características pedgógicas são também bastantes vezes interpretados. Vejamos cada um dos andamentos interpretados por vários grandes violinistas. Podem assim ouvir como diferentes interpretações podem dar uma ideia diferente da música sem por isso mudar a natureza da mesma ... Qual dos andamentos preferem? Qual dos violinistas ?
  1. Preludio: Nathan Milstein, Christian Ferras, Henryk Szeryng, Heifetz 
  2. Loure: Arthur Grumiaux, Viktoria Mullova
  3. Gavotte en Rondeau : Hilary Hahn, Arthur Grumiaux (certamente parecido à gravação da Voyager), Menuhin , Itzhak Perlman
  4. Menuet I : Enescu (esta gravação tem os andamentos desde o minueto 1 até ao fim da partita), Grumiaux (Minueto 1 e 2), Itazhak Perlman (do minueto 1 até ao fim da partita)
  5. Menuet II : Ver Menuet 1 (não encontrei nenhuma gravação isolada deste minueto que valesse a pena ouvirem ...
  6. Bourrée: Arthur GrumiauxHeifetz (inclui tudo a partir do minueto 1. A Bourrée está a partir de 3:40)
  7. Giga : Arthur GrumiauxHeifetz (inclui tudo a partir do minueto 1. A Giga está a partir de 5:07)

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Robert Schumann - Concerto para Violino (uma história com violinistas videntes)

Se a história do Concerto para Violoncelo de Schumann é bastante original com vários maestros e interpretes a acharem que podiam melhorar a obra do compositor a história que rodeia o concerto para violino então é absolutamente esoterica.

O concerto foi composto em 1853 apenas meses (Outubro) antes do compositor ter tentado o suicídio atirando-se ao rio (Fevereiro de 1854). Este período coincidiu com o aparecimento de Brahms na vida do compositor. Este facto viria a estar ligado à história do concerto. Este foi escrito para o grande violinista Joseph Joachim de que já falamos muitas vezes neste blog. Na realidade nesta altura todos os grandes compositores românticos ao escreverem um concerto para violino não poderiam deixar de pensar neste instrumentista. O facto é que Schumann entregou o manuscrito ao interprete e este depois de o ter ensaiado uma vez na corte de Hanover não mais lhe tocou (como aliás fez a muitas outras obras) tendo depositado o manuscrito do mesmo na Biblioteca do Estado da Prússia. Joseph Joachim considerava que a obra era mórbida e o produto já não do génio do compositor mas sim da sua loucura. A história na verdade e um pouco mais complicada dado que Clara Schumann que no inicio pensava que a obra merecia ser publicada acabou por concordar com Joachim atribuindo-lhe a guarda do manuscrito e dando-lhe  instruções para que este não fosse publicado (apesar da opinião contrária de Brahms e note-se que Brahms tinha conhecido Schumann precisamente graças a Joachim). Joachim limitou-se assim a cumprir escrupulosamente os desejos da viúva de Schumann.

O facto é que o manuscrito ficou assim arrumado e não fosse uma brilhante violinista Jelly d'Aranyi (1895-1966) - por acaso amiga de Elgar (o grande compositor britânico que considerava Schumann "o seu ideal") ser também espirita (pronto aqui vendo-vos a história como ela é contada :-)). Facto é que o manuscrito foi re-descoberto em 1933.

Até 1937 nada mais aconteceu altura em que o editor enviou a Menuhin a partitura para obter uma opinião. Menuhin interpretou o concerto e respondeu dizendo que era o "elo" que faltava na história dos concertos para violino e preparando-se para a sua estreia. Porém foi interrompido no processo precisamente por Jelly d'Aranyi que reclamava o direito de estrear o concerto.

Se acham que esta história é curiosa esperem porque não acaba aqui. Lembremos que estávamos nessa altura em pleno Nazismo na Alemanha e que o concerto para violino de Mendelssohn ( que era judeu) tinha acabado de entrar na lista das obras proibidas. Logo este concerto de Schumann era ideal para a necessária substituição e respectiva proclamação da superioridade ariana. Sendo assim obviamente não poderia nunca ser estreado por um outro judeu (Menuhin - seria uma desgraça). Tinha de ser estreado na Alemanha por um solista alemão uma orquestra alemã e um maestro alemão: tudo na mais pura tradição ariana.

Foi assim que a obra finalmente viu a luz do dia a 26 de Novembro de 1937 sendo solista Georg Kulenkampff com a Filarmónica de Berlim dirigida por Karl Böhm. Claro que este começo como obra de propaganda, de que obviamente não tinha culpa absolutamente nenhuma, também não ajudou ao seu reconhecimento uma vez a guerra terminada.

Felizmente Menuhin acabou por conseguir ultrapassar o boicote tendo estreado a obra duas semanas após a estreia na Alemanha o que contribuiu certamente para evitar que a obra ficasse tristemente associada a um estupidificante regime com o qual obviamente não tinha nada a ver.

O concerto em si segue a estrutura clássica em três andamentos. Fiquem aqui com a interpretação e gravação de 1937 de Menuhin, precisamente a segunda como acabei de vos contar.

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