quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Claudio Arrau, Beethoven e a Liberdade

Hoje o pianista chileno Claudio Arrau faria 105 anos. Se têm seguido o meu blog lembram-se certamente de algumas das suas interpretações por exemplo esta. Tinha preparado um post com uma pequena biografia de Arrau mas o nosso blog de referência Desnorte antecipou-se e certamente fê-lo melhor do que eu , por isso leiam aqui o resumo da vida de um homem que sempre batalhou pelos direitos humanos, pela liberdade contra a tirania, tal como Beethoven.

Talvez por isso Arrau foi um dos melhores interpretes de Beethoven. Tinha também planeado mostrar-vos uma sonata de Beethoven que encontrei no You Tube mas mais uma vez outro dos nossos sites de referência antecipou-se. Por isso vejam aqui o que o site do curso de piano do conservatório de Setúbal preparou para vós sobre Arrau (a propósito é a efeméride 101, pena que não seja a 105, era giro !)

Poderia ainda falar-vos das inúmeras glórias e sucessos que Arrau foi juntando ao longo da sua carreira. Prefiro no entanto terminar apenas com três videos de cerca de 36 minutos no total em que Claudio Arrau responde a uma série de perguntas sobre a sua vida e sobre a arte. Não sei que impressão vos causará a vós. O que vos posso dizer é que conhecia a voz do seu piano e esta emocionava-me. A voz dele a falar de arte transmite pelo tom calmo, pela forma de falar exactamente a mesma dimensão transcendental que apenas os grandes génios podem conseguir.
As perguntas nem sempre são as mais inteligentes, mas até aí Claudio Arrau se supera.

Entrevista a Claudio Arrau - Parte 1
Entrevista a Claudio Arrau - Parte 2
Entrevista a Claudio Arrau - Parte 3

Concerto Aberto Antena 2 com a jovem violinista Maria Viseu

Ainda não é quinta-feira mas como este concerto é Sexta a uma hora complicada fica já aqui a divulgação. Se puderem não faltem. Garanto-vos que vale a pena! Beethoven, Brahms e Mendelssohn para um concerto quase totalmente romântico :-)

A jovem violinista Maria Viseu, vencedora do Prémio Jovens Músicos em 2006, apresenta-se em Recital com o pianista Ian Mikirtoumov na próxima 6ª feira, 8 de Fevereiro, às 18 horas no Auditório da Fundação Portuguesa das Comunicações (Rua do Instituto Industrial, 16 - próximo do Mercado da Ribeira). Entrada Livre.

Neste Recital, integrado no programa "Concerto Aberto" da Antena 2 da RDP, Maria Viseu, oriunda da Academia de Música de Lisboa e elemento dos Violinhos, interpreta um aliciante programa de onde se destacam a Sonata "Primavera" de Beethoven, a Sonata Nº2 de Brahms, e o Concerto de Mendelssohn.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

Beethoven - 5º Concerto para Piano

Se ontem falámos de uma das grandes obras de Beethoven hoje iremos abordar uma outra que é não menos importante. O 5º concerto para Piano em Mi Bemol Maior.

Este concerto foi composto entre 1809 e 1810 em Viena tendo sido estreado em 1810 em Leipzig. É conhecido pela sua grandiosidade como "Imperador" mas conhecendo o gosto de Beethoven duvido que aprovasse a designação!

O primeiro andamento (Allegro em Mi Bemol Maior) é profundamente inovador na forma (como aliás o quarto já tinha sido ao abrir directamente com o solista) ao criar uma série de "pseudo-cadencias" como resposta a alguns acordes da orquestra. Quebrando mais uma tradição não existe cadência no fim do andamento (uma cadência num concerto para os que não estão familiarizados com este termo significa uma passagem em que o instrumento solista interpreta uma passagem sozinho sem acompanhamento da orquestra, normalmente uma passagem de grande virtuosismo. A este propósito falámos ontem das cadências que Kreisler escreveu a para o concerto para Violino. Na verdade na tradição dos grandes instrumentistas do século XIX e princípios do século XX era normal estes escreverem esta parte das obras que funcionavam como uma demonstração de virtuosismo (esta tradição vem desde o barroco). Bem o parênteses já vai longo por isso fiquemos com Claudio Arrau pianista Chileno no primeiro andamento deste magnifico concerto. Dada a extensão do mesmo está dividido em duas partes, poderão ouvi-lo Aqui - Parte1 e Aqui - Parte 2.

O segundo andamento (Adagio un poco mosso em Si Maior) é um dos meus andamentos preferidos. Por vezes parece que estamos a ouvir Chopin (e tratando-se de piano isto é um elogio). Aliás é melhor que Chopin porque não temos apenas o piano, temos o piano e uma orquestração genial. São apenas subtis aflorar de cordas e de sopros mas que contribuem para o grande lirismo deste andamento. Para ilustrar este andamento escolhi uma interpretação de Van Cliburn o grande pianista norte-americano que em 1958 conquistou o primeiro prémio Tchaikovsky. Podem ouvir este andamento aqui.

O terceiro andamento (Rondo: Allegro ma non troppo - Mi Bémol Maior) é bastante exuberante e um claro contraste com o segundo andamento. Note-se que este andamento é "atacado súbito" - não existe paragem entre o segundo e o terceiro andamento. Para ilustrar este andamento escolhemos uma interpretação do grande pianista Russo Lev Oborin vencedor do primeiro prémio Chopin em 1927 que podem ouvir aqui.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Beethoven - Concerto para Violino em Ré Maior

Das obras para piano solo passamos hoje para o concerto para Violino em Ré Maior Opus 61. Este concerto foi composto para o seu colega violonista Franz Clement. No entanto o concerto não foi um sucesso imediato e na verdade só por uma vez voltou a ser executado na vida de Beethoven (Berlim 1812).

Devemos mais uma vez a sua redescoberta a um compositor de quem já falamos algumas vezes Mendelssohn que em 1844 dirigiu uma interpretação sendo o solista o famoso violinista Joseph Joachim (de que iremos falar mais tarde a propósito de Brahms por exemplo). Nunca é demais salientar o papel que Felix Mendelssohn teve no redescobrir de tantas e tantas obras (S. Mateus de Bach por exemplo). Na verdade este concerto já tinha sido tocado em 1834 por Vieuxtemps que tinha na altura 14 anos mas esse facto passou desapercebido. Em grande parte porque contrariamente a atitude prevalecente na época o concerto de Beethoven é na verdade um concerto para Violino e Orquestra e não apenas um concerto para fazer brilhar o solista com uma orquestra subserviente e secundária.

Desde essa data (1844) este concerto passou a ser uma peça das mais executadas do repertório de violino o que é aliás inteiramente merecido. Sendo como é uma das peças mais significativas do reportório de um violinista não admira que seja fácil encontrar várias interpretações deste concerto no You Tube. Tivemos mesmo uma tremenda dificuldade de escolha ...

O primeiro andamento (Allegro ma non troppo - Ré Maior) caracteriza-se pela utilização orquestral dos timbales e das madeiras prática em que Beethoven levou as experiências anteriores de Mozart às ultimas consequências. Para ilustrar este primeiro andamento escolhemos Yehudi Menuhin que podem ouvir aqui . Orquestra dirigida por Colin Davis.

O segundo andamento (Larghetto - Sol Maior) caracteriza-se por uma melodia "leve", "etérea". Para este segundo andamento escolhemos Isaac Stern com a Orquestra Nacional de Paris dirigida por Claudio Abbado. Podem ouvir este andamento aqui.

O terceiro andamento (Rondo - Allegro) caracteriza-se pelo aparecimento sucessivo de um tema que provavelmente muitos de nós já ouvimos ... só não sabemos de que se trata ... Para este andamento escolhemos uma gravação de 1968 com a Filarmónica de Londres dirigida por Sir Adrian Boult. O solista é David Oistrakh (1908-1974) sem margem para duvidas um dos grandes violinistas do século XX. Podem ouvir este andamento aqui.

Em extra proponho-vos também que oiçam este concerto numa interpretação que vou considerar histórica já que é de Kreisler o autor das cadências que são normalmente interpretadas com este concerto (o tema das cadências seria só por si um post que irei eventualmente um dia fazer) mas por agora se quiserem ouvir esta gravação de 1926 cliquem aqui (nota: só para ver o gira-discos em que isto é tocado vale a pena .... ).

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